Vittorio BianchiAo sairmos do hospital decido perguntar para Heloisa se ela já se decidiu se vai ou não ficar aqui. Ela me olha com tom de desafio e fala que está considerando e o mais tentador é quando ela me desafia a convencê-la a ficar. Dou um sorriso de lado e a prendo entre meu corpo e o carro, sinto sua respiração ficar irregular e o brilho desafiador em seus olhos me instiga, mas é a forma como sua respiração vacila que me dá a certeza de que estou no caminho certo. Meu rosto se aproxima do dela, e posso sentir o calor de sua pele, desço meus lábios até seu pescoço e depósito um beijo ali, seguindo meus lábios até sua orelha.— Quer que eu a convença, Heloisa? — murmuro, minha voz saindo baixa, rouca. Um pouco mais alto que um sussurro.Seus lábios se entreabrem, e o brilho nos olhos vacila por um segundo, como se ela própria estivesse surpresa com sua reação. Gosto dessa oscilação, desse conflito que vejo se desenrolar em sua expressão. É um jogo, e ela sabe disso. Mas, dif
Heloísa moura Eu deveria parar.Cada parte do meu corpo grita que isso é perigoso, que me envolver com Vittorio é me jogar no fogo sem a menor chance de sair ilesa. Mas quando ele me beija desse jeito, quando suas mãos traçam caminhos lentos e torturantes pelo meu corpo, é impossível pensar com clareza.A verdade? Eu não quero parar.Não quando ele me olha assim, como se eu fosse a única coisa que importa no mundo. Não quando seu toque me faz esquecer de tudo que prometi a mim mesma.Meu corpo se encaixa contra o dele como se pertencesse exatamente ali. Minhas mãos deslizam por sua nuca, sentindo os fios macios entre meus dedos, e quando ele morde de leve meu lábio inferior, um arrepio delicioso percorre minha espinha.Isso é insano. Perigoso. É viciante.Minha respiração está ofegante, e ele sabe disso. Seus dedos pressionam minha cintura com mais firmeza, me puxando ainda mais para si. Eu deveria dizer algo, impor um limite antes que isso vá longe demais. Mas então ele sussurra:—
Vittorio BianchiNão sei onde estou com a cabeça, mas uma vez me deixei levar, Heloisa, mesmo em corpo de mulher, ainda é uma criança. Lembro o dia em que ela nasceu, quando a segurei pela primeira vez em meus braços, tão inocente, tão pequena, e agora ela nada mais é que um furacão em forma de gente. A forma como ela rebolava em cima do meu pau, tive que me segurar muito para não fuder com ela ali mesmo.Tento desfasar, para que os empregados não percebam nada, não quero nem imaginar se o Hugo descobre que tive a ousadia de tocar na filhinha dele.Saio do quarto dela sentindo o corpo tenso, como se minha própria pele fosse uma armadilha da qual não consigo escapar. O ar do corredor parece pesado, carregado com o cheiro doce do perfume dela, uma lembrança insolente do que acabei de fazer — do que nunca deveria ter feito.Passo a mão pelos cabelos, tentando afastar os pensamentos que insistem em me atormentar. Eu sabia que isso era errado, sabia que não deveria sequer olhar para ela d
Heloisa Moura A estrada à minha frente parece infinita. Cada metro percorrido é uma despedida silenciosa daquilo que nunca deveria ter começado. O carro avança devagar pelo caminho de terra que leva à saída da propriedade, e eu mantenho o olhar fixo na janela, me recusando a olhar para trás. Minha mente repete a cena de minutos atrás como um disco quebrado. O olhar de Vittorio quando pedi uma resposta que ele não pôde me dar. O silêncio sufocante que se seguiu. O vazio no peito quando percebi que eu estava me segurando a algo que nunca existiu de verdade. Minha mala está jogada ao meu lado no banco. Poucos pertences, apenas o suficiente para voltar para casa. Para longe dele. Para longe do desejo que me consumia e da culpa que me sufocava. — Senhorita, tem certeza de que deseja ir direto para o aeroporto? — o motorista perguntou educadamente, seus olhos atentos pelo retrovisor. Minha voz sai firme, mesmo que minhas mãos estejam trêmulas. — Sim, direto para o aeroporto. O homem
Vittorio Bianchi O céu da Itália desapareceu pela janela do avião, mas a sensação de que estou deixando algo inacabado me acompanha.Heloisa foi embora. E, com ela, levou algo que não consigo nomear, mas que pesa no peito a cada dia que passa.Eu tentei ignorar. Mergulhei no trabalho, tentei afogar a confusão em taças de vinho perfeitamente envelhecido, mas nada funcionou. A vinícola sem ela parece… vazia.Talvez por isso eu esteja aqui, a caminho da casa dela. Assim que chego à casa dos Mouras, Hugo me recebe com um sorriso surpreso.— Ora, ora! O que um italiano perdido está fazendo nos EUA? Solto um suspiro, dando de ombros.— Precisava sair um pouco da Itália. A vinícola anda bem, mas... tudo lá me lembra uma garota. E é complicado.Hugo solta uma risada, me dando um tapa no ombro.— Ah, então é isso! Não sabia que você estava apaixonado, Bianchi. Mas entendo, às vezes um novo ambiente ajuda a clarear a mente.Assinto, forçando um sorriso. Ele comprou a desculpa. Mas a verdade?
