Amélia notou que a clareira estava mergulhado em um silêncio absoluto, pois até o sons dos animais noturnos não se ouvia. O ar vibrava com uma energia antiga e poderosa, algo que ninguém ali jamais havia sentido antes. A lua cheia pairava no céu, derramando sua luz prateada sobre Amélia, que arfava no centro da clareira. Seu corpo tremia, a pele queimava, e cada fibra de seu ser pulsava com uma força desconhecida.Damian a observava com o peito apertado. Ele sabia que a primeira transformação era dolorosa, mas o que estava acontecendo com Amélia ia além do esperado. Seu corpo brilhava tenuemente, como se estivesse absorvendo a luz da lua e a canalizando para dentro de si.Então, um grito cortou o ar.Amélia caiu de joelhos, cravando as unhas no chão de terra úmida pelo sereno, sua respiração curta e ofegante. Seus olhos estavam arregalados, completamente tomados pelo brilho prateado da lua. Suas veias pareciam iluminar-se sob a pele pálida,
A brisa da noite carregava o aroma da terra úmida e das folhas agitadas pelo vento. Amélia sentia cada partícula do ar deslizando por seu pelo branco cintilante, uma sensação nova e eletrizante. Seu corpo pulsava com energia bruta, seus músculos ansiavam por movimento. O instinto era forte, chamando-a para correr, para sentir a terra sob suas patas, para experimentar a liberdade absoluta que apenas sua nova forma poderia lhe oferecer.Seus olhos prateados encontraram os de Damian. Mesmo em sua forma de lobo, ele era imponente. Seu pelo negro com reflexos azulados parecia se fundir com a escuridão da floresta, e seus olhos âmbar brilhavam intensamente. Ele a observava com um orgulho silencioso, um sorriso selvagem estampado em sua expressão lupina."Vamos ver o quão rápida você é," a voz dele ecoou na mente dela através da ligação mental da matilha.Sem hesitar, Amélia saltou para frente, seu corpo movendo-se com uma agilidade que a surpreendeu. A floresta
A Casa da Matilha estava em polvorosa. Desde que a notícia da transformação de Amélia se espalhara, anciãos e alfas de diversas regiões começaram a chegar, todos ansiosos para testemunhar com seus próprios olhos a loba branca mencionada apenas em lendas. O burburinho dos recém-chegados enchia os corredores, e a energia no ar era carregada de curiosidade e especulação.Amélia, sentada ao lado de Damian na cabeceira do salão, observava tudo com um misto de nervosismo e fascínio. Nunca vira tanta gente reunida em um só lugar, e cada olhar que pousava sobre ela carregava uma mistura de respeito, espanto e, em alguns casos, temor.— Nunca imaginei que minha existência pudesse causar tanto alvoroço — ela murmurou para Damian, que, ao seu lado, mantinha a postura firme de Alfa.— Você não é uma loba comum, Amélia — ele respondeu, sua voz baixa e carregada de um tom protetor. — Ainda não sabemos exatamente o que sua transformação significa, mas garanto que descobr
Damian fechou os olhos por um instante, lutando contra o fogo que queimava dentro dele. O cheiro doce de Amélia estava por toda parte, embriagando seus sentidos, atiçando seu desejo como brasas ao vento. Seus braços a seguravam firmemente, como se soltar fosse um risco que ele não poderia correr.Amélia, sentindo a hesitação dele, deslizou as mãos pelo peito largo e definido, sentindo o calor de sua pele mesmo sob o tecido da camisa. Seu coração martelava contra o dela, sincronizado, como se ambos pertencessem a um mesmo ritmo.— Damian... — ela sussurrou, sua voz baixa, quase suplicante.Ele prendeu a respiração, os músculos tensionando. O nome dela em seus lábios era sua ruína.Com um rosnado contido, Damian capturou novamente seus lábios, dessa vez mais devagar, explorando cada detalhe, saboreando-a como se precisasse memorizar aquele momento. As mãos dele deslizaram por suas costas até seus quadris, apertando-a contra si, fazendo-a sentir
