Elisa estava cada vez mais inquieta. Depois de encontrar o recibo do hotel e ouvir a explicação de Diego, ela tentou acalmar sua mente e acreditar no marido, mas algo dentro dela não estava em paz. Aquele homem que, no passado, era amoroso e presente agora parecia um estranho. A sensação de que Diego escondia algo começou a crescer como uma sombra constante em sua vida.
Naquela manhã, Elisa tomou uma decisão: ela precisava estar mais atenta. Se algo estivesse errado, ela não iria ignorar. Não mais. Enquanto Elisa lidava com suas dúvidas, Diego continuava mergulhando cada vez mais fundo no mundo que agora o fascinava. Os negócios obscuros que fechava com Roberto e outros aliados estavam rendendo lucros exorbitantes. Ele ganhava comissões altas, recebia presentes caros e aumentava rapidamente seu patrimônio, mas tudo à custa de sua integridade. O poder e o status o deixavam embriagado. Diego não apenas queria estar no topo — ele queria ser temido, respeitado e admirado por todos. E, quanto mais subia, mais negligenciava o que realmente importava. Sua relação com Paula Vasconcelos também havia se intensificado. Eles não apenas mantinham encontros furtivos, mas Paula começou a exercer uma influência perigosa sobre Diego, incentivando-o a se arriscar ainda mais. — Diego, você precisa pensar grande. Não tenha medo de pisar em algumas pessoas pelo caminho. No final, o poder compensa tudo — dizia ela, com um sorriso sedutor, enquanto acendia um cigarro em um restaurante luxuoso. — Eu já cheguei longe, Paula. Mas quero mais. Não posso voltar atrás agora — respondeu Diego, com os olhos brilhando de ambição. — E você não vai. Desde que saiba em quem confiar e não deixe que sentimentos bobos te atrapalhem. Diego sabia que ela estava falando de Elisa, mesmo sem citar o nome dela. E, embora amasse a esposa de alguma forma, ele começou a ver Elisa como parte de um passado que talvez já não combinasse com o homem que ele estava se tornando Enquanto Diego seguia com sua vida dupla, Elisa decidiu agir. Ela não queria ser a esposa ingênua que ignorava os sinais. Um dia, quando Diego saiu dizendo que teria uma reunião importante à noite, Elisa fez algo que nunca imaginou fazer: seguiu o marido. A distância, viu quando Diego entrou em um restaurante luxuoso da cidade. O que a surpreendeu foi que ele não estava com colegas de trabalho, mas com Paula Vasconcelos. Elisa observou de longe enquanto eles conversavam, riam e trocavam olhares cúmplices. Era óbvio que aquilo não era apenas um encontro profissional. O coração de Elisa se partiu em mil pedaços, mas, em vez de confrontar Diego imediatamente, ela decidiu esperar. Queria saber até onde ele iria com aquela mentira. No decorrer das semanas seguintes, Diego começou a perder o controle. O poder que antes parecia o alimentar agora estava começando a corroer sua vida. Algumas transações começaram a chamar atenção das autoridades, e rumores sobre práticas questionáveis começaram a circular na empresa. Roberto, percebendo a situação, o advertiu: — Diego, você precisa ser mais discreto. Já está chamando atenção demais. Não quero que nada caia sobre nós. — Eu tenho tudo sob controle, Roberto. Ninguém vai me pegar — respondeu Diego, tentando esconder o nervosismo. Mas ele sabia que as coisas estavam começando a sair do eixo. O peso de suas escolhas e o medo de ser descoberto começaram a tirar seu sono. Para piorar, Elisa estava mais distante, fria e misteriosa. Ele percebeu que algo havia mudado, mas, imerso em suas preocupações, não sabia que Elisa já tinha visto sua máscara cair. Uma noite, Elisa não conseguiu mais segurar a dor e a raiva que sentia. Quando Diego chegou em casa, ela estava esperando por ele na sala, exatamente como na noite em que confrontou o marido sobre o recibo do hotel. Só que, desta vez, ela tinha provas mais contundentes. — Precisamos conversar, Diego — disse ela, com um tom firme que Diego não estava acostumado a ouvir. Ele percebeu imediatamente que algo estava errado. — O que foi agora? Tive um dia cheio e estou cansado, Elisa. — Poupe suas desculpas. Eu sei de tudo. Diego sentiu o sangue gelar. — Tudo o quê? — Eu vi você com