Peguei-o pela gravata e o puxei pelos poucos degraus de escada, levando-o para a área do playground. Ele murmurava algo, mas eu não estava somente cego... Também estava surdo. - Eu esqueci de quebrar o seu nariz, por isto voltei! Dizendo aquilo soquei seu nariz com toda minha força, sentindo o sangue espirrar na minha roupa, atingindo também meu rosto. Rowan começou a gritar e tapei sua boca com força, sabendo que o sangue em breve o sufocaria e o desgraçado morreria nos meus braços, já que o segurei de costas para mim. Sussurrei em seu ouvido: - Nunca mais toque na minha esposa. Se abrir a boca para falar com ela, você morre. Se seus olhos estiverem sobre ela, você morre. Se eu o encontrar no mesmo ambiente que ela, você morre. Entendeu? Como ele não conseguia responder, eu mesmo movi sua cabeça para cima e para baixo, como sinal de afirmação. - Bom garoto! – Soltei-o com força, fazendo com que se desequilibrasse e caísse no chão. Rowan estava de quatro no chão, vendo o própr
Fiz o percurso de volta para casa como se tivesse voltado de um funeral, tamanha dor que sentia por ter feito a escolha de deixar Olívia livre.Eu nem sabia identificar as sensações que meu corpo produzia... Dor, medo, ansiedade, cansaço... Tudo junto e misturado. Assim que parei meu carro em frente à mansão Clifford, observei o lugar. Já fazia um tempo que não tinha graça alguma voltar ali. Aliás, a única vez que senti vontade de pisar os pés naquele lugar foi quando Olívia ainda morava. Desde que ela partiu, tudo acabou. E a construção imponente voltou a ser o que sempre foi, um apanhado de tijolos e cimento frio e sem vida.O amor era uma porra mesmo! E talvez por aquele motivo meus pais nunca deixaram aquele sentimento tomar posse deles. No fim, nos privando de carinho, eles se tornaram fortes e não sofreram. E não sei se o objetivo deles ao final
- Porque um dia eu o chamei na Clifford e o chantageei para casar com ela. E agora... Quero agir diferente.- “Você” quer agir diferente?- O que você sente por ela?- Eu? – ele estreitou os olhos, pensativo – Ela é gostosa! – tentei não me enfurecer ao ouvi-lo falar aquilo a respeito dela – E beija bem... – sorriu, me deixando atordoado – Olie é agradável. Eu... Gosto dela.- Estamos falando da minha esposa! – Deixei claro, entredentes.- Por pouco tempo. – Sorriu.- Tem falado com ela?- Ela me ligou uma vez, para saber como eu estava. Não ficamos muito tempo conversando. Por isto... Não tenho tanta certeza assim se ela gosta de mim.- Estou disposto a deixar que fique com ela.- O quê? – ele meneou a cabeça, confuso – Como assim?- Se chuchu gosta de você, quero que fi
Fui até a porta esperar minha irmã. Assim que ela desceu do carro, veio na minha direção feito um raio, os olhos demonstrando toda sua raiva.- Entre! – Falei assim que ela se aproximou, mas o que recebi foi uma bofetada na cara.Toquei meu rosto, que pareceu queimar devido à força que ela pôs na mão.- Não vou entrar nesta casa... Nunca. Mas vim até aqui para lhe dizer uma coisa: fique longe do meu marido e da minha família!Jorel apareceu ao meu lado, na porta, conduzindo a cadeira de rodas de forma hábil:- O que houve? – Quis saber.- Este filho da puta quebrou o nariz do Rowan. – Ela explicou.- Caralho! Por que fez isto, Gabe?Eu ri, ainda sem conseguir tirar a mão do rosto. Então encarei minha irmã e perguntei:- Por que fiz isto, Ane? Qual foi a explicação dele?- Voc&ecir
