Os lábios de Mônica ainda pareciam carregar o calor deixado pelo beijo de Rubem. Seu corpo inteiro estava tomado por uma sensação de calor incontrolável que demorou a passar, só diminuindo aos poucos depois de um longo banho em seu apartamento. …Na segunda-feira pela manhã, Mônica dirigiu até a empresa levando Emma junto. Normalmente, o trajeto levaria quarenta minutos, mas com o carro, chegaram em vinte. Emma parecia maravilhada. — Ter carro é outra coisa, né? Muito mais prático! Quando Mônica entrou no escritório, percebeu que cada mesa tinha um convite de casamento, inclusive a dela. Pegando o envelope, ela perguntou com um sorriso: — E aí, quem vai casar? — É a Diretora Rebeca, do setor de planejamento. — Respondeu um colega. — Parece que ela está grávida e marcou o casamento com o filho mais velho da família rica da Cidade D para o mês que vem. Hoje de manhã, ela passou por todos os departamentos distribuindo os convites. — É mesmo? — Mônica franziu o cenho, intrigada
Íris bateu o pé com força, indignada: — Tudo culpa do Rubem! Ele me ignora, não atende minhas ligações e nem quer me ver. Aí eu tenho que vir atrás de você! Mas, olha, eu posso ficar do seu lado. Ela se aproximou mais e continuou: — Vamos nos unir para tirar essa Maitê do caminho. Dá para derrotá-la juntas, não dá? Ou você realmente quer ver ela casando com o Rubem? — Já falei, Íris, nunca quis competir com você. — Respondeu Mônica, com um tom firme. — E, para deixar bem claro, quem Rubem decide casar é problema dele. Ninguém tem o direito de interferir nisso. Sem paciência, Mônica deu um passo para trás e disse, num tom que não deixava margem para discussão: — Estou ocupada, Íris. Melhor você ir embora. — Você está me expulsando? — Milena, acompanhe a Srta. Íris até a saída. Íris ainda tentou argumentar, mas Mônica, com o semblante sério, chamou a assistente. Milena entrou no escritório rapidamente, e Íris, furiosa, lançou dois olhares ameaçadores para Mônica antes d
Emma estremeceu ligeiramente, seguindo Mônica em direção ao elevador. Não conseguiu segurar o comentário: — Não precisa descontar sua raiva no carro, coitado. Ele não tem culpa de nada. Se quebrar, ainda vamos ter que mandar consertar. — Eu não estou com raiva de nada. — Respondeu Mônica, com uma tranquilidade forçada. — Ah, claro... — Emma murmurou, desconfiada. — Sua cara diz o contrário. Qualquer um percebe, imagina eu. Se você está tão incomodada, por que não resolve logo? Fale com o Sr. Rubem e deixe claro que você não quer que ele se case. — O casamento do Sr. Rubem não tem nada a ver comigo. — Tem, sim. Você está apaixonada por ele. — Não estou. — Então por que a notícia do noivado dele te deixou tão irritada? — Eu não estou irritada, é só que... — Mônica tentou responder, mas não conseguiu encontrar as palavras certas. Passou a mão pelos cabelos, frustrada e cada vez mais confusa com o turbilhão de sentimentos que explodia dentro dela. Emma cruzou os braços, c
O garotinho acabara de aceitar o presente quando uma mulher de cerca de trinta anos apareceu apressada, visivelmente ofegante. — Senhorzinho, por que você anda tão rápido? — Ela reclamou, enquanto colocava uma máscara no rosto dele. — Eu já não falei que você tem que usar máscara? Aqui fora tem muita poeira. — No shopping não tem poeira nenhuma. — O menino resmungou, com ar aborrecido. — Ficar de máscara o tempo todo é sufocante. — Claro que tem. É cheio de gente andando para lá e para cá! — A mulher respondeu, olhando com estranheza para o pacote de bebidas lácteas nas mãos dele. Num movimento rápido, ela arrancou o pacote de suas mãos. — De onde veio isso, senhorzinho? Mônica interveio calmamente: — Fui eu que dei. Ele encontrou minha chave do carro e trouxe para mim. Só quis agradecê-lo... — Não precisava. Nosso senhorzinho não toma esse tipo de coisa. — A mulher respondeu com frieza, sem nem olhar para Mônica, antes de jogar o pacote de bebidas diretamente no lixo ao la
