PRINCESA... DE DIA. CAPÍTULO 47. Por quê?Cameron sentia que o coração ia saltar de seu peito. Fazia dez anos que não trocava uma palavra com seu irmão mais novo. Janick tinha vinte e quatro anos agora, mas talvez pelo mau cuidado a que havia sido submetido, ou por todas as operações, ou talvez pela cadeira de rodas em que estava há dez anos, continuava parecendo um rapaz pálido e magricela de dezoito ou dezenove anos.—Pronto? —perguntou Dandara, empurrando Cameron para dentro daquele quarto, mas mal atravessou a porta quando os olhos de Janick se abriram desmedidamente, como se tivesse visto um fantasma.Em um único segundo, todos os monitores aos quais estava conectado dispararam, e o viram se descompensar, abrir e fechar a boca tentando falar ou respirar, até que algumas poucas palavras conseguiram sair.—Você... não é possível... você está morto... Meu Deus, estou tendo alucinações!...Cameron franziu a testa enquanto ele e Dandara se olhavam confusos, mas se não controlassem aqui
PRINCESA... DE DIA. CAPÍTULO 48. Um teatro por terraJanick e Cameron se olharam com frustração. Se colocar em dia estava sendo doloroso para eles, mas nada comparado ao fato de saber que seus pais haviam passado dez anos dizendo ao mais novo dos Lake que seu irmão mais velho estava morto.Mas embora nenhum dos dois entendesse por que haviam feito algo tão horrível, a verdade era que estavam prestes a descobrir, porque enquanto Dandara tentava segurar os pais de Cameron o máximo possível, tornou-se demasiado evidente que a senhora não tinha muitos limites.—Saia do meu caminho de uma maldita vez! Ninguém me consultou sobre transferir meu filho para seu hospital! —escandalizou-se a mulher.—Na verdade, ninguém precisa consultá-la —replicou Dandara com segurança—. Janick Lake é maior de idade e pode autorizar seu próprio transferimento, assim como tudo mais relacionado à sua saúde. Além disso, não deveria estar feliz? Seu filho finalmente vai estar em um lugar onde receberá toda a atençã
PRINCESA... DE DIA. CAPÍTULO 49. A verdadeClaro que Janick e Cameron não entendiam do que ela estava falando, mas a jovem foi muito clara quando alcançou o prontuário médico que estava pendurado na prancheta no pé de sua cama e o mostrou aos pais do mais novo dos irmãos Lake.—Você é sua tutora nos assuntos físicos, e apenas no caso de ele não poder tomar decisões por si mesmo, mas nada mais —sentenciou—. Governar sua vida é algo muito diferente.—Pois governar sua vida é o que nos corresponde, porque não somos apenas seus tutores nesse papel, também o somos perante o Estado! E sob nenhuma circunstância vamos deixar que volte a se relacionar de novo com...!Havia veneno na boca daquela mulher, um veneno terrível, mas não se atreveu a soltá-lo porque Dandara se colocou à sua frente como se estivesse disposta a lhe dar as duas bofetadas que precisava.—Deixe-me ser clara nisso, senhora. Desse assunto vou me ocupar depois, porque já estou imaginando exatamente qual é a insistência em ser
PRINCESA... DE DIA. CAPÍTULO 50. Um vulcão em erupção—Tem alguma coisa me incomodando nisso tudo — o ronronar de Dandara era baixo, apesar de tudo.O amanhecer ainda estava longe, e Cameron não se surpreendeu ao vê-la se dirigindo novamente para o distrito comercial, em vez de para a casa.—Para ser honesto, eu não gostei de absolutamente nada do que vi esta noite, talvez porque também não entendi nada — confessou, cansado. —Mas o que eu suponho que eu faça?—Muito — respondeu ela, determinada. —Tem que haver alguma razão para seus pais estarem se comportando assim. É evidente que eles estão machucando seu irmão psicologicamente há dez anos, então é melhor descobrirmos logo a causa, ou não vamos conseguir ajudar o Janick.Cameron assentiu em silêncio enquanto Dandara descia da caminhonete e ele a seguia até o escritório que ficava atrás do enorme estacionamento fechado.—O que é isso? — perguntou ele ao vê-la vasculhando uma das gavetas e tirando um cartão especial que lhe entregou.—
