À noite, o prédio da empresa do grupo Riddel permanecia completamente iluminado. Havia três dias que toda a companhia estava em estado de alerta máximo. O inverno havia chegado antes do previsto…Gabinete do Assistente do CEO.— Eu sei, eu sei… vocês estão carregando o peso desse inferno, mas convenhamos: a culpa foi toda de vocês! — resmungou Pietro, passando as mãos pelos cabelos. — Meu irmão estava de bom humor antes disso, e vocês simplesmente não aproveitaram. Agora estão arrependidos? Pois bem…Ele suspirou, se recostando na cadeira.— Neste ponto, só há uma coisa que podem fazer: não deixem o meu irmão encontrar qualquer brecha. Se ele perceber alguma coisa errada, vai atacar — e vocês sabem como ele é. Entendido?Os funcionários à sua frente assentiram em silêncio.— Sim, vocês têm medo dele… mas acham mesmo que eu não tenho? Parem com isso. Quem está com a cabeça a prêmio agora sou eu, certo? Então não adianta vir choramingar aqui!Pietro estava prestes a lidar com a próxima
O velho ancião ficou visivelmente frustrado ao olhar para seu filho mais velho, Pitter, aquele homem de coração de pedra que mal demonstrava emoções. Em seguida, voltou-se para a cena desconcertante à sua frente: a esposa, Madalena Riddel, e o filho mais novo, Pietro, estavam desabando em prantos.— Vocês dois, já chega com esse choro! — esbravejou. — Não é como se o Théo estivesse gravemente doente! O médico disse que ele está sofrendo de indigestão... por estar suprimindo seus sentimentos!Madalena apertou um lenço contra os olhos, angustiada:— Como pode dizer isso tão friamente? Ele está reprimindo seus sentimentos! O autismo do nosso Théo vinha melhorando tanto… e se ele estiver entrando em depressão agora?— Não pode ser tão sério assim, crianças nem ficam deprimidas desse jeito...Foi nesse instante que a porta do quarto de Théo se abriu. O doutor da família saiu e pigarreou antes de falar com a voz firme:— Sr. Riddel, sob uma perspectiva médica, crianças podem sim sofrer de d
Melissa rapidamente recuperou sua postura e disse com um olhar de desdém:— Huh, Amara... eu estava mesmo curiosa para saber o quão impressionante você seria longe dos palcos, mas vejo que está só com uma atriz secundária!Nos últimos dias, rumores sobre o escândalo envolvendo Amara e Lenno Bráz haviam se espalhado rapidamente, mas, naturalmente, Melissa já sabia disso muito antes. Secretamente, ela contratara alguém para espioná-los, mas, para sua surpresa, nem precisou fazer tanto esforço: os próprios fãs trataram de espalhar tudo.Contudo, o resultado foi o oposto do que ela havia previsto com base em experiências anteriores. Ao invés de prejudicar a imagem de Amara, o escândalo só a impulsionou. Ganhou mais fãs, mais seguidores, mais brilho.Maldita bruxa, pensou Melissa, você realmente conseguiu lidar com Lenno Bráz... Agora entendo por que o contrato com a Riddel Entertainment foi assinado tão rápido.Embora tivesse dito com desprezo que ele era um “ator de pequeno porte”, ela s
Amara continuou a cantar—"A vida passa com os anos,envelhece com cabelos brancos,vai embora como você,deixando uma felicidade inaudita..."Enquanto a escutava, Lenno Bráz sentiu algo estranho no ar. Aquela escolha musical não parecia aleatória… Era como se tivesse sido feita para alguém. Uma mensagem embutida em cada verso."Sinto muito sua falta, sinto mesmo,mas não demonstro sinais.Ainda penso em você,ainda deixo as memórias tomarem conta,ainda finjo estar bem..."A percepção veio como um sussurro incômodo.— Ela está cantando para alguém…Do lado de fora da sala, uma figura alta permanecia imóvel. Ele tinha passado por ali apenas por acaso, mas, ao ouvir a melodia e reconhecer a voz, foi como se algo o prendesse ao chão. Ficou ali, hipnotizado.Seu assistente percebeu a súbita pausa e se apressou em chamá-lo:— Senhor Pitter, está tudo bem? O terceiro CEO e a responsável pelo cinematográfico ainda os aguardam no andar de cima...— Quieto. — A voz de Pitter saiu baixa, fria,
