Gabriel voltou cedo no dia seguinte, trazendo doces e alguns brinquedos para Marquinho. Se a ideia era amolecer Maria e se aproximar dela, como ela mesma desconfiava, ele estava no caminho certo. Ela ficou agradecida, e o menino, animado. Deixamos os dois na sala e fomos para o quarto, onde Gabriel avisou que era o momento da entrevista. Ele queria ouvir a história de Diego em detalhes. O advogado gravaria a conversa enquanto fazia anotações.Fiquei ao lado de Diego, não poderia deixá-lo sozinho, queria demonstrar que estava com ele em qualquer momento. — Quero saber desde o início. Quando vocês começaram a perceber que havia uma nova droga nas ruas? E quando você começou o trabalho à paisana? — disse Gabriel, abrindo o carderno para começar as anotações. Diego contou tudo em detalhes, os nomes dos envolvidos, como descobriu sobre a chegada de um novo carregamento de drogas e como foi até o local sozinho. Nesse ponto, admitiu que havia cometido um erro, coisa de polícial
A tarde de jogos se estendeu até a noite, quando Marquinho ficou exausto e mal conseguia ficar de olhos abertos e Maria o obrigou a ir dormir. — Foi divertido, desde que nos reencontramos, tudo foi tão intenso e louco. Foi bom esquecer, por um instante, que somos um bando de fugitivos — Eu falei quando entramos no quarto. — É verdade. Ver você sorrindo assim é a coisa mais linda que já vi em muito tempo — Diego disse, me abraçando e beijando meu pescoço. Ri em seus braços, afundando o rosto em seu pescoço e sentindo seu cheiro, que me deixava enlouquecida. O calor do seu corpo contra o meu era viciante e de me dava um sensação confortável. Senti Diego apertar minha cintura, me segurando com posse, o que me arrepiou da cabeça aos pés. Virei o rosto para beijá-lo, e ele correspondeu de imediato, seus lábios quentes se moldando aos meus com desejo. Nos últimos dias, dormíamos juntos, mas nada tinha acontecido além disso. Eu acordava com ele me abraçando, sentindo sua
Ainda não conseguia dormir direito e acordei antes do sol nascer. Já estava de pé na cozinha preparando um chá quando o pessoal começou a acordar. Sabia que era a minha vez de falar com Gabriel, e a possibilidade de passar longas horas com ele, contando minha história, me fazia sentir um frio na barriga que não deveria sentir. Ver Gabriel trazendo brinquedos para o Marquinho, prometendo brincar com ele, conversando com ele, deixando meu filho à vontade e feliz era demais. Além disso, a forma como me olhava me deixava estranha, e eu tinha que me lembrar a todo momento de que o interesse dele era calculado. Gabriel queria informações. Eu ainda não sabia o que ele perguntaria ou como pretendia usar o que eu tinha a dizer, mas precisava ter em mente que esse era o único interesse dele. Vaguei pela casa até Gabriel chegar. Ele cumprimentou todo mundo de forma simpática e, de novo, conversou com Marquinho, perguntando o que ele achou dos jogos e ouvindo com paciência enquant
Eu tinha negócios em Miami que o cartel El Lobo atrapalhava, e vinha buscando uma solução há bom tempo quando o caso de Diego chegou às minhas mãos, achei que a sorte tinha resolvido sorrir para o meu lado. O garoto podia saber algo útil que eu pudesse usar para tirar o cartel do caminho. Minha ideia era ajudá-lo a fugir até entender tudo o que poderia aproveitar. Mas as coisas se complicaram. Por um momento, quando Castillo avisou que Diego não ia fugir, mas sim tentar resgatar a namorada, eu desisti. Acreditei que ele ia acabar se matando. Afinal, quais eram as chances? Mas então Castillo me ligou dizendo que Diego teve êxito. Mais que isso: ele trouxe a esposa do chefão, Maria. Eu conhecia Maria… ou achava que conhecia. Já tinha visto a ficha dela, fotos tiradas ao longo dos anos, tiradas por detetives que adorariam acabar com Marcus e os outros chefões. Era uma mulher triste, mas bonita. Muito bonita. Dava para entender por que era mulher de Marcus. Quando a v
