LuaAo chegar em casa, a única coisa que desejo é que este dia chegue ao fim. Não posso permitir que manipulem minha vida para satisfazer suas vontades. Encontro minha pequena já acomodada em sua cama; minha bolotinha se torna cada vez mais linda. Sento-me ao balcão da cozinha americana e preparo meu prato para o jantar, quando Dona Rosa se aproxima.— Então, Mirra, conseguiu conversar com algum deles?— Não, e acho que nem haverá conversa. Dona Rosa, acredito que eles compraram o restaurante onde trabalho só para me manipular!— Preciso encontrar outro emprego. Não vou ficar permitindo que me tratem como uma marionete.— Olha, acho que você pode estar precipitando as coisas.— Não, Dona Rosa, de jeito nenhum! Não quero que eles se aproximem da Margô. Ela suspira pesadamente.— Mirra, preciso conversar com você sobre o apartamento. Hoje à tarde, um advogado veio aqui e me entregou este papel. Ela me passa o documento, e começo a ler.— Era só o que me falta
LuaAo entrar na recepção do hospital, dirigi-me imediatamente ao balcão para solicitar informações.— Boa tarde, como posso ajudar a senhorita? — perguntou a atendente.— Boa tarde, recebi uma ligação da escolinha informando que minha filha sofreu um acidente e foi trazida para cá!— Qual é o nome dela?— Margô Cortez! A atendente começou a digitar no computador, e meu coração disparou em desespero enquanto aguardava.— Ah, sim, ela está no quarto 205 e o pai dela está com ela lá.— Oh, obrigada! Segui em direção ao elevador e percebi que Calebe estava ao meu lado. Entramos juntos, em silêncio. Quando as portas se abriram, avistei Nate e Dominic no corredor, que nos olharam.— Onde está minha filha? — perguntei ansiosamente.— Ela está bem, Noah está com ela — respondeu Nate. Abri a porta do quarto e vi Margô deitada, dormindo, segurando com suas pequenas mãos o dedo de Noah, que estava apoiado na cama. Aproximando-me cuidadosamente, fui seguida po
DominicDurante a maior parte da minha vida, sempre me senti insignificante. As únicas coisas que realmente davam sentido à minha existência eram meus amigos e Lexy; eles sempre estiveram em primeiro lugar. Isso até o dia em que conheci Lua. Para mim, o amor sempre foi algo fútil, um meio que as pessoas utilizam para alcançar seus objetivos. Contudo, com ela, tudo era diferente. Cada parte de mim ansiava por sua atenção, quer ela fosse positiva ou negativa. Eu a precisava, assim como precisava dos meus cigarros. Quando Lua estava por perto, todos os meus sentidos estavam em alerta, assim como a nicotina que acalmava meu sistema tinha o mesmo efeito que ela.Três anos se passaram sem que eu a visse, tocasse ou sentisse sua pele junto à minha. Eu a amava, mesmo quando estava furioso. Não sei como eles conseguirão lidar com isso quando tudo acabar, mas eu nunca abrirei mão de Lua. Nunca abri antes e não vou abrir agora; ela sempre foi e sempre será minh
CalebeSaímos de dentro do carro de Noah para buscarmos Lua e Margô, elas não passariam mais nenhum segundo naquele apartamento.No entanto, a única coisa que não consigo parar de pensar é no infeliz do Travis. Ela realmente deixou que ele a tocasse? Por que, Lua, você não esperou por nós? Tudo seria tão mais fácil; poderíamos ter recomeçado do zero, ir aonde você quisesse, bastava apenas um pouco de paciência.Nunca deixei de amá-la. Por que foi tão simples para ela? "Beethoven" se repetia em minha mente enquanto estava preso. Sempre que pensava nela, lembrava-me de vê-la tocando piano. Ele sempre foi o seu pianista favorito, e mesmo sendo perfeita, suas notas nunca pareciam boas o suficiente.Por ela, caí no início; poderíamos ter saído, mas escolhemos lutar pelo que sentíamos.— Calebe! — ouço Noah me chamar.— Não esqueça sua máscara — diz ele, jogando a máscara branca com risco vermelho em minha direção. Pego a mochila com tudo que precisamos.Ago
