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CAPÍTULO 1.3

Ele envia uma mensagem de texto, que eu suponho seja para o motorista, em seguida pega a taça da minha mão, coloca junto com a sua, sobre uma mesa e me leva pra fora.

Eu suspiro quando me deparo com uma grande quantidade de repórteres ainda na saída. ─ Senhor Grenn, é verdade que a Senhorita Miller está grávida? É por isso que ficaram noivos em tão pouco tempo? – Essa pergunta agitou todos em volta, de modo que, mesmo aqueles que possivelmente tinham intenção de perguntar outra coisa, desistiram no ato e começaram a criar uma série de outras perguntas nesse mesmo sentido. Antes de Jake fechar a porta eu ainda escuto algo do tipo “você está dando o golpe do baú”. Uma grande mudança desde que chegamos aqui. Claro que as perguntas que foram feitas assim que chegamos foram bastante invasivas, mas a mudança nas perguntas é gritante. Eu me pergunto se July tem algo a ver com isso e eu só encontro uma resposta. Porém, a verdade é que ela pode até ter provocado isso, mas não é nenhuma novidade o que as outras pessoas pensam sobre o nosso relacionamento. Isso não me surpreende. Se o próprio pai dele foi capaz de pensar isso, eu não posso culpar essas pessoas que não me conhecem e que se alimentam da desgraça alheia por pensarem desse modo. De qualquer forma, eu não posso evitar me entristecer com isso. Eu devo acrescentar que a conversa entre Jake e July de poucos minutos atrás me fragilizou de algum modo. Eu sei que não deveria, mas saber que ele se importa com ela de qualquer maneira e por pouco que seja me incomoda.

─ Querida – ele segura a minha mão na sua com cuidado. Ele está preocupado. Eu não olho pra ele. Eu não quero olhá-lo agora – você está bem?

─ Eu olho pra fora, através da janela em direção as luzes da cidade e apenas aceno com a cabeça

─ Eles são uns idiotas. Eu não quero que você pense sobre isso.

─ Então não fale – eu digo simplesmente. Não verdade eu não quero falar sobre isso. Eu não quero falar sobre nada. Ele não fala mais nada. Nem sobre isso, nem sobre July. Sequer sobre o tempo. Nós apenas olhamos pelos vidros das nossas respectivas janelas em silêncio até chegarmos ao prédio de Jake. Ele não esperou que abrissem a porta para nós, mas apenas abriu a porta, desceu do carro e ofereceu a mão pra me ajudar, o que eu aceito. O porteiro abre a porta para nós e nós o cumprimentamos enquanto fazemos o nosso caminho para o elevador. Eu posso sentir a sua agitação, mas eu estou com a minha própria cota de merda para me preocupar com o que ele está pensando. Quando saímos do elevador a cobertura está silenciosa, mas iluminada. Ele caminha até a sala retirando a gravata borboleta do seu smoking, colocando-a sobre a mesa de centro. Em seguida ele vai até o bar

─ Posso oferecer uma bebida a você?

─ Por favor.

─ Vinho? – ele pergunta e eu nego com um gesto de cabeça. Ele entende – Uma cerveja?

─ Sim, obrigada. – Ele pega duas cervejas e caminha até mim. Eu estou de pé, em frente ao sofá. Eu recebo a cerveja e tomo um longo gole. Ele continua de pé me observando. Eu apenas sei que é uma questão de segundos para ele começar a falar.

─ Eu preciso falar – ele diz finalmente.

─ Mas eu não quero.

─ Mas não se trata apenas de você. Trata-se de mim também. Eu preciso saber como você está. Eu preciso saber o motivo exato de você estar assim. Se foi July, se fui eu ou se foram aqueles idiotas. Você não pode simplesmente se fechar e me deixar no escuro sem saber se eu fiz algo – ele está irritado.

─ Jake, eu não gosto de conversar quando eu estou...

─ quando você está como?

─ ... com raiva.

─ Então você está com raiva? Eu não respondo. Eu respiro profundamente tentando manter a calma. Então, tomo mais um pouco da minha bebida. Ele faz o mesmo enquanto espera uma resposta. Mas eu não respondo. Então ele repete: ─ Você está com raiva? Do que exatamente? – Eu me mantenho calada – Porra! Eu preciso saber. Diga-me.

─ Quer saber? – Pronto. Agora estou oficialmente “emputecida” ─ Então eu vou lhe dizer, já que você insiste. Eu estou com raiva por constatar que você não é assim tão imune aos encantos de July. Eu estou me fodendo de raiva por você ainda não conseguir simplesmente dizer “não” pra ela. E eu estou com raiva do mundo por achar que eu quero a merda do seu dinheiro. Eu estou com raiva de mim por me importar com isso, mas eu me importo. Eu estou morrendo de raiva do mundo todo e estou até com raiva de você por ser tão rico. Satisfeito? – Eu o encaro com nada mais do que raiva. Eu sei que é irracional, mas eu não posso ajudá-lo.

─ Baby, eu juro pra você que eu não sinto nada por July.

─ Ah, não? Então que merda é essa que você não consegue dizer “não” pra ela?

─ Eu não fiz isso por ela Samanta. Eu fiz...

─ Pelo pai dela? Ah, sei. Você vai fazer o que? Mandar um profissional competente ajudá-la? Por quê? Ela não pode fazer isso ela mesma? Ela não pode simplesmente pegar a porcaria de um telefone e chamar um profissional competente para ajudá-la?

