Lucas Park Ela tinha uma forma incômoda e autoritária de se colocar na conversa, como se, de alguma forma, fosse ela quem comandasse o ritmo que deveríamos tomar. Era como se, independente do que havíamos discutido, a decisão final fosse dela. Ela era muito parecida com seu falecido marido quando se tratava de negócios. Leslie era como uma tempestade controlada: cada palavra sua carregava um peso calculado, mas eu nunca sabia quando ela deixaria escapar algo que nos engoliria por completo. Não era medo que eu sentia dela, mas uma irritação constante. Ela sabia demais, falava demais, e sempre parecia um passo à frente Ela também parecia cansada, e, embora a camada de maquiagem pudesse esconder qualquer marca de exaustão, seus olhos não mentiam. Seu semblante, embora firme, estava carregado de preocupação, e eu sabia exatamente a razão. — Foi por essa razão que o convidou para jantar? — Sondei. — Eu o convidei porque precisamos colocar um ponto final nessa rival
Lucas ParkVi o sorriso de Jullian se alargar. Era evidente que esse era seu plano desde o início — ele só não quis ter que dizer em voz alta. Nós tínhamos uma sinergia peculiar, fruto de anos de convivência. Jullian passou incontáveis finais de semana comigo em Seul, me ensinando sobre o cotidiano de Gabrielle: suas manias, suas preferências, até mesmo os pequenos detalhes que poderiam parecer insignificantes para outros, mas que revelavam muito sobre ela.Ele também me treinou para ser membro do conselho interno do conglomerado. Sem isso, jamais teria conseguido essa posição apenas com meu nome. Foi por meio desse aprendizado que entendi como sua mente funcionava. E o mais importante: aprendi a antecipar suas intenções.Às vezes, eu me perguntava se Jullian fazia tudo isso apenas por estratégia ou se, de alguma forma, ele realmente se importava. Mas nunca ousei pergunt
Lucas Park A palma da minha mão doía pela força com que cravava as unhas na carne. Juro por Deus, se Leslie fosse um homem, eu teria lhe dado um soco bem dado. Como ela teve a audácia de usar a própria filha como isca? Era evidente que colocar nossa empresa no bolso sempre foi seu objetivo desde o começo. E eu, tolo, me permiti acreditar que ela só queria a felicidade de Gabrielle. Com as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo, soltei o ar lentamente. Não era hora de explodir, por mais que cada fibra minha gritasse para acabar com aquilo ali mesmo. Esse não era o meu palco, ainda. Mas quem sou eu para criticar intenções escondidas sob o véu das boas ações? Eu, que menti, manipulei e ocultei tudo sobre mim mesmo, para conquistar meu espaço ao lado dela. Entre todas as pessoas nesse emaranhado de relações, eu fui, sem dúvida, quem mais escondeu, quem mais usou segundas e até terceiras intenções
Lucas Park Desde que voltamos, meu pai e eu mal tivemos tempo juntos. Contava os dedos as vezes em que nos sentamos para uma refeição, apenas nós dois. Mas eu não o culpava. Ele era a pessoa mais responsável que conhecia, e, mesmo sabendo que nosso distanciamento não o agradava, entendia que ele apenas respeitava o espaço que acreditava que eu precisava. Talvez fosse melhor assim. Eu jamais teria conseguido mentir descaradamente naquela forma se meu pai estivesse sempre por perto. Ele sabia exatamente o quão fundo eu estava cavando o buraco onde me encontrava, mas não interviria, a menos que eu pedisse. Ele confiou na minha capacidade de lidar com os problemas, embora deixasse claro que nunca o fiz da maneira mais eficaz ou correta. Meu pai acreditava em mim, mas discordava profundamente dos meus métodos. Às vezes, eu também discordava. Mas
Lucas Park Quem poderia imaginar que Alice se tornaria a arma perfeita? A vadia seria o alvo pintado na testa de Castillo, e eu faria questão de apontar na primeira oportunidade. Gabrielle poderia até perdoar o afastamento dele. No fundo, eu sabia que ela nunca o culpou de verdade por ter se mantido longe por tanto tempo. Mas seu envolvimento com Alice? Isso era outra história. Não importava que Alice fosse apenas mais uma puta qualquer, uma entre as tantas prostitutas dessa cidade movidas por dinheiro e status. Ela era a única mulher que Gabrielle escolheu odiar. A única que foi marcada como alvo. Não havia como escapar. Nem Castillo, nem Alice. Eles finalmente conheceriam o verdadeiro rosto de Gabrielle, a mulher violenta e cruel que eu amo, que se esconde por debaixo daquela fachada. Eu estava contando os segundos para ve-la outra vez, despida daquela máscara. Como
Lucas Park — Quero me desculpar com você — comecei, minha voz carregada de uma falsa sinceridade. — Você contou a ela — acusou-me, finalmente me encarando diretamente. Garota insolente. Como ousava me acusar assim? A audácia dela era irritante. Não havia nem um traço de verdade naquilo, e, no fundo, ela deveria me agradecer. Eu havia salvado sua vida ao me manter distante, ao ignorar suas tentativas de chamar minha atenção. Ainda assim, aqui estava eu, me dando ao trabalho de me desculpar. Senti meus lábios se curvarem em um sorriso maldoso, quase predatório. A ideia de contar tudo a Gabrielle era tentadora, mas isso arruinaria o espetáculo. Alice precisava estar presente para o clímax daquela noite. — Se eu tivesse contado qualquer coisa a ela, você não estaria viva para me acusar agora — disse, deixando escapar o mínimo de verdade possível
Art. Único: A herdeira terá posse absoluta, irrefutável e intransferível, após a maioridade de 21 (vinte e um) anos, sob o cumprimento das seguintes exigências: 1. A herdeira deverá ser apta ao cargo de CEO, tendo pleno conhecimento certificado das seguintes áreas: a. Administração de empresas e finanças corporativas b. Economia c. Engenharia d. Arquitetura e. Gestão de pessoas Essa foi a primeira das dez exigências de meu pai, nada fáceis de se cumprir. Ele era a pessoa que mais me conhecia no mundo, talvez soubesse mais de mim do que eu mesma, o que me deixava desconfortável, pois sabia exatamente como lidar com meu narcisismo. Não pude conter o riso quando li pela primeira vez, na verdade, eu ri alto e tão descontroladamente, que senti cada músculo do meu corpo vibrar. Me obrigar a ser social mediante um documento era tão John. Ele sabia que eu não gostava de participar de eventos sociais, sabia que eu não gostava das pessoas da minha idade, assim como sabi
Lucas Park, o típico herdeiro que toda garota sonha em ter como companheiro. Bonito, carismático e com uma conta cheia de dinheiro. Eu não me importava com sua simpatia, tampouco precisava de seu dinheiro, a única razão para eu não raspar sua cara no asfalto quente, é pelo simples fato que seria um desperdício. Sua simetria era assustadora quando observada por algum tempo. Com sua descendência oriental, era quase impossível não olhar em seus olhos escuros e profundos, seu nariz levemente empinado e fino, a boca era grande com lábios volumosos. Era possível ter aqueles traços naturalmente? Se a inocência tivesse um rosto, aos vinte e três anos, com certeza seria aquele. Até mesmo seu sotaque era charmoso, qual me deixou completamente surpresa. Era realmente um contraste agradável quando visto por inteiro. Exceto pelo cabelo, que estava todo brilhante, com um topete estilo John Travolta nos tempos da brilhantina. — Pode parar de me encarar agora — me censurou. Sorri