Fiquei ali, parada no meio do quarto, o gosto amargo ainda na minha boca e o peso das palavras de Matteo pressionando meu peito como um fardo impossível de carregar. Ele queria que eu me afastasse. Como se eu fosse um problema. Como se eu fosse um risco.Soltei uma risada vazia, jogando o copo na cômoda com um pouco mais de força do que o necessário. A raiva pulsava em mim, mas por baixo dela havia algo ainda pior, dor.Eu sabia que esse momento chegaria. Desde que Isabella cruzou aquela porta, desde que vi Olivia se infiltrando aos poucos, eu sabia que, em algum momento, Matteo teria que escolher um lado. E ele escolheu.Passei as mãos no rosto, tentando conter o aperto na garganta. Não ia chorar. Não ia dar esse gosto para ninguém, nem mesmo para mim mesma.Mas a verdade era que Matteo tinha conseguido o que queria. Ele me quebrou sem precisar levantar um dedo.Caminhei até a penteadeira e encarei meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam carregados de mágoa, meus lábios pressionad
Cheguei em casa de madrugada, exausto após um dia cansativo, a mente girando com todas as discussões que haviam ocorrido. A porta rangeu ao ser aberta, e entrei, o peso das minhas decisões pesando nos ombros. O silêncio da casa era quase ensurdecedor, e um aperto no peito me acompanhava enquanto caminhava em direção ao quarto.Quando abri a porta, encontrei Angeline dormindo na cama, seus olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. A visão dela ali, vulnerável e ferida, provocou uma onda de emoções conflitantes dentro de mim. Parte de mim queria confortá-la, mas a outra parte estava dominada pela frustração e pelo ressentimento.Decidi que precisava de algo para me ajudar a suportar a tensão. Fui até o bar e peguei uma garrafa de uísque, despejando um bom gole em um copo. O líquido desceu queimando, mas a sensação era boa, uma forma temporária de anestesiar a dor.Então, voltei ao quarto. Angeline ainda estava deitada, e, ao ouvir o som do copo se chocar contra a mesa de cabeceira, el
Quando Matteo recuou, o silêncio tomou conta do quarto, mas a tensão ainda pairava no ar. Eu não conseguia acreditar no que havia acontecido. O medo e a raiva se misturavam dentro de mim enquanto eu o encarava, tentando processar o que ele acabou de fazer.— Como você pôde fazer isso? — perguntei, a voz tremendo. O desespero e a indignação eram palpáveis.Ele parecia chocado consigo mesmo, mas a frustração em seu olhar não desapareceu.— Você não me deixa outra opção! — ele respondeu, a voz elevada. — Você só pensa em você mesma, em como se sentir melhor a todo custo!— Eu só estou tentando defender o que é certo! — retruquei, a raiva crescendo. — Você realmente acha que eu sou a vilã aqui?— Você está criando problemas onde não havia nenhum! — Matteo disparou, a irritação transbordando em suas palavras. — É como se você não quisesse ver a realidade.— A realidade? A realidade é que você não consegue entender o que estou passando! — eu gritei, dando um passo à frente, desafiando-o. —
Os dias se arrastavam, e a sensação de estar presa em um pesadelo se intensificava a cada manhã.Eu era o assunto principal das fofocas, e todos pareciam se deliciar com o fato de que eu estava morando com meu pai. A vergonha que eu sentia era esmagadora, e cada risada que ouvia nas ruas parecia ser direcionada a mim.Leonardo, não facilitava as coisas. A presença dele era opressiva, e eu tentava evitar qualquer tipo de interação. Quando eu ia dormir, trancava a porta com medo que ele entrasse, meu coração acelerava ao ouvir o som de seus passos no corredor.Naquela manhã, sentei-me à mesa do café da manhã, tentando ignorar a tensão que pairava no ar. Leonardo já estava lá, olhando para o celular com um semblante sério. A atmosfera estava carregada de desconforto.— Olha só, a "grande Angeline" de volta ao lar — ele começou, a ironia em sua voz sendo como uma lâmina afiada. — Não é engraçado como a vida dá voltas?Senti meu rosto esquentar, mas permaneci em silêncio, apenas mexendo no
