Capítulo 262 Ivete Eu encarei o homem por alguns segundos, sentindo um peso enorme sobre os ombros. Aquilo tudo parecia de outro mundo. Uma herança, negócios, dinheiro... Eu nunca quis nada disso. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim gritava que essa era a única coisa que meu tio me deixou. A única conexão que eu tinha com ele. Com alguém da família do meu pai. Olhei para Fred, buscando algum tipo de resposta. Eu conhecia esse senhor a nossa frente, trabalha desde aquela época para essa família. — Você pode me ajudar com isso? — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia — Eles tem empresas de comunicação e desenvolvem muito na área de tecnologia. Ele sorriu de canto, já pegando os documentos da mesa e começando a folheá-los com atenção. Eu sabia que ele levaria isso a sério. Se havia alguém em quem eu confiava para resolver esse tipo de coisa, era Fred. — Posso sim — ele respondeu, analisando cada detalhe. — Vou revisar tudo e garantir que não tenha nenhuma
Capítulo 263 Ivete Fred continuou dirigindo enquanto eu ainda abraçava minhas sacolas de pantufas como se fossem relíquias preciosas. De vez em quando, olhava para ele e soltava uma risadinha, ainda meio incrédula com tudo o que tinha acontecido naquele dia. — Você acha que agora eu tenho que agir de forma diferente? Como uma pessoa rica? Ele soltou uma risada, mantendo os olhos na estrada. — Ah, claro! Agora você precisa começar a usar palavras chiques, beber chá com o dedo mindinho levantado e chamar todo mundo de "querido". — Humm... Vou tentar — brinquei, forçando uma pose de nobreza. — Isso significa que eu vou ter que usar terninhos e falar difícil? — perguntei de repente, olhando para Fred. Ele soltou uma risada, balançando a cabeça. — Se quiser, mas duvido que você consiga ficar séria por mais de cinco minutos. — É verdade. — Suspirei teatralmente. — Eu gosto muito das minhas roupas confortáveis. Será que posso administrar um império de pantufas?
Capítulo 264 Maria Luiza Duarte A brisa fresca da manhã acariciava meu rosto enquanto eu me balançava levemente na cadeira de balanço da varanda. O sol estava suave, iluminando a paisagem com tons dourados, e o silêncio era confortável. Meus pequenos dormiam tranquilamente no carrinho duplo ao meu lado, e minha mãe tinha ido ao banheiro. Neide havia saído para levar Sofia para buscar uvas na cozinha, enquanto Alexei tinha saído a trabalho. Tudo parecia sob controle. Até que, de repente, o silêncio foi interrompido por um choro agudo. Não um, mas dois. Meu coração acelerou imediatamente, Beatrice e Andrey choravam ao mesmo tempo e eu estava sozinha. Me inclinei para o carrinho, tentando encontrar a causa do desconforto. Será que estavam com fome? Frio? Calor? Nada parecia ter mudado. Mas, ainda assim, eles choravam. Não, não apenas choravam — gritavam. Suas vozinhas frágeis e desesperadas estavam fortes aos meus ouvidos, como um alarme incessante dentro da minha cabeça.