O incômodo que Mônica sentia no coração estava prestes a se dissipar, mas de repente seus olhos foram atingidos pelo convite de casamento e a caixa de chocolates sobre a mesa. A visão a fez estremecer.Milena entrou naquele momento para entregar alguns documentos. Mônica, sem pensar muito, jogou os chocolates para ela:— Não quero comer chocolate. Fique com eles.— Ah, tudo bem. — Milena ficou um pouco confusa, mas perguntou com cautela. — Diretora Mônica, fizemos algo errado no trabalho? Você parece... meio diferente nos últimos dias.Até os outros conseguiam perceber que ela estava de mau humor?Mônica ficou ligeiramente surpresa, mas logo disfarçou com um pequeno sorriso:— Vocês estão indo muito bem. É algo pessoal, nada com o trabalho.— Se precisar de algo, é só avisar.Milena logo saiu da sala, levando consigo a caixa de chocolates.Mônica voltou a encarar os documentos à sua frente, mas, após alguns minutos, as palavras começaram a se embaralhar. Tudo se misturava em sua mente,
— Mônica, estou te dando esse presente como forma de agradecimento, nada mais. — Disse Rubem. — Sei que essas coisas não são um peso para você, porque poderia comprá-las por conta própria.Mônica balançou a cabeça:— Não posso aceitar algo sem retribuir. Você já me deu um apartamento de oitocentos mil. Sou imensamente grata. Não precisa me pedir nada, eu já faria o meu melhor pelo Grupo Pimentel e por você.Sua voz soou fria, polida e sem emoção. Rubem franziu a testa, visivelmente incomodado. Naquele momento, ele até sentiu falta da maneira como ela o chamava de "tio" antes.— Então considere isso um presente de comemoração. — Rubem empurrou o estojo novamente na direção dela com um sorriso discreto. — Você foi promovida a gerente do setor de Reguladores. Não tive a chance de te parabenizar.— Não precisa...Mônica tentou devolver o presente, mas a mão de Rubem pousou firme sobre o estojo. Ele a olhou de forma intensa, e o olhar dele a fez estremecer. Por fim, ela cedeu e aceitou o pr
Quando tudo finalmente se acalmou, os ouvidos de Mônica zumbiam incessantemente. Seu ombro direito doía intensamente, e havia um gosto metálico na garganta. Antes que pudesse controlar, vomitou sangue.Quando conseguiu abrir os olhos, sentiu um peso esmagador sobre si. Era como se alguém estivesse deitado sobre ela.Rubem, no momento crítico, havia soltado o cinto de segurança para protegê-la, jogando-se por cima dela. O vidro do para-brisa havia se estilhaçado em suas costas, cravando-se profundamente em sua pele. Ele estava preso na estrutura deformada do carro, coberto de sangue.— Rubem... Rubem! — Mônica estendeu as mãos trêmulas para afastá-lo. O rosto dele estava completamente ensanguentado, uma visão aterradora. Apesar disso, ela percebeu que ele ainda respirava, embora de forma fraca e irregular.Rubem moveu levemente as pálpebras e, com grande esforço, abriu os olhos. Seu olhar, ainda profundo e intenso, a percorreu de cima a baixo. Sua voz saiu rouca, quase um sussurro:— Vo
O peito de Douglas parecia prestes a explodir de dor e frustração. Ele queria explicar tudo para ela, dizer o que estava preso dentro de si, mas sabia que aquele momento não era o certo. Decidido, tentou puxá-la para longe do carro.Os dois se enfrentavam sob a chuva, cada um lutando pelo que acreditava. Mônica, no entanto, não conseguia se soltar. Num ato de desespero, levantou a mão e deu-lhe um tapa forte.O som seco ecoou no ar. A cabeça de Douglas virou de lado com o impacto, e seus óculos voaram para longe. Em poucos segundos, uma marca vermelha em forma de mão apareceu em sua bochecha. Mônica, com a palma da mão dormente, percebeu tardiamente o que havia feito.A sirene da ambulância soava cada vez mais perto, até finalmente chegar ao local do acidente.— Me desculpe... — Murmurou ela, antes de se virar e correr em direção ao carro para ajudar.Douglas continuou parado, imóvel sob a chuva.Com a ajuda dos paramédicos, Mônica finalmente conseguiu retirar Rubem dos destroços. Suas