Em coma, o amor da minha vida estava respirando com a ajuda de aparelhos.Eu cheguei no hospital desesperado, esperei até o fim da cirurgia, virei a noite no hospital, e esperei ela acordar, mas ela não acordou.A culpa tomou conta de mim de uma forma avassaladora, eu havia entrado na vida daquela garota apenas pra trazer sofrimento, dor, e talvez a morte.— Alex, você precisa ir pra casa, você também passou por uma cirurgia recente, não pode ficar aqui.— Eu não vou a lugar nenhum, Matheus.Falei aos soluços.Eu nunca havia chorado tanto na minha vida, e poderia até ser ridículo pra um homem da minha idade ficar daquela forma, eu preferia estar no lugar dela, do que vê-la passando por tudo aquilo.Do lado de fora do hospital estava cheio de repórteres, eles pareciam urubus atrás de notícias, e o meu advogado falou pro Matheus que do lado de fora da delegacia também haviam vários deles atrás de confirmar as informações que eu havia passado.— Aquela mulher vai pagar por tudo Matheus,
MELISSA*A gente não se lembra do nosso primeiro choro ao sair do ventre da nossa mãe, nós não sabemos a sensação, não sabemos do sentimento que é conhecer o mundo pela primeira vez, mas naquela fração de segundos em que eu abri os meus olhos, eu pude compreender a importância da vida, afinal eu estava viva, mas comecei a engasgar e não havia ninguém ao meu lado, talvez eu tivesse que compreender que seria assim o resto da minha vida, talvez não fizesse parte dos planos do meu destino que eu tivesse alguém ao meu lado, eu me desesperei, eu estava assustada, mas então a porta se abriu, e o Alex entrou assustado, mas logo vi um sorriso emocionado, uma felicidade contida, mas que dava para perceber perfeitamente através do olhar dele.— Meu Deus! Você acordou, você acordou meu amor.Ele correu e começou a gritar pelo médico, e logo o médicos e os enfermeiros entraram no quarto.O médico tirou os aparelhos respiratórios de mim, e o olhar dele era de surpresa, eu havia me formado em 18 te
Eu não sabia quem chorava mais, se era eu ou se era ele, mas eu tinha certeza que depois disso, eu nunca mais iria querer sair do lado dele.Que homem ficaria dois anos ao lado de uma mulher que ele não sabia se iria acordar ou não? Aquilo era o tipo de amor que eu iria querer pra vida.— E os meus pais? Como eles ficarem depois de você conseguir isso?— Eles fizeram eu assinar um termo me responsabilizando por você e nunca mais voltaram aqui.— Você está falando sério?— Eu sinto muito por isso meu amor.— Isso não é uma novidade pra mim Alex, eu nunca fui amada por eles, essa é a verdade.— Mas em mim tem amor de sobra.Ele falou enquanto fazia carinho no meu rosto.— E a Camila ainda está presa depois de tanto tempo?— Não.— A justiça desse país só é rígida com gente pobre, rico consegue se livrar muito rápido de tudo.— Mas não foi por causa disso Melissa.— Foi porque então?— Ela se matou dentro da prisão.Eu fiquei imóvel encerando o Alex, eu estava tentando absorver aquela in
ALEX*Eu carregava a esperança fervilhante de que Melissa despertasse naquela mesma semana. Uma ansiedade transbordante habitava meu ser, ansioso por compartilhar com ela a notícia de que ela havia passado no exame de medicina. No entanto, essa novidade permaneceu reclusa em meu coração, endurecido por dois longos anos. Durante todo esse tempo, todas as possibilidades de Melissa acordar, todas as esperanças, foram arrancadas de mim. — Eu sinto muito Alex, mas não existe nenhuma possibilidade de recuperação.— Não doutor, tem que haver um jeito, o senhor não pode desistir dela.Falei completamente transtornado pela notícia.— Infelizmente isso está muito além do meu domínio. Eu sinto muito.O fato de eu não ser o marido de Melissa, retirava de mim todos os direitos de decidir sobre sua vida, deixando essa responsabilidade aos pais dela. No entanto, durante todo esse tempo, eles pareciam ignorar a condição da filha, e pra eles foi muito fácil tomar a decisão de matá-la.— Por favor, n
