O que Florence menos queria nesta vida era pedir ajuda a Lucian. Ela desviou o olhar e encarou o copo de uísque à sua frente. Sem hesitar, ergueu-o e tomou tudo de uma vez. O gesto fez Lucian parar no meio de um gole de café. Sua figura, sempre fria e imponente, emanava uma aura gelada e ameaçadora. No entanto, os três homens à frente de Florence não perceberam a mudança no clima e começaram a rir alto, divertidos. — Florence, que resistência! Aqui, beba outro comigo. — Se você bebeu com eles, tem que beber comigo também. Ou vai dizer que não vai me dar essa honra? Assim, Florence foi forçada a beber mais três copos. O álcool queimava sua garganta de forma insuportável, e suas mãos, antes firmes, agora mal conseguiam se fechar em punhos. Seu rosto adquirira um tom rosado intenso, tornando sua beleza ainda mais estonteante. Parecia uma cereja madura, brilhando de forma irresistível. Isso fez com que os olhares ao redor dela se tornassem ainda mais predatórios. Os três ho
Não se sabe quanto tempo passou até que Lucian finalmente soltasse Florence. Ela caiu contra a parede, completamente sem forças, respirando com dificuldade. Seus lábios, agora avermelhados e entreabertos, pareciam brincar com o controle que ele tentava manter. Lucian deu um passo à frente, mas Florence virou o rosto bruscamente, evitando-o. — Tio, o que você quer, afinal? Me humilhar e depois me ajudar? — O que você quer dizer com isso? Lucian levantou a mão calmamente e limpou o sangue no canto dos lábios. A mordida havia sido forte, o que deixava claro o quanto ela estava furiosa. Florence encarou aquele tom indiferente dele, como se nada tivesse acontecido, e sentiu a raiva crescer dentro de si. — Você ainda pergunta? Preciso mesmo te explicar tudo o que você fez por Daphne? Se você a ama tanto, por que está fazendo isso comigo? Na sua cabeça, eu sou tão insignificante assim? Alguém que você pode usar e pisar quando quiser? O amor de vocês dois não pode me deixar fora
Florence lançou um olhar para Daphne, que estava apoiada na mesa, com o rosto ruborizado pela embriaguez, e sentiu-se momentaneamente confusa. No entanto, como o diretor e os outros já haviam saído, ela decidiu que aquela seria sua última taça. Beberia, daria uma desculpa e sairia discretamente. Afinal, já havia tomado o remédio contra o álcool, e sabia que uma pequena dose não seria um problema. Quando pegou o copo e estava prestes a beber, a porta do salão se abriu bruscamente. Lucian entrou, exalando uma frieza cortante. Os três homens imediatamente mudaram de expressão, assumindo um ar mais contido. Um deles, tentando puxar assunto, perguntou com um sorriso forçado: — Sr. Lucian, o que aconteceu com o seu lábio? Parece machucado, está tudo bem? Lucian tocou o canto da boca com os dedos e respondeu, com um tom carregado de significado: — Foi uma mordida. Florence, ao ouvir aquilo, sentiu o rosto corar instantaneamente. Os três homens, no entanto, interpretaram o co
— Você! Sua vagabunda! — Aconselho que você me respeite. Aliás, enquanto vocês me forçavam a beber, eu aproveitei para gravar tudo. O vídeo está com uma das minhas colegas de quarto. Se eu não aparecer no dormitório no horário combinado, amanhã essas gravações vão estar em todos os sites de notícias. Vocês passaram anos construindo suas carreiras, não vão querer perder tudo por minha causa, né? Os três homens trocaram olhares, mas não pareciam realmente intimidados. Um deles até riu com desdém: — Isso aqui é uma festa de celebração. Nós só viemos por respeito ao diretor. Beber um pouco faz parte de qualquer festa. E, se quisermos, podemos dizer que foi você quem deu a entender que estava interessada. Outro acrescentou, com um sorriso cínico: — Olha para essa sua roupa. Está claro que você veio para nos provocar. As pessoas na internet não têm pena de mulheres que dizem ser vítimas, elas gostam mesmo é de histórias de mulheres que “caíram em tentação” por conta própria. O te