O calor parecia incinerar cada célula do corpo de Amara. Era um incêndio interno, ardente como lava, e a única chance de alívio estava no toque do homem à sua frente...Instintivamente, seus dedos se agarraram à pele fria e marmórea. A sobrevivência falava mais alto, eliminando qualquer resistência. A dor misturava-se ao prazer, crescendo devagar, intensificando-se como fogos de artifício iluminando o céu noturno de sua mente. Era como estar à deriva em um mar escaldante, subindo e descendo sem controle, completamente incapaz de escapar.“Ei, acorde... Está frio aqui, você pode pegar um resfriado.”Um toque em seu ombro fez Amara abrir os olhos ligeiramente. O olhar preocupado da enfermeira trouxe-a de volta à realidade. Ainda desorientada, ela sentiu o calor ruborizar seu rosto, como se tivesse sido pega em flagrante.Droga. Mesmo depois de tanto tempo, aquela noite, cheia de calor e descontrole com Asllan, continuava invadindo seus sonhos.Por estar bêbada a ponto de perder a consci
Cinco anos se passaram.No bar Eton, em um corredor isolado no último andar, Amara estava com a cabeça latejando após horas acompanhando alguns investidores. Procurando um lugar tranquilo para se recompor, ela encontrou um canto discreto. Porém, antes que pudesse relaxar, ouviu os passos determinados de Pillar, sua empresária, que a seguira até ali.Amara respirou fundo, reunindo energia para encará-la.– Pillar, o que você quer? – perguntou, visivelmente cansada.– Amara, deixe-me ser direta: você se inscreveu para o teste do papel principal feminino em Se Amar nas Estrelas? – Pillar cruzou os braços, a expressão carregada.– Sim. E daí? – respondeu Amara, erguendo uma sobrancelha.– Você não tem permissão para ir amanhã! – Pillar declarou com firmeza.Embora soubesse que deveria se surpreender, Amara apenas sorriu de leve.– E qual seria o motivo?– Agiu pelas minhas costas! Como sua empresária, eu já havia providenciado para Melissa fazer o teste.– Isso não impede minha inscrição,
Na sala de recepção do Eton Bar, o ambiente era sufocante.O chefe do bar, gerentes, seguranças e todos os funcionários relacionados estavam alinhados, com os rostos tomados pelo pavor. A tensão era palpável, pois o pequeno príncipe da Família Rideel, o precioso filho de Pitter Rideel, havia desaparecido dentro do estabelecimento.Sentado no sofá, Pitter permanecia impassível, com o rosto tão frio quanto mármore. Não demonstrava emoção alguma, mas a autoridade que exalava parecia sufocar todos na sala. As pernas de alguns tremiam visivelmente, e o suor escorria de seus rostos, como se estivessem à beira de um julgamento final.Diante dele, ajoelhado, estava Pietro, o irmão mais novo de Pitter, que chorava desesperadamente:— Irmão! Me perdoe! Foi culpa minha! Eu não deveria ter levado Pequeno Théo para um bar! Se algo acontecer com ele, eu não me perdoarei!Mal terminou de falar e Pitter desferiu um chute certeiro contra seu peito.O som do impacto ecoou, seguido de um leve estalo. Os
Pitter observava Amara atentamente, seu olhar fixo parecia querer penetrar na mente dela, como se buscasse a verdade por trás de sua surpresa. Ele analisava cada traço do rosto dela, tentando entender se o espanto era genuíno ou uma farsa bem elaborada.Depois de um longo momento de silêncio, parecia que ele finalmente acreditava que Amara não tinha ideia da identidade de Théo. Sua voz soou fria, como se fosse esculpida em gelo:— Faça seu pedido.— Pedido? Que pedido? — Amara franziu o cenho, confusa.— Meu irmão quer agradecer por salvar Théo. Ele está pedindo que você declare seu pedido! — Pietro Riddel respondeu com uma expressão animada, como se tivesse acabado de encontrar um tesouro perdido.Amara processou rapidamente as palavras. Cautelosa, ela respondeu:— Vocês realmente não precisam me agradecer. É verdade que salvei o Théo, mas ele também me salvou. Se não fosse por ele saindo para buscar ajuda, eu ainda estaria presa lá. Podemos considerar que estamos quites.Ela sabia q