Contar pra Melissa tudo o que aconteceu em dois anos, doeu em mim, parecia que eu estava mexendo em uma ferida ainda não cicatrizada, relembrar de toda a situação em que tentei ser forte por nós dois me fez querer morrer, mas tentei não demonstrar isso pra ela, afinal ela estava viva, ela havia voltado pra mim, mesmo sendo desenganada pelos médico.Parecia que eu estava em um sonho e por um breve momento eu tive medo de acordar, eu tive medo de abrir os meus olhos e encontrar a Melissa de olhos fechados e respirando com a ajuda de aparelhos, demorou um tempinho pra ficha cair e eu perceber que ela realmente estava de olhos abertos, comemorando a notícia de que havia passado no curso de medicina.Eu fiquei me perguntando se as coisas finalmente iriam dar certo, e finalmente nós iríamos poder ficar juntos pra sempre, sem a interferência de ninguém.Durante os dois anos de agonia e incerteza, meu amor por Melissa nunca vacilou. Era como se cada batida do meu coração fosse um lembrete con
MELISSA *Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo diante dos meus olhos. Alex se ajoelhou lentamente, como se aquele momento fosse sagrado, e com um brilho intenso no olhar, tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso. O tempo pareceu parar. Meu coração disparou como nunca antes, minhas mãos começaram a tremer e, sem que eu pudesse evitar, lágrimas de emoção se acumularam nos meus olhos, nublando minha visão."Melissa, você aceita se casar comigo?", ele perguntou, com um sorriso radiante no rosto, a voz carregada de sentimento e esperança.Era como se eu estivesse vivendo um sonho do qual nunca quisesse acordar. Por um instante, o mundo ao nosso redor desapareceu. O barulho das pessoas no parque, as folhas das árvores balançando ao vento, os passarinhos cantando ao longe... nada mais existia além de nós dois.Eu olhei para Alex, aquele homem que havia sido meu porto seguro nos momentos mais difíceis, meu melhor amigo nos dias de alegria e minha fortaleza quando tudo pareci
MELISSA*Eu nunca imaginei que um homem milionário e dono da metade dos estabelecimentos comerciais de São Paulo fosse cruzar a minha vida e virar ela de cabeça pra baixo.Ele era casado e eu era só uma garota com traumas e virgem, alguém que nunca soube o que era ter um homem dentro de si.Crescer naquela casa sempre foi como dançar em uma corda bamba, esperando a queda a qualquer momento. Minha relação com meus pais era mais uma partitura desafinada do que uma harmonia familiar.Minha mãe, com seu olhar crítico, sempre parecia encontrar falhas até nas minhas melhores conquistas. "Melissa, isso poderia ter sido feito de forma melhor"...Ela dizia, como se perfeição fosse uma obrigação e não uma escolha. Meu pai, por outro lado, estava sempre imerso em seu próprio mundo, distante e indiferente às batalhas diárias que eu enfrentava.Numa noite fria, ao jantar, tentei compartilhar um pouco do meu dia..."Consegui uma boa nota na prova de matemática hoje", eu disse com um sorriso frág
Eu tinha o sonho de me tornar médica, mas eu sabia que aquela era uma realidade distante, e o que me restou foi um emprego em uma cafeteria, já que o emprego na loja ficava muito longe da minha mais nova morada.Enquanto as máquinas de café produziam uma melodia monótona na cafeteria, eu sorria para os clientes, escondendo o eco persistente desse sonho que ainda ressoava em meu coração. O aroma do café substituía o cheiro do formol dos laboratórios, e os pedidos de cappuccinos substituíam as consultas que eu sonhava em conduzir.Cada xícara servida era um lembrete silencioso das escolhas que a vida me ofereceu. No entanto, mesmo entre os grãos moídos e os clientes apressados, eu encontrava pequenos momentos de satisfação. Cada expresso era uma paleta de experiências únicas, e eu aprendia a saborear as histórias que os clientes compartilhavam enquanto aguardavam o café.Nos intervalos entre os turnos na cafeteria, as apostilas de biologia e anatomia se misturavam aos pacotes de café. À