aquela mulher. Eu te segui, Diego. Vi você rindo e flertando com ela enquanto me dizia que estava trabalhando. Então, por favor, não tente mentir. Diego ficou em silêncio. Pela primeira vez, ele não conseguiu formular uma resposta rápida. Elisa continuou: — Eu acreditei em você, Diego. Defendi você quando minha família dizia que você só se importava com dinheiro. Lutei pelo nosso casamento, mas você me traiu. Não apenas com outra mulher, mas com suas mentiras, sua ambição descontrolada e esse mundo podre em que você se meteu. Diego respirou fundo e tentou retomar o controle. — Elisa, você não entende... Tudo o que eu fiz foi por nós. Eu queria dar uma vida melhor para você. — Uma vida melhor às custas de mentiras e traições? Essa não é a vida que eu quero, Diego. Não reconheço mais o homem com quem me casei. Ele tentou se aproximar, mas Elisa deu um passo para trás. — Não me toque. Eu preciso de tempo para pensar, e você também deveria pensar no que se tornou. Sem esperar por mais respostas, Elisa subiu as escadas e o deixou sozinho na sala, imerso em seus próprios erros e arrependimentos. Diego ficou sozinho na sala por longos minutos após Elisa subir as escadas. O silêncio da casa parecia ensurdecedor. A cabeça dele estava cheia de pensamentos confusos. O que havia acontecido? Como Elisa descobrira tudo? E, mais importante, o que ele faria agora? Por mais que quisesse se convencer de que Elisa estava exagerando, ele sabia que a culpa era dele. Ele mentiu, traiu e deixou a ambição controlar sua vida. Mas, mesmo assim, Diego não estava pronto para abrir mão do que conquistara. No fundo, acreditava que poderia ter tudo: o poder, o dinheiro e Elisa ao seu lado No dia seguinte, Diego acordou determinado a conversar com Elisa e tentar consertar as coisas. Ela estava na cozinha, preparando o café da manhã em silêncio. O rosto dela estava sério e distante, e Diego sentiu um aperto no peito ao perceber o quanto Elisa parecia diferente. Não havia mais aquele brilho nos olhos dela, apenas uma frieza que o incomodava. Ele se aproximou e tentou um gesto de carinho. — Bom dia, Elisa. Podemos conversar? Ela não olhou para ele. Apenas continuou mexendo a colher na xícara de café. — Conversar sobre o quê, Diego? Sobre as mentiras? Sobre o nosso casamento que você destruiu? Diego suspirou, sentindo o peso das palavras dela. — Eu sei que errei, Elisa. Sei que te magoei, mas eu quero consertar isso. Quero salvar o nosso casamento. Elisa finalmente o encarou, com os olhos cheios de mágoa. — E você acha que é tão simples assim? Que um pedido de desculpas vai apagar tudo? — Eu não estou pedindo que me perdoe agora, mas estou disposto a mudar. Vou me afastar dessas pessoas, parar com os negócios que te incomodam… Vou fazer o que for preciso para recuperar sua confiança. Por um instante, Elisa quis acreditar nele. Quis pensar que o Diego com quem ela se casara ainda existia. Mas, no fundo, algo lhe dizia que aquelas palavras eram vazias. Ela conhecia o marido o suficiente para saber que mudar não seria tão fácil para ele. — Diego, se você realmente quer mudar, precisa provar isso com atitudes, não com palavras. Ele assentiu, decidido. — Eu vou provar, Elisa. Vou mostrar que ainda podemos ser felizes juntos. Apesar das palavras de Diego, a realidade fora das paredes daquela casa era bem diferente. Naquela mesma tarde, ele recebeu uma ligação de Roberto. — Diego, preciso que você venha ao escritório agora. Temos um problema. Diego hesitou por um momento. Ele havia prometido a Elisa que mudaria, mas sabia que não podia simplesmente ignorar um chamado de Roberto. O preço de sair daquele mundo não seria tão simples quanto ele queria acreditar. Ao chegar à empresa, Diego percebeu que o clima estava tenso. Roberto estava sentado em sua sala, com expressão preocupada, e Paula estava ao lado dele, com o olhar frio e calculista de sempre. — Temos um vazamento de informações — disse Roberto. — Alguém está investigando nossos contratos. Se não tomarmos cuidado, vamos acabar sendo expostos. Diego sentiu um calafrio. Ele sabia que os esquemas em que estavam envolvidos eram ilegais e que, se fossem descobertos, poderiam