Capítulo 2

Debbie

— Mas alguma coisa? — A voz grossa combina perfeitamente com a aparência física do homem.

Pisco e saio do transe.

— Aqui está o orçamento que pediu para o Sr. Jenkins. — Entrego a pasta azul.

Impaciente, ele pega a pasta de minha mão.

— Pode se retira.

— Sim…, sim, Sr. Butler.

Passo a mão pela saia e me viro saindo de sua sala. Não saio apressada, ou demonstro desconforto. Só não poderia negar que está em sua presença mexeu comigo. E mais uma vez preciso ser uma ótima atriz, absorvendo tudo ao meu redor e não deixando transparecer.

— Uau. — Ouço a voz debochada da Martina. — Não saiu chorando da sala do chefe? Não é que é durona mesmo.

A outra secretaria ri.

— Não haveria motivo. — Certifico que a porta esteja fechada, não quero dar motivo algum para Sr. Butler seja o monstro que as pessoas o vê. Volto para minha mesa. — Vocês o descrevem como um monstro que a qualquer momento fosse atacar, mas é uma pessoa como qualquer outra.

Nicholas não foi a pessoa mais gentil do mundo e se a primeira impressão é que fica, não agradou tanto. Mas não foi rude comigo em momento algum. Talvez hoje não seja o bom dia para ele.

Seis palavras trocadas e tive pensamentos inadequados com meu chefe neste mísero segundos. Droga! Será que é amor a primeira vista? Sinto vontade de rir de mim. Mas não dar para agir normalmente depois da minha mente me trair facilmente. Balanço a cabeça querendo afastar esse pensamento e volto ao meu trabalho. O telefone toca na minha mesa.

— Olá…

— Revise os e-mails que mandei, quero todos ainda hoje. — Nicholas fala e desliga.

Abri o e-mail e quase choro, são 20 e-mails. Vou passar do meu horário, em um suspiro começo o meu trabalho. Martina e Paula, vão embora rindo quando me ver trabalhando. As duas não são amigas, mas parece estarem se divertindo quando o assunto sou eu. Minha bunda doía, mas me mantenho concentrada no meu trabalho e ignorando elas. Nicholas não saiu de sua sala em nenhum momento, pelo que fiquei sabendo era raro os momentos que Nicholas saia cedo ou no fim do expediente. Olho para a porta de seu escritório, ele parece ser um homem tão solitário.

São duas semanas trabalhando aqui e hoje é a primeira vez que vejo e ouço esse homem. Deve ser aquele tipo de pessoa que só pensa em trabalho, coitada de sua esposa. Um homem lindo desse e não ter a atenção dele, não sei se ele é casado ou não. Nicholas é um homem muito reservado e não há informação da sua vida pessoal. Termino meu trabalho uma hora depois do meu horário, envio o e-mail para meu chefe e começo a arrumar minhas coisas para ir embora.

Me espreguiço ao levantar e pego minha bolsa para ir embora, a porta do escritório de Nicholas se abre. Seguro a alça da minha bolsa, quando vejo Nicholas fechando a porta do seu escritório e passando por mim.

Sou uns 30 centímetros mais baixa que ele.

— Será creditado um bônus no final do mês, pelo hoje. — Ele para e olha sobre os ombros. — Me ouviu?

Volto para a realidade.

— Sim. — Mentir.

O que está acontecendo comigo? Um simples olhar desse homem e esqueço de tudo? Era só o que me faltava. Nicholas me olha em silêncio, seu olhar desce pelo meu corpo tão lentamente que sinto o mundo parar. O ar de mistério e sem saber o que pode acontecer na sua presença me deixa ansiosa. Com a sua pasta em mãos, coloca em frente o corpo me olhando com atenção.

— Debbie Ward. — Puta merda! Meu nome na sua voz me deixa grogue. — O que falei?

Arregalo os olhos. E agora?

— Hum… — Evito seu olhar. — Desculpe.

— Você vem tendo grande destaque em minha empresa nos últimos dias. — Ergue uma sobrancelha. — Até mesmo a Srta. Cameron elogiou seu trabalho.

Sorri, sentindo orgulho de mim. Meu trabalho não é brincadeira. Conheci algumas pessoas da advocacia, eles são mais fechados, mas amigáveis.

— Dou meu melhor, sempre.

— É uma mulher ambiciosa e pode ser visto de longe. — Meu sorriso some, o jeito que ele fala faz parecer ruim. — Quem é amiga de todos, não é amiga de ninguém.

Procuro não ficar tensa.

— Sou a novata, a credibilidade sobre mim é nada. — O olho nos olhos. — Mostro que sou capaz e faço meu trabalho com excelência. Não há maldade alguma ser ambiciosa, até porque não estou fazendo nada de errado e nem passando por cima de ninguém.

Sinto seu olhar mais atento sobre mim, mas dessa vez diferente. Percebo que a todo momento está me analisando, sou avaliada constantemente em sua presença e poderia fazer muitos tremer sobre seu olhar severo. Não sinto medo dele e não quero ser pretensiosa, de alguma forma consigo vê-lo diferente dos outros. Algo aquece o meu corpo, e posso estar delirando, mas acho que vi um sorriso se formar em seus lábios mostrando que gostou da minha resposta.

— Srta. Ward?

— Oi?

— Não, não sou uma pessoa qualquer, sou Nicholas Butler e deveria me temer como todos os outros. — seu tom de voz faz parecer que está brigando comigo, suas ações estão leves. 

O Nicholas não perde mais seu tempo comigo e vai até o elevador. Fico bastante confusa com as suas palavras, fiz algo que não o agradou? Mas ele parecia tranquilo. Mordi o lábio inferior, ele ouviu minha conversa com as outras secretarias. Como? Olho ao redor, estamos sendo gravadas e ele pode nos ouvir o tempo todo. Esse homem é bastante controlador. Será que as outras sabem? Ou como eu achava que nosso chefe não tinha acesso às câmeras da sua própria sala.

Não, elas não sabem ou tomariam mais cuidado com o que dizem.

Talvez esteja arriscando, mas…

— Para te temer, teria que pensar como eles. — Nicholas para a sua mão no ar, ele estava prestes a apertar o botão para chamar o elevador. — E não vejo você como um monstro. Não, com certeza não. No fim, teria que te conhecer melhor e não o personagem que você veste.

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