MalloryO peso da conversa caía sobre mim como uma tempestade prestes a desabar. Meu corpo ainda tremia, tomado por um misto de raiva e medo. Eu sentia minha loba inquieto sob minha pele, querendo reagir, querendo lutar contra a pressão esmagadora da situação.Mas lutar contra aqueles lobos era inútil.O silêncio na sala era opressor. Eu podia ouvir o ritmo constante da minha respiração, entrecortado pelo som da madeira estalando na lareira.Meu pai estava parado diante de mim, os braços cruzados, seu olhar severo deixando claro que não aceitava desculpas. Ragnar permanecia ao seu lado, sua postura imponente e o olhar calculista, analisando cada mínimo detalhe da conversa. Gabriel, por outro lado, mantinha-se mais afastado, mas ainda assim atento, pronto para intervir caso fosse necessário.E eu?Eu sentia como se estivesse presa no meio de uma arena, prestes a ser julgada.— Você poderia ter me dito antes, Mallory. — Meu pai quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas carregada de frustra
KarevA madrugada era fria e silenciosa quando cheguei ao centro da clareira. A luz pálida da lua filtrava-se entre as copas das árvores, lançando sombras distorcidas no chão irregular. O chamado veio pouco tempo depois que deixei o alojamento, e agora, junto aos outros competidores, eu estava prestes a descobrir o motivo de tanta urgência.Meus sentidos estavam aguçados. A tensão no ar era vibrante.Meu lobo, sempre inquieto, se retesou assim que meus olhos pousaram em Jackson e Modrik. Eles estavam do outro lado da clareira, conversando em tons baixos, os sorrisos presunçosos nunca deixando seus rostos.Meu instinto gritou para atacá-los.A lembrança do que aconteceu na floresta ainda estava viva em minha mente. Eles não tinham apenas me provocado naquela noite. Tinham desrespeitado Mallory. Tiveram a audácia de falar dela como se fosse uma posse, algo a ser tomado.Meus punhos se fecharam, a raiva crescendo em meu peito.Mas não.Não aqui.Não agora.Respirei fundo e forcei meus mú
KarevO primeiro passo para dentro da floresta foi como atravessar uma barreira invisível. A clareira, iluminada pela lua, ficou para trás enquanto a escuridão da mata me envolvia completamente. O silêncio era esmagador, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas ao vento e pelo som distante de animais se movendo na vegetação.Cada fibra do meu corpo estava alerta. Meu lobo vibrava sob minha pele, ansioso para tomar o controle, para se libertar e lidar com qualquer ameaça que surgisse. Mas eu o mantive sob controle. Essa não era uma prova para o meu lobo. Era uma prova para mim.Meus olhos se ajustaram rapidamente à penumbra, absorvendo cada detalhe do ambiente ao meu redor. A lua mal conseguia atravessar a copa das árvores, criando sombras distorcidas que pareciam se mover quando eu piscava.Respirei fundo, filtrando os cheiros ao meu redor. Terra úmida, madeira, a presença de animais próximos… e algo mais.O cheiro de Jackson e Modrik.Eles estavam perto.E, pelo jeito, não estavam p
KarevA noite estava mais densa agora. O ar frio roçava minha pele enquanto eu caminhava em meio à vegetação alta, cada passo cuidadoso para evitar fazer barulho desnecessário. Depois de sair daquele buraco miserável, meu corpo ainda pulsava com a irritação. O tempo perdido ali dentro poderia ter custado minha vantagem.Mas agora eu estava livre.E precisava encontrar a porra da minha prova antes do amanhecer.Meus olhos varreram a floresta, atentos a qualquer sinal de movimento. Eu já havia aprendido que nada aqui acontecia por acaso. Essa floresta estava viva, cheia de presenças ocultas, observando, esperando. Meu lobo vibrava sob minha pele, inquieto, querendo emergir e lidar com isso de um jeito mais direto.Mas eu não podia me transformar.Isso fazia parte do teste.A lógica do torneio era clara: antes de provar que eu podia liderar outros lobos, eu precisava provar que podia controlar o meu próprio.Eu me abaixei atrás de uma formação de pedras, minha respiração estabilizando en
