Owen ajustava as correias de suas botas no celeiro quando Thomas se aproximou, sorrindo como sempre. Era a última noite antes da missão com os Koda, e eles tinham uma tradição peculiar para celebrar a camaradagem e o fato de que não sabiam se voltariam vivos antes de partir.— Owen, meu velho amigo, acredito que não esteja tão animado e pronto para a nossa visita habitual ao bordel da cidade? Thomas perguntou, sorrindo. Owen olhou para ele, esboçando um sorriso sem graça. — Bem, Thomas, estive pensando... talvez dessa vez seja melhor pularmos essa tradição. Tenho outras coisas em mente, e não creio que seja adequado, afinal sou um homem casado agora.Thomas franziu a testa, fingindo estar surpreso.— Outras coisas? Desde quando você desiste do bordel, especialmente na noite antes de uma viagem? Esqueceu que já foi casado antes, e isso nunca foi um impedimento.— Você sabe que é diferente, o meu casamento com Ana foi um caos desde o começo. Ela nunca deixou eu me aproximar o suficien
América do Norte 1890.Em meio à confusão mental gerada pela gravidade de seus ferimentos, e as fortes dores que sentia. Maude só conseguia pensar no que havia feito a Deus para merecer aquele destino. Sempre fora uma filha obediente, não se lembrava de ter contrariado seus pais nem mesmo quando era uma criança. Quando se casou com Sebastian, tinha sido da mesma forma uma esposa exemplar. Ela já havia nascido em uma família próspera, seu pai quando era jovem havia encontrado uma mina de ouro no território do Oregon, mudou-se para a região e se dedicou a explorá-la com sucesso. Ela morou em uma mansão em Portland a vida inteira, e quando tinha dezoito anos cometeu o maior erro de sua vida, aceitou o pedido de casamento de Sebastian Lee, o emergente gerente do maior banco da cidade. Ele lhe foi apresentado no teatro, por um amigo de seu pai, e desde então ele se dedicou insistentemente a cortejá-la. Sebastian era um homem jovem de boa aparência e muito educado. Era extremamente agradáve
Owen Grant definitivamente tinha um problema. Ficara viúvo há seis meses e precisava urgentemente de alguém para cuidar de seus três filhos. Conseguiu uma senhora viúva, que residia na pequena cidade onde ficava a sua fazenda para cuidar das crianças por alguns dias, ele pagou uma boa quantia a ela e pode viajar. Precisava arrumar uma esposa e voltar para casa rapidamente, não podia deixar a propriedade e as crianças por muito tempo. Seus negócios, tanto os oficiais, como os não oficiais, exigiam que viajasse constantemente. Na sua visão o melhor lugar para isso era Portland. Uma cidade grande o suficiente para encontrar alguma mulher tão desesperada quanto ele, que estaria disposta e embarcar nessa loucura. Chegou na cidade e colocou um anúncio em um dos jornais de maior circulação, em breve começaria a entrevistar as candidatas, se é que teria alguma. Não poderia prometer muito para a sua futura esposa, uma casa confortável e condições de sobrevivência era o que tinha a oferecer. Em
Para a surpresa de Owen, a misteriosa mulher havia sobrevivido à noite. Tivera alguns poucos momentos de lucidez, em que balbuciava coisas sem nexo com uma voz muito fraca. Isso devia ser um bom sinal, ao menos ela não estava em coma. Com medo de ser pego com uma pessoa quase morta em sua carroça, ele viajou a noite toda, por estradas mais afastadas, e em uma boa velocidade. Eram dois dias de viagem até sua cidade, isso se mantivesse um bom ritmo. Ao amanhecer parou para que os cavalos descansarem e comer alguma coisa. Verificou que ela ainda estava respirando. Não havia muito o que pudesse fazer ainda, poderia cuidar melhor dela quando chegasse em casa. Teria que chamar seu médico de confiança, diria que a encontrou na estrada nesse estado. Depois de um pouco de descanso, seguiu viagem até anoitecer. Estava exausto, mal conseguiu comer algo e deitou-se ao lado da mulher na carroça, tomando cuidado para não machucá-la ainda mais. No dia seguinte, acordou antes de amanhecer, comeu e s
