POV: LAURENO carro parou diante da mansão. Mantive meu olhar firme em Henry Carter, sem desviar.— Sra. Becker, vamos ao meu escritório. A governanta cuidará de Theodor até terminarmos. — Sua voz era firme, sem espaço para questionamentos. Ele saiu do carro sem esperar resposta.Senti a mão pequena de Theo apertar a minha. Seus olhos marejados me encaravam cheios de preocupação.— O tio Henry está irritado... — Ele murmurou.Afaguei seus cabelos, tentando confortá-lo.— Não se preocupe com isso agora, meu valente. — Eu sorri, mesmo com o nervosismo tomando conta de mim. — Vou entender o que está acontecendo e depois conversamos, eu prometo.— Eu não vou deixá-lo te afastar de mim! — Theo declarou, estufando o peito. Saltou do carro e lançou um olhar frio ao tio antes de marchar para dentro da mansão.Henry deslizou as mãos para os bolsos, observando o sobrinho se afastar. Sem dizer nada, apenas me conduziu para seu escritório. O ambiente era luxuoso e imponente, assim como ele. Indic
POV: LAURENAbri e fechei a boca algumas vezes, mas nenhuma palavra saía. Meu cérebro tentava processar o que acabara de ouvir. Meus olhos estavam arregalados, presos nele, confusos e intrigados.— O quê? — Eu murmurei, quase sem voz.Henry soltou um leve suspiro, divertido.— Sra. Becker, respire primeiro. — Ele provocou, recuando ligeiramente para me encarar de frente. — Você ouviu perfeitamente. Não me faça repetir.— O senhor enlouqueceu? — Eu explodi, balançando a cabeça em incredulidade. Passei por ele bruscamente, empurrando seus braços para abrir caminho. — Que tipo de chefe pede a babá do sobrinho em casamento?— O tipo que quer evitar um escândalo ainda maior. — Henry respondeu com calma, caminhando até a mesa e pegando alguns jornais.Franzi o cenho, cruzando os braços.— O que exatamente isso significa? — Eu falei desconfiada.Ele me estendeu um dos jornais sem dizer nada. Peguei-o e percorri os olhos pelas manchetes. Meu estômago revirou ao ler as palavras “Amante e traid
POV: LAUREN— Ah, é mesmo? — Carter arqueou a sobrancelha, claramente se segurando para não rir. — E pretende pagar o salário dela todo mês? Com que dinheiro?— Pode dar minha mesada para ela! — Theo rebateu sem hesitar.Meu coração se apertou com o gesto. Pousei a mão sobre o peito, emocionada, e sorri diante de tanto carinho.— Theo, meu pequeno, você não precisa fazer isso. — Me abaixei para ficar na sua altura e o abracei apertado. — Mas obrigada por querer que eu fique.— Fada, se você for embora, eu também vou! — Theo afirmou com seriedade, nos pegando de surpresa.— Ei, garotão, não precisa disso. Eu não estou demitindo sua babá. — Henry interveio, massageando a nuca, visivelmente desconfortável.— Não está? — Theo arregalou os olhos, olhando de mim para o tio. — Então, por que estava todo sério chamando-a aqui? O que queria com ela?Henry manteve a expressão impassível antes de responder:— Eu estava a promovendo. — Ele respondeu hesitante.Me levantei, cruzei os braços e arqu
POV: HENRYO calor da tarde tornava o escritório um ambiente insuportável. O ar-condicionado zumbia baixo, mas não parecia o suficiente para afastar a sensação incômoda que me rondava.Meus olhos estavam presos na pilha de contratos sobre a mesa, mas minha concentração estava longe. O riso infantil de Theo invadiu o ambiente, leve e despreocupado, contrastando com minha mente mergulhada em números e prazos.Suspirei, apertando a ponte do nariz.— Que diabos está acontecendo lá fora? — Eu murmurei para mim mesmo.Deixei a caneta de lado e levantei o olhar para a janela panorâmica. Lá embaixo, no pátio da casa, Theodor corria ao redor da piscina, segurando uma arminha d’água e disparando jatos contra Lauren, que tentava escapar.— Você nunca vai me acertar, garotinho! — Ela provocava, rindo.Theo riu mais alto, determinado a provar o contrário. Meus olhos, no entanto, não ficaram no meu sobrinho.Lauren usava um maiô preto colado ao corpo. O tecido molhado aderiu às suas curvas de um je