JANEIROSEATTLE— Como você foi capaz de fazer isso?! — O rugido furioso de Zack Keller deteve sua namorada na porta de casa assim que a viu chegar.Giselle viu um papel em sua mão e nem sabia do que ele estava falando, mas nunca o tinha visto tão alterado como naquele momento.— Não sei do que você está falando...— Claro que sabe! Você abortou meu filho! Você o perdeu de propósito! — ele a acusou com raiva. — Você ao menos tinha a maldita intenção de me contar alguma coisa?!A mulher à sua frente ficou pálida.— Como... como você sabe...?Zack jogou aquele papel na direção dela e a olhou com decepção.— Você esquece que está no plano de saúde da minha empresa? — ele cuspiu, aproximando-se dela. — Assim que seu sobrenome apareceu nos registros de pagamento, me avisaram. Imagine minha alegria quando soube que o seguro tinha pago por um teste de gravidez e depois por uma ultrassonografia!Giselle se afastou dele com o rosto vermelho de vergonha, mas Zack não era do tipo que da
NOVEMBROVANCOUVER— Andrea! Na minha sala! Agora!O grito de seu chefe, um gerente médio na empresa SportUnike, a fez pular na cadeira, angustiada, porque sabia que ele estava de muito mau-humor naquele dia.— Isso é uma maldita piada? — rosnou, jogando uma pasta de documentos em seu rosto. — Eu disse claramente que precisava dos relatórios de orçamento da divisão de esportes aquáticos do mês passado!Andrea arregalou os olhos.— Mas... senhor Trembley... tenho certeza de que o senhor me disse que queria os deste mês...— Não discuta comigo, sua inútil! — vociferou o chefe. Aos cinquenta anos, Peter Trembley era tão desagradável quanto sua barriga inchada, mas Andrea tinha que suportá-lo porque mal tinha conseguido um emprego como sua assistente e disso dependiam ela e sua filha para viver. — Você não percebe o que está acontecendo? A SportUnike desapareceu! Um suíço filho da mãe a comprou e agora seremos apenas uma filial da empresa dele! Sabe o que isso significa?Andrea sab
Mas se Zack achava que algo naquela empresa estava errado, seu instinto disparou quando desceu ao estacionamento e viu Andrea encostada em uma das paredes. Ela tentava trocar os sapatos de salto por tênis baixos, mas suas mãos tremiam.Ele ficou tentado a ir falar com ela, mas algo nele ainda resistia a se envolver nos problemas alheios. Tinha uma nova empresa para dirigir, e se queria que Andrea se sentisse melhor, só precisava consertar sua empresa, não a vida pessoal dela.Por fim, viu ela ajustar o casaco e sair para o frio da rua.Observou-a de longe e percebeu que ela não pegava um táxi nem um ônibus, então provavelmente morava perto. Mas Zack não fazia ideia de quão errado estava, porque Andrea não morava nem remotamente perto; simplesmente não podia se dar ao luxo de pagar nenhum tipo de transporte.Durante quarenta minutos, a moça caminhou no frio de um inverno canadense, e quando finalmente chegou ao seu prédio, já estava quase escurecendo.— Boa tarde, senhora Wilson —
O rosto de Trembley ficou visivelmente vermelho e a dureza em seus olhos permaneceu.— Esperando Andrea? — rosnou. — Você está brincando ou acabou de chegar e não sabe que relacionamentos interpessoais são proibidos nesta empresa?— Bom, sou de aprendizado lento, mas tendo a imitar — replicou Zack com sarcasmo. — Talvez eu tenha me confundido quando vi o senhor se agarrando a ela como uma iguana com falta de sol.O velho cerrou os dentes e soltou Andrea bruscamente antes de caminhar até ele.— Não se meta no meu caminho, moleque. Você é só um recém-chegado e eu posso...— O quê? Me demitir? — interrompeu Zack com voz gélida. — Bem... pode tentar, mas verá que meu trabalho aqui não depende do senhor. Faço parte da equipe dos sonhos desta companhia e só ele pode me demitir. Tenho certeza de que não veria com bons olhos o gerente de plantão tentando me demitir sem justa causa.Trembley cerrou os punhos e o encarou com uma expressão maldosa e desafiadora.— Talvez seu emprego esteja