Alana: — Dois meses depois — Tirei o telefone do gancho e disquei o ramal da minha assistente.— Sarah, os relatórios semanais já estão prontos? — questionei.— Sim, senhorita Wayne! — ela respondeu — Eu ia agora mesmo entregá-los a senhorita."Senhorita Wayne", mais de dez funcionários da CG Magazine estavam presentes no momento em que Amanda revelou na frente de todos que eu era filha de Bill Margolin e não de Vincent Wayne há dois meses atrás.Provavelmente a revista inteira já sabia e falava sobre isso pelas minhas costas, uma fala na perfeita megera que os infernizava, mas, eu não me importava, ou pelo menos fingia não me importar, talvez assim fizesse parecer que eu estava acima de tudo aquilo.Que piada.Eu sabia bem que não estava. Eu estava doente por dentro.Durante todos os sessenta dias daqueles dois meses, não houve um só em que Vincent ou Martha não tentassem fazer qualquer tipo de contato comigo, mas eu me recusava a responder qualquer mensagem ou atender
Connor:Após dar uma olhada na plantação de morangos e confirmar que a Sassy estava bem, retornei a sede da fazenda.Um jeep vermelho estava estacionado bem ao lado da minha caminhonete .Malditos funcionários do banco. Será que eles não se cansavam de tentar comprar a fazenda.Aquela era a quarta vez, só naquela semana.— Patrão! — José veio correndo ao meu encontro — Tem alguém aqui para vê-lo.— Desgraçados! — bradei irritado caminhando rapidamente até a varanda — Eu já deveria ter matado um desses miseravéis.— Não é isso patrão! — José tentou me acalmar — A visita é...— O que? — parei e me virei para ele — Não me diga que eles trouxeram uma proposta melhor dessa vez?— Ouça, patrão...— Olá cowboy! — uma voz feminina mais do que familiar ecôou fazendo todo o meu corpo se enrijecer e os pêlos dos meus braços se arrepiarem.Me virei lentamente em direção a varanda e contemplei a cascata de cabelos ruivos brilhando no sol.Ela voltou.Alana: — Dezesseis horas antes —Corr
Connor:Ela sorriu para mim com aqueles olhos verdes brilhantes, agindo como se nunca tivesse ido embora, ela se aproximou mais de mim e passou as mãos em volta do meu pescoço, me puxando para um beijo.No momento em que nossos lábios se tocaram, eu travei.Eu queria afastá-la, mas meus braços estavam petrificados, e meu lábios apenas corresponderam ao beijo.De repente, foi como se algo tivesse estralado na minha cabeça, me trazendo de volta para a realidade.Dispondo de toda resistência que ainda havia me sobrado, segurei em seus ombros e a afastei de mim.— O que pensa que está fazendo? questionei.— Beijando você! — ela disse tentando se aproximar de novo.— Não! — bradei irritado a fazendo brecar — Não se aproxime de mim.— Connor?— Como você ousa vir aqui? — questionei irritado — Como ousa retornar a esse lugar e agir como se nada tivesse acontecido?— Eu sei que eu machuquei você, mas eu...— Mas? — sorri frustrado — Eu não me importo com o seu mas. Eu simplesmente não quero
Alana:O mundo parou. Meu corpo ficou rígido, como se meu sistema nervoso tivesse sido desligado de repente. O vestiário masculino, antes apenas um pano de fundo sem importância, agora parecia uma cena de pesadelo. O cheiro de desodorante misturado ao suor dos atletas, os armários metálicos alinhados contra a parede, o som distante das comemorações no ginásio... tudo se tornou um borrão indistinto.O que estava nítido, absurdamente nítido, era a visão do meu namorado, Jack Gardner, e da minha irmã mais nova, Amanda, se beijando como se fossem os únicos no mundo. As mãos dele, que tantas vezes seguraram as minhas, agora percorriam o corpo dela com a mesma intimidade com que já me tocaram. Os lábios que me prometeram amor eterno estavam devorando os dela.O buquê de girassóis escorregou dos meus dedos, despencando em câmera lenta até o chão. As pétalas amarelas se espalharam sobre o piso de azulejos frios, como um símbolo da ruína dos meus sonhos.Minha mente se recusava a processar. Aq