Enquanto dirigia pela cidade, minha mente estava um turbilhão. O que havia acontecido entre mim e Angeline não saía do meu pensamento. O peso da decisão de mandá-la embora me atingia como uma onda, e eu me sentia cada vez mais perdido. Precisava conversar com alguém que entendesse a gravidade da situação, então decidi me encontrar com Giovanni na sede da máfia.Chegando lá, fui recebido pela atmosfera habitual de seriedade e tensão. Giovanni estava em uma das salas, cercado por alguns documentos e discutindo estratégias com outros membros. Assim que entrei, ele se virou, e seu olhar se iluminou ao me ver.— Matteo! — ele exclamou, levantando-se rapidamente. — Precisamos conversar.Ele gesticulou para que eu me sentasse em uma cadeira próxima. Eu sabia que Giovanni estava sempre disposto a me ouvir, mas hoje, sua expressão era mais grave do que o normal.Os outros homens me cumprimentaram com respeito e saíram da sala.— Como você está lidando com tudo isso? — ele começou, a preocupaçã
Cheguei em casa e percebi que a tensão no ar era palpável. Isabella estava sentada no sofá, com o rosto fechado e os braços cruzados, claramente irritada. Olhei para Olivia, que estava ao lado dela, com uma expressão de preocupação.— O que está acontecendo? — perguntei, tentando entender a situação.— Isabella não está feliz com você. — Olivia respondeu, a voz tensa. — Ela se sente traída por você ter saído com Angeline novamente.Senti meu coração apertar ao ouvir aquelas palavras. Isabella virou o rosto, seus olhos brilhando com raiva.— Você não se importa comigo! — ela gritou, a frustração transbordando. — Só quer saber da sua esposa!— Isabella, não é isso... — tentei explicar, mas as palavras não pareciam sair como eu queria. O descontentamento dela estava evidente, e eu me sentia impotente.Olivia colocou a mão no braço da filha, tentando acalmá-la.— Eu não quero ficar aqui se a situação continuar assim. — Olivia ameaçou, olhando para mim, seu olhar cheio de desapontamento.O
Eu o observei pelo espelho enquanto escovava os cabelos. Matteo estava sentado na cama, me olhando de um jeito diferente. Não distraído, não distante, como às vezes ficava ultimamente. Ele estava ali. Totalmente ali.— O que foi? — perguntei, tentando soar leve, mas sentindo meu coração acelerar.Ele sorriu de lado e se levantou. Seu andar era calmo, sem pressa, mas decidido. Parou atrás de mim, pegou a escova da minha mão e começou a passar nos meus fios com uma delicadeza que me pegou de surpresa.— Só estou te admirando. — disse, a voz baixa, íntima.O couro cabeludo formigou sob o toque dele. Matteo nunca foi um homem de gestos supérfluos, muito menos de romantismos inesperados. Mas agora, ali, escovando meus cabelos como se tivesse todo o tempo do mundo, ele parecia alguém diferente.— Está querendo alguma coisa? — provoquei, tentando ignorar o arrepio que percorreu minha pele.Ele riu, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, inclinou-se para sussurrar contra a curva do m
Quando parei o carro em frente ao prédio, olhei pelo retrovisor. Isabella estava com os bracinhos cruzados, a expressão emburrada. Olivia fitava a janela, sem dizer nada. Suspirei.— Vamos subir. — anunciei.Isabella desceu sem reclamar, mas seu silêncio era um lembrete do quanto estava contrariada. Olivia, por outro lado, saiu do carro com um suspiro pesado, deixando claro seu desgosto antes mesmo de entrarmos no prédio.Assim que abri a porta do apartamento, Isabella correu para dentro, explorando os cômodos com curiosidade infantil. Olivia, no entanto, ficou parada na entrada, os braços cruzados.— Você realmente acha que pode nos enfiar aqui como se fôssemos um problema a ser resolvido? — Ela me encarou, a voz carregada de ironia.Fiz questão de manter meu tom firme.— Este apartamento é confortável, seguro e espaçoso. Isabella vai ter tudo o que precisa.— E eu? — Olivia arqueou a sobrancelha. — O que eu preciso não importa?Isabella voltou para perto de nós, segurando minha mão.