acabar na prisão. — O que vamos fazer? — perguntou ele. — Vamos precisar apagar os rastros e silenciar qualquer pessoa que esteja envolvida — respondeu Paula, com um sorriso sombrio. — E você, Diego, vai ser uma peça-chave nisso. Diego engoliu em seco. Ele sabia que estava entrando em um jogo cada vez mais perigoso, mas, naquele momento, sua ambição falou mais alto do que o medo. Ele não queria perder tudo o que conquistara. Nos dias que se seguiram, Diego tentou equilibrar sua promessa de mudança para Elisa e suas obrigações com Roberto e Paula. Mas o peso da mentira continuava crescendo. Elisa percebia que, apesar das palavras bonitas, Diego não havia realmente mudado. Ele continuava saindo tarde, inventando desculpas e se envolvendo em negócios suspeitos. Elisa começou a se sentir cada vez mais sozinha. Sua confiança em Diego estava destruída, e o amor que sentia por ele começava a se transformar em ressentimento. Certa noite, após mais uma discussão acalorada, Elisa decidiu que não podia continuar daquela forma. Ela precisava tomar uma decisão sobre o futuro deles. Enquanto Elisa refletia sobre seu casamento, Diego recebia um aviso preocupante de Roberto. — Diego, precisamos ser mais cuidadosos. Alguém está tentando derrubar nossa operação, e se não agirmos rápido, vamos todos afundar juntos. Diego sentiu o pânico crescer. Pela primeira vez, ele começou a perceber que o preço de sua ambição poderia ser mais alto do que estava disposto a pagar. Mas será que ainda havia tempo para sair daquele mundo? Ou ele já estava preso demais às próprias escolhas?Diego acordou cedo naquela manhã, mas o peso de suas escolhas parecia maior do que nunca. A promessa que havia feito a Elisa estava começando a desmoronar. Ele sabia que, para cumprir o que dissera, precisaria abandonar o mundo que havia construído com tanto esforço – e isso era algo que ele não estava disposto a fazer. Ao descer as escadas, encontrou Elisa na cozinha, mais uma vez envolta em silêncio. Desde o confronto que tiveram, a distância entre os dois parecia insuportável. Ele tentou sorrir, mas ela desviou o olhar, como se já não acreditasse em qualquer gesto dele. Diego não gostava daquele clima. Sentia-se acuado, encurralado entre a expectativa de Elisa e as pressões externas que não paravam de aumentar. — Elisa, ainda está brava comigo? — perguntou, tentando soar mais suave. Ela suspirou e cruzou os braços. — Não é uma questão de estar brava, Diego. É uma questão de não saber Elisa suspirou e cruzou os braços, tentando conter o cansaço emocional que sentia. — Não é u
O sol nasceu no horizonte, mas a luz que entrava pelas janelas da casa de Diego e Elisa não dissipava a escuridão que pairava entre eles. A noite anterior fora um divisor de águas, e Elisa sentia que algo dentro dela havia mudado. Ao sair do quarto e passar a noite na sala, refletiu sobre tudo o que estava acontecendo e percebeu que, se Diego não mudasse, ela precisaria tomar uma decisão definitiva. Na cozinha, Elisa preparava o café em silêncio quando ouviu os passos de Diego. Ele desceu as escadas com a expressão fechada, sem nem tentar esconder o cansaço e o aborrecimento. — Bom dia — murmurou ele, sem olhar para ela. Elisa apenas assentiu, sem responder. Diego notou o silêncio frio e sentiu um desconforto. Mesmo assim, decidiu ignorar, pensando que talvez o tempo resolvesse as coisas. Pegou uma xícara de café e se sentou à mesa. Após alguns minutos de silêncio sufocante, Elisa finalmente quebrou o gelo: — Diego, nós precisamos conversar. Ele suspirou, já esperando mais
A madrugada avançava lentamente, e Diego continuava sentado no sofá da sala. A garrafa de uísque agora estava quase vazia, mas a embriaguez não preenchia o vazio que consumia seu peito. O silêncio daquela casa antes tão viva parecia zombar dele. O som da risada de Elisa, as conversas leves durante o jantar, os planos que fizeram juntos… tudo parecia parte de uma memória distante, como se pertencesse a outra vida. Ele apertou os olhos, tentando afastar as lembranças, mas era inútil. O rosto de Elisa continuava presente em sua mente, e a culpa começava a corroer o que restava do orgulho que o impedia de admitir seus erros. Pela primeira vez, Diego não conseguiu se convencer de que estava no controle. Pela primeira vez, ele sentia que estava completamente perdido. Elisa acordou cedo na casa de sua mãe. Apesar da exaustão emocional, o sono fora leve e agitado. Ela olhou para o teto do antigo quarto e, por um momento, sentiu-se como uma adolescente novamente, buscando refúgio nos braços
