Maya fez o longo caminho de volta à civilização, seu coração cheio de esperanças e incertezas em relação ao colar que Andreza lhe deu. Caminhava lentamente, permitindo que sua mente divagasse pelo passado recente. Havia apenas um mês que um médico chamado Justin havia sido transferido para o hospital em que Maya trabalhava. A situação era rara, uma vez que ele era um humano, e o hospital geralmente atendia seres sobrenaturais. Embora a maioria dessas criaturas fosse praticamente imortal, havia exceções, e o hospital era especializado em casos únicos que envolviam seres sobrenaturais.Maya se especializara em ajudar a tratar essas condições raras e, até aquele momento, evitava qualquer envolvimento pessoal com homens. Sua beleza não passava despercebida, mas sua insegurança a impedia de se relacionar. No entanto, Justin foi paciente, aproximando-se dela pouco a pouco. Sua compreensão e conhecimento sobre o mundo sobrenatural a intrigaram.Maya continuou sua caminhada, perdida em pensam
A vida é uma caixinha de surpresa, ainda mais no mundo sobrenatural, onde o real e normal se misturam com o mágico e o sobrenatural. E a Deusa da Lua mostraria que seus laços não podiam ser ignorados ou quebrados sem muita luta e dor no processo.Maya, dois dias depois do seu encontro com Andreza, a bruxa da floresta, se encontra ansiosa para reencontrar Justin, pois, depois da última conversa tensa que tiveram, ele mandou uma mensagem avisando que sairia em viagem e só voltaria três dias depois. Justin era meio misterioso com respeito a essas viagens. Quando Maya perguntou da última vez, ele disse que ia visitar o túmulo dos pais, mas, quando Maya se ofereceu para ir junto, ele recusou terminantemente, dizendo ser algo que gostava de fazer sozinho. Sua amiga Mia não confiava em Justin, mas Maya achava que era implicância por ele ser humano.Maya está entretida mandando uma mensagem que tenta escrever para Justin desde o dia anterior, mas não sabe bem o que escrever. Afinal, ela não p
No dia seguinte, Caio e Carlos estavam sentados em seu escritório, encarando Logan, o seu melhor amigo e Beta de confiança. Logan os olhava como se tivessem enlouquecido. A ligação entre os gêmeos e Logan era profunda, eles eram inseparáveis desde a infância, e desde cedo ficou evidente o forte vínculo entre eles. Os três tinham a mesma idade, com vinte e seis anos. Logan, porém, era negro, com um corpo musculoso e bem definido, e intensos olhos verdes. O lobo de Logan se chamava Teo.Carlos acabara de perguntar a Logan sobre a ideia de marcarem Tiffany como a sua companheira, e a reação do Beta não era o que esperavam.Logan riu da proposta, como se achasse aquilo uma piada. Ele olhou para os gêmeos e disse:"Qual é, vocês enlouqueceram?"Caio respondeu:"Ela é uma loba forte, bonita..."Logan interrompeu, ainda rindo:"Insuportável e mimada. Olha, não importa o quanto vocês gostem de 'se enfiar dentro dela', ela seria uma péssima Luna. Quase ninguém suporta a garota. Sua mãe é a pro
Maya recordava o quanto era bom viver no meio da floresta em Forks. Desde sempre, sentia uma conexão profunda com a natureza que a rodeava. A pequena cidade era rodeada por densas florestas, árvores majestosas, e o murmúrio constante do rio Quileute, que serpenteava pelas proximidades. Ela passava horas explorando a floresta, observando os pássaros e os animais selvagens que compartilhavam aquele santuário natural. Era lá, entre as árvores antigas, que Maya encontrava paz e refúgio de suas próprias inseguranças.Naquela época, ela era uma garotinha tímida, delicada e incrivelmente linda. Seus cabelos castanhos escuros caíam em cachos ondulados sobre os ombros, e seus olhos dourados como o sol encantavam a todos que a conheciam. No entanto, sua beleza era ofuscada por sua timidez. Ela se escondia atrás de seu cabelo, evitando o contato visual sempre que possível.Desde criança, Maya via os gêmeos Caio e Carlos como uma espécie de sonho inalcançável. Eles eram os filhos do Supremo do re
