- Nenhuma nova cláusula será colocada neste acordo, Olívia. – Deixei claro, louco para ver o semblante de decepção na cara dela.- Pedirei o divórcio. – Me enfrentou, encarando-me sem medo, como se eu fosse qualquer pessoa comum.- Faça isto e destruirei sua família. Retirarei a casa, os móveis e farei questão que ninguém em Noriah Norte lhes dê um teto.- Iremos para outro país.- Os seguirei até o inferno.- Você não tem nada melhor para fazer do que ficar tentando ferrar com a minha família?- Tenho! Mas ferrar com Ernest Abertton é meu passatempo favorito. – Não contive um sorriso de satisfação, não observando nenhum tipo de sentimento ou emoção nos olhos dela.- Quando acaba o contrato? – ela olhou para o advogado.Ele abriu a boca, mas respondi imediatamente, não lhe dando a chance de falar:- O contrato é vitalício, Chuchu! Acaba quando um de nós morrer! – Saboreei aquelas palavras como se fossem a melhor comida do mundo, daquelas feitas por um chef renomado internacional.- Is
- A senhora... Tem problemas para engravidar? Ou não pode ter filhos? – A porra do advogado questionou, parecendo se importar com qualquer coisa que saísse da cabeça dela.- Por conta da minha doença a gravidez é um risco. E o parto uma incógnita. Mas o principal fato que me leva a não querer gerar um filho é porque há 3% de chance de a criança nascer com a diabetes. Se para um adulto já é bem difícil conviver com isto, imagine para uma criança! Quero poder dar doces para meus filhos, sem me preocupar com o quanto isto poderá impactar na sua saúde! Adotaremos! – olhou para mim, sorrindo, como se já tivesse dado a veredito depois de termos conversado a respeito.- Sem herdeiros, senhor Clifford. – Ele me olhou, como se estivesse me advertindo de um problema.- Saia, senhor Johann. – Ordenei.Eu não queria herdeiros. Pouco me importava. Minha herança já tinha o destino e nada mudaria o rumo da minha vida.O advogado saiu, com os documentos debaixo do braço, atordoado.- Espero que não f
- Então trabalha “para” o meu marido. Há... Vejamos se adivinho? Dois, três anos?- Seis anos. Sou a pessoa de confiança dele, caso queira saber. Tanto que sei que quem casaria com você era Jorel e não o senhor Clifford. Eu preparei os papéis, eu mandei o vestido, eu enviei os convites.- E também foi você que teve a ideia de mandar todos os convidados usarem branco?Ela sorriu satisfeita:- Esta parte cumpri as ordens do senhor Clifford.- Você dorme com meu marido?A mulher que estava ao lado dela pigarreou e percebi a secretária ficar com o rosto vermelho.Suspirei e a encarei:- É melhor ficar do meu lado, ou perderá seu emprego de seis anos. Quanto à Rarith... A tirarei do meu caminho. Se gosta de trabalhar na Clifford e ser a secretária particular do meu marido, fique ao meu lado, já que sou a esposa. Amantes não tem vez. Portanto, se é uma delas, já vá saindo fora da vida de Gabe. Ele não dormirá com ninguém a não ser comigo.Virei as costas e saí, deixando a mulher certamente
- Então eu preciso trocar de roupa... Esta camisola não é para a noite de núpcias. Tenho algo especial que minha...Gabe pegou meus braços e me fez encará-lo:- Durmo com você... Se me encontrar num dos 39 quartos que existem nesta mansão.Não desviei os olhos dos dele. E não tenho certeza de quanto tempo ficamos daquele jeito, com ele me segurando pelos pulsos. Para quem falava com veemência que tempo era dinheiro, meu marido perdeu uma boa parte de seu tempo me olhando. E o pior de tudo é que eu não conseguia ler nada naqueles olhos azuis. Eles eram frios... E vazios.- Já passei da idade de brincar de esconde-esconde! – Respondi.- Está na idade de compreender frases simples, Chuchu... Do tipo: “eu não tenho desejo algum por você e não vou dormir ao seu lado... Nunca”.- Não falei sobre dormir, Gabe. Na verdade, tinha pensado em algo bem mais interessante... Tipo... Você me foder.- Sinto repulsa por você, Olívia!- Gabe, por favor... Eu não quero odiá-lo!- Tudo que desejo é que m
