04 – EU TE IMPLORO

POV: LAUREN

Ainda mergulhada nos meus pensamentos confusos, fui trazida de volta à realidade pelo som insistente de um celular tocando ao lado da maca. No visor, o nome da minha mãe, Amélia, piscava. Atendi rapidamente, ainda presa às emoções conflitantes.

— Mamãe? — minha voz saiu baixa, carregada de incerteza.

— Graças a Deus consegui falar com você! Estou te ligando há horas! — Ela exclamou, a urgência em seu tom era impossível de ignorar.

— O que aconteceu? A senhora está bem? — perguntei, sentindo um aperto crescente no peito. — E o papai? Ele está bem?

— Querida, precisamos que você fale com o seu marido. — Minha mãe foi direto ao ponto, sua voz trêmula com desespero. — A empresa do seu pai sofreu um golpe terrível. Estamos à beira da falência.

Meu coração disparou.

— O quê? Como assim, um golpe? — exclamei, sentando-me na cama com um movimento brusco, o celular quase escorregando da minha mão. — Mamãe, calma! Me explique exatamente o que está acontecendo!

Do outro lado da linha, ouvi o som de um soluço.

— Eu não entendi tudo. Seu pai disse que as ações dele foram roubadas... — Ela fez uma pausa, como se estivesse tentando recuperar o fôlego. — Perdemos tudo, filha. Todo o dinheiro. Os clientes, os acionistas... estão furiosos. Eles estão protestando em frente à empresa. Os funcionários estão exigindo os salários atrasados. Seu pai... ele está tão perdido quanto eu.

Cada palavra dela era como um golpe. Meu peito parecia esmagado enquanto ela continuava agora implorando:

— Você precisa nos ajudar! Convença o Ethan a nos apoiar, como um dia o ajudamos! Filha, por favor, não temos outra saída!

Olhei para o teto do hospital, a mente em um caos completo. A traição de Ethan, a gravidez inesperada, e agora o colapso da empresa da minha família. Como poderia consertar tudo isso? E o que faria se Ethan recusasse ajudar?

— Mas, mamãe... — tentei contestar, mordendo os lábios enquanto a ansiedade tomava conta de mim.

Minha mente estava dividida. Será que Ethan nos ajudaria? Ele havia sido tão claro ao exigir o divórcio.

— Filha, por favor! — A voz da minha mãe quebrou em soluços do outro lado da linha. — Temo pelo pior... você sabe como a saúde do seu pai é frágil, e a empresa é tudo para ele. Ele não vai aguentar perder isso também!

Fechei os olhos por um instante, tentando conter a pressão que crescia em mim.

— Vou falar com ele, mamãe. Não se preocupe. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, apesar do medo que corroía meu peito. Eu sabia que, depois do confronto com Ethan, conseguir qualquer ajuda dele seria quase impossível. — Eu amo vocês. Vou dar um jeito de resolver isso, prometo.

— Obrigada, minha menina. — A voz dela tinha um tom de alívio misturado com doçura.

Desliguei o telefone e passei as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. Meu coração estava acelerado, e eu não conseguia ficar parada. Andei de um lado para o outro antes de criar coragem para discar o número de Ethan.

O telefone chamou algumas vezes. Cada toque parecia interminável, até que sua voz finalmente soou, carregada de impaciência.

— O que você quer agora? — Ele perguntou bruscamente, sem esconder o desdém. — Está me ligando para se desculpar pelo tapa e pelas ameaças?

— Olha aqui, quem deveria estar se desculpando era você, por me trair... — Eu comecei, mas as palavras morreram na minha garganta. Engoli o orgulho e soltei um longo suspiro, tentando controlar a raiva que fervia em meu peito. — Ethan, eu não quero brigar. Estou te ligando porque preciso te pedir algo.

— Já sei! — Ele me interrompeu, a frieza em sua voz quase palpável. Pude ouvir o som de sua língua estalando do outro lado, como se estivesse se deliciando com a situação. — Vi nos jornais que a empresa do seu pai está em caos.

Senti o sangue ferver.

— Se você sabia o que estava acontecendo, por que não fez nada para ajudá-lo? — Eu gritei, a indignação tomando conta de mim. — Meu pai te estendeu a mão quando você não tinha nada! Ele acreditou no seu sonho, na sua empresa, quando ninguém mais acreditou!

Ethan permaneceu impassível, sua voz cortante interrompendo minha indignação.

— Diga logo o que você quer! — Ele exigiu, o tom carregado de irritação. — Por que está me ligando?

Apertei o telefone com força entre os dedos, lutando para manter o controle. A raiva pulsava dentro de mim. Ele sequer perguntou como eu estava? Não sabia que eu estava no hospital, que quase fui atropelada? Ou simplesmente não se importava?

Respirei fundo, tentando sufocar o nó que se formava na garganta.

— Ethan, por favor — Eu comecei, minha voz saindo quase em um sussurro. — Eu te imploro, salve a empresa do meu pai.

As palavras pesaram em meus lábios, cheias de vergonha e humilhação.

— Agora sim estamos progredindo, Lauren. — Ethan disse, sua voz carregada de diversão, como se já esperasse esse momento. — Eu posso salvar a empresa do seu pai, mas isso terá um preço.

— Faço qualquer coisa. — Eu respondi sem hesitar, a esperança me agarrando com força.

— Você vai reivindicar sua parte na empresa e nas ações, ceder tudo para mim, e assinar o divórcio. — Declarou ele com frieza, sem um pingo de hesitação.

O impacto de suas palavras me atingiu com força.

— Você não pode estar falando sério. — Eu solucei ao telefone, minha voz trêmula enquanto lágrimas encharcavam meus olhos. — Ethan... se eu pudesse te dar um filho, as coisas entre nós seriam diferentes? Você ainda desejaria o divórcio?

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