Heloisa moura Fazia muito tempo que não me sentia tão… irritada.Vittorio tinha o dom de mexer comigo de um jeito que ninguém mais conseguia. Ele me provocava, me desafiava, me fazia querer gritar e beijá-lo na mesma intensidade.Mas o que mais me irritava era a maldita confiança que ele tinha."Você percebe que não consegue ficar longe de mim."Quem ele pensa que é?Cruzo os braços, observando ele se afastar como se soubesse exatamente o que estava fazendo comigo. E talvez soubesse.Porque, no fundo, ele estava certo.Vittorio sempre foi minha maior fraqueza. E minha maior tentação.Fecho os olhos por um instante, tentando recuperar o controle. Desde que ele chegou, tenho evitado ao máximo ficar sozinha com ele. Mas agora, depois dessa conversa, depois desse olhar intenso, sei que fugir não vai mais adiantar.Ele está aqui. E ele está esperando por mim…..Mais tarde naquela noite, depois do jantar, subi para o meu quarto e me jogo na cama. Meus pensamentos estão um caos.Ficar perto
Vittorio Bianchi Eu sabia que não seria fácil. Desde o momento em que pisei nesta casa, sabia que Heloisa faria de tudo para manter distância. Mas o que eu não esperava era que Hugo jogasse essa bomba no meio do jantar. Casa Blanca. Augustus Bernard. Meu sangue ferveu no instante em que ouvi esse nome. Um homem bem-sucedido, vindo da França para buscá-la pessoalmente. Se isso não fosse uma estratégia para impressioná-la, então eu não sei o que é. E Heloisa? Ela hesitou. Isso me diz duas coisas. Primeiro: ela ainda não me superou. Segundo: ela está considerando seriamente essa oportunidade. Isso, sim, me incomoda. Saímos do restaurante há uma hora, mas minha mente ainda está presa na cena do jantar. Estou no escritório improvisado da casa de Hugo, segurando um copo de uísque que nem toquei. O som da porta se abrindo me tira dos meus pensamentos. Heloisa. Ela para no meio do cômodo, os braços cruzados, a expressão indecifrável. — Você vai ficar calado até quando? — ela question
Vittorio Bianchi A manhã chega lenta, e com ela, a sensação incômoda de que estou perdendo tempo. Desde que Heloisa foi embora, cada minuto parece arrastado. Estou inquieto, incapaz de focar em qualquer coisa. Nem mesmo o vinho, que sempre foi meu refúgio, consegue me distrair. Estou na sala, observando as horas passarem no relógio da parede, quando Hugo entra com seu celular na mão. Ele fala algo sobre negócios, sobre uma possível expansão da vinícola, e eu apenas balanço a cabeça, fingindo interesse. Ele não sabe. Não faz ideia da tempestade que carrego dentro de mim toda vez que escuto o nome de Casa Blanca. — Você está estranho, Bianchi. — Ele franze o cenho, analisando-me. — Parece… distraído. Alguma mulher conseguiu roubar o coração do meu melhor amigo? Solto um suspiro, passando a mão pelos cabelos. — Só estou pensando em algumas coisas. Mas não seria uma mulher, se quer saber, seu amigo continua sendo o boêmio de sempre. Hugo assente, como se acreditasse. —