Maya recordava o quanto era bom viver no meio da floresta em Forks. Desde sempre, sentia uma conexão profunda com a natureza que a rodeava. A pequena cidade era rodeada por densas florestas, árvores majestosas, e o murmúrio constante do rio Quileute, que serpenteava pelas proximidades. Ela passava horas explorando a floresta, observando os pássaros e os animais selvagens que compartilhavam aquele santuário natural. Era lá, entre as árvores antigas, que Maya encontrava paz e refúgio de suas próprias inseguranças.Naquela época, ela era uma garotinha tímida, delicada e incrivelmente linda. Seus cabelos castanhos escuros caíam em cachos ondulados sobre os ombros, e seus olhos dourados como o sol encantavam a todos que a conheciam. No entanto, sua beleza era ofuscada por sua timidez. Ela se escondia atrás de seu cabelo, evitando o contato visual sempre que possível.Desde criança, Maya via os gêmeos Caio e Carlos como uma espécie de sonho inalcançável. Eles eram os filhos do Supremo do re
Maya terminou de empacotar suas coisas, sabendo que o relógio não esperaria por ela. Se perdesse o voo, Mia, sua amiga temperamental, ficaria furiosa. Olhando para o celular, Maya notou que Justin não havia respondido à sua mensagem, e um sentimento de tristeza a invadiu. Com um suspiro resignado, ela sussurrou: "Melhor assim. Seria muito difícil manter um relacionamento à distância".Maya olhou mais uma vez para o pequeno apartamento que havia sido seu lar por anos, sentindo-se melancólica antes de sair e fechar a porta atrás de si. O som metálico do trinco fechando-se ecoou como um encerramento de um capítulo de sua vida. Ela estava deixando para trás a segurança e a rotina da cidade que lhe acolheu, para voltar à sua cidade natal para buscar novos horizontes naquele lugar distante. Era assustador, mas também emocionante.No aeroporto, Mia estava impaciente e irritada com o atraso da amiga. Ela nunca fora boa em esconder suas emoções e seu temperamento forte estava à mostra naquele
O avião pousou no aeroporto de Seattle, e Mia estava mais ansiosa do que nunca. Sua loba estava agitada e irracional, pronta para enfrentar qualquer ameaça. Ela olhou para Maya, que parecia mais pálida do que um papel, e uma preocupação imediata tomou conta dela:"Está tudo bem?" ela perguntou com suavidade, mesmo que o turbilhão de emoções dentro dela fosse o oposto.Maya respondeu, sua voz trêmula:"Minha mãe acabou de me avisar que Logan veio com eles ao aeroporto."Ao ouvir esse nome, a loba de Mia, Trix, se remexeu furiosamente dentro dela. Mia não conseguiu esconder a raiva que sentia, e seus olhos faiscaram de fúria. Ela perguntou, com os dentes cerrados:"Ele é um dos gêmeos capeta?"Maya negou com um aceno de cabeça:"Não, mas era o melhor amigo deles. Ele participou de cada uma das torturas pelas quais passei."Mia sentiu uma onda de raiva e sede de vingança percorrer seu corpo. Ela mal podia esperar para colocar os olhos nesse lobo desgraçado e fazê-lo se arrepender de tudo
Brad puxou Maya para um abraço protetor, seus braços fortes envolvendo a filha com carinho paterno. Ela se deixou afundar nos braços de seu pai enquanto dizia:"Senti saudades, papai."Mirella abraçou o marido e a filha, com lágrimas nos olhos, e disse:"Finalmente, nossa família está reunida."Os três seguiram para o carro onde Logan já estava sentado ao volante, usando óculos escuros e mantendo a mandíbula apertada. Seus olhos estavam fixos à frente, e ele não precisava se virar para saber que sua companheira não estava entre as pessoas que entraram no carro. Ele permaneceu firme e, assim que Brad se sentou ao seu lado, ele ligou o carro.Maya, no entanto, hesitou. Ela não sabia como reagir à presença de Logan, o lobo que havia feito parte do passado sombrio de sua adolescência. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Logan freou o carro abruptamente e, com a mandíbula tensa, começou a falar. Suas palavras eram carregadas de sinceridade e arrependimento.Ele disse:"Não queria é
