Lua**Três anos depois...**Ao acordar pela manhã, percebo que a neve cai lá fora. Levanto-me e vou até a cozinha para preparar o Tetê de Margô, preparando-a para a escolinha. Deito-me ao seu lado na nossa cama, acariciando seus cabelos castanhos claros e cacheados, enquanto ela segura a mamadeira com suas pequenas mãos. Observando seu rostinho sonolento, lembro que, nos últimos três anos, apenas eu, Margô e Rosa estivemos juntos. Fugi com Rosa, graças à ajuda de Lexy e Travis. Nunca imaginei que Gabriel seria capaz de eliminar toda a minha família por causa da prisão de Dominic. Os pais dos outros meninos colaboraram para ocultar a verdade, e assim, não havia evidências da família Alencar. Segundo eles, todos nós fomos assassinados em um assalto à nossa mansão. Essa situação nos permitiu usar minha suposta morte como um meio de escapar da cidade. Lexy conseguiu novos documentos para mim e para Rosa, que agora era minha nova avó. Como Gabriel se ap
NateNão sou mais o mesmo desde que saí da prisão; minha vida agora se resume a um antes e um depois de tudo o que perdi enquanto estive lá. Será que eu teria terminado a faculdade? Será que Lua ainda estaria conosco? Conseguiria ela ser feliz sem nós? Será que ainda nos amaria quando saíssemos? Sempre fui uma pessoa que gostou de ter controle sobre tudo. Quando as coisas não aconteciam do meu jeito, a ansiedade tomava conta de mim, gerando raiva que, por sua vez, me levava a querer descontar em algo ou alguém.Desde os doze anos, fui diagnosticado com transtorno explosivo intermitente (TEI). As únicas pessoas que sabiam disso eram os meninos e, posteriormente, Lua. Eles sempre estiveram ao meu lado, ajudando-me a lidar com minhas crises. Quando Noah percebeu que as lutas no Dojo não eram suficientes, ele teve a ideia de organizar brigas após os jogos. Para ele e os outros, era apenas uma forma de diversão, um jeito de se vingar
LuaAo abrir os olhos, minha visão está turva, e levo alguns minutos até que consigam focar no ambiente ao meu redor. Percebo, então, que estou em uma cela. Procuro com o olhar por algo familiar e avisto uma sombra parada em um canto escuro, apenas me observando.— Me tirem daqui, seus doentes! — grito, levantando-me em direção à porta da cela, mas descubro que está trancada. Sento-me novamente no chão, perdida em pensamentos. Não sei quanto tempo passa até que a porta se abre e Dominic, Noah, Nate e Calebe entram.— O que está acontecendo? — pergunto, confusa.Os quatro param e me observam de dentro da cela.— Bem-vinda à sua nova casa! — diz Nate.— Vocês podem parar com essa brincadeira? — Não é brincadeira nenhuma, Lua. Você é nossa. Tudo o que é seu agora pertence a nós: sua vida, seu dinheiro, sua preciosa "Margô" — Dominic se aproxima, posicionando-se bem na minha frente.