LuaAo acordar, a última lembrança que tenho é de Dominic me segurando, com Noah ao meu redor. Meus olhos se fixam no ambiente e, para minha surpresa, me encontro no último lugar onde esperaria estar: o covil. Eles me trouxeram para o lugar onde fui deles pela primeira vez, nosso refúgio.Quando disseram que estávamos indo para casa, na verdade falavam de Thaney Bay. Não poderia estar aqui novamente. Eles não sabem que as pessoas que destruíram minha família estão vivendo aqui como se nada tivesse acontecido. Neste momento, não sei se estou segura ao lado deles. Levanto-me e começo a explorar a antiga casa, que parece abandonada há muito tempo. Alguns objetos da nossa época ainda estão aqui: ingressos de jogos de futebol, embalagens de comida. Lembro-me de como me sentia segura ao lado deles, e, de certa forma, eles ainda permanecem dentro de mim.A porta se abre, chamando minha atenção, e vejo os quatro entrando em silêncio. Eles estão vestidos com j
Lua**Alguns dias depois...**Entrei no quarto do porão e fechei a porta com força, tomada pela frustração. Como minha vida pôde desmoronar dessa maneira? Não conseguia acreditar que tinha assinado aquele contrato. Já fazia alguns dias que estava na casa de Nate, um imóvel adquirido logo após sua saída da prisão. Minha função ali era ser a empregada, e, para minha decepção, ninguém se dirigia a mim, não me olhavam nos olhos e não compartilhavam informações sobre Margô e Rosa.Não podia permanecer reclusa naquela casa sem notícias delas e, muito menos, arriscar minha segurança e cair nas mãos de Gabriel. Era urgente que eu fugisse. Aproveitei o momento em que estavam trancados no escritório e me dirigi à porta dos fundos da cozinha, em direção à saída dos funcionários. No entanto, senti um puxão no meu braço.— Aonde você pensa que vai? — O medo subiu pelas minhas pernas ao me deparar com os olhos verdes de Travis.— O que você está fazendo aqu
**Nate**Dominic entrou na sala, furioso, batendo a porta com força.— O que está acontecendo? — gritei, sem entender a situação.— A Lua fugiu! — Ele se dirigiu ao aparador, encheu seu copo de whisky e virou tudo de uma vez.— Que droga! — Noah exclamou.— Vamos atrás dela; ela não deve estar longe — sugeriu Caleb.— Não é necessário, ela já está voltando! — informou Dominic. Os policiais que estavam a serviço foram atrás dela e já a estavam trazendo de volta.Ficamos sentados na sala até que finalmente vimos Lua entrar, acompanhada por dois policiais e Travis. Eles se aproximaram em silêncio, seus olhares fixos no chão, exceto pelos nossos quatro.— Saia agora! — ordenou Dominic aos policiais ao lado dela.Os dois trocaram olhares insatisfeitos, mas saíram da sala, deixando Lua e Travis. Imediatamente, Dominic puxou Lua para si, fazendo-a sentar em seu colo. Levantei-me e fui em direção a Travis, desferindo um soco em seu estômago e o deixando sem ar. Lua tentou se libertar do colo
**Lua**Ao despertar no quarto de Nate após o beijo de ontem, senti uma chama acender dentro de mim. Recordo-me de ter adormecido em seus braços, chorando, indagando como reagiriam ao descobrirem toda a verdade. Dominic ainda estaria ao lado do pai, e todas as minhas testemunhas já não estão mais. Sinto falta da minha Abuelita e da minha mãe; ambas adorariam conhecer Margô. Ela é tão linda e inteligente, uma criança como essa merece um lar e uma família de verdade, longe de tudo isso.Permaneço deitada em silêncio, refletindo sobre como encontrarei meu bebê. Sempre que penso que as coisas podem começar a se resolver, tudo volta ao ponto de partida. Eles nunca me perdoarão por tê-los abandonado, especialmente após ter fugido e escondido nossa filha. Mas será que estão prontos para assumir a responsabilidade de serem pais? Sempre falamos sobre ficarmos todos juntos, mas nunca mencionaram casamento ou filhos.Encolho-me na cama e começo a chorar. Quando ouço a porta se abrir, olho para c