Maya não perdeu tempo assim que chegou em casa. A sensação que a tomava era irresistível, uma atração inexplicável que parecia uma voz sussurrando seu nome e uma força invisível a puxando em direção à floresta. Como se a própria natureza estivesse chamando por ela, como se a floresta fosse seu lar. Correu entre as árvores com uma velocidade que desafiava a compreensão, seus movimentos fluídos, e nada parecia ser obstáculo para ela. As folhas caíam em sua trilha, e galhos se afastavam, como se a própria floresta reconhecesse sua presença e a acolhesse de braços abertos.A brisa fresca acariciava seu rosto e o aroma da terra molhada penetrava em suas narinas, enchendo-a de uma sensação de pertencimento. A floresta era seu refúgio, seu lugar de paz, onde todas as preocupações do mundo desapareciam. O verde das folhas, o canto dos pássaros, e o suave farfalhar das árvores criavam uma sinfonia que acalmava sua alma inquieta.Sem saber bem o motivo, Maya se dirigiu para as planícies e parou
Maya estava cheia de raiva e vergonha de si mesma naquele momento. Ela não conseguia acreditar que havia permitido que Caio e Carlos a deixassem ali, pronta para ser beijada. Como pôde ter chegado a esse ponto? Esperar para ser beijada por eles e ainda fechar os olhos, era humilhante. Ela se sentia como se tivesse traído sua própria dignidade e autossuficiência.Enquanto caminhava de volta para casa, sua mente estava inundada de pensamentos turbulentos:"Eu sou melhor do que isso. Não preciso da aprovação de ninguém, muito menos de dois idiotas que não são confiáveis", repetia para si mesma, mas as palavras não aliviavam a sensação de indignação que a dominava.Maya chegou em seu quarto e se olhou no espelho. Lágrimas de frustração e vergonha ameaçavam escorrer, mas ela as conteve. Foi então que, em um ato de pura impulsividade, deu um tapa em seu próprio rosto. A dor ardente que sentiu foi quase um alívio, uma maneira de redirecionar sua raiva para algo mais concreto, ainda que fosse
O tumulto na clínica estava fora de controle. Enfermeiras corriam para afastar Mia da garota, que agora sabiam ser a irmã de Logan. Seus olhares para Mia eram de indignação e descrença, como se ela fosse o ser mais monstruoso da face da Terra. Maya se aproximou ao lado da amiga para dar apoio moral, mas a situação parecia ter saído do controle rapidamente.Mia, em meio ao caos, tentou se justificar:"O que foi? Foi só um puxão de cabelo." No entanto, seu tom de voz raivoso não ajudou a acalmar a situação.As enfermeiras estavam determinadas a expulsar Mia e Maya da clínica sem dar a elas a oportunidade de explicar que eram as novas médicas. Enquanto isso, Logan estava focado apenas em sua irmã, que estava sentada no chão, segurando a cabeça com as duas mãos, claramente perturbada com o ocorrido.A confusão na clínica havia alcançado proporções enormes, e a única alternativa que restava era chamar os supremos, a fim de restaurar a ordem e esclarecer a situação. Enquanto as enfermeiras
Maya desejava que o chão se abrisse sob seus pés e a engolisse. Ela daria qualquer coisa para desaparecer naquele momento. Cada passo que dava em direção ao escritório dos gêmeos era acompanhado por um sentimento avassalador de vergonha e arrependimento. Ela tinha sempre se considerado uma profissional competente e dedicada, mas aquele incidente havia revelado um lado obscuro de sua personalidade que ela jamais imaginara possuir, e logo diante das pestes dos gêmeos.Mia, ao seu lado, também estava consciente do tamanho da idiotice que havia cometido. Seus olhos permaneciam fixos em Nolan, que se recusava a olhá-la. O silêncio constrangedor que pairava entre eles era ensurdecedor. Mia sabia que havia estragado tudo. Ela havia perdido o controle de suas emoções e atacado uma paciente, colocando em risco sua vida. Era inaceitável.Carlos tomou o controle da situação, pedindo a Ella que levasse Carla para ser examinada e assegurasse que tudo estivesse bem. Ella e as outras enfermeiras, ex