POV: HENRYFoi uma noite longa, cheia de pensamentos e desejos pela visita que não aconteceu. Lauren ainda me afeta profundamente, desde os tempos da faculdade. Eu sei que não deveria me importar com o fato de ela não se lembrar de mim ou de quem já fomos ou, quase fomos. Mas é difícil ignorar.Antes mesmo das cinco da manhã, minha mente já estava cheia de imagens dela: seu corpo perfeito, suas curvas, as bochechas coradas sob a luz suave da noite, os seios arredondados, os mamilos endurecidos pelo frio. Era impossível não sentir o desejo crescer novamente.— Droga, vou precisar de outro banho frio — Eu murmurei, irritado, passando as mãos pelos cabelos. Mordi o lado de dentro da boca, tentando me controlar. — Eu devia ter beijado ela. Devia tê-la trazido para o meu quarto.Falei isso para o vazio, enquanto ajustava minha camisa social. Balancei a cabeça, com um sorriso meio torto, ao me lembrar do celular tocando na noite anterior. O porteiro havia avisado que uma amiga da minha babá
POV: LAURENApós o que aconteceu com Henry, decidi passar o dia longe da mansão até Theodor voltar da escola. Aproveitei a manhã livre para ir ao médico com minha amiga Kate e fazer meu primeiro ultrassom. Deitada na maca, pronta para o exame, Kate segurava minha mão, oferecendo apoio, enquanto o médico pedia que eu relaxasse.— Sra. Becker, veja só, aqui está seu bebê — disse o médico, apontando para um pequeno pontinho na tela. — Você está de oito semanas. E aqui...Ele pressionou o aparelho contra minha barriga, e o som de um coração acelerado e forte encheu a sala. Meus olhos encheram de lágrimas, e olhei para Kate, que também chorava de emoção.— Olha só, Lauren, nosso pequeno milagre — ela disse, com a voz embargada.O médico nos olhou, curioso.— Então, o filho de vocês foi planejado? O doador está envolvido? — perguntou o médico, inocente.Kate e eu caímos na risada.— Ah, não, doutor. Ela é minha amiga, uma irmã, na verdade — Eu expliquei, ainda rindo da dedução dele.— Então
POV: LAURENO carro parou diante da mansão. Mantive meu olhar firme em Henry Carter, sem desviar.— Sra. Becker, vamos ao meu escritório. A governanta cuidará de Theodor até terminarmos. — Sua voz era firme, sem espaço para questionamentos. Ele saiu do carro sem esperar resposta.Senti a mão pequena de Theo apertar a minha. Seus olhos marejados me encaravam cheios de preocupação.— O tio Henry está irritado... — Ele murmurou.Afaguei seus cabelos, tentando confortá-lo.— Não se preocupe com isso agora, meu valente. — Eu sorri, mesmo com o nervosismo tomando conta de mim. — Vou entender o que está acontecendo e depois conversamos, eu prometo.— Eu não vou deixá-lo te afastar de mim! — Theo declarou, estufando o peito. Saltou do carro e lançou um olhar frio ao tio antes de marchar para dentro da mansão.Henry deslizou as mãos para os bolsos, observando o sobrinho se afastar. Sem dizer nada, apenas me conduziu para seu escritório. O ambiente era luxuoso e imponente, assim como ele. Indic
POV: LAURENAbri e fechei a boca algumas vezes, mas nenhuma palavra saía. Meu cérebro tentava processar o que acabara de ouvir. Meus olhos estavam arregalados, presos nele, confusos e intrigados.— O quê? — Eu murmurei, quase sem voz.Henry soltou um leve suspiro, divertido.— Sra. Becker, respire primeiro. — Ele provocou, recuando ligeiramente para me encarar de frente. — Você ouviu perfeitamente. Não me faça repetir.— O senhor enlouqueceu? — Eu explodi, balançando a cabeça em incredulidade. Passei por ele bruscamente, empurrando seus braços para abrir caminho. — Que tipo de chefe pede a babá do sobrinho em casamento?— O tipo que quer evitar um escândalo ainda maior. — Henry respondeu com calma, caminhando até a mesa e pegando alguns jornais.Franzi o cenho, cruzando os braços.— O que exatamente isso significa? — Eu falei desconfiada.Ele me estendeu um dos jornais sem dizer nada. Peguei-o e percorri os olhos pelas manchetes. Meu estômago revirou ao ler as palavras “Amante e traid