### LuaApós alguns dias, surpreendentemente, os quatro desapareceram, e não vi nenhum deles. Essa situação é estranha, especialmente para aqueles que afirmaram estar em busca de vingança; o silêncio deles é inquietante. Acabo de deixar Margô na escola e estou a caminho do restaurante, quando chego e encontro Eric e o restante da equipe na porta.— O que está acontecendo? — pergunto.— Bom dia, gata! Parece que teremos uma reunião geral com o senhor Rubens esta manhã! — responde Eric.Entro junto com os outros e nos acomodamos no salão. Após um tempo, o senhor Rubens aparece. Ele e sua esposa são adoráveis; apesar da idade, continuam a ajudar diariamente no restaurante.— Bom dia a todos! Convocamos esta reunião para compartilhar algumas novidades. Eu e a senhora Rubens decidimos nos aposentar e vendemos o restaurante.— O que? Como assim, vocês não vão mais ficar conosco? — questiona Eric.— Fiquem tranquilos. Uma das condições da venda foi manter o quadro de funcionários, então você
LuaAo chegar em casa, a única coisa que desejo é que este dia chegue ao fim. Não posso permitir que manipulem minha vida para satisfazer suas vontades. Encontro minha pequena já acomodada em sua cama; minha bolotinha se torna cada vez mais linda. Sento-me ao balcão da cozinha americana e preparo meu prato para o jantar, quando Dona Rosa se aproxima.— Então, Mirra, conseguiu conversar com algum deles?— Não, e acho que nem haverá conversa. Dona Rosa, acredito que eles compraram o restaurante onde trabalho só para me manipular!— Preciso encontrar outro emprego. Não vou ficar permitindo que me tratem como uma marionete.— Olha, acho que você pode estar precipitando as coisas.— Não, Dona Rosa, de jeito nenhum! Não quero que eles se aproximem da Margô. Ela suspira pesadamente.— Mirra, preciso conversar com você sobre o apartamento. Hoje à tarde, um advogado veio aqui e me entregou este papel. Ela me passa o documento, e começo a ler.— Era só o que me falta
LuaAo entrar na recepção do hospital, dirigi-me imediatamente ao balcão para solicitar informações.— Boa tarde, como posso ajudar a senhorita? — perguntou a atendente.— Boa tarde, recebi uma ligação da escolinha informando que minha filha sofreu um acidente e foi trazida para cá!— Qual é o nome dela?— Margô Cortez! A atendente começou a digitar no computador, e meu coração disparou em desespero enquanto aguardava.— Ah, sim, ela está no quarto 205 e o pai dela está com ela lá.— Oh, obrigada! Segui em direção ao elevador e percebi que Calebe estava ao meu lado. Entramos juntos, em silêncio. Quando as portas se abriram, avistei Nate e Dominic no corredor, que nos olharam.— Onde está minha filha? — perguntei ansiosamente.— Ela está bem, Noah está com ela — respondeu Nate. Abri a porta do quarto e vi Margô deitada, dormindo, segurando com suas pequenas mãos o dedo de Noah, que estava apoiado na cama. Aproximando-me cuidadosamente, fui seguida po
DominicDurante a maior parte da minha vida, sempre me senti insignificante. As únicas coisas que realmente davam sentido à minha existência eram meus amigos e Lexy; eles sempre estiveram em primeiro lugar. Isso até o dia em que conheci Lua. Para mim, o amor sempre foi algo fútil, um meio que as pessoas utilizam para alcançar seus objetivos. Contudo, com ela, tudo era diferente. Cada parte de mim ansiava por sua atenção, quer ela fosse positiva ou negativa. Eu a precisava, assim como precisava dos meus cigarros. Quando Lua estava por perto, todos os meus sentidos estavam em alerta, assim como a nicotina que acalmava meu sistema tinha o mesmo efeito que ela.Três anos se passaram sem que eu a visse, tocasse ou sentisse sua pele junto à minha. Eu a amava, mesmo quando estava furioso. Não sei como eles conseguirão lidar com isso quando tudo acabar, mas eu nunca abrirei mão de Lua. Nunca abri antes e não vou abrir agora; ela sempre foi e sempre será minh
CalebeSaímos de dentro do carro de Noah para buscarmos Lua e Margô, elas não passariam mais nenhum segundo naquele apartamento.No entanto, a única coisa que não consigo parar de pensar é no infeliz do Travis. Ela realmente deixou que ele a tocasse? Por que, Lua, você não esperou por nós? Tudo seria tão mais fácil; poderíamos ter recomeçado do zero, ir aonde você quisesse, bastava apenas um pouco de paciência.Nunca deixei de amá-la. Por que foi tão simples para ela? "Beethoven" se repetia em minha mente enquanto estava preso. Sempre que pensava nela, lembrava-me de vê-la tocando piano. Ele sempre foi o seu pianista favorito, e mesmo sendo perfeita, suas notas nunca pareciam boas o suficiente.Por ela, caí no início; poderíamos ter saído, mas escolhemos lutar pelo que sentíamos.— Calebe! — ouço Noah me chamar.— Não esqueça sua máscara — diz ele, jogando a máscara branca com risco vermelho em minha direção. Pego a mochila com tudo que precisamos.Ago