Na noite anterior, eu não consegui entregar o presente para Olivia. Esse detalhe, por menor que fosse, não me deixava relaxar. Passei a madrugada acordado, revisitando os momentos do noivado e pensando no quanto ela estava bonita. No entanto, algo me incomodava profundamente. Não era a primeira vez que percebia Olivia agindo de maneira distante, como se sua mente estivesse em outro lugar.Primeiro foi no leilão, depois no jantar em que anunciamos nosso namoro, e ontem, durante a festa de noivado, ela parecia tão distante que mal parecia estar presente. Era como se estivesse travando uma batalha interna. Será que era algo como um transtorno dissociativo? Era delicado demais questionar isso diretamente, mas não conseguia ignorar a sensação de que havia algo a mais ali.Quando os primeiros raios de sol começaram a atravessar a janela, levantei-me. Fiz minha higiene pessoal, vesti uma calça e uma camisa polo. Decidi que hoje trabalharia de casa, mas antes queria cuidar de Olivia. Desci at
Enquanto Damien deixava o quarto, era evidente o quanto ele detestava o fato de Ana ter interrompido o que poderia ter sido um momento mais profundo entre nós. Eu ainda podia ouvir a risada de Ronan ecoando pelo corredor. Ana aproximou-se da cama com o olhar cheio de curiosidade, esperando respostas. Ela me encarou com aquela expressão que só ela sabia fazer quando queria arrancar informações de mim, e eu sabia que não tinha como escapar. — Olivia Montenegro, não vai me escapar dessa vez. Quero saber tudo nos mínimos detalhes. Como vocês chegaram naquele ponto de quase acasalamento? — perguntou, gesticulando de forma dramática. — Pareciam duas aranhas desesperadas. Segurei o riso e joguei uma almofada nela. — Ana, pelo amor dos deuses… — É sério! Se eu não tivesse chegado, vocês estariam ocupados com… outras coisas. Fui péssima amiga ao interromper. Mas agora, conta tudo. — Ela cruzou os braços, impaciente. Suspirei, sabendo que seria inútil tentar fugir. — Ele preparou o peque
— Pare de olhar-me desse jeito. — Que jeito? — Não sei explicar, mas é como se estivesse lendo algo em mim. É desconcertante. O sorriso que dei foi leve, quase imperceptível, mas genuíno. Eu não tinha pressa em responder. Ela continuava comendo o pastel enquanto me lançava olhares desconfiados, como se estivesse tentando decifrar o que se passava na minha cabeça. A verdade era que nem eu sabia ao certo. Só tinha certeza de que olhar para Olivia era uma experiência que eu nunca queria terminar. A noite já havia caído por completo quando finalmente saímos do carro. Assim que entramos em casa, Olivia tirou os sapatos e soltou um longo suspiro. Ela se dirigiu ao sofá e se deitou, o rosto relaxado enquanto olhava para o céu pela claraboia. Eu fiquei parado por um momento, observando-a, antes de me aproximar devagar. — A lua está bonita hoje, não acha? — ela disse, quase como um sussurro, sem desviar os olhos do céu. — Está, realmente. Mas hoje ela tem concorrência. Ela piscou alguma
Eu sempre imaginei como seria o meu casamento dos sonhos. Planejei cada detalhe nos mínimos pormenores, inspirando-me na Cinderella, minha princesa favorita da Disney. No meu sonho, o casamento seria tão perfeito quanto o dela: mágico, com um brilho encantador que faria tudo parecer irreal. Mas existe uma linha tênue entre sonho e realidade, uma linha tão frágil que facilmente pode ser rompida. Quando isso acontece, temos dois caminhos: ou trabalhamos duro e alcançamos aquilo que sempre desejamos, ou acabamos sendo levados para algo completamente diferente. Neste momento, me encontro no segundo caminho. Minhas escolhas, ou talvez a ausência delas, me trouxeram para um lugar muito distante do que eu havia sonhado. Muitos dos eventos que moldaram minha vida foram fruto das ações de outras pessoas, e não das minhas. Fui colocada em situações que só contribuíram para minha ruína. Mas houve um momento específico, uma decisão minha, que mudou tudo: aceitar o pedido de casamento por contra