Cruzei os braços, ainda sentada no sofá, de pernas para cima. Suspirei, furiosa. Eu não gostava de saber que ele tinha outra mulher além de mim. Mas ao mesmo tempo entendia o motivo pelo qual Gabe não queria me fazer sua esposa na cama... Não era porque não me desejava e sim porque estava satisfeito sexualmente.- Sim, Rarith é minha amante. – Ele confirmou.- Você... A ama?- Ela é a única pessoa que eu amo neste mundo.Engoli em seco e voltei-me para o bloco de anotações. Gabe subiu alguns lances de escada e perguntei, sem olhá-lo:- Por que não casou com ela?- Digamos que Rarith... É muito nova para mim!- Mais do que eu?- Talvez.Meu telefone tocou. Era o número da faculdade.- Boa noite, senhora Abertton. Estou ligando para saber se pretende quitar suas mensalidades e voltar a frequent
Coloquei o objeto de volta no lugar, quebrado, já que aquela parte eu não podia consertar.Olívia falava em inferno e mencionava o passado como se tivesse sofrido nele. Nunca achei que ela teve uma infância feliz, já que até os dez anos morou com a mãe ou alguém que a criou, sendo que Ernest só a assumiu quando fez dez anos e então a levou para casa dos Abertton, certamente sendo obrigado a apresentá-la a família.Enquanto ia para a suíte principal, onde havia algumas peças de roupas minhas, liguei para Ingrid:- Ingrid, preciso que verifique o passado de minha esposa antes dos dez anos de idade.- Eu... Não tenho ideia de onde conseguir isto, senhor Clifford.- Não lhe pago para ter dúvidas, Ingrid e sim para me dar o que peço. Quero um dossiê com todo o passado de Olívia desde que nasceu. E não demore ou corre o risco de perder seu emprego. Aposto que há quem faça, caso não consiga.- Eu... Darei um jeito de conseguir tudo, senhor Clifford... Não se preocupe.Olhei no relógio e já p
- Gabe? – Rael levantou-se rapidamente, pego de surpresa pela minha presença.O que ele achou? Que o convidei para tomar um drinque na minha casa e não estaria lá?Olívia, por sua vez, continuou onde estava, sentada no chão, em volta da mesa de centro envidraçada, coberta somente por um pedaço de cetim que envolvia seu corpo, que talvez na sua cabeça se chamasse camisola.Desci as escadas, encarando Rael, sabendo que o problema não era ele e sim Olívia, que certamente o obrigou a sentar-se ao seu lado, fingindo ser uma pobre moça, quem sabe tendo lhe contado uma história triste.Olívia seduzia os homens, como a mãe. Certamente cresceu vendo aquilo e achava que era a forma de conseguir o que queria. Primeiro cogitou dormir com os professores para conseguir dinheiro para a faculdade. Agora decerto pensava em foder com meu melhor amigo em troca de comida.<
Desde quando eu era deixado de lado? Eu era Gabe Clifford, o dono e administrador da maior empresa de medicamentos do mundo. As pessoas pagavam para poder entrar na minha sala e trocar meia dúzia de palavras.Rael atingiu uma casa do tabuleiro que pareceu prejudicar o jogo de Olívia, que suspirou e fez cara de tédio. A forma como ao ar saiu de sua boca fez alguns fios de cabelos caírem sobre seu rosto e Rael pegou-os gentilmente, colocando para trás da orelha dela.Apertei os olhos e depois passeis os dedos sobre eles, incerto se estava tendo alucinação. Claro que eu não tinha um mínimo de sentimento por aquela mulher a não ser de raiva, ódio, desejo de vingança. Mas isto não dava o direito de Rael fazer aquilo dentro da minha casa.Olívia levantou o olhar e encarou-o e Rael ficou sem jeito e me olhou:- Eu... Só... Ajeitei os cabelos dela. – Exp