Dominic me manteve ao seu lado durante toda a tarde. Embora seu lado possessivo fosse evidente, ele também demonstrou um lado gentil e atencioso. Quando a noite caiu, ele me acompanhou até em casa e, ao sair do banheiro, encontrei-o sentado em frente à minha penteadeira, segurando uma foto. — É sua mãe, cachinhos? — ele perguntou, estendendo a imagem para mim. — Sim, essa foto foi tirada no meu batizado — respondi, pendurando-a novamente no espelho. — Foi a única que consegui salvar; o restante das coisas dela foi queimado ou descartado. — Você se parece com ela, amor! — ele disse, acariciando meu rosto. Sentei-me em seu colo, apoiando minha cabeça em seu peito. — Fica comigo! — pedi, mesmo sabendo que deveria estar brava com tudo o que aconteceu na casa dele. Eu queria sua presença ao meu lado. — Você tem certeza? Posso ir embora se preferir. — Sim, quero que você durma aqui comigo! Puxei-o pela mão e me deitei no canto da cama. Ele se acomodou ao meu lado, envolvendo-me com
**Lua**Ao chegar em casa, jogo minha mochila em um canto do quarto e me deixo cair na cama, mergulhando em pensamentos. Como em menos de seis meses, minha vida se transformou em um caos? Isso definitivamente não era parte dos meus planos. Prometi a mim mesma que, ao me mudar para cá, honraria a memória da minha mãe.Olho para o celular e vejo inúmeras mensagens dos meninos, todas ignoradas. Em breve, o treino chegaria ao fim e eles viriam atrás de mim. Preciso sair antes que me encontrem.Coloco meu moletom preto e desço. Espero que tudo isso não passe de uma brincadeira de mau gosto. No entanto, recebo uma foto de Lexy sentada em uma lanchonete, com a legenda: "Espero que tenha decidido vir brincar." Respondo que estarei lá às sete e saio pelo portão, caminhando em direção a uma trilha que leva à antiga igreja. Vinte minutos depois, chego ao portão e espero pela pessoa misteriosa. Após um bom tempo parada, percebo que já se passou mais de uma hora e decido voltar. Enquanto caminho d
**Noah**Hoje, Lua estava agindo de forma estranha. Passou o dia em silêncio, e mesmo quando perguntamos, ela insistiu que estava bem, apenas lidando com cólicas. Apesar de suas palavras, minha intuição me diz que algo não está certo. Dominic acredita que não é nada sério, já que Lexy costuma ficar irritada quando passa por momentos assim. No entanto, Lua não respondeu a nenhuma mensagem e sequer conversou conosco antes de sairmos para o treino.— O que aconteceu? — Nate pergunta, sentando-se ao meu lado no campo.— Não sei, a Lua está diferente! — respondo.— Bem, Dom disse que isso é normal!— Ainda assim, acho tudo isso muito suspeito.— E se fizermos algo por ela? — sugere Calebe, juntando-se à conversa e sentando-se do meu outro lado.— Você estava ouvindo nossa conversa? — pergunto, soltando uma risada.— Número um, vocês falam alto demais. Número dois, você está com uma expressão péssima e só fica assim quando briga com seu pai ou quando algo envolve a Lua. E número três, ela t
LuaUma semana. Esse foi o período em que permaneci internada no hospital, buscando recuperar-me e evitar agravar uma gestação que já era considerada de risco. Minha nova realidade envolvia ficar isolada, longe de todos, a fim de esconder minha gravidez. Durante esse tempo, não tive notícias dos meus meninos. Para minha surpresa, nenhum deles tentou entrar em contato ou invadir meu quarto, como costumavam fazer quase todas as noites.Meu pai evita olhar para mim. Ele afirma que sua única filha se tornou uma fonte de vergonha para a família, em frente a toda a cidade. Após a revelação da minha situação, ele não demonstra interesse pela minha existência, tampouco pelo bebê. "Vagabunda" foi um dos termos mais brandos que ouvi enquanto estava no hospital, assim que a notícia se espalhou. O que mais desejava era estar perto dos meus meninos, buscar conforto em suas presenças, mas estava sem acesso ao meu celular, computador ou qualquer outro meio de
