CLARIS:
Olhei para o meu Alfa, e foi nesse instante que percebi o erro que tinha cometido. Eu o tinha desrespeitado, e agora todos estavam com seus olhares fixos em mim, carregados de uma mistura de julgamento e desconcerto. Entre o medo e a agonia que me consumiam, não fui capaz de entender que deveria parar, que precisava pedir sua opinião antes de agir impulsivamente.
—Não, essa mulher não vai vir aqui! NÃO VAI VIR E PONTO FINAL! —grunhi tão forte que minha voz, em forma de loba, ressoou como um trovão raivoso e vibrante, fazendo com que a estrutura da casa parecesse estremecer sob sua influência. Mas não tive tempo de manter minha posição. Um rugido, mais poderoso que qualquer som que já havia ouvido em minha vida, encheu o ar como um estrondo implacável. Foi como se o próprio mundo estivesse reclamando a ordem que eu havia desafiado. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, senti como presas se cerraram sobre meu pescoço com uma força212. LA PREMONIÇÃOCLARIS:Queria falar, queria gritar cada palavra que refletia o horror que se desdobrava à minha frente. Mas não conseguia. Era como se a minha mente tivesse ficado presa naquela premonição, não apenas observando, mas sendo parte dela, incapaz de mudar sequer o menor detalhe. Tudo estava tingido por um ar sombrio e espesso, um halo de desespero que me envolvia sem piedade. A floresta, normalmente um santuário de vida e poder, agora parecia um cenário devastador de pesadelos. Reconheci-a, os meus pés já tinham tocado essas terras inúmeras vezes, mas agora tudo o que um dia representou calma e equilíbrio estava reduzido a cinzas. As chamas erguiam-se altivas entre as árvores, devorando a sua majestade com uma fúria insaciável. O ar era denso, saturado de fumo e um calor opressivo que aderia à minha pele como a presen&cc
KIERAN: Estávamos desconcertados, sem saber como ajudar a minha Lua, que seguia gritando, desesperada, com os olhos em branco e os braços estendidos, como se tentasse segurar algo invisível ou impedi-lo. Seus movimentos eram erráticos, cheios de angústia, e nós não podíamos ver aquilo que a aterrorizava. Clara, em uma tentativa desesperada de aliviar seu sofrimento, a abraçava com força, tentando absorver um pouco do que ela estava sentindo, mas foi em vão. Logo, os gritos da minha Lua se fundiram com os de Clara, que começou a gritar em uníssono, como se aquilo que estava acontecendo também estivesse consumindo-a.Elena as envolveu com energia divina na tentativa de acalmá-las ou protegê-las. No entanto, elas seguiram gritando, agora unidas em um desespero quase insuportável, até que, finalmente, seus corpos cederam ao cansaço e desmaiaram. A visão de vê-las tão frágeis me causou uma pontada no peito que quase me paralisou, mas eu não podia me render. Algo estava acontecendo, algo
KIERAN:Com cuidado, me deixei cair no sofá, sentando-me com as duas crianças em minhas pernas. Suas fragilidades pareciam ainda mais evidentes, mas o que me preocupava eram suas palavras. Eu precisava saber, mesmo que cada frase que elas pudessem compartilhar fosse como um punhal cravando-se ainda mais fundo. Com voz suave, tentei acalmá-las enquanto perguntava tudo o que haviam visto. Uma a uma, suas pequenas e confusas palavras começaram a traçar um quadro aterrador.Elas me contaram tudo, mas principalmente sobre um homem alto e magro, vestido de preto, com olhos brilhantes como brasas, que movia as mãos em círculos na frente de Clara e da minha Lua, enquanto elas se contorciam como se lutassem contra algo invisível que as controlava. Então, ambas descreveram em detalhes como aquele ser estendia as mãos e tomava algo luminoso, arrancando-o de seus ventres. A delicadeza com que narravam não fazia senão amplificar o horror ao imaginar.— O feiticeiro os olhava como se fossem joias,
ALFA KIERAN THORNEO cheiro me atingiu como uma descarga elétrica, enviando arrepios pela minha coluna vertebral. Minha pele se arrepiou ao reconhecê-lo: era minha própria essência, mas mais doce, mais intensa, entrelaçada com algo que não conseguia identificar. Impossível. Isso só acontecia quando... Não! Depois de centenas de anos esperando, por que agora? Meus músculos se tensionaram por instinto e, antes que eu pudesse processar isso conscientemente, já estava correndo. O aroma me guiou além dos limites da matilha, em direção a uma velha casa de pedra e madeira nos arredores da cidade. O edifício, cercado por pinheiros centenários, havia sido ocupado recentemente por três humanas. Eu podia sentir suas essências entrelaçadas com o cheiro de tinta fresca e caixas de papelão. Meu lobo Atka se agitava dentro de mim, desesperado para irromper na casa, mas três séculos de controle me mantiveram ancorado ao chão. Eu não podia simplesmente entrar e assustar os humanos. Como era possíve