– Desculpe, creio não ter entendido corretamente o que o senhor falou.– Eu disse, que gostaria que a senhora aceitasse a oferta de ser minha esposa e mãe dos meus filhos.Então ela havia entendido bem, isso significava que aquele homem era no mínimo maluco, talvez até perigoso. No meio da confusão e receio que se instalou em seus pensamentos, Maude apenas conseguiu responder o óbvio.– Mas eu já sou casada!– Eu sei que você era, mas achei que depois do que aconteceu não ia mais querer voltar para aquele homem.– E você está certo, eu não quero! Mas isso não quer dizer nada, pois aos olhos de Deus eu continuo casada. Não posso simplesmente me unir a outro homem.Ela disse isso e foi em direção ao caminho que levava a casa. Ele deixou-a passar na frente e então a seguiu, ainda expondo seus argumentos.– Eu sei, mas a questão é que por aqui ninguém sabe quem a senhora é, ou de onde veio. Podíamos inventar uma história sobre o seu passado, e conseguir um padre para nos casar. – Isso é
Owen estava exaurido da dupla jornada. Ele e Thomas tinham que cuidar da casa, das crianças e ainda cuidar do rancho. Estava se aproximando o dia em que teriam que levar o gado em comitiva e embarcá-lo no trem de carga, e ele não tinha ideia de como faria isso, não podia deixar as crianças ainda. Maude estava se recuperando bem, mas ainda não havia aceitado a responsabilidade. Lentamente ela começou a sair do quarto e a comer com eles, passava algum tempo brincando com Melanie, que a ensinou a pegar ovos no galinheiro. As duas ajudavam a distrair a bebê Alex para que eles pudessem ir ao campo juntos, ele e Thomas vinham se revezando a meses nessa tarefa, para não descuidar da bebê. A moça era calada, falava apenas o necessário, mas ele não a culpava por não confiar em ninguém, depois do que o próprio marido havia lhe feito. Desde o dia que ela havia concordado que ele cozinhava mal, as coisas haviam ficado mais leves entre eles. Thomas cozinhava, e ela se oferecia sempre para lavar
Maude estava lavando a louça do jantar quando Owen foi falar com ela, quando o viu se aproximar ela mesma iniciou o assunto.— Eu sei que precisa de uma resposta, e eu já tenho uma para te dar. Aceito ficar por um tempo, como sua empregada. Depois definimos um pagamento justo. Eu não tenho muita experiência cuidando eu mesma de uma casa, mas acredito que conheço o básico. Mas você sabe que é bastante serviço para uma pessoa só, você mesmo e o Thomas se dividem nas tarefas. Ela disse, de costas para ele, sem parar de lavar os pratos. Ele estava tão aliviado que sentia vontade de beijá-la, achou melhor apenas agradecer.— Muito obrigada Maude. Você não tem ideia de como me deixa aliviado. Não se preocupe, eu preciso de alguém de confiança para ficar responsável por tudo e pelas crianças, mas posso contratar outra pessoa para ajudar nas tarefas de casa. Eu terei que me ausentar constantemente, e a vezes passar semanas fora, os empregados são de confiança e farão o trabalho da fazenda, m
Owen a levou até o lado de fora e se direcionou para as acomodações dos animais. No caminho começou a explicar. — Cuidar das galinhas e recolher os ovos você já sabe. Quanto aos cuidados dos outros animais e o leite da vaca você não precisa se preocupar, vou sempre deixar algum dos homens encarregado de te levar na primeira hora da manhã. Se faltar algum mantimento, peça para um deles ir à cidade buscar. Você vai ter que controlar a dispensa e os alimentos que dispomos. — Tudo bem, eu consigo fazer isso. — Agora vamos até onde o Thomas cultiva os vegetais. Eles se dirigiram a horta, que ficava cercada e tinha a porteira. — Você conhece alguma coisa de vegetais e temperos? Último capítulo