POV: LAUREN
Ainda mergulhada nos meus pensamentos confusos, fui trazida de volta à realidade pelo som insistente de um celular tocando ao lado da maca. No visor, o nome da minha mãe, Amélia, piscava. Atendi rapidamente, ainda presa às emoções conflitantes.
— Mamãe? — minha voz saiu baixa, carregada de incerteza.
— Graças a Deus consegui falar com você! Estou te ligando há horas! — Ela exclamou, a urgência em seu tom era impossível de ignorar.
— O que aconteceu? A senhora está bem? — perguntei, sentindo um aperto crescente no peito. — E o papai? Ele está bem?
— Querida, precisamos que você fale com o seu marido. — Minha mãe foi direto ao ponto, sua voz trêmula com desespero. — A empresa do seu pai sofreu um golpe terrível. Estamos à beira da falência.
Meu coração disparou.
— O quê? Como assim, um golpe? — exclamei, sentando-me na cama com um movimento brusco, o celular quase escorregando da minha mão. — Mamãe, calma! Me explique exatamente o que está acontecendo!
Do outro lado da linha, ouvi o som de um soluço.
— Eu não entendi tudo. Seu pai disse que as ações dele foram roubadas... — Ela fez uma pausa, como se estivesse tentando recuperar o fôlego. — Perdemos tudo, filha. Todo o dinheiro. Os clientes, os acionistas... estão furiosos. Eles estão protestando em frente à empresa. Os funcionários estão exigindo os salários atrasados. Seu pai... ele está tão perdido quanto eu.
Cada palavra dela era como um golpe. Meu peito parecia esmagado enquanto ela continuava agora implorando:
— Você precisa nos ajudar! Convença o Ethan a nos apoiar, como um dia o ajudamos! Filha, por favor, não temos outra saída!
Olhei para o teto do hospital, a mente em um caos completo. A traição de Ethan, a gravidez inesperada, e agora o colapso da empresa da minha família. Como poderia consertar tudo isso? E o que faria se Ethan recusasse ajudar?
— Mas, mamãe... — tentei contestar, mordendo os lábios enquanto a ansiedade tomava conta de mim.
Minha mente estava dividida. Será que Ethan nos ajudaria? Ele havia sido tão claro ao exigir o divórcio.
— Filha, por favor! — A voz da minha mãe quebrou em soluços do outro lado da linha. — Temo pelo pior... você sabe como a saúde do seu pai é frágil, e a empresa é tudo para ele. Ele não vai aguentar perder isso também!
Fechei os olhos por um instante, tentando conter a pressão que crescia em mim.
— Vou falar com ele, mamãe. Não se preocupe. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, apesar do medo que corroía meu peito. Eu sabia que, depois do confronto com Ethan, conseguir qualquer ajuda dele seria quase impossível. — Eu amo vocês. Vou dar um jeito de resolver isso, prometo.
— Obrigada, minha menina. — A voz dela tinha um tom de alívio misturado com doçura.
Desliguei o telefone e passei as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. Meu coração estava acelerado, e eu não conseguia ficar parada. Andei de um lado para o outro antes de criar coragem para discar o número de Ethan.
O telefone chamou algumas vezes. Cada toque parecia interminável, até que sua voz finalmente soou, carregada de impaciência.
— O que você quer agora? — Ele perguntou bruscamente, sem esconder o desdém. — Está me ligando para se desculpar pelo tapa e pelas ameaças?
— Olha aqui, quem deveria estar se desculpando era você, por me trair... — Eu comecei, mas as palavras morreram na minha garganta. Engoli o orgulho e soltei um longo suspiro, tentando controlar a raiva que fervia em meu peito. — Ethan, eu não quero brigar. Estou te ligando porque preciso te pedir algo.
— Já sei! — Ele me interrompeu, a frieza em sua voz quase palpável. Pude ouvir o som de sua língua estalando do outro lado, como se estivesse se deliciando com a situação. — Vi nos jornais que a empresa do seu pai está em caos.
Senti o sangue ferver.
— Se você sabia o que estava acontecendo, por que não fez nada para ajudá-lo? — Eu gritei, a indignação tomando conta de mim. — Meu pai te estendeu a mão quando você não tinha nada! Ele acreditou no seu sonho, na sua empresa, quando ninguém mais acreditou!
Ethan permaneceu impassível, sua voz cortante interrompendo minha indignação.
— Diga logo o que você quer! — Ele exigiu, o tom carregado de irritação. — Por que está me ligando?
Apertei o telefone com força entre os dedos, lutando para manter o controle. A raiva pulsava dentro de mim. Ele sequer perguntou como eu estava? Não sabia que eu estava no hospital, que quase fui atropelada? Ou simplesmente não se importava?
Respirei fundo, tentando sufocar o nó que se formava na garganta.
