O olhei dos pés à cabeça e tive que ser sincera:- Jorel é bem mais bonito que você! Mas... Não posso dizer que não é bem apessoado, futuro marido. Mal posso esperar para ver o que há debaixo deste monte de roupas de marca.- Senhor Clifford, senhorita Abertton – a voz do padre ecoou pela igreja – Não os forçarei a casarem. E para mim é claro que há um mal entendido aqui. É da vontade de ambos contrair matrimônio?- Sim. – Gabe falou – Faça logo o que tem que fazer. Onde preciso assinar?- Tem que dizer as palavras, Gabe. – Deixei claro.- Que palavras?- Aquelas, que vai me amar e respeitar para sempre.- Não irei amá-la e nem respeitá-la.- Então não quer casar, senhor Clifford? – o padre quis saber.- Eu... Preciso.- O padre não é psicólogo, senhor Clifford. – Deixei claro.- Você está querendo fazer com que eu desista, não é mesmo? Pois saiba que isto não irá acontecer, Chuchu.- Chuchu? – sorri. Aquilo era bem fofo. Nunca alguém me chamou de “chuchu”.- Isto não é um apelido car
- Precisa terminar isto, padre! Agora! – Gabe ordenou.- Deseja pôr fim a tudo, senhor Clifford? – o padre perguntou – Ainda dá tempo!- Não, porra! – Gabe olhou para o meu pai – Nos case de uma vez!Até onde Gabe era capaz de ir para ferir meu pai? O que de tão grave havia acontecido? Quanto tempo eu levaria para saber e resolver tudo?Enquanto o padre dizia palavras que para mim eram aleatórias, eu não conseguia desviar os olhos do meu lindo marido. Sempre apreciei coisas boas, dentre elas homens bonitos. E nunca vi Gabe Clifford numa foto estampada na internet. Sabia que aquele era o nome do CEO da maior empresa de medicamentos do mundo, mas não que era um homem relativamente jovem e interessante. Na minha cabeça CEO’s eram velhos, feios e calvos.- As alianças... Enfim consegui prestar atenção, quando ouvi as palavras mágicas: “alianças”.A mulher morena, alta e esguia, aparentemente com idade dentre 25 e 30 anos, apareceu com um saquinho de veludo de onde rapidamente Gabe tirou
- Tenho diabetes tipo 1. E problemas de visão, causados pela doença. Então eu uso lentes. Não sou cega. E... Tirando isto, não tenho nenhum outro problema. Um pouco “folgada”, como diz minha madrasta algumas vezes... Mas com o tempo você vai acostumar com meu jeitinho... E amar. – Garanti – Mas se estava se referindo aos votos... Achei importante dizê-los, já que não deu tempo na igreja. Se não é sua intenção pedir o divórcio, isto será para sempre, Gabe. Então o “eu e você” existe... E sempre existirá. Quer você queira, quer não, sou a sua esposa a partir de agora. E... Se quiser fazer seus votos aqui também, eu ficaria bem feliz. – Deixei claro.- Vá para o inferno e leve com ele a porra dos seus votos. Estou me fodendo para sua fidelidade, seu respeito ou o seu amor.- Como eu disse, já estive no inferno e não voltarei para lá nunca mais. – Aquela frase doeu, porque me remetia a parte do meu passado que eu não queria reviver, já que a tinha escondido num lugar escuro, onde desejei
Assim que despertei demorei um pouco para assimilar onde estava. Ah sim, eu havia casado com Gabe Clifford, um homem lindo, dono dos mais belos olhos azuis que já tive o prazer de ver e ele saiu na nossa noite de núpcias, me deixando a sonhar com a tão desejada “foda”.Olhei para o lado e avistei o porta-retrato com a foto de Jorel Clifford e eu, sorrindo felizes num cruzeiro.- Bem que poderia ter sido nós dois, não é irmão Clifford mais novo? Acho que teríamos nos dado bem – alisei o rosto dele, sempre com aquele sorriso incrível – Prometo fazer o possível para não odiar o seu irmão. Eu jurei para mim mesma que nunca mais desejaria nada de ruim a ninguém depois que saísse do inferno. E Deus me ouviu e me fez chegar na casa do meu pai! Não posso quebrar meu juramento.Espreguicei-me e olhei a aliança no meu dedo, retirando-a e tentando ler o nome que estava ali dentro. Só para ter certeza, pus minhas lentes e confirmei que estava casada com Gabe, mas carregava uma aliança com o nome