As náuseas me assaltaram novamente enquanto organizava os documentos na minha mesa. Era a terceira vez naquela manhã e eu já não conseguia disfarçar. Corri para o banheiro, sentindo o olhar penetrante do meu chefe seguindo cada um dos meus movimentos. Ao passar por ele, pude ver como ele enrugava o nariz com aquele gesto de desgosto que tanto o caracterizava. Depois de três meses trabalhando nesta cidade perdida, conhecia bem essa expressão. O senhor Kieran Thorne, um homem rabugento com rotinas, e qualquer alteração o perturbava visivelmente. — Preciso sair mais cedo hoje — anunciei ao voltar, limpando discretamente o suor da minha testa —. Tenho uma consulta médica. Ele mal levantou os olhos de seus papéis, mas pude notar como seus ombros se tensionavam. Depois de um silêncio que pareceu eterno, assentiu secamente. Caminhei apressada, olhando meu relógio com medo de me atrasar. Enquanto esperava, suspirei pensando que não era hora de ficar doente agora. Minha mãe e minha pob
KIERAN:Observei como minha assistente pegava suas coisas e se afastava em direção à sua velha caminhonete. A admirei da minha janela, admirando sua extraordinária beleza e a aura de vitalidade que emanava. Meu lobo Atka rosnava dentro de mim, ainda relutante em aceitar que aquela humana havia rejeitado nossa oferta de levá-la para casa. Sou o Alfa, ninguém me rejeita jamais. Mas havia algo nela que me inquietava. Enquanto seu veículo desgastado se afastava, fiz uma anotação mental: eu precisava providenciar um carro melhor e mais seguro para ela. O som da porta interrompeu meus pensamentos. Virei-me após dar uma última olhada na caminhonete que desaparecia à distância. — Meu Alfa, seu primo Gael está lá fora, bastante alterado — informou Fenris, meu Beta, com uma expressão preocupada —. Ele pediu para estar presente no que descreve como uma reunião de extrema importância e confidencialidade. Você tem ideia do que se trata? — Deixe-o entrar e feche a porta — respondi, deixando-m
CLARIS:Saí do escritório quase correndo, não sei. Havia algo no olhar do meu chefe que me fez temer. Agora entendia por que ninguém queria trabalhar com ele e como muitas mulheres antes de mim haviam renunciado a esse cargo. Kieran Thorne era, sem dúvida, um homem extraordinariamente atraente, o tipo de exemplar que raramente se encontra na vida. Alto, provavelmente beirando um metro e noventa, com um físico que parecia esculpido pelos deuses: ombros largos, cintura estreita e músculos definidos que se destacavam até mesmo sob seus impecáveis trajes de grife. Seu rosto era emoldurado por uma mandíbula forte e definida, lábios carnudos que raramente sorriam, e um nariz reto que lhe conferia um ar aristocrático. O cabelo negro que ele sempre usava perfeitamente penteado para trás deixava à mostra uma testa ampla e sobrancelhas expressivas que acentuavam a intensidade de seu olhar. Mas eram seus olhos que verdadeiramente me perturbavam. De um cinza aço que parecia mudar de tonalidad
KIERAN:Eu havia permanecido em meu escritório depois que meu Beta e meu primo se retiraram sem que chegássemos a um acordo. A voz do meu lobo Atka me tirou de meus pensamentos confusos enquanto tentava encontrar uma solução. — Kieran, acho que nossa humana está com problemas — me surpreendi ao ouvi-lo se referir a ela assim. — Nossa? Atka, sei que ela pode vir a ser a mãe substituta dos nossos filhotes, mas isso não a torna nossa — esclareci enquanto me levantava. Apesar de não ter nenhum vínculo estabelecido com Claris, podia sentir seu medo com uma intensidade desconcertante. — Vamos ver o que está acontecendo com ela e, acima de tudo, vamos descobrir de quem é esse uivo que estou ouvindo. Saí do prédio com passos firmes, ignorando os olhares curiosos dos meus funcionários. O aroma do medo de Claris estava cada vez mais forte, misturado com algo mais... A preocupação se instalou em meu peito enquanto acelerava o passo em direção ao meu carro. — Ela está fraca, assustada e p