KarevO ar ao nosso redor parecia eletrificado, carregado de tensão e ameaça. Modrik e Jackson estavam à nossa frente, seus corpos rígidos, suas presenças nada amigáveis. O olhar de ambos deslizava entre mim e Mallory, cheios de suspeita e algo mais sombrio.Eles não estavam ali para jogar conversa fora.Meu lobo já sabia disso.Jackson deu um passo à frente, seu sorriso torto e irritante se formando nos lábios.— Engraçado… — Sua voz era arrastada, fingindo diversão, mas havia algo ácido ali. — Pensei que a nossa querida anfitriã tinha deixado bem claro que não veria nenhum candidato até o fim do torneio.Seus olhos se voltaram para Mallory, avaliando-a com um brilho cínico.— Mas parece que alguns têm privilégios, não é?Minha mandíbula se contraiu.Jackson cruzou os braços, inclinando a cabeça de lado.— O que me faz pensar... Será que os outros competidores também vão ter direito a esse passeio noturno?Um rosnado rasgou do fundo do meu peito, tão forte e selvagem que o eco se esp
MalloryEu queria falar.Queria explicar tudo ali mesmo, no meio da floresta, antes que meu pai e Ragnar ficassem ainda mais irritados. Mas assim que tentei abrir a boca, Jordan me lançou um olhar cortante, sua postura de Alfa irradiando uma ordem silenciosa.— Não aqui. — Sua voz veio baixa e firme. — Vamos para casa.Minhas orelhas baixaram.Ragnar manteve-se em silêncio, mas seu olhar severo indicava que ele também queria explicações.Então, sem mais nenhuma palavra, nos viramos e seguimos de volta para casa.***Assim que cruzamos os limites da propriedade, meu pai acelerou os passos e rosnou, sua presença dominando o ambiente. Eu conhecia aquele som.Ele estava furioso.— Explique.Minha respiração ficou presa na garganta.Ainda estávamos todos em nossa forma lupina. Meu pai mantinha a postura rígida, os olhos fixos em mim, exigindo uma resposta. Ragnar estava ao lado dele, seu lobo imponente observando a cena com um olhar calculista.Engoli em seco e dei um passo à frente.— Eu.
MalloryO peso da conversa caía sobre mim como uma tempestade prestes a desabar. Meu corpo ainda tremia, tomado por um misto de raiva e medo. Eu sentia minha loba inquieto sob minha pele, querendo reagir, querendo lutar contra a pressão esmagadora da situação.Mas lutar contra aqueles lobos era inútil.O silêncio na sala era opressor. Eu podia ouvir o ritmo constante da minha respiração, entrecortado pelo som da madeira estalando na lareira.Meu pai estava parado diante de mim, os braços cruzados, seu olhar severo deixando claro que não aceitava desculpas. Ragnar permanecia ao seu lado, sua postura imponente e o olhar calculista, analisando cada mínimo detalhe da conversa. Gabriel, por outro lado, mantinha-se mais afastado, mas ainda assim atento, pronto para intervir caso fosse necessário.E eu?Eu sentia como se estivesse presa no meio de uma arena, prestes a ser julgada.— Você poderia ter me dito antes, Mallory. — Meu pai quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas carregada de frustra
KarevA madrugada era fria e silenciosa quando cheguei ao centro da clareira. A luz pálida da lua filtrava-se entre as copas das árvores, lançando sombras distorcidas no chão irregular. O chamado veio pouco tempo depois que deixei o alojamento, e agora, junto aos outros competidores, eu estava prestes a descobrir o motivo de tanta urgência.Meus sentidos estavam aguçados. A tensão no ar era vibrante.Meu lobo, sempre inquieto, se retesou assim que meus olhos pousaram em Jackson e Modrik. Eles estavam do outro lado da clareira, conversando em tons baixos, os sorrisos presunçosos nunca deixando seus rostos.Meu instinto gritou para atacá-los.A lembrança do que aconteceu na floresta ainda estava viva em minha mente. Eles não tinham apenas me provocado naquela noite. Tinham desrespeitado Mallory. Tiveram a audácia de falar dela como se fosse uma posse, algo a ser tomado.Meus punhos se fecharam, a raiva crescendo em meu peito.Mas não.Não aqui.Não agora.Respirei fundo e forcei meus mú