Maya terminou de empacotar suas coisas, sabendo que o relógio não esperaria por ela. Se perdesse o voo, Mia, sua amiga temperamental, ficaria furiosa. Olhando para o celular, Maya notou que Justin não havia respondido à sua mensagem, e um sentimento de tristeza a invadiu. Com um suspiro resignado, ela sussurrou: "Melhor assim. Seria muito difícil manter um relacionamento à distância".Maya olhou mais uma vez para o pequeno apartamento que havia sido seu lar por anos, sentindo-se melancólica antes de sair e fechar a porta atrás de si. O som metálico do trinco fechando-se ecoou como um encerramento de um capítulo de sua vida. Ela estava deixando para trás a segurança e a rotina da cidade que lhe acolheu, para voltar à sua cidade natal para buscar novos horizontes naquele lugar distante. Era assustador, mas também emocionante.No aeroporto, Mia estava impaciente e irritada com o atraso da amiga. Ela nunca fora boa em esconder suas emoções e seu temperamento forte estava à mostra naquele
O avião pousou no aeroporto de Seattle, e Mia estava mais ansiosa do que nunca. Sua loba estava agitada e irracional, pronta para enfrentar qualquer ameaça. Ela olhou para Maya, que parecia mais pálida do que um papel, e uma preocupação imediata tomou conta dela:"Está tudo bem?" ela perguntou com suavidade, mesmo que o turbilhão de emoções dentro dela fosse o oposto.Maya respondeu, sua voz trêmula:"Minha mãe acabou de me avisar que Logan veio com eles ao aeroporto."Ao ouvir esse nome, a loba de Mia, Trix, se remexeu furiosamente dentro dela. Mia não conseguiu esconder a raiva que sentia, e seus olhos faiscaram de fúria. Ela perguntou, com os dentes cerrados:"Ele é um dos gêmeos capeta?"Maya negou com um aceno de cabeça:"Não, mas era o melhor amigo deles. Ele participou de cada uma das torturas pelas quais passei."Mia sentiu uma onda de raiva e sede de vingança percorrer seu corpo. Ela mal podia esperar para colocar os olhos nesse lobo desgraçado e fazê-lo se arrepender de tudo
Brad puxou Maya para um abraço protetor, seus braços fortes envolvendo a filha com carinho paterno. Ela se deixou afundar nos braços de seu pai enquanto dizia:"Senti saudades, papai."Mirella abraçou o marido e a filha, com lágrimas nos olhos, e disse:"Finalmente, nossa família está reunida."Os três seguiram para o carro onde Logan já estava sentado ao volante, usando óculos escuros e mantendo a mandíbula apertada. Seus olhos estavam fixos à frente, e ele não precisava se virar para saber que sua companheira não estava entre as pessoas que entraram no carro. Ele permaneceu firme e, assim que Brad se sentou ao seu lado, ele ligou o carro.Maya, no entanto, hesitou. Ela não sabia como reagir à presença de Logan, o lobo que havia feito parte do passado sombrio de sua adolescência. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Logan freou o carro abruptamente e, com a mandíbula tensa, começou a falar. Suas palavras eram carregadas de sinceridade e arrependimento.Ele disse:"Não queria é
Maya não perdeu tempo assim que chegou em casa. A sensação que a tomava era irresistível, uma atração inexplicável que parecia uma voz sussurrando seu nome e uma força invisível a puxando em direção à floresta. Como se a própria natureza estivesse chamando por ela, como se a floresta fosse seu lar. Correu entre as árvores com uma velocidade que desafiava a compreensão, seus movimentos fluídos, e nada parecia ser obstáculo para ela. As folhas caíam em sua trilha, e galhos se afastavam, como se a própria floresta reconhecesse sua presença e a acolhesse de braços abertos.A brisa fresca acariciava seu rosto e o aroma da terra molhada penetrava em suas narinas, enchendo-a de uma sensação de pertencimento. A floresta era seu refúgio, seu lugar de paz, onde todas as preocupações do mundo desapareciam. O verde das folhas, o canto dos pássaros, e o suave farfalhar das árvores criavam uma sinfonia que acalmava sua alma inquieta.Sem saber bem o motivo, Maya se dirigiu para as planícies e parou