— Ethan, por favor — Eu comecei, minha voz saindo quase em um sussurro. — Eu te imploro, salve a empresa do meu pai.
As palavras pesaram em meus lábios, cheias de vergonha e humilhação.
— Agora sim estamos progredindo, Lauren. — Ethan disse, sua voz carregada de diversão, como se já esperasse esse momento. — Eu posso salvar a empresa do seu pai, mas isso terá um preço.
— Faço qualquer coisa. — Eu respondi sem hesitar, a esperança me agarrando com força.
— Você vai reivindicar sua parte na empresa e nas ações, ceder tudo para mim, e assinar o divórcio. — Declarou ele com frieza, sem um pingo de hesitação.
O impacto de suas palavras me atingiu com força.
— Você não pode estar falando sério. — Eu solucei ao telefone, minha voz trêmula enquanto lágrimas encharcavam meus olhos. — Ethan... se eu pudesse te dar um filho, as coisas entre nós seriam diferentes? Você ainda desejaria o divórcio?
POV: LAURENDo outro lado, ele soltou uma risada seca, carregada de desprezo.— Que tipo de pergunta é essa? — Ele exclamou, impaciente, a irritação evidente. — Dediquei três anos ao seu lado, e você nunca foi capaz de engravidar. Está na hora de encarar a verdade, Lauren. Você é vazia, incapaz de gerar filhos. Aceite isso e pare de desperdiçar o meu tempo. Diga logo se aceita ou não as minhas condições.Um soluço escapou da minha garganta, suas palavras perfuraram meu coração de forma cruel, como ele sempre soube fazer. Meus olhos desceram para minha barriga, minha mão tocando levemente o tecido da roupa hospitalar. As lágrimas escorriam silenciosas, mas minha mente estava fervendo.Ergui o queixo, pensando no futuro, em tudo que estava em jogo. Eu precisava decidir. Minha família dependia de mim.— Se você aceitar as minhas condições e assinar a papelada do divórcio, hoje mesmo salvo a empresa do seu pai. — completou Ethan com frieza, ignorando completamente meus soluços. — E então,
POV: LAURENO sol se punha no horizonte, tingindo o céu com tons de laranja e roxo enquanto eu encarava o caixão à minha frente. Minhas mãos tremiam, não apenas pela dor da perda, mas pela culpa de não ter sido rápida o suficiente. Não consegui resolver a situação da empresa a tempo. Me deixei consumir pelo conflito com Ethan e demorei demais para salvar meu pai e seu império.Sua pele estava pálida, os lábios roxos. Flores cobriam seu corpo até o pescoço. Um nó apertado se formava em meu peito, e a dor era esmagadora. Ao meu lado, minha mãe chorava descontroladamente, abraçando o caixão e implorando para que o homem que ela amava voltasse. Mas ele não voltaria. Ele não estaria mais aqui para nos fazer rir de suas piadas sem sentido, para contar suas histórias, nos guiar com sua sabedoria ou nos proteger do mundo.— Oh, papai, por que fez isso conosco? — Eu murmurei entre lágrimas, tentando engolir o nó na minha garganta. Me aproximei do caixão, inclinando-me para depositar um beijo e
POV: LAURENMinha respiração ficou pesada, meu corpo tremendo de raiva e humilhação. As lágrimas se acumularam em meus olhos, mas eu me recusei a deixá-las cair.— Saia daqui! — gritei com os dentes cerrados, tentando me levantar, minha voz transbordando de fúria. — Agora!Arthur me lançou um último olhar de desprezo antes de se virar e sair lentamente, deixando para trás o peso de suas ameaças.Fiquei ali parada por alguns segundos, encarando o chão enquanto via Arthur se afastar até desaparecer na distância. Quando finalmente me virei, meus olhos encontraram rostos conhecidos, pessoas que um dia chamava de amigos. Mas nenhuma mão se estendeu para me ajudar. Respirei fundo e me levantei sozinha, limpando a poeira das roupas, enquanto ouvia sussurros e risos contidos ao meu redor.Os mesmos que haviam prometido estar comigo em qualquer situação agora cochichavam e lançavam olhares carregados de julgamento.— Lauren, ouvi dizer que seu pai deixou você... bastante endividada. — Claire,
POV: LAUREN— Não! Não faça isso, é perigoso! — Eu gritei, correndo em sua direção enquanto ele começava a se debater na água, engolindo grandes goles e afundando. — Calma, eu vou te salvar!Sem pensar duas vezes, mergulhei no lago e nadei com todas as forças até alcançá-lo. Seus pequenos braços agarraram meu pescoço com força, seus soluços eram altos e seu corpo tremia de medo.— Ei, está tudo bem, eu te peguei. Você está seguro agora — Eu murmurei suavemente, tentando acalmá-lo enquanto o segurava com firmeza. — Eu vou te levar para a terra firme, tudo bem? Apenas confie em mim.Com cuidado, nadei de volta até a margem, mantendo o menino próximo de mim, sentindo seu desespero diminuir aos poucos. Assim que cheguei à terra, coloquei-o delicadamente no chão, certificando-me de que estava bem.— Estou com medo. — Ele choramingou, apertando-se ainda mais em meus braços, sua voz trêmula. — Eu não quero dizer adeus.— Oh, meu pequeno... — meus olhos se encheram de lágrimas, e eu o envolvi