O Segredo EsquecidoO amanhecer tingiu o céu com tons suaves de laranja e dourado, mas a atmosfera na casa da matilha estava longe de ser tranquila. A revelação da noite anterior ainda pairava como uma névoa espessa sobre todos. O ancião mais velho, depois de soltar sua última frase impactante, havia se retirado sem dar mais explicações, deixando o fardo das perguntas pesando sobre Damian e Amélia.No grande salão, Damian se mantinha de pé diante da mesa central, as mãos apoiadas na madeira rústica, os olhos âmbar fixos nos mapas e anotações espalhados à sua frente. Os anciãos e alfas convidados ainda estavam na propriedade, divididos entre a incredulidade e a curiosidade. Alguns cochichavam em grupos, suas expressões carregadas de tensão.Amélia entrou no salão em silêncio, observando Damian. Ele parecia uma tempestade prestes a se romper, o maxilar cerrado, os músculos tensos sob a camisa de linho. Ela sabia que ele sentia o peso da responsabilidade sobr
O sol começava a se pôr no horizonte quando o grupo deixou os portões da matilha para trás. O vento frio do entardecer sussurrava entre as árvores, anunciando o início de uma jornada sem garantias de retorno.Damian liderava a caminhada com passos firmes, os olhos âmbar atentos a cada detalhe do caminho. Ao seu lado, Amélia sentia o peso da missão crescendo a cada passo. Atrás deles, guerreiros experientes seguiam em silêncio, alguns na forma humana, outros já transformados, seus corpos lupinos se movendo ágeis pela trilha sinuosa.A escolha de seguir a pé não foi tomada por acaso. As terras do Norte eram traiçoeiras, com terrenos acidentados, florestas densas e perigos desconhecidos. O faro e a agilidade em forma lupina seriam essenciais para a sobrevivência. Além disso, cavalos poderiam ser um fardo, incapazes de atravessar certos trechos mais hostis.Antes da partida, um momento inesperado trouxe uma reviravolta. O ancião mais velho da ma
Antiope era uma vila cercada por colinas ondulantes e bosques de carvalhos tão antigos quanto o próprio tempo. As casas de pedra, cobertas de trepadeiras floridas, pareciam emanar um calor acolhedor, mas sob essa aparente tranquilidade escondia-se um medo enraizado. O nome do Alfa ressoava como um trovão nas conversas sussurradas. Ele governava não apenas a vila, mas também os corações de seus habitantes, que andavam sempre com olhares baixos e passos apressados, como se até mesmo o vento pudesse levar suas palavras para ouvidos errados.No meio dessa realidade opressora, vivia Amélia.Desde muito jovem, a vida lhe ensinara a sobreviver com pouco. Seus pais foram arrancados dela antes mesmo que tivesse idade para compreender a dor da perda. A memória deles era um borrão distante, fragmentos de vozes e risadas que às vezes vinham nos sonhos, apenas para desaparecer ao amanhecer. A vila, que deveria ter sido seu lar, virou um lugar onde não havia espaço para uma órfã. Sem ninguém que a
O silêncio entre eles era espesso como a neblina que pairava sobre a floresta. Amélia caminhava um passo atrás do filho do Alfa, os olhos atentos a cada detalhe do caminho. As árvores pareciam se curvar à presença dele, os pássaros silenciavam ao seu redor, e até o vento hesitava em soprar. Ela deveria ter fugido. Deveria ter resistido. Mas algo nela — talvez o instinto, talvez o cansaço de viver sozinha — a impediu. O cheiro de terra úmida começou a se misturar com algo mais denso, algo que fazia seus pelos se arrepiarem: o cheiro de outros lobos. Eles estavam perto. Muito perto. Seu coração começou a bater mais forte. O que ele queria com ela? Quando os portões da matilha surgiram à frente, sua respiração ficou rasa. Eram enormes, de madeira escura reforçada com ferro, e guardados por dois homens de olhar predador. Eles a observaram com curiosidade, mas não ousaram questionar o filho do Alfa quando ele passou por eles, trazendo-a consigo. Amélia se encolheu ao sentir dezenas de