POV: LAUREN— Ah, é mesmo? — Carter arqueou a sobrancelha, claramente se segurando para não rir. — E pretende pagar o salário dela todo mês? Com que dinheiro?— Pode dar minha mesada para ela! — Theo rebateu sem hesitar.Meu coração se apertou com o gesto. Pousei a mão sobre o peito, emocionada, e sorri diante de tanto carinho.— Theo, meu pequeno, você não precisa fazer isso. — Me abaixei para ficar na sua altura e o abracei apertado. — Mas obrigada por querer que eu fique.— Fada, se você for embora, eu também vou! — Theo afirmou com seriedade, nos pegando de surpresa.— Ei, garotão, não precisa disso. Eu não estou demitindo sua babá. — Henry interveio, massageando a nuca, visivelmente desconfortável.— Não está? — Theo arregalou os olhos, olhando de mim para o tio. — Então, por que estava todo sério chamando-a aqui? O que queria com ela?Henry manteve a expressão impassível antes de responder:— Eu estava a promovendo. — Ele respondeu hesitante.Me levantei, cruzei os braços e arqu
POV: HENRYO calor da tarde tornava o escritório um ambiente insuportável. O ar-condicionado zumbia baixo, mas não parecia o suficiente para afastar a sensação incômoda que me rondava.Meus olhos estavam presos na pilha de contratos sobre a mesa, mas minha concentração estava longe. O riso infantil de Theo invadiu o ambiente, leve e despreocupado, contrastando com minha mente mergulhada em números e prazos.Suspirei, apertando a ponte do nariz.— Que diabos está acontecendo lá fora? — Eu murmurei para mim mesmo.Deixei a caneta de lado e levantei o olhar para a janela panorâmica. Lá embaixo, no pátio da casa, Theodor corria ao redor da piscina, segurando uma arminha d’água e disparando jatos contra Lauren, que tentava escapar.— Você nunca vai me acertar, garotinho! — Ela provocava, rindo.Theo riu mais alto, determinado a provar o contrário. Meus olhos, no entanto, não ficaram no meu sobrinho.Lauren usava um maiô preto colado ao corpo. O tecido molhado aderiu às suas curvas de um je
POV: LAURENSenti o olhar de Henry Carter fixo em mim enquanto saía da piscina com Theo nos braços. A brisa fria arrepiava minha pele, mas não era só isso. Meu corpo estava molhado, o maiô colado demais, e a consciência de estar exposta sob aquele olhar intenso me incomodava.Respirei fundo, tentando ignorar a sensação estranha."Não comece com isso, Lauren." Me repreendi mentalmente, focando no que realmente importava, levar Theo para dentro antes que pegasse um resfriado.O pequeno tremia levemente, mas ainda sorria, completamente alheio ao jeito que Henry me afetava.Depois do banho de Theo e de mais uma sessão de brincadeiras com toalhas e espuma, o resto da tarde passou sem nenhum sinal de Carter. Ele parecia ter evaporado, e eu deveria me sentir aliviada. Mas, por alguma razão, sua ausência apenas tornava a lembrança do seu olhar ainda mais presente.Para distrair minha mente, decidi ensinar uma receita de biscoitos a Theo. Ele adorou a ideia. Fizemos uma bagunça enorme na cozin
POV: LAURENMeu coração apertou, e eu soube que nada que eu dissesse agora faria com que essa dor desaparecesse completamente.— Theo, não foi isso que eu quis dizer. — Tentei explicar, mas ele já estava se afastando.Seu passo acelerado denunciava o peso do que havia ouvido.— Está tudo bem, Fada. — Sua voz saiu embargada, os ombros encolhidos. — Meus pais também não me quiseram… Nem o tio Henry.Senti um aperto no peito.— Garotão! — Henry chamou, a voz firme, mas Theo já havia disparado pelo corredor, batendo a porta do quarto com força.Um silêncio pesado tomou conta do ambiente.Henry passou as mãos pelo rosto, os músculos do maxilar travados. Então, sem aviso, virou-se e socou o balcão da cozinha, a madeira vibrando com o impacto.— Que droga! — Ele rosnou, a mandíbula travada.Mordi o lábio por dentro, sentindo um nó se formar na garganta. O ambiente parecia sufocante.Respirei fundo, forçando-me a manter a clareza. Passei as mãos pelos cabelos, tentando ignorar o olhar intenso