Conforme os dias passavam, uma rotina foi se desenvolvendo. Viver preso dentro de uma casa, onde nem as janelas eram abertas, era sufocante, por isso era necessário ocupar o tempo ao longo do dia para manter a mente distraída. Maria costumava cozinhar, geralmente no fim da tarde, já que, pela manhã, ficava trancada no quarto com Gabriel, contando detalhes de tudo que viu ao longo dos anos. Eu dava aulas de artes para Marquinho, que demonstrava interesse por muitos assuntos e se mostrava inteligente, tinha pedido para Gabriel trazer livros, já que não tinha internet disponível. Maria o ensinou a ler e escrever, pois ele só frequentou a escola por um curto período de tempo, quando moraram por alguns meses em Chicago, e ela me contou que ele havia adorado a experiência. Diego tentava se entreter, mas sua mente estava sempre ocupada com os problemas. Eu fazia o possível para que ele não se afundasse em um mar de desesperança, principalmente depois que Gabriel explicou que
dia seguinte, me levantei cedo, com a impressão de que não tinha dormido. No espelho do banheiro, pude ver as olheiras em meu rosto. Diego também parecia acabado, assim como os outros. Logo cedo, Gabriel começou a conversar com os seguranças e com Diego sobre os planos para nossa transferência de casa. Havia muitos perigos envolvidos, e eles tentavam prever todos os problemas que poderiam acontecer. Maria me chamou na cozinha pedindo ajuda. Achei estranho, pois, durante todos esses dias, ela nunca tinha me pedido nada. Imaginei que queria conversar a sós sobre algum assunto importante.— Queria agradecer por tudo o que vocês fizeram pelo Marquinho — ela sussurrou, sem querer que os outros ouvissem.— Tudo bem. Ele é um menino muito esperto, apesar de que acho que prefere o Gabriel.— Eu sei. Espero que ele não fique muito chateado quando essa aproximação acabar. Mas queria falar com você sobre outra coisa.Maria torcia um pano de prato, como se tentasse encontrar as
Eu tinha pedido Elle em casamento em um momento de paixão e impulso. Agora, estava em dúvida se deveria ter feito isso. Olhar para ela ainda era o melhor momento do meu dia, e eu queria me casar e construir uma família, mas, segundo Gabriel, meu caso ainda continuava sem solução. Ele voltou a comentar que a fuga talvez fosse a única saída. As prisões iam acontecer. Provavelmente conseguiriam até mesmo prender os chefões do cartel. Alguns dias antes, eu teria ficado feliz com essa notícia, mas agora ela não me trazia nada, nenhum sentimento. No fim, eu não teria minha libertação, e um futuro com Elle estava cada vez mais distante. Gabriel, mais uma vez, tinha dormido na sala. Ele não conseguia mais disfarçar o quanto estava envolvido com Maria e com Marquinho, ainda que soubesse que, para eles, também não haveria um final feliz. Em breve, ela iria embora para um local desconhecido com o filho.— Tudo bem? — perguntou Elle, observando meu silêncio. Eu queria dizer
Um instinto me dizia que algo ia dar errado. Quando Gabriel avisou que eu seria transferida com meu filho naquele mesmo dia, senti que não ia ser tão fácil, mesmo que casa estivesse cercada de seguranças. Mas, ao mesmo tempo, calei meus instintos, insistindo que talvez fosse só o medo falando mais alto. O primeiro tiro foi disparado quando ainda estávamos no meio do caminho para chegar ao carro, e, naquele instante, tive certeza de que era o fim. Sempre soube que nunca conseguiria escapar de Marcus.— Abaixa! — gritou Gabriel, se jogando em cima de mim e do Marquinhos.Senti meu braço arranhar no chão de cascalho e abracei meu filho com força. Tiros e gritos ecoavam ao nosso redor. Mantive a cabeça abaixada e rezei.— Leva eles para dentro! — ouvi Gabriel gritar novamente. Uma mão forte me puxou, e fui praticamente arrastada de volta para a casa. Eu e Marquinho fomos empurrados para dentro. Ainda sem coragem de olhar ao redor, fui puxada por Diego, que mandou que e