KarevA melodia continuava.Baixa, arrastada, carregada de algo que fazia minha pele arrepiar e meu lobo rosnar inquieto.Eu permaneci imóvel, cada músculo do meu corpo travado pela incerteza do que estava ouvindo. O silêncio da florestar era absoluto, como se tudo ao meu redor tivesse sido sufocado pela presença daquela música estranha.Flautas.O som vinha de diferentes direções, oscilando entre próximo e distante, como se as árvores estivessem sussurrando uma melodia que só eu conseguia ouvir.Meu coração batia forte.Meu lobo rugia dentro de mim, exigindo que eu me transformasse, que rasgasse aquela ilusão com garras e dentes, mas eu mantive o controle.Não.Isso fazia parte da prova.Ragnar não nos colocou nessa floresta apenas para testar nossa força física. Ele queria ver como reagíamos ao desconhecido. Ao medo.E eu não ia falhar.Engoli em seco e tentei me concentrar, forçando meus ouvidos para além da melodia perturbadora. Não havia vento. Nenhum movimento. Nenhum som natura
KarevO Lycan investiu.A terra tremeu sob suas patas quando ele disparou em minha direção, uma parede de músculos e garras afiadas, olhos brilhando com pura intenção assassina.Meu corpo reagiu antes mesmo que minha mente processasse. Em um movimento rápido, minha mão foi até minha cintura, onde o punhal de prata estava preso.O couro da bainha deslizou e, em um instante, a lâmina fria estava firme em minha mão.O Lycan rosnou, os dentes brilhando na penumbra.Meu lobo rugia dentro de mim, exigindo liberdade. A necessidade de me transformar era tão esmagadora quanto o próprio inimigo diante de mim. Se eu me entregasse ao meu instinto, poderia lutar de igual para igual. Poderia matá-lo com minhas próprias presas.Mas eu não podia.Esse era o teste.Eu tinha que resistir.Tinha que ser mais esperto.Tinha que sobreviver.O Lycan saltou.Me joguei para o lado no último segundo, sentindo o deslocamento de ar e o impacto das garras cravando no chão onde eu estava um segundo antes. Rolei p
KarevMeu corpo estava exausto. Cada músculo doía, os cortes pelo meu peito e braços latejavam, mas minha mente ainda pulsava com a adrenalina da noite.A garota ainda estava inconsciente em meus braços, seu corpo leve e frio contra o meu. O sangue seco em sua têmpora era um lembrete do que eu tive que enfrentar para tirá-la dali.— Ela precisa de ajuda. — Minha voz saiu firme, mas carregada de urgência.Jordan, que até então apenas me observava com atenção, ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços.— Coloque-a no chão.Aquilo me pegou de surpresa.Olhei para ele, esperando alguma explicação, mas ele apenas manteve a expressão impassível, esperando que eu obedecesse.Meus dedos apertaram levemente o corpo frágil da garota antes que eu a colocasse com cuidado na relva úmida. Meu instinto ainda berrava para protegê-la, mas quando meus olhos encontraram os de Gabriel, que mantinha a postura rígida e a mandíbula travada, percebi que havia algo que eu não estava entendendo.Antes que eu p
MalloryO ar parecia rarefeito enquanto eu caminhava de um lado para o outro no meu quarto, minhas unhas cravando na palma da mão, tentando conter a agitação que tomava conta de mim. Meu peito subia e descia com rapidez, a ansiedade corroendo cada pedaço do meu ser.Karev enfrentou um Lycan.O sussurro da notícia ainda ecoava na minha mente, me fazendo sentir um frio na espinha toda vez que eu repetia aquelas palavras para mim mesma. Ele não apenas sobreviveu à primeira prova—ele enfrentou uma das criaturas mais poderosas da nossa espécie e venceu.Mas a que custo?Meu lobo estava inquieto, rosnando baixinho, exigindo que eu fizesse alguma coisa.Eu precisava vê-lo.Precisa saber se ele estava bem. Precisava vê-lo e senti-lo. Ter certeza que a prova não o tinha abalado.A porta do meu quarto se abriu de repente, e Cameron e Astoria entraram às pressas, os olhos carregados de urgência.— Eu preciso ir até ele. — soltei, antes mesmo que qualquer uma delas pudesse falar.Astoria fechou o