Alana:O buquê de girassóis deslizou das minhas mãos, caindo no chão e levando junto os meus sonhos para o futuro.Jack olhou para mim assustado e se afastou rapidamente de Amanda.— Alana, eu posso explicar...— Aposto que sim! — Adam sibilou irritado — Então, era com esse idiota que você estava fazendo planos, Alana?— Há quanto tempo? — questionei limpando as lágrimas do meu rosto — Há quanto tempo estão fazendo isso pelas minhas costas?— Meu amor, Alana, me escuta, não é bem assim que...— Há quanto tempo? — gritei furiosa — Há quanto tempo você e a minha irmã mais nova estão me traindo?— Alana, eu...— Quatro meses! — Amanda respondeu despreocupadamente — Estamos saindo há quatro meses .— Quatro meses? — senti como se uma flecha perfurasse meu peito — Quando você me pediu para te dar cobertura para sair com um cara meses atrás, era com ele que estava saindo?— Sim! — ela respondeu simples e direta — E sim, fizemos mais do que dar uns amassos.— Amanda, você não tem vergonha? —
Alana:Toquei o lugar onde ardia na minha face e senti meus olhos lacrimejarem novamente, mas desta vez eu não deixaria que as lágrimas caíssem, nunca mais eu iria chorar por uma traição novamente.— Como ousa falar assim da sua irmã mais nova? — ela interrogou irritada — Você não tem o mínimo de decência?Como sempre, ela estava do lado da Amanda, sua filha favorita.Sorri amargamente ao perceber que ela nunca olharia para mim como olhava para ela, que nunca me defenderia como defendia ela, que sempre fecharia os olhos para os erros da minha irmã mais nova.— Mas que droga de mãe é você? — questionei furiosa a olhando nos olhos — Como pode continuar favorecendo a Amanda, mesmo quando ela está errada?— O que? — ela perguntou confusa e atordoada por me ouvir respondê-la.Normalmente eu não faria algo assim, eu nunca fazia ou falava nada, nunca, eu apenas ficava em silêncio, aguentando tudo, mesmo sabendo como era injusta a forma distinta com que ela nos tratava.— Eu acabei de dizer
Alana:— Coloquem ela mais alto! — ordenei enquanto suspendiam a modelo pelo fio — Tudo bem. Assim está ótimo.Me aproximei do fotógrafo e olhei bem para a lente de sua câmera.— Ajeite o ângulo, quero a foto perfeita! — ordenei — Ela deve parecer um anjo, mesmo que esteja despencando do céu.— Mas, quem caiu do céu foi Lúcifer! — ele disse me encarando.— E eu te perguntei alguma coisa sobre o diabo? — cruzei os braços e franzi o cenho.— Não senhora! — ele respondeu um pouco nervoso.— Concentre-se no seu trabalho! — ordenei.A Megera, era assim que eles me chamavam quando eu não estava olhando, mas corriam como gatinhos assustada quando eu dava uma ordem.Ser a megera da CG Magazine não era tão ruim, além do medo que causava neles, eu era a CEO da revista, a presidente adorava meu trabalho e eu sempre recebia um salário grande, que me permitia viver uma vida confortável e bem luxuosa em Manhattan.Era quase o paraíso.Eu era boa no meu trabalho, mais do que boa, era a melhor, insub
Alana:Connor Mackenzie?O amigo de infância do Adam? Seria ele mesmo?Aquele homem vestia uma camisa xadrez com os botões totalmente abertos, em sua cabeça estava um chapéu, e em seu ombro estava pendurada uma cela.— E aí? — Ramona perguntou ansiosa — Ele não é um espetáculo?— Temos modelos mais bonitos aqui na CG Magazine! — declarei desviando os olhos da página do calendário. — Não é desse tipo de beleza que estamos falando, Alana! — Ramona negou — Os nossos modelos tem uma beleza padrão, influenciada pela carreira, produtos de beleza e maquiagem. Não são como esses homens rústicos do calendário, eles tem uma beleza exótica, um charme que não dá para ser encontrado em nenhum homem de New York.— Talvez ele seja razoável! — falei.— Ouça, temos que fazer um ensaio com esse homem! — ela disse — Vai ser fabuloso, um estouro se esse homem rústico e extremamente sexy for capa da CG Magazine.— Ele não é o padrão dessa revista! — argumentei — Somos uma revista de moda, não de produtos