KarevO primeiro passo para dentro da floresta foi como atravessar uma barreira invisível. A clareira, iluminada pela lua, ficou para trás enquanto a escuridão da mata me envolvia completamente. O silêncio era esmagador, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas ao vento e pelo som distante de animais se movendo na vegetação.Cada fibra do meu corpo estava alerta. Meu lobo vibrava sob minha pele, ansioso para tomar o controle, para se libertar e lidar com qualquer ameaça que surgisse. Mas eu o mantive sob controle. Essa não era uma prova para o meu lobo. Era uma prova para mim.Meus olhos se ajustaram rapidamente à penumbra, absorvendo cada detalhe do ambiente ao meu redor. A lua mal conseguia atravessar a copa das árvores, criando sombras distorcidas que pareciam se mover quando eu piscava.Respirei fundo, filtrando os cheiros ao meu redor. Terra úmida, madeira, a presença de animais próximos… e algo mais.O cheiro de Jackson e Modrik.Eles estavam perto.E, pelo jeito, não estavam p
KarevA noite estava mais densa agora. O ar frio roçava minha pele enquanto eu caminhava em meio à vegetação alta, cada passo cuidadoso para evitar fazer barulho desnecessário. Depois de sair daquele buraco miserável, meu corpo ainda pulsava com a irritação. O tempo perdido ali dentro poderia ter custado minha vantagem.Mas agora eu estava livre.E precisava encontrar a porra da minha prova antes do amanhecer.Meus olhos varreram a floresta, atentos a qualquer sinal de movimento. Eu já havia aprendido que nada aqui acontecia por acaso. Essa floresta estava viva, cheia de presenças ocultas, observando, esperando. Meu lobo vibrava sob minha pele, inquieto, querendo emergir e lidar com isso de um jeito mais direto.Mas eu não podia me transformar.Isso fazia parte do teste.A lógica do torneio era clara: antes de provar que eu podia liderar outros lobos, eu precisava provar que podia controlar o meu próprio.Eu me abaixei atrás de uma formação de pedras, minha respiração estabilizando en
KarevA melodia continuava.Baixa, arrastada, carregada de algo que fazia minha pele arrepiar e meu lobo rosnar inquieto.Eu permaneci imóvel, cada músculo do meu corpo travado pela incerteza do que estava ouvindo. O silêncio da florestar era absoluto, como se tudo ao meu redor tivesse sido sufocado pela presença daquela música estranha.Flautas.O som vinha de diferentes direções, oscilando entre próximo e distante, como se as árvores estivessem sussurrando uma melodia que só eu conseguia ouvir.Meu coração batia forte.Meu lobo rugia dentro de mim, exigindo que eu me transformasse, que rasgasse aquela ilusão com garras e dentes, mas eu mantive o controle.Não.Isso fazia parte da prova.Ragnar não nos colocou nessa floresta apenas para testar nossa força física. Ele queria ver como reagíamos ao desconhecido. Ao medo.E eu não ia falhar.Engoli em seco e tentei me concentrar, forçando meus ouvidos para além da melodia perturbadora. Não havia vento. Nenhum movimento. Nenhum som natura
KarevO Lycan investiu.A terra tremeu sob suas patas quando ele disparou em minha direção, uma parede de músculos e garras afiadas, olhos brilhando com pura intenção assassina.Meu corpo reagiu antes mesmo que minha mente processasse. Em um movimento rápido, minha mão foi até minha cintura, onde o punhal de prata estava preso.O couro da bainha deslizou e, em um instante, a lâmina fria estava firme em minha mão.O Lycan rosnou, os dentes brilhando na penumbra.Meu lobo rugia dentro de mim, exigindo liberdade. A necessidade de me transformar era tão esmagadora quanto o próprio inimigo diante de mim. Se eu me entregasse ao meu instinto, poderia lutar de igual para igual. Poderia matá-lo com minhas próprias presas.Mas eu não podia.Esse era o teste.Eu tinha que resistir.Tinha que ser mais esperto.Tinha que sobreviver.O Lycan saltou.Me joguei para o lado no último segundo, sentindo o deslocamento de ar e o impacto das garras cravando no chão onde eu estava um segundo antes. Rolei p