Hoje é o dia. Ajusto os punhos da camisa, observando meu reflexo no espelho. O terno preto, feito sob medida, está impecável, cada detalhe cuidadosamente trabalhado para este momento. Mas não é a elegância do traje que ocupa minha mente. É ela. Olivia. Quando fiz o pedido de casamento, tudo parecia simples. Estratégico. Um contrato que resolveria problemas para ambos. Mas agora, ao me olhar no espelho, percebo que nada é simples quando se trata dela. Olivia mexeu comigo de maneiras que eu nunca imaginei. Não consigo mais separar o acordo do que sinto por ela, e o pensamento de perdê-la me assusta mais do que qualquer outra coisa. O som de uma batida na porta me tira de meus pensamentos. Ronan entra no quarto, já vestido para a ocasião. Ele examina minha expressão e sorri. — Está pálido, primo. Nervoso? — pergunta, com aquele tom de provocação que lhe é característico. — Não. — respondo de imediato, mas meu tom rígido o faz rir. — Claro que está. É normal. Todo homem que realment
A primeira coisa que sinto ao descer do jatinho é a brisa salgada e quente que vem do oceano. O ar é diferente aqui, mais puro, como se o mundo inteiro estivesse em silêncio, apenas esperando para ser explorado. Damien se torna o meu guia, e, embora ele não diga nada, vejo em seus olhos o brilho de antecipação. Ele quer que eu veja tudo. E quando finalmente a paisagem completa se revela, sinto como se tivesse entrado em outro universo. A ilha é um pedaço do paraíso. A areia branca parece açúcar, e o azul do mar é tão cristalino que consigo ver o fundo. O som das ondas é constante, como uma melodia suave que embala os pensamentos. Palmas altas balançam com a brisa, lançando sombras em movimento sobre a terra. No alto de uma colina, a villa se ergue. É elegante e discreta, com paredes brancas e janelas de vidro que refletem o céu. Parece uma extensão natural da ilha, como se sempre tivesse estado ali. — Isso tudo é… nosso? — pergunto, olhando para Carter, ainda sem acreditar. Ele a
A noite na ilha era mais do que simplesmente calma. Era uma paz que só a natureza poderia proporcionar, onde o som das ondas quebrando na areia e o leve farfalhar das palmeiras se misturavam ao cheiro do mar e à brisa fresca que passava suavemente sobre minha pele. Eu sabia que estávamos em um lugar único, um pedaço isolado de terra onde nada mais importava além de nós dois. Ali, não havia pressa. Não havia mais nada além do que estávamos criando. E naquele momento, eu sabia que qualquer coisa fora daquele espaço não poderia competir com o que eu tinha diante de mim. Olivia estava ao meu lado, e sua presença era como uma força magnética, irresistível. Não estava mais preocupado com a perfeição do mundo à minha volta; tudo o que eu precisava era dela. Ela era o meu alicerce, e tudo o que eu havia construído em minha vida estava agora entrelaçado com ela. Seus olhos, seus gestos, até o modo como ela se movia, pareciam me chamar, me convidar a mergulhar mais fundo nesse vínculo, a me pe
A raiva me consome como uma chama que não se apaga. Cada pensamento que tenho é uma explosão de frustração, uma vontade de destruir, de fazer tudo o que posso para reverter o que aconteceu. O casamento de Damien e Olivia é como um punhal em meu coração, cravado fundo, fazendo com que a dor se torne insuportável. O que ela tem que eu não tenho? Por que ele escolheu ela? Eu sou mais do que suficiente, eu sou tudo o que ele deveria querer. Mas ele a escolheu… Ela, a minha irmã. A inútil que não tem nada além do mesmo rosto que o meu. Eu não vou deixar isso acontecer. Não posso. Sento-me no bar, tentando afogar minha raiva na bebida. O copo está meio vazio, mas é só o que preciso para que as coisas parem de doer por um momento. Tento me perder no líquido, como se isso pudesse fazer as cicatrizes internas desaparecerem. Olho ao redor, mas tudo o que vejo são rostos felizes, conversas descontraídas, enquanto minha dor é um peso que me arrasta para o fundo. Eu mal percebo o momento em que