O copo de uísque girava na minha mão, mas eu não tinha coragem de beber. O líquido âmbar parecia um alívio tentador, mas eu sabia que não resolveria nada. A culpa continuava queimando dentro de mim, como uma chama persistente, me lembrando, a cada segundo, do erro que cometi. Eu tinha deixado Olívia sozinha na estrada. Por quê? Porque perdi o controle. De novo. Levantei de repente, o som do copo batendo na mesa ecoando pelo ambiente vazio da sala. Andei de um lado para o outro, os passos ecoando como uma batida constante que não acompanhava o caos em minha mente. — Ela está bem. Claro que está — murmurei para mim mesmo. Mas a voz na minha cabeça era uma mentira, uma tentativa patética de justificar o injustificável. Eu sabia que tinha exagerado. Fui longe demais. Passei a mão pelo cabelo, frustrado. A imagem dela, vulnerável, com os olhos cheios de algo que poderia ser mágoa ou fúria, não saía da minha mente. O jeito como ela ficou parada, firme, mesmo depois de tudo. As chaves
Eu observava Damien deitado na cama, a respiração calma e seu corpo relaxado, como se nada tivesse acontecido, como se suas palavras não tivessem atingido em cheio o meu coração. Ele estava ali, completamente alheio à tempestade que se passava dentro de mim, e isso só aumentava a frustração que se acumulava em meu peito. O contraste entre o seu estado sereno e a minha mente caótica parecia quase irônico. Ele dormia com a mesma tranquilidade de sempre, enquanto eu me sentia dilacerada. Como ele podia continuar a ser tão insensível, tão indiferente a tudo que estávamos vivendo? Ele falava de Olívia com uma intensidade que eu não conseguia ignorar. A maneira como se lamentava por ela, como se ela fosse a única coisa que importava, me causava uma dor aguda. Cada palavra que saía de sua boca soava como uma lâmina, cortando-me profundamente. Eu sentia uma raiva crescente, um nó apertado na garganta, mas ao mesmo tempo, uma necessidade crescente de controlar a situação. Eu sabia que não pod
O som de uma notificação ecoa pela madrugada, me arrancando de um sono agitado. Estico o braço, pego o celular e vejo o nome na tela: Ofélia. Meu coração se aperta, mas abro a mensagem. São fotos dela com Damien. Ele está deitado, dormindo profundamente. As imagens falam mais do que qualquer palavra que ela pudesse enviar. É um ataque claro, uma provocação.Fecho os olhos e deixo o celular de lado. Não vou dar esse gosto a ela. Não vou permitir que suas ações me tirem o pouco de paz que ainda tenho. Damien e eu não somos nada além de um acordo, um contrato. O que ele faz fora disso não me interessa… ou ao menos deveria ser assim. Então por que essas imagens me incomodam tanto? Será que quando ele me beijou naquela noite, ele estava pensando nela?Afundo a cabeça no travesseiro e tento expulsar os pensamentos. Não consigo.Acordo com a dor de cabeça habitual. Depois de uma higiene rápida e um mínimo de maquiagem, escolho uma calça jeans escura, uma camisa vermelha de cetim e meu scarpi
O som insuportável da campainha me arranca do sono profundo. Eu olho para o relógio de cabeceira: 2h34 da manhã. Quem estaria me perturbando nessa hora? Com um suspiro pesado, me arrasto até a porta, ainda meio atordoado. Ao abrir, encontro Damien parado ali, com a expressão fechada, como se estivesse carregando o peso do mundo.— O que aconteceu? — Pergunto, tentando esconder a irritação pela madrugada interrompida. — Isso é uma emergência?— Pode me deixar entrar? — Ele quase implora, a voz baixa, quase inaudível.— Claro, entra logo. — Falo, cedendo à sua pressão, mas meu olhar ainda é desconfiado.Damien entra, tira o casaco e se joga no sofá. Ele parece em frangalhos, e isso me deixa ainda mais confuso.— Então, o que houve? — Sento ao lado dele e coloco um copo de uísque nas suas mãos. — Eu sei que você não está aqui só porque está com sede, então o que está acontecendo?Ele pega o copo, mas não o levanta até os lábios. Fica olhando o líquido por um momento, como se estivesse te
