**Noah**Hoje, Lua estava agindo de forma estranha. Passou o dia em silêncio, e mesmo quando perguntamos, ela insistiu que estava bem, apenas lidando com cólicas. Apesar de suas palavras, minha intuição me diz que algo não está certo. Dominic acredita que não é nada sério, já que Lexy costuma ficar irritada quando passa por momentos assim. No entanto, Lua não respondeu a nenhuma mensagem e sequer conversou conosco antes de sairmos para o treino.— O que aconteceu? — Nate pergunta, sentando-se ao meu lado no campo.— Não sei, a Lua está diferente! — respondo.— Bem, Dom disse que isso é normal!— Ainda assim, acho tudo isso muito suspeito.— E se fizermos algo por ela? — sugere Calebe, juntando-se à conversa e sentando-se do meu outro lado.— Você estava ouvindo nossa conversa? — pergunto, soltando uma risada.— Número um, vocês falam alto demais. Número dois, você está com uma expressão péssima e só fica assim quando briga com seu pai ou quando algo envolve a Lua. E número três, ela t
LuaUma semana. Esse foi o período em que permaneci internada no hospital, buscando recuperar-me e evitar agravar uma gestação que já era considerada de risco. Minha nova realidade envolvia ficar isolada, longe de todos, a fim de esconder minha gravidez. Durante esse tempo, não tive notícias dos meus meninos. Para minha surpresa, nenhum deles tentou entrar em contato ou invadir meu quarto, como costumavam fazer quase todas as noites.Meu pai evita olhar para mim. Ele afirma que sua única filha se tornou uma fonte de vergonha para a família, em frente a toda a cidade. Após a revelação da minha situação, ele não demonstra interesse pela minha existência, tampouco pelo bebê. "Vagabunda" foi um dos termos mais brandos que ouvi enquanto estava no hospital, assim que a notícia se espalhou. O que mais desejava era estar perto dos meus meninos, buscar conforto em suas presenças, mas estava sem acesso ao meu celular, computador ou qualquer outro meio de
Lua**Três anos depois...**Ao acordar pela manhã, percebo que a neve cai lá fora. Levanto-me e vou até a cozinha para preparar o Tetê de Margô, preparando-a para a escolinha. Deito-me ao seu lado na nossa cama, acariciando seus cabelos castanhos claros e cacheados, enquanto ela segura a mamadeira com suas pequenas mãos. Observando seu rostinho sonolento, lembro que, nos últimos três anos, apenas eu, Margô e Rosa estivemos juntos. Fugi com Rosa, graças à ajuda de Lexy e Travis. Nunca imaginei que Gabriel seria capaz de eliminar toda a minha família por causa da prisão de Dominic. Os pais dos outros meninos colaboraram para ocultar a verdade, e assim, não havia evidências da família Alencar. Segundo eles, todos nós fomos assassinados em um assalto à nossa mansão. Essa situação nos permitiu usar minha suposta morte como um meio de escapar da cidade. Lexy conseguiu novos documentos para mim e para Rosa, que agora era minha nova avó. Como Gabriel se ap
NateNão sou mais o mesmo desde que saí da prisão; minha vida agora se resume a um antes e um depois de tudo o que perdi enquanto estive lá. Será que eu teria terminado a faculdade? Será que Lua ainda estaria conosco? Conseguiria ela ser feliz sem nós? Será que ainda nos amaria quando saíssemos? Sempre fui uma pessoa que gostou de ter controle sobre tudo. Quando as coisas não aconteciam do meu jeito, a ansiedade tomava conta de mim, gerando raiva que, por sua vez, me levava a querer descontar em algo ou alguém.Desde os doze anos, fui diagnosticado com transtorno explosivo intermitente (TEI). As únicas pessoas que sabiam disso eram os meninos e, posteriormente, Lua. Eles sempre estiveram ao meu lado, ajudando-me a lidar com minhas crises. Quando Noah percebeu que as lutas no Dojo não eram suficientes, ele teve a ideia de organizar brigas após os jogos. Para ele e os outros, era apenas uma forma de diversão, um jeito de se vingar
LuaAo abrir os olhos, minha visão está turva, e levo alguns minutos até que consigam focar no ambiente ao meu redor. Percebo, então, que estou em uma cela. Procuro com o olhar por algo familiar e avisto uma sombra parada em um canto escuro, apenas me observando.— Me tirem daqui, seus doentes! — grito, levantando-me em direção à porta da cela, mas descubro que está trancada. Sento-me novamente no chão, perdida em pensamentos. Não sei quanto tempo passa até que a porta se abre e Dominic, Noah, Nate e Calebe entram.— O que está acontecendo? — pergunto, confusa.Os quatro param e me observam de dentro da cela.— Bem-vinda à sua nova casa! — diz Nate.— Vocês podem parar com essa brincadeira? — Não é brincadeira nenhuma, Lua. Você é nossa. Tudo o que é seu agora pertence a nós: sua vida, seu dinheiro, sua preciosa "Margô" — Dominic se aproxima, posicionando-se bem na minha frente.
