#5 - Vestígios de Nós

《Matteo 》

Eu tentei não fazer barulho quando percebi que Phani estava dormindo. Preciso confessar que a observei por um bom tempo. Por mais que os anos tenham passado, ela continua linda. E não acredito que ainda assista a essa série... Fui eu quem a viciei quando namorávamos. — Penso, sorrindo.

Dou um passo para trás, tentando sair sem fazer barulho, mas meu cotovelo esbarra em um objeto na mesa de centro. O impacto é suficiente para derrubar algumas coisas no chão, quebrando o silêncio do ambiente.

Ela desperta. Seus olhos encontram os meus, confusos, mas antes que qualquer palavra seja dita, o som do celular ecoa pela sala. O despertador. Ela desliga rapidamente, piscando algumas vezes, como se tentasse situar-se na realidade.

— Desculpa, não queria te acordar — digo, sem jeito, coçando a nuca.

Ela senta, ajeitando o cabelo de maneira distraída, ainda sob o efeito do sono.

— Na verdade, eu já ia acordar. Seria alguns segundos depois, mas ia — brinca, um pequeno sorriso cruzando seus lábios.

Um rastro de alívio percorre meu peito. Pelo menos, o clima não é imediatamente hostil.

— Mais uma vez, desculpa — reforço, dando um passo para trás.

— Está tudo bem — responde, pegando o controle e desligando a TV.

Mas então, sua expressão muda.

— Afinal, o que você está fazendo aqui?

Seus olhos fixam-se nos meus, e todo resquício de descontração desaparece.

— Melyssa me pediu para levar seu vestido; ela Vai se arrumar no restaurante. — digo rapidamente, como se quisesse me justificar.

Ela assente com um movimento breve da cabeça, parecendo apenas cumprir uma formalidade. Sem dizer mais nada, vira-se para o quarto, deixando claro que deseja encurtar essa conversa o máximo possível.

Sei que está tentando evitar ficar no mesmo cômodo que eu.

— Ela não mencionou que você estaria aqui. Quando voltou? — pergunto, buscando um motivo para prolongar o momento. E minto. Eu sabia.

— Cheguei hoje de viagem — responde sem rodeios, sem se virar para me encarar.

— Ah, sim. Estranho não ter ido matar a saudade do seu noivo — provoco, cruzando os braços, o sarcasmo evidente na voz.

Por um instante, um lampejo de desconforto cruza seu rosto. Mínimo, quase imperceptível. Mas eu percebo.

Ela endurece, seus ombros retesam, mas logo se recompõe.

— Preciso me arrumar agora. Como já disse antes, fique à vontade — responde, ignorando minha provocação e preparando-se para desaparecer pelo corredor.

— Eu… posso te levar para o restaurante, se quiser — digo, observando atentamente sua reação. Parte de mim quer vê-la hesitar. Quer ver se, de alguma forma, minha presença ainda a afeta.

Sei que não deveria me importar, mas me importo.

— Não quero te incomodar. Além disso, você deve ir buscar Catarina — retruca, com a voz fria e distante.

Matteo — Nós… É… terminamos. — Minto, sem nem pensar.

Ela pode achar o contrário, mas entre mim e Catarina nunca houve nada. Ela até tentou, pediu que eu lhe desse uma chance, mas nunca quis arriscar nossa amizade. E, para ser sincero, não estou disposto a me envolver com ninguém. Meu trabalho exige demais de mim, e não tenho tempo para coisas fúteis como me relacionar com alguém.

Ou, pelo menos, era nisso que eu acreditava.

A experiência que tive me ensinou a não confiar, a não me permitir sentir além do necessário. Mas, por alguma razão, estar diante de Sthephania agora faz essa certeza vacilar. Nunca consegui esquecê-la, por mais que tenha tentado. E agora, ao vê-la novamente, percebo que talvez nunca tenha sequer tentado de verdade.

— Eu sinto muito. — Ela diz, mas sei que suas palavras não carregam nenhum real pesar.

— Eu vou aguardar você se arrumar. — Digo, já me dirigindo ao quarto de Melyssa.

— Já disse que não precisa, Wendy ficou de me buscar.

— Isso não é uma opção. Melyssa vai precisar da sua ajuda, e conhecendo bem Wendy, ela só vai te atrasar.

Ela suspira.

— Ok. — Concorda, para minha surpresa.

Pego o que Melyssa pediu e volto para a sala, esperando por Phani. Alguns minutos depois, a porta do quarto dela se abre e, quando meus olhos encontram sua figura, perco a fala por alguns segundos.

Ela está deslumbrante.

Seu vestido vermelho se ajusta perfeitamente ao seu corpo, e seus longos cabelos escuros caem como uma cascata sobre os ombros. Seus olhos verdes parecem ainda mais intensos sob a luz do apartamento.

Levo alguns segundos para reagir.

— Ok. — Digo, me movendo enfim, tentando disfarçar o impacto que sua aparência teve em mim.

Sem dizer nada, ela caminha à minha frente até a porta, e descemos juntos pelo elevador. O silêncio entre nós é carregado, mas Phani não parece desconfortável.

Ao sairmos do prédio, dou um leve sorriso ao destravar minha Lamborghini, esperando que ela esboce alguma reação. Um mínimo de surpresa.

Mas nada.

Ela apenas entra no carro, sem sequer lançar um segundo olhar para ele.

Isso me incomoda.

Não que eu precise da aprovação dela. Mas parte de mim queria que ela visse o homem que me tornei, que sou alguém que pode oferecer tudo aquilo que, na minha cabeça, ela me deixou para conseguir.

E, no entanto, ela age como se não tivesse notado nada.

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