Capítulo 5

Thomas Jenkins 

Depois de uma passada rápida no escritório para conseguir o número de uma certa pessoa, fui para casa do Nicholas. Em mais uma tentativa de fazer um mal-humorado sair de casa e quando chego não ficou surpresa em encontrá-lo no escritório de sua casa.

— Sabe, você já é rico. — comento entrando no luxuoso escritório que é tão bem sofisticado quanto na sua empresa.

Sento no sofá, mexendo no meu celular.

— Bilionário é a melhor palavra para ser usada. — Nicholas não faz nem questão de tirar os olhos da tela do notebook ao me responder.

— Dinheiro para cacete. — Me repreendo com um olhar, ele finalmente me olha. — O quê? Ah, esqueci que não posso xingar na sua casa.

Nicholas é um chato, na maioria das vezes sendo politicamente correto e isso enche a porra do saco. Entro no W******p e entro na mensagem com a Debbie, peguei o número dela no seu registro. Esse tal Frank é um empatada foda, mesmo achando que não existe gato nenhum. Debbie é uma mulher linda e muito atraente. Além de ser esperta e ágil, acredito que possamos nos entender bem.

— Por que não vai xingar na sua casa?

Nicholas não esconde suas intenções de me expulsar de sua casa.

Thomas: Como está o Sr. Thomas? 

Envio a mensagem.

— Como um ótimo amigo, vim com a intenção de chamá-lo para sair hoje à noite. Conhecer pessoas, sabe? — Ergo a cabeça para vê-lo melhor. — Não precisa ficar com ninguém.

Já que parece que criou um trauma desde a última mulher que apareceu na sua vida. Nicholas tem que superar!

— Não quero, obrigado.

— Desse jeito voltará a ficar virgem.

— É um problema meu.

— Suas coisas, ainda levanta?

Nicholas me olha, sorri.

— Sua casa está enfrentando algum problema do qual você não pode ficar lá?

— Talvez…

— Thomas, minha casa não é hotel para você ficar hospedado. Vá embora!

Se não fosse amigos há anos de Nicholas e conhecesse muito bem esse seu temperamento, teria precisado de terapia. E olha que faço! Não deveria aguentar essa amizade tóxica. Porém, o que recebo no trabalho me faz ficar. Ainda não sou bilionário como meu melhor amigo, mas ele me faz ficar, já que tenho algumas porcentagens de suas ações da empresa. 

Viu como não posso largar ele?! No rosto mantenho um sorriso brincalhão, mas sinto pena dessa casca-grossa que Nicholas se tornou.

— Cada dia mais amoroso. — Cantarolo.

Meu celular toca avisando que havia chegado mensagem.

Debbie: Sr. Jenkins?

Ah, não vamos voltar à estaca zero.

Thomas: Lembra do nosso combinado?  Vamos lá, Debbie. Você consegue!

Sua resposta aparece segundos depois.

Debbie: Thomas! Só estava querendo ter certeza. 

Thomas: E como está o felino?

Não tivemos privacidade para conversar depois do almoço e quando fui procurá-la já havia ido embora.

— Me parece que já arranjou companhia para essa noite. — A voz de Nicolas chama minha atenção. — Por que não vai atrás dela?

— Como sabe que é mulher?

A cara de cético dele me faz revirar os olhos. 

— Só fica concentrado tanto tempo assim em um celular se for mulher. Além do silêncio repentino que me lembrou como é ser feliz sem você por perto.

Coloco a mão contra o peito de um jeito dramático.

— Nossa, Nicholas! Assim você me magoa. 

— Só me deixa trabalhar em paz. — Resmunga.

Me levanto, mais um dia perdido. Não sei como vou fazer Nicholas voltar à vida, mas não vou desistir facilmente.

— Ok, ok. — fui em direção à porta. — Qualquer coisa me liga.

Ele não faz questão de se despedir. Continuo com as minhas trocas de mensagens com a Debbie.

Debbie: Sobrevivendo a cada segundo.

Estou pronto para pedir uma foto e logo recebo outra mensagem dela. 

Debbie: O bichano foi atropelado, sua aparência está horrível. Mas vai ficar bem!

Faço uma careta. Apago a mensagem que estava escrevendo, não quero ver foto de nenhum gato atropelado. Pensa, Thomas! O jeito que nós nos olhamos hoje no silêncio curto que pareceu durar bastante tempo, me faz pensar o que poderia acontecer se não estivéssemos presentes com nossos colegas de trabalho. Aquela boca.

Entro no meu carro, pode não ser hoje, mas sinto que vai acontecer alguma coisa muito intensa entre nós dois. Estou ansioso para acontecer!

Os dias vão se passando e as trocas de mensagens com Debbie estão sendo cada vez mais frequentes. Não temos nos visto no trabalho, Martina uma das secretárias de Nicholas que trouxe os últimos trabalhos. Estamos tendo nossos altos e baixos, algumas conversas que tenho certeza a deixei molhada em algum momento. Nesse final de semana estou com Nicholas em uma conferência.

Thomas: Vamos lá, Debbie! Esse gato nunca vai ficar bom?

Ela está me enrolando! E já deveria ter pulado do barco, mas não. Continuo a desejando! As conversas ficam quentes, às vezes esfria. Só que essa constância entre troca de conversa com ela vem me prendendo cada dia um pouquinho mais. Estou conseguindo conhecer um pouco mais da novata e gosto. Ela vem demonstrando interesse, mas acho que o seu medo é por conta do trabalho.