POV: LAURENSenti o olhar de Henry Carter fixo em mim enquanto saía da piscina com Theo nos braços. A brisa fria arrepiava minha pele, mas não era só isso. Meu corpo estava molhado, o maiô colado demais, e a consciência de estar exposta sob aquele olhar intenso me incomodava.Respirei fundo, tentando ignorar a sensação estranha."Não comece com isso, Lauren." Me repreendi mentalmente, focando no que realmente importava, levar Theo para dentro antes que pegasse um resfriado.O pequeno tremia levemente, mas ainda sorria, completamente alheio ao jeito que Henry me afetava.Depois do banho de Theo e de mais uma sessão de brincadeiras com toalhas e espuma, o resto da tarde passou sem nenhum sinal de Carter. Ele parecia ter evaporado, e eu deveria me sentir aliviada. Mas, por alguma razão, sua ausência apenas tornava a lembrança do seu olhar ainda mais presente.Para distrair minha mente, decidi ensinar uma receita de biscoitos a Theo. Ele adorou a ideia. Fizemos uma bagunça enorme na cozin
POV: LAURENMeu coração apertou, e eu soube que nada que eu dissesse agora faria com que essa dor desaparecesse completamente.— Theo, não foi isso que eu quis dizer. — Tentei explicar, mas ele já estava se afastando.Seu passo acelerado denunciava o peso do que havia ouvido.— Está tudo bem, Fada. — Sua voz saiu embargada, os ombros encolhidos. — Meus pais também não me quiseram… Nem o tio Henry.Senti um aperto no peito.— Garotão! — Henry chamou, a voz firme, mas Theo já havia disparado pelo corredor, batendo a porta do quarto com força.Um silêncio pesado tomou conta do ambiente.Henry passou as mãos pelo rosto, os músculos do maxilar travados. Então, sem aviso, virou-se e socou o balcão da cozinha, a madeira vibrando com o impacto.— Que droga! — Ele rosnou, a mandíbula travada.Mordi o lábio por dentro, sentindo um nó se formar na garganta. O ambiente parecia sufocante.Respirei fundo, forçando-me a manter a clareza. Passei as mãos pelos cabelos, tentando ignorar o olhar intenso
POV: HENRYO calor de seus lábios contra os meus era real, intenso. Sua respiração entrecortada misturava-se à minha, e bastava uma palavra para que eu a beijasse como ambos desejávamos. Mantive o toque leve, provocador, umedecendo os lábios e roçando suavemente a ponta da língua nos dela, testando sua reação.— Sr. Carter... — Lauren murmurou, a voz baixa e carregada de algo que não conseguia esconder.Seus braços deslizaram ao redor do meu pescoço, os dedos roçando na minha nuca. Ela se ergueu levemente na ponta dos pés, reduzindo o espaço entre nós. Meu olhar se fixou no dela, tentando decifrar até onde ela queria me levar.— Você não vai me seduzir para me fazer aceitar o contrato. — Ela sussurrou contra minha boca, um desafio disfarçado de provocação.Antes que eu pudesse reagir, Lauren me empurrou de leve e se virou de costas, encarando a vista. Respirei fundo, massageando a nuca, sentindo o rastro quente do toque dela ainda na minha pele. Um sorriso lento surgiu nos meus lábios
POV: LAURENOs dias seguintes passaram sem que eu visse Henry com tanta frequência. Ele estava imerso no trabalho, e sua presença na casa se tornou quase inexistente. Aproveitei as manhãs, enquanto Theodor estava na escola, para ir às consultas pré-natais. Para minha felicidade, meu bebê estava se desenvolvendo bem e saudável. Os enjoos diminuíram, e pela primeira vez em semanas, comecei a sentir que poderia respirar um pouco melhor.Visitei minha mãe e Kate, tentando encontrar algum conforto na presença delas. Mas a realidade logo me atingiu quando fui ao banco negociar a dívida deixada pelo meu pai.— Isso é um absurdo! — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, mas não me importei. Encostei as mãos na mesa e encarei o gerente à minha frente. — Esses juros são abusivos! Como esperam que eu pague os credores se o banco está tentando me roubar desse jeito?O homem à minha frente usava um terno caro e um sorriso cínico. Ele sequer piscou diante da minha indignação.— Sra. Becker,