Lua**Três anos depois...**Ao acordar pela manhã, percebo que a neve cai lá fora. Levanto-me e vou até a cozinha para preparar o Tetê de Margô, preparando-a para a escolinha. Deito-me ao seu lado na nossa cama, acariciando seus cabelos castanhos claros e cacheados, enquanto ela segura a mamadeira com suas pequenas mãos. Observando seu rostinho sonolento, lembro que, nos últimos três anos, apenas eu, Margô e Rosa estivemos juntos. Fugi com Rosa, graças à ajuda de Lexy e Travis. Nunca imaginei que Gabriel seria capaz de eliminar toda a minha família por causa da prisão de Dominic. Os pais dos outros meninos colaboraram para ocultar a verdade, e assim, não havia evidências da família Alencar. Segundo eles, todos nós fomos assassinados em um assalto à nossa mansão. Essa situação nos permitiu usar minha suposta morte como um meio de escapar da cidade. Lexy conseguiu novos documentos para mim e para Rosa, que agora era minha nova avó. Como Gabriel se ap
NateNão sou mais o mesmo desde que saí da prisão; minha vida agora se resume a um antes e um depois de tudo o que perdi enquanto estive lá. Será que eu teria terminado a faculdade? Será que Lua ainda estaria conosco? Conseguiria ela ser feliz sem nós? Será que ainda nos amaria quando saíssemos? Sempre fui uma pessoa que gostou de ter controle sobre tudo. Quando as coisas não aconteciam do meu jeito, a ansiedade tomava conta de mim, gerando raiva que, por sua vez, me levava a querer descontar em algo ou alguém.Desde os doze anos, fui diagnosticado com transtorno explosivo intermitente (TEI). As únicas pessoas que sabiam disso eram os meninos e, posteriormente, Lua. Eles sempre estiveram ao meu lado, ajudando-me a lidar com minhas crises. Quando Noah percebeu que as lutas no Dojo não eram suficientes, ele teve a ideia de organizar brigas após os jogos. Para ele e os outros, era apenas uma forma de diversão, um jeito de se vingar
LuaAo abrir os olhos, minha visão está turva, e levo alguns minutos até que consigam focar no ambiente ao meu redor. Percebo, então, que estou em uma cela. Procuro com o olhar por algo familiar e avisto uma sombra parada em um canto escuro, apenas me observando.— Me tirem daqui, seus doentes! — grito, levantando-me em direção à porta da cela, mas descubro que está trancada. Sento-me novamente no chão, perdida em pensamentos. Não sei quanto tempo passa até que a porta se abre e Dominic, Noah, Nate e Calebe entram.— O que está acontecendo? — pergunto, confusa.Os quatro param e me observam de dentro da cela.— Bem-vinda à sua nova casa! — diz Nate.— Vocês podem parar com essa brincadeira? — Não é brincadeira nenhuma, Lua. Você é nossa. Tudo o que é seu agora pertence a nós: sua vida, seu dinheiro, sua preciosa "Margô" — Dominic se aproxima, posicionando-se bem na minha frente.
### LuaApós alguns dias, surpreendentemente, os quatro desapareceram, e não vi nenhum deles. Essa situação é estranha, especialmente para aqueles que afirmaram estar em busca de vingança; o silêncio deles é inquietante. Acabo de deixar Margô na escola e estou a caminho do restaurante, quando chego e encontro Eric e o restante da equipe na porta.— O que está acontecendo? — pergunto.— Bom dia, gata! Parece que teremos uma reunião geral com o senhor Rubens esta manhã! — responde Eric.Entro junto com os outros e nos acomodamos no salão. Após um tempo, o senhor Rubens aparece. Ele e sua esposa são adoráveis; apesar da idade, continuam a ajudar diariamente no restaurante.— Bom dia a todos! Convocamos esta reunião para compartilhar algumas novidades. Eu e a senhora Rubens decidimos nos aposentar e vendemos o restaurante.— O que? Como assim, vocês não vão mais ficar conosco? — questiona Eric.— Fiquem tranquilos. Uma das condições da venda foi manter o quadro de funcionários, então você