Não é a primeira vez que fico com alguém da empresa, nunca deu confusão. Como também não sou de ficar com qualquer uma, principalmente no meu ambiente de trabalho. Ter dor de cabeça é algo que povo igual bandido corre de polícia.

Debbie: Sou uma mãe coruja, não posso simplesmente ir e deixá-lo.

— Larga esse celular. — Nicholas murmura, irritado.

Não tiro os olhos do celular, digitando.

— Não, eu estou em uma conversa interessante com uma gata interessante.

Estamos sentados lado a lado esperando o próximo palestrante. O mau-humor de Nicholas é algo normal para mim, todos os dias o mesmo, menos hoje. Porque hoje ele está insuportável.

Thomas: Frank não pode ficar com uma vizinha? Ou um parente seu? Uma amiga?!

— Não pode começar a pensar com a cabeça de cima em vez da de baixo? — Aborrecido, usa seu famoso trocadilho comigo. 

Chega uma nova mensagem.

Debbie: Sou nova no prédio e quem em sã consciência vai querer cuidar de um gato atropelado a não ser a própria dona? 

Ela não pode ser tão amorosa assim, apesar que é toda fofinha quando quer. Porém, aquele olhar misterioso é instigante. Tenho vontade de soltar aquele cabelo tão escuro e bem cuidado, puxando com força para trás e beijando aquele pescoço. Debbie é uma mulher cheirosa e cheia de gás, parece curtir uma aventura gostosa.

Mas parece que não quer ter essa aventura comigo!

— Fica meio difícil atender o seu pedido, meu caro amigo. — Digo em um suspiro.

A nova palestra começa, guardo o celular prestando atenção no que o homem dizia. Ao contrário do que Nicholas pensa, sou um homem responsável e que sabe a hora certa de ficar paquerando e trabalhando. Pelo menos na maioria das vezes. Bem, ele não tem do que reclamar do meu trabalho. Entrego há tempo o que é pedido. 

Quando acabaram as palestras, troco mais algumas mensagens com Debbie antes de ir para o restaurante do hotel e jantar com o Nicholas.

— Ok, pode ir falando. — Havíamos acabado de fazer o pedido. 

— O quê?

— O motivo de estar tão irritadinho.

Conheci o homem na minha frente no tempo da faculdade, bem no início. Ambos fazendo cursos diferentes, mas as festas eram as mesmas. Era no tempo que esse homem ainda gostava de se divertir e sabia como fazer. Porém, sempre fomos bem diferente um do outro. Até mesmo naquela época Nicholas sempre foi bem controlador, querendo que tudo acontecesse conforme o planejado e de certa forma deu muito certo já que tem uma empresa de grande sucesso. Se tornou um dos homens mais bem sucedidos, tendo matéria na Forbes diversas vezes. 

Nicholas sempre me incentivou a seguir o mesmo caminho, ter meu próprio negócio e prosperar. Mas não me vejo como o Nicholas, tenho meus desejos e ambições, grandes demais que não venham compartilhando com o meu amigo. Ainda assim, sou um homem que quero ser reconhecido pelo trabalho que faz, mas o CEO. Lembra que não quero ter dor de cabeça? Deus me livre ser rabugento igual Nicholas.

— Não sei do que você está falando. — pega o copo d'água em cima da mesa.

— É algo que aconteceu antes de viajarmos, ninguém te irritou aqui por enquanto. — insisto. — foi na empresa? Está acontecendo alguma coisa? Está falindo?! — A última pergunta é apenas para implicar.

Seus olhos me fuzilam. 

— Nunca.

Dou de ombros. 

— Enquanto você não me disser terei que adivinhar.

Nicholas suspira, mexendo os ombros. Percebo o seu desconforto.

— Uma pessoa me defendeu. — pela primeira vez Nicholas não me olha nos olhos para falar. — Quando fui chamado de monstro maldito.

Suas reações estão me assustando. 

— Quem é essa pessoa? — fico curioso.

Nicholas não demonstra desconforto.

Nicholas sempre fala olhando nos olhos.

Nicholas não se importa que fale bem ou mal dele.

— Não importa.

Nossa comida chega e damos um intervalo na conversa, quando o garçom sai não deixo com que a conversa morre.

— Claro que importa. — Não me importo de comer, olhando atentamente para ele. — Me fala mais sobre quem é, como foi essa situação…

— Não quero falar, justamente porque você irá tirar uma teoria sem lógica.

Arregalo meus olhos, desacreditado.

— Foi uma mulher? Uma mulher te defendeu? — Minha voz é um sopro. 

Realmente não acredito nessa possibilidade. Nicholas separa seus talheres e come essa comida em silêncio, engoli em seco. Porra! Foi mesmo uma mulher. Seu silêncio é uma resposta e ele mesmo sabe disso. Nós dois sabemos como o seu último relacionamento foi uma bosta e Nicholas sofreu, se tornou nessa casca para sua própria proteção. 

Faz anos que aconteceu e se tornar a pessoa arrogante e áspera foi o seu refúgio.

Não faço a mínima ideia de quem seja essa mulher, mas já tem a minha admiração.

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