─ Você a ouviu, Sam. Ela está perdida e eu sei que ela vai acabar fazendo bobagem?

─ Ela não se preparou para isso? Ela simplesmente nunca cogitou a possibilidade de assumir a empresa do pai? Simplesmente o pai adoeceu, se afastou e ela, totalmente despreparada, recebeu uma sala com uma mesa e não sabe o que fazer com ela?

─ Não exatamente. Ela tem formação profissional, ela trabalha com o pai há algum tempo, mas não tem tanta experiência.

─ Você vê? Sempre há uma explicação, uma justificativa. Eu estou começando a pensar que realmente July tem todos os motivos para ser como é. Afinal, ela é sempre a pobre July, coitadinha. Desprotegida, delicada, frágil.

─ Sam, não é isso, é que... – ele não continua.

─ O que? – ele passa as mãos pelos cabelos repetidamente. Ele caminha de um lado para o outro procurando algo para dizer – Você simplesmente não consegue deixá-la ir.

─ Baby, não é nada disso. Você não pode estar falando sério.

─ Então me mostre que eu estou enganada. Pare com essa porra de não-é-nada-disso-baby e comece a me explicar por quê. Todas às vezes July apronta, você dá uma bronca nela e depois ela chora e você está lá pra ela. Jake, essa mulher praticamente atentou contra a minha vida. Ela se associou a um bandido que estava roubando a sua empresa para me ver morta. Ela trouxe o meu ex-noivo do Brasil até aqui para me afastar de você. Ela inventou uma gravidez para que nós terminássemos. O que você está esperando para tirá-la da sua vida? O que July fez, Jake, não foi coisa de menina mimada ou irresponsável. Algumas coisas que ela fez são crime inclusive aqui no seu país. Isso sem falar nas suas outras condutas que são, no mínimo, imorais – Pela primeira vez essa noite eu vejo as minhas palavras fazendo sentido em sua cabeça. Seus olhos estão arregalados como se ele tivesse uma revelação. Como se, finalmente, ele tivesse percebido a gravidade das atitudes de July. Seu peito sobe e desce com a sua respiração ofegante – Hoje cedo, quando eu estava sentada no bar, conversando com Eve, July veio me provocar e deixou claro que ela não desistiu de você. Ela disse que o fato de você ter colocado esse anel no meu dedo não muda as coisas. Se você não acredita em mim, basta ligar pra Eve, ela estava lá e ouviu. Pergunte a ela se você não acredita em mim. Agora eu te pergunto: O que o leva a acreditar que ela mudou?

─ Eu não vou mandar alguém a ajudar se é isso que você quer.

─ Mas que droga! Deus do céu, não é isso apenas. Não é o fato de alguém ir ajudá-la ou não. Eu estou pouco me importando com isso. É ver você amolecer a cada um dos seus “beicinhos” que me incomoda. Mandar alguém lá é só uma consequência do que você sente em relação a ela. Você, simplesmente, não consegue ignorá-la.

─ Baby, eu não sinto por ela o que eu sinto por você. Eu apenas estive tão acostumado esse tempo todo a tê-la por perto. Por mais improvável que possa parecer, ela já foi uma boa amiga e às vezes, quando ela mostra essa fragilidade eu apenas enxergo ali a velha July...

─ Jake, eu jamais pediria a você para se afastar de qualquer um dos seus amigos, mesmo que você tivesse fodido todos eles. Eu não tenho esse direito e não sou infantil a esse ponto. Mas você precisa saber que July não está nessa por sua amizade. Ela está nessa por você. Ela quer você e não vai sossegar enquanto não acabar com o que nós temos e se você a deixar chegar perto ela vai conseguir. Eu finalmente me sento no enorme sofá com a minha cerveja na mão e bebo, enquanto Jake processa o que eu acabei de dizer. ─ Eu me sinto exausta e não é apenas físico. Eu estou cansada de discutir sempre pelo mesmo motivo.

Ele se senta ao meu lado com a perna esquerda dobrada sobre o sofá e a outra apoiada sobre o chão. Seu braço esquerdo está estirado no encosto do sofá sobre os meus ombros – Eu sinto muito. Você está certa. Eu vou tomar mais cuidado com ela e não vou deixar que ela me manipule. Mas o que eu quero que fique claro é que, embora eu realmente tenha cedido em relação a July inúmeras vezes, todas às vezes eu fiz por um sentimento de amizade que eu acreditei existir entre nós. Baby, você é a minha vida. Você consegue compreender isso? – eu balanço a cabeça afirmativamente. Eu não quero mais discutir sobre July. Ele coloca a sua cerveja sobre a mesa de centro e faz o mesmo com a minha. Ele estende a mão para tocar o meu rosto – Você é muito preciosa pra mim, baby. Eu preciso ter a certeza de que você sabe disso, porque se você não sabe, eu sou um filho da puta incompetente. Se esse tempo todo eu não consegui demostrar o quanto eu amo você eu sou um merda. Eu ri e percebi seu corpo relaxar. Ele começou a rir também e logo nós dois estávamos dobrados de tanto rir. Através das lágrimas dos meus olhos eu podia ver as lágrimas nos seus. Nós estávamos chorando de tanto rir e ficamos assim por alguns minutos. Pouco a pouco nosso riso descontrolado foi morrendo e nós apenas ficamos nos olhando.

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