– Amor, você está bem? – A voz de Joseph ecoou pela sala de estar enquanto ele entrava segurando um buquê de rosas vermelhas. O arranjo era impecável, e, mais uma vez, ele havia escolhido rosas sem espinhos. Era o seu jeito de demonstrar cuidado, algo que nunca mudou ao longo dos anos. Mesmo nos dias mais difíceis, esses pequenos gestos conseguiam arrancar um sorriso meu.Eu me virei para ele, tentando parecer tranquila.– Estou – respondi, mas minha voz soou hesitante. A verdade era outra. Nos últimos dias, minha mente estava repleta de pensamentos incessantes sobre nossos filhos e o futuro da família.Joseph arqueou as sobrancelhas, claramente não convencido. Ele caminhou até o sofá, colocando o buquê delicadamente sobre a mesa antes de se sentar ao meu lado. Seus olhos me estudaram, como sempre faziam quando ele sabia que havia algo errado.– Não parece – ele insistiu, sua voz calma, mas firme.Suspirei profundamente, desistindo de esconder. Ele me conhecia bem demais para que eu p
Mais uma vez, estava no escritório, mergulhado no trabalho. Era a única coisa que conseguia fazer ultimamente para afastar o caos que se formava na minha mente. Desde a conversa com Ronan naquela madrugada, não consegui encontrar paz. Eu sabia o que deveria fazer: me aproximar de Olivia, criar um vínculo, tentar reverter a situação antes que nosso casamento se tornasse insustentável. Mas a prática era bem mais complicada do que a teoria. Por isso, mantive-me distante, fingindo que nada estava errado. Nosso casamento estava próximo. A festa de noivado seria amanhã, e a cerimônia na próxima semana. Em breve, viveríamos sob o mesmo teto. A ideia deveria me animar, mas, na verdade, só aumentava minha ansiedade. Como eu poderia consertar algo que parecia tão quebrado? Meus pensamentos foram interrompidos por duas batidas na porta. – Entre – disse, levantando o olhar. Parks entrou na sala com seu bloco de notas em mãos, como sempre. – Damien, consegui o que você pediu. Devo enviar para
Por um momento, achei que os preparativos para o casamento seriam o maior dos meus problemas. Mas, considerando a situação entre mim e Damien, parece que minha vida inteira virou um emaranhado de frustrações e dúvidas. Desde o dia no restaurante, nossas conversas não passaram de trocas rápidas e protocolares, e o silêncio entre nós só serviu para aumentar minha frustração. Eu entendia as motivações dele e o passado complicado com Easton, mas Damien precisava compreender que ninguém ao seu redor deveria pagar o preço pelas feridas que ele se recusa a curar. Ele era um homem adulto e, ainda assim, agia como se estivesse preso no tempo. Lembrar da última vez em que estivemos juntos só aumentava meu desconforto. Ele me deixou sozinha na estrada, exigiu que eu o enxergasse da mesma forma que via Easton, e depois me beijou como se tivesse todo o direito. Antes que eu pudesse processar qualquer coisa, ele simplesmente foi embora, me deixando com um turbilhão de emoções. Easton, Ofélia e D
Assim que terminamos de lavar a louça, Olivia sentou-se à mesa com um bloco de notas, concentrada em revisar algo. Permaneci em silêncio, observando-a enquanto ela trabalhava. Não era a primeira vez que ficava impressionado com sua beleza. Olivia tinha uma presença magnética, um jeito natural de capturar a atenção de todos ao seu redor, mesmo sem querer. – Damien, está me ouvindo? – A voz dela me despertou dos pensamentos. – Sim, claro. – Respondi, mesmo sem ter ideia do que ela estava falando. Ela inclinou a cabeça, estudando meu rosto, e então cruzei os braços, confessando: – Perdão, não ouvi. Estava distraído. – Perguntei onde acha que deveríamos passar a lua de mel… ou se prefere cancelar. E quanto tempo deve durar? – Sua voz era neutra, mas havia um toque de curiosidade. – Existe algum lugar que você gostaria de ir? – devolvi a pergunta. – Pensei em um país onde seja verão. Nosso casamento será em dezembro, e provavelmente passaremos o Natal durante a viagem. Prefiro algo