### LuaApós alguns dias, surpreendentemente, os quatro desapareceram, e não vi nenhum deles. Essa situação é estranha, especialmente para aqueles que afirmaram estar em busca de vingança; o silêncio deles é inquietante. Acabo de deixar Margô na escola e estou a caminho do restaurante, quando chego e encontro Eric e o restante da equipe na porta.— O que está acontecendo? — pergunto.— Bom dia, gata! Parece que teremos uma reunião geral com o senhor Rubens esta manhã! — responde Eric.Entro junto com os outros e nos acomodamos no salão. Após um tempo, o senhor Rubens aparece. Ele e sua esposa são adoráveis; apesar da idade, continuam a ajudar diariamente no restaurante.— Bom dia a todos! Convocamos esta reunião para compartilhar algumas novidades. Eu e a senhora Rubens decidimos nos aposentar e vendemos o restaurante.— O que? Como assim, vocês não vão mais ficar conosco? — questiona Eric.— Fiquem tranquilos. Uma das condições da venda foi manter o quadro de funcionários, então você
LuaAo chegar em casa, a única coisa que desejo é que este dia chegue ao fim. Não posso permitir que manipulem minha vida para satisfazer suas vontades. Encontro minha pequena já acomodada em sua cama; minha bolotinha se torna cada vez mais linda. Sento-me ao balcão da cozinha americana e preparo meu prato para o jantar, quando Dona Rosa se aproxima.— Então, Mirra, conseguiu conversar com algum deles?— Não, e acho que nem haverá conversa. Dona Rosa, acredito que eles compraram o restaurante onde trabalho só para me manipular!— Preciso encontrar outro emprego. Não vou ficar permitindo que me tratem como uma marionete.— Olha, acho que você pode estar precipitando as coisas.— Não, Dona Rosa, de jeito nenhum! Não quero que eles se aproximem da Margô. Ela suspira pesadamente.— Mirra, preciso conversar com você sobre o apartamento. Hoje à tarde, um advogado veio aqui e me entregou este papel. Ela me passa o documento, e começo a ler.— Era só o que me falta
LuaAo entrar na recepção do hospital, dirigi-me imediatamente ao balcão para solicitar informações.— Boa tarde, como posso ajudar a senhorita? — perguntou a atendente.— Boa tarde, recebi uma ligação da escolinha informando que minha filha sofreu um acidente e foi trazida para cá!— Qual é o nome dela?— Margô Cortez! A atendente começou a digitar no computador, e meu coração disparou em desespero enquanto aguardava.— Ah, sim, ela está no quarto 205 e o pai dela está com ela lá.— Oh, obrigada! Segui em direção ao elevador e percebi que Calebe estava ao meu lado. Entramos juntos, em silêncio. Quando as portas se abriram, avistei Nate e Dominic no corredor, que nos olharam.— Onde está minha filha? — perguntei ansiosamente.— Ela está bem, Noah está com ela — respondeu Nate. Abri a porta do quarto e vi Margô deitada, dormindo, segurando com suas pequenas mãos o dedo de Noah, que estava apoiado na cama. Aproximando-me cuidadosamente, fui seguida po