POV: HENRYUm segundo foi o suficiente para ele desaparecer. Ao longe, ouvi seus gritos. O som de sua voz em pânico clamando por mim fez meu peito apertar e minha respiração descompassar.— Socorro, tio Henry, por favor! — Theodor gritava, a voz cheia de desespero. — Ela vai morrer!— Theodor! — Eu gritei em resposta, meu coração disparado. Um frio percorreu minha espinha, e senti o suor escorrer pela testa enquanto corria pelo cemitério, ignorando qualquer coisa ao meu redor. Segui sua voz até alcançar o lago.Lá estava ele, parado na beira da água, apontando freneticamente para algo que eu ainda não conseguia ver.— Você precisa salvá-la! — ele gritava, a voz trêmula, os olhos arregalados e cheios de lágrimas.Me aproximei rapidamente, franzindo o cenho ao ouvir suas palavras.— Do que está falando, Theodor? Quem? — perguntei, tentando entender enquanto minha respiração estava pesada pela corrida.— A fada está se afogando! — ele gritou, sua ingenuidade transparecendo no tom urgente
POV: LAURENA água ainda escorria pelo meu cabelo e pelas roupas pingando ao chão deixando um rastro molhado enquanto eu caminhava para os portões da mansão da minha família. Franzir o cenho ao perceber um caminhão de mudança estacionado na entrada principal, e vários homens carregavam móveis, quadros e caixas para dentro do veículo como se fossem meros objetos descartáveis. Meu peito apertou enquanto corria em direção a um dos homens, que carregava o antigo relógio de parede que meu pai tanto amava.— O que está acontecendo aqui? Quem autorizou isso? — Minha voz saiu mais alta do que eu esperava, carregada de desespero.— Senhora, por favor, mantenha a calma. — O homem disse, desviando o olhar e apressando o passo em direção ao caminhão.Não aceitei a resposta vaga e corri para barrar o próximo carregador, segurando o braço dele com força.— Essas coisas pertencem ao meu pai! — Eu gritei nervosa. — Vocês não podem simplesmente entrar na nossa casa e levar tudo assim!Um homem engrava
POV: LAURENEu limpava os pratos no fundo do restaurante, o cheiro de comida e detergente impregnando meu uniforme já desgastado. Kate havia me indicado para o trabalho novo, afim de me ajudar reconstruir minha vida, neste emprego não havia muito o que aprender. Limpar, lavar, repetir. Não era glamoroso, mas era uma forma de ganhar algum dinheiro. Não havia espaço para orgulho, não com as dívidas se acumulando e minha mãe precisando de cuidados.— Lauren! — A voz impaciente do gerente me fez erguer o rosto. — Mesa quatro, agora!Suspirei, enxugando as mãos no avental antes de sair da cozinha. Eu sabia que não devia demorar, mas ao olhar para a mesa indicada, senti meu estômago revirar. Sentados ali, com sorrisos satisfeitos, estavam Ethan e Violet.Meu ex-marido estava impecável, como sempre, vestindo um terno que provavelmente custava mais do que tudo o que eu tinha no banco. Violet, ao lado dele, parecia uma modelo, com um vestido justo e uma expressão de superioridade. Meus pés qua
POV: HENRYEstávamos almoçando em um restaurante agradável que Lucian sugeriu, algo mais casual para conhecer a nova babá que pudesse me ajudar com Theo, segundo o meu amigo “Alguém que entenda o garoto melhor.” Lucian havia comentado. “Uma figura feminina, que talvez possa preencher o vazio que ele sente.”Eu mal conseguia me concentrar na comida, enquanto Theodor mexia no suco à sua frente, claramente desinteressado em tudo. Eu já estava ficando frustrado com a falta de progresso em nosso relacionamento.Lucian, como sempre, parecia relaxado, observando, quando ele finalmente falou, interrompendo meu silêncio.— Henry, talvez você esteja olhando para isso do jeito errado.Eu suspirei, largando os talheres no prato com mais força do que pretendia.— E qual seria o jeito certo, Lucian? Por favor, ilumine-me com sua sabedoria.Ele apenas riu.— Theodor precisa disto, você não está fracassando por precisar de um pouco de ajuda com o garoto. Será bom ter alguém que entenda ele, que saiba