@olívia_ Oi @isabelle, docinho de coco.@isabelle_ Por que não veio nos visitar?@olívia_ Eu saí de casa ontem!@rita_ Fuso horário dos infernos. Estou dormindo!@isabelle_ Você faz alguma coisa além de dormir, @rita? Deveria fazer comercial para marca de travesseiros.@rita_ saiu@olívia_ Docinho, será que pode me mandar um dinheiro para o lanche?@isabelle_ Você é casada com um dos homens mais ricos do mundo e não tem dinheiro para o lanche?@olívia_ Acho que deve ser com divisão de bens.@isabelle_ Este fdp não pode te deixar passar fome.@olívia_ Não faça drama, me mande o dinheiro.@isabelle_ Só se me disser como foi dormir com ele!@olívia_ Morra sem saber! Você tem 13 anos. Se sua mãe pegar seu telefone, me matará.@isabelle_ Se ela não pegar também te matará kkk@olívia_ Se não me mandar o dinheiro, vou pedir para Rita.@isabelle_ Ok, eu empresto. Estou te mandando.@olívia_ Obrigada. Te amo.@isabelle_ Posso ir conhecer a sua casa?@olívia_ saiu.Tive que comer numa lanchonet
- Deseja que Jorel retorne para Noriah Norte, senhor Clifford?- Eu...Antes que eu concluísse a resposta, a porta se abriu e vi Olívia se materializando na minha sala.- Oi, marido! – Ela carregava aquele sorriso que me fazia tentar entender o que era a felicidade, que há muito tinha me sido tirada... Pelo pai dela.Vestia uma calça preta larga, de tecido encorpado e camisa branca normal. No primeiro botão da camisa, próximo da gola, um laço vermelho com azul marinho enfeitava e dava uma cor sóbria ao look, enquanto o sapato tinha os mesmos tons do laço. Os cabelos estavam soltos, como sempre.Por que porra ela estava vestindo algo normal? As roupas coloridas eram só para me irritar?- O que faz aqui? – Levantei, não contendo a minha fúria.Tinha uma pessoa que eu detestava mais que Jorel no momento. Era a fã dele, com a qual eu tive que casar.Sem cerimônia ela veio até mim, ficou na ponta dos pés e deu-me um beijo na bochecha, que limpei imediatamente, sentindo-me corar ao ver que
- Nenhuma nova cláusula será colocada neste acordo, Olívia. – Deixei claro, louco para ver o semblante de decepção na cara dela.- Pedirei o divórcio. – Me enfrentou, encarando-me sem medo, como se eu fosse qualquer pessoa comum.- Faça isto e destruirei sua família. Retirarei a casa, os móveis e farei questão que ninguém em Noriah Norte lhes dê um teto.- Iremos para outro país.- Os seguirei até o inferno.- Você não tem nada melhor para fazer do que ficar tentando ferrar com a minha família?- Tenho! Mas ferrar com Ernest Abertton é meu passatempo favorito. – Não contive um sorriso de satisfação, não observando nenhum tipo de sentimento ou emoção nos olhos dela.- Quando acaba o contrato? – ela olhou para o advogado.Ele abriu a boca, mas respondi imediatamente, não lhe dando a chance de falar:- O contrato é vitalício, Chuchu! Acaba quando um de nós morrer! – Saboreei aquelas palavras como se fossem a melhor comida do mundo, daquelas feitas por um chef renomado internacional.- Is
- A senhora... Tem problemas para engravidar? Ou não pode ter filhos? – A porra do advogado questionou, parecendo se importar com qualquer coisa que saísse da cabeça dela.- Por conta da minha doença a gravidez é um risco. E o parto uma incógnita. Mas o principal fato que me leva a não querer gerar um filho é porque há 3% de chance de a criança nascer com a diabetes. Se para um adulto já é bem difícil conviver com isto, imagine para uma criança! Quero poder dar doces para meus filhos, sem me preocupar com o quanto isto poderá impactar na sua saúde! Adotaremos! – olhou para mim, sorrindo, como se já tivesse dado a veredito depois de termos conversado a respeito.- Sem herdeiros, senhor Clifford. – Ele me olhou, como se estivesse me advertindo de um problema.- Saia, senhor Johann. – Ordenei.Eu não queria herdeiros. Pouco me importava. Minha herança já tinha o destino e nada mudaria o rumo da minha vida.O advogado saiu, com os documentos debaixo do braço, atordoado.- Espero que não f