Capítulo 265IveteEu e Fred estávamos chegando em casa quando uma cena inusitada me fez gargalhar alto. Dois brutamontes de preto, armados até os dentes, empurrando um carrinho de bebê sob a vigilância atenta do Don.— Os soldados empurrando o carrinho com os... — comecei, mas travei no meio da frase ao lembrar da última vez que chamei os bebês de "bezerrinhos". Alexei tinha me lançado um olhar tão gelado que, por um segundo, achei que ia levar um tiro.— Com quem, Ivete? — ele me perguntou.— Os gêmeosinhos.E agora lá estava ele, parado, me encarando de novo. Eu rapidamente limpei a garganta, disfarçando.Fred, sempre mais sensato que eu, aproveitou a oportunidade para puxar Alexei de lado.— Precisamos conversar — disse ele, e Alexei assentiu, nos levando até o escritório.Lá dentro, Fred fechou a porta e se virou para Alexei com a expressão séria.— Acho que nosso tempo aqui na Rússia chegou ao fim. Está na hora de voltarmos para casa.O Don arqueou uma sobrancelha, cruzando os b
Capítulo 266NeideDesci as escadas com calma, já era noite e as crianças dormiam tranquilamente. A casa estava silenciosa, mas um murmúrio distante me fez franzir a testa. Vozes... estranhas para aquele horário. Não era comum haver conversa na sala tão tarde, principalmente agora que tem menos visitas. Meu instinto me fez acelerar os passos, o coração já começando a bater mais rápido.Ao chegar ao final da escada, a visão que tive fez meu peito dar um salto inesperado."Nazar". Ele estava de volta. "Como? Não faz um mês que saiu."Meu corpo se moveu antes que minha mente pudesse processar qualquer coisa. Caminhei apressada até ele e, sem sequer perceber, abracei-o com força.Sentir sua presença de novo, o calor de seu corpo forte e a familiaridade do cheiro dele, fez algo dentro de mim se aquecer de maneira estranha. Nazar retribuiu o abraço, mas estava rígido, imóvel. Só então percebi que algo estava errado. Ele não fez nenhuma piada, nenhuma provocação. Não houve aquele sorriso to
Capítulo 267NeideO beijo de Nazar estava diferente, mais humano, com um toque que me pegou desprevenida. Ele não tentou avançar, não me puxou com força, não forçou nada. Apenas me beijou, lento e firme, como se estivesse absorvendo aquele momento.Por um instante, fiquei esperando sua mão deslizar pela minha cintura, apertar minha bunda como ele sempre fazia, com aquela confiança irritante e excitante ao mesmo tempo. Mas nada disso veio. Nazar só me segurou, os dedos se fechando levemente na minha cintura, sem intenção de tomar mais do que eu quisesse dar.Eu o beijei de volta. Porque queria, porque precisava sentir que ele ainda estava ali.O gosto dele era o mesmo, mas o toque era outro. Havia algo naquele beijo que eu nunca tinha sentido antes com Nazar. Não era desejo bruto, não era aquela guerra silenciosa que sempre travávamos. Era... outra coisa. Um pedido de conforto, talvez.Quando o beijo se desfez, ele não disse nada. Só ficou ali, me olhando, como se tentasse encontrar a
Capítulo 268 Neide Fiquei ali, segurando Nazar, sentindo sua respiração trêmula se acalmar aos poucos. Ele ainda estava tenso, mas já não tremia tanto, e seu corpo parecia aceitar meu toque de maneira diferente. Não com desejo ou provocação, como sempre fazíamos, mas como se realmente precisasse daquilo. — Sua mãe te amava e sentia um orgulho absurdo de você, Nazar. Tenho certeza — murmurei, deslizando os dedos suavemente por seus cabelos. — Você fez o que podia, e eu tenho certeza de que ela sabia disso. Ele não respondeu, mas seu peito subiu e desceu em um suspiro pesado. Fiquei em silêncio por um tempo, apenas oferecendo conforto. Nazar nunca deixava ninguém vê-lo assim. Se estava permitindo que eu visse agora, era porque o peso dentro dele estava insuportável. Depois de um tempo, ele virou o rosto para mim. Seu olhar estava vermelho, exausto, mas ainda havia algo ali. Algo preso. Algum motivo em especial para que ele estivesse querendo ficar na máfia Kim. — Tem
Capítulo 269 Neide Acordei e Nazar já estava em pé. Ele não me olhava, estava arrumando o cabelo e em seguida arrumando a arma no coldre. Estranho ele não tentar nada. É como se o objetivo dele realmente tivesse mudado. Sentei, fiquei o observando. — Bom dia soldado... — Provoquei. — Sabe que odeio que me chame assim, né? — me olhou diretamente. — Sei. Eu só queria que você olhasse pra mim um pouco — Ele ajeitou melhor a Udav e veio bem perto. — Olha Neide... Se quer que eu me aproxime ou até te pegue de jeito, fala de uma vez. Porque não estou com paciência pra jogos, brincadeiras ou o caralho que seja. Só pense bem antes de decidir se vai ou se fica na minha vida, porque se ficar, não vou te deixar ir. Tenha um bom dia. Nazar saiu e me deixou com a boca aberta, pensando se ainda daria tempo de dizer algo, mas era tarde. Não estou conseguindo acompanhar esse homem, ele mudou bastante. Está muito chateado com o que aconteceu com ele. O pior é que ten