35 - O Jogo de Otto

Não foi para o hotel. Não podia arriscar. A última coisa que queria era levantar suspeitas.

Ele retornou à casa, pegou uma pá e dirigiu até um ponto isolado, onde as sombras da noite se tornavam mais densas e o silêncio parecia sufocar qualquer resquício de dúvida. Parou o carro em uma estrada deserta e desceu com precisão, o vento cortante sibilando entre as árvores. Como um ritual, ele cavou um buraco fundo, cada movimento de sua pá meticulosamente controlado. O chão estava úmido, frio, como a escuridão ao seu redor. O cheiro da terra fresca se misturava ao seu suor, mas nada parecia mais importante do que aquilo. Nada podia ser deixado para trás.

Com a mesma frieza com que executou cada golpe de pá, arrancou as roupas sujas de sangue. Despojou-se delas sem pressa, como se se livrasse de algo completamente descartável, jogando-as na terra e enterrando-as com um cuidado quase clínico. Quando terminou, cobriu o buraco com a mesma precisão, tampando qualquer vestígi
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