No hospital. Quando Florence acordou, tudo ao seu redor parecia envolto em escuridão. O medo tomava conta dela, e sua respiração estava acelerada. Ela percebeu movimentos próximos e gritou, desesperada: — Quem está aí? Quem está aí? Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível. Ela agarrou o que conseguiu alcançar com as mãos e arremessou na direção dos sons, seu desespero congelando todos que estavam na sala. Ouviu-se um soluço abafado antes de uma figura correr até ela. — Flor! Flor! Sou eu! O que está acontecendo com você? — Era Lyra, que se aproximava com o rosto cheio de lágrimas. Florence parou com a mão suspensa no ar, a respiração irregular. — Mãe, você… Onde está? Por que eu não consigo te ver? Os olhos de Lyra se arregalaram, e ela deixou de lado o choro imediatamente. — Flor! Não assuste sua mãe assim! Florence olhava para o vazio, seus olhos completamente sem foco. Sua voz saiu trêmula: — Mãe… A sala mergulhou em um silêncio assustador. Lyra, tomada pelo
Ao olhar para aqueles dois homens repulsivos e nojentos, Lyra não conseguia imaginar o destino de qualquer garota que caísse nas mãos deles. Lyra, com os olhos fixos nos policiais, declarou com firmeza: — Exigimos uma investigação rigorosa! Ao ouvir isso, os dois homens empalideceram. Os hematomas em seus rostos ficaram ainda mais evidentes, tornando suas expressões ainda mais grotescas e assustadoras. Embora tivessem alguma notoriedade, comparados à influência da família Avery, eles não passavam de formigas insignificantes. Como poderiam lutar contra um poder tão grande? Eles se entreolharam, engoliram em seco e, em um ato de desespero, decidiram arriscar: — Sra. Lyra, somos homens, e havíamos bebido. Quem pode resistir a uma provocação? Cometemos um erro, mas, pelo bem da reputação de todos, pedimos que seja compreensiva. Lyra arregalou os olhos, chocada, e sua voz saiu mais alta e afiada: — Provocação? Você está insinuando que minha filha tentou seduzir vocês três?
Florence soltou uma risada fria, abaixou ligeiramente o olhar e disse: — Policial, vocês ouviram. Eles não admitem nada do que fizeram, e Daphne ainda corroborou a versão deles. Como parte interessada, exijo que esses três apresentem provas para refutar as evidências que eu forneci. Em especial, quero ver as provas de que eu seduzi ou insinuei qualquer coisa para eles. Além disso, espero que Daphne apresente as provas que sustentem sua afirmação de que eu estaria tentando subir na carreira por atalhos. Vocês são policiais e usam câmeras em todos os casos. Imagino que tudo o que foi dito por eles esteja registrado, certo? Quando Florence terminou de falar, os três homens ficaram completamente atônitos. Daphne, que até então exibia um olhar triunfante, teve sua expressão imediatamente substituída por um choque evidente. Ela não precisava ter se envolvido, mas insistiu em se mostrar esperta. Agora, ninguém escaparia. Um dos policiais confirmou com um aceno: — Sim, o equipamento
Daphne enxugava as lágrimas enquanto se inclinava levemente para mais perto de Lucian. No entanto, seu olhar para os dois homens estava carregado de um aviso claro: “Vejam bem de quem eu sou antes de abrir a boca.” Os dois homens prenderam a respiração, incapazes de ignorar o peso daquela mensagem. Automaticamente, lembraram-se do terceiro companheiro, que estava no hospital. Eles sabiam que preferiam morrer do que ofender Lucian novamente. Caso contrário, o destino seria pior do que a morte. Sem escolha, abaixaram a cabeça e pediram desculpas: — Desculpe-nos, Srta. Florence. Estávamos bêbados e agimos de forma impulsiva. Erramos. Por favor, nos perdoe! — Não vou perdoar. — Florence respondeu com um riso frio. — Se eu deixar passar hoje, vocês vão achar que podem sair impunes. Quem sabe quem será a próxima vítima? Tudo o que aconteceu foi culpa de vocês mesmos. Vocês acreditaram em qualquer coisa e agiram de acordo. Isso é o que vocês merecem. Suas palavras afiadas fizeram o