Senti a lágrima escorrer dos meus olhos, morna, dolorida feito um canivete marcando minha pele, o sabor levemente salgado absorvido pelos meus lábios. Se doía tanto com ela ainda ali... Como seria quando eu não mais sentisse sua presença? E... Qual seria a dor de perder Olívia para a diabetes, caso um dia acontecesse?- Você está... Chorando, porra? – Ouvi a voz de Jorel do outro lado de nossa irmã, com os dedos entrelaçados nos dela.- Me... Desculpe! – Falei de forma involuntária, limpando o outro lamento que escorria do meu corpo em forma de lágrima. – Não vou... Fazer novamente – Me encontrei dentro da mansão Clifford, ainda criança, sob as acusações do meu pai após ter trazido um cachorro que encontrei na rua, logo depois de encontrá-lo atropelado, com o intuito de fazer da nossa casa seu lar.- Nã
Retirei meu dedo do gatilho, o que fez com que meu pai pegasse a arma e mirasse no cachorro, dando um tiro tão próximo a ele que o fez acuar de forma fraca, demonstrando o quando estava debilitado. Rapidamente peguei o revólver e mirei no animal, fechando os olhos e apertando o gatilho.Não ouvi um gemido, um latido, absolutamente nada. Virei na direção do meu pai, ainda de olhos fechados e quando os abri deparei-me com seus olhos maquiavélicos nos meus, um sorriso nos lábios:- Estou orgulhoso de você, meu filho!Não falei nada. Simplesmente limpei as lágrimas e tentei fingir que aquilo não aconteceu, deixando que a arma caísse no chão.- Passará por coisas muito piores nesta vida, garoto! E será grato por eu tê-lo ensinado a lidar com isto. Este cachorro é como algumas das pessoas que cruzarão seu caminho no futuro... J&aacu
POV GABEOuvi uma batida na porta e Jorel entrou. Meu irmão era a única pessoa na face da terra que se atrevia a entrar na minha sala sem bater. E que pouco se preocupava em ser anunciado, como se a presença dele fosse importante o bastante para não precisar de nenhuma formalidade.- Recebi seu recado. – Ele sentou-se à minha frente, pegando uma caneta que estava sobre a mesa – Quanto você pagou por esta porra?- Menos do que você paga por uma prostituta. – Mal retirei os olhos do que eu estava fazendo no computador.- Não saio com prostitutas. Sou um homem disputado o bastante para felizmente não precisar pagar ninguém para me satisfazer sexualmente, como “uns e outros” por aí. – Deu uma risadinha debochada.Minimizei a tela importante na qual eu estava trabalhando e o olhei:- Não lembro de ter lhe dado o direito de sequer “pensar” no que faço ou deixo de fazer. – Deixei bem claro.- Quando levanta a sobrancelha deste jeito você parece um velho. – Seguiu me provocando.Respirei fund
- Se eu não casar com ela ficarei sem dinheiro?- Não só isto!- Não? – O olhar dele se estreitou, como se quisesse pagar para ver.- Vou ferrar com a sua vida.- Vou mandar fazer um exame de DNA. Duvido que tenhamos o mesmo sangue nas veias, Gabe. Olhe o que você está me dizendo!- Você poderia ser o bebê da mamãe, Jorel, mas não é o meu! Sabe que meu tempo é precioso para que eu o perca com você. Então não teria lhe chamado aqui para “brincar”.Meu irmão ficou um tempo em silêncio, pensativo. Mas eu o conhecia o bastante para saber o que o atormentava. Ele não era capaz de ficar comendo uma única boceta.- Entenda uma coisa, Jorel. Eu só quero que você case com Olívia Abertton. Em momento algum eu disse que deveria deixar de viver a sua vida como sempre viveu? Aliás, eu já falei sobre um bônus a mais na sua mesada, não é mesmo?- Quer dizer que... Se eu casar com a tal Olívia... Posso continuar fazendo tudo que sempre fiz? E... Ainda vou ganhar uma mesada maior? – Os olhos dele se a