Elisa estava deitada na cama que, anos atrás, fora seu refúgio durante a adolescência. Agora, porém, aquele espaço não trazia mais consolo. Ela encarava o teto escuro enquanto as lágrimas deslizavam silenciosamente pelo rosto. O choro se tornara uma rotina inevitável. A separação ainda parecia um pesadelo do qual não conseguia acordar. Casar-se havia sido seu maior sonho. Ela crescera acreditando no amor verdadeiro, no "felizes para sempre", e quando encontrou Diego, achou que ele fosse o homem que tornaria tudo isso realidade. Mas agora estava ali, sozinha, enfrentando a dura verdade: nem todo amor resiste. Ela pensava no momento do casamento, quando subira ao altar com o coração cheio de esperança. Lembrava-se do olhar apaixonado de Diego, do juramento que ele fizera, prometendo estar ao lado dela para sempre. E agora, anos depois, tudo aquilo não passava de lembrança. Elisa se sentia despedaçada. Não apenas pelo fim do casamento, mas pela sensação de ter fracassado. Desde menina
Diego sentia que estava em queda livre. Desde o fim de seu casamento com Elisa, a vida que ele construíra com tanto esforço parecia estar ruindo. Por fora, ainda mantinha a pose de empresário bem-sucedido, mas, por dentro, ele estava vazio. As reuniões de negócios, os jantares sofisticados e as cifras milionárias que antes o preenchiam já não tinham mais o mesmo brilho. Nada tinha. Algo dentro dele estava despedaçado, e ele sabia muito bem o que era: a ausência de Elisa. Nas semanas seguintes à separação, Diego tentou ignorar a dor. Jogou-se ainda mais no trabalho, aceitando projetos arriscados, correndo atrás de contratos maiores e passando noites em claro em reuniões intermináveis. No fundo, ele esperava que o sucesso profissional compensasse a perda pessoal. Mas não compensava. Diego havia entrado no mundo dos negócios movido pela ambição. Desde jovem, sonhava em ser poderoso, em ter status e reconhecimento. E, por algum tempo, ele teve tudo isso. Com Elisa ao seu lado, senti
Após o encontro com Elisa, Diego sentiu um peso ainda maior sobre seus ombros. A rejeição dela foi como uma confirmação de tudo o que ele temia: o casamento deles realmente havia chegado ao fim, e não havia nada que ele pudesse fazer para voltar ao passado. Agora, só restava seguir em frente — mas como? De volta ao apartamento vazio, ele sentou-se à beira da cama e encarou o silêncio que o rodeava. Pela primeira vez em anos, Diego percebeu que o poder e o sucesso que tanto buscou não tinham valor algum sem alguém para compartilhar. Ele pensou em Elisa e nas palavras que ela havia dito na livraria. “Estou construindo uma nova vida.” Diego sabia que precisava fazer o mesmo. Não podia continuar se lamentando. Se queria ser um homem melhor, precisava agir. --- No dia seguinte, Diego tomou uma decisão que vinha adiando há muito tempo: ele pediu afastamento temporário da empresa. Precisava de um tempo longe da pressão, dos negócios e das reuniões que antes dominavam sua vida. — Vo
Apesar de suas tentativas de mudança, Diego não conseguiu escapar de sua própria natureza. O trabalho, que antes era uma ferramenta para alcançar status e poder, passou a se tornar sua única válvula de escape. A necessidade de preencher o vazio que sentia o empurrou de volta para o mundo corporativo, onde os problemas e a pressão o faziam se esquecer momentaneamente dos erros que cometeu, das falhas que não conseguia corrigir Ao retornar de sua breve estadia no interior, Diego mergulhou de cabeça no trabalho. Sua decisão de se afastar temporariamente da empresa logo foi revertida, pois ele se sentia incapaz de ficar longe das responsabilidades que sempre dominaram sua vida. Rafael, seu amigo e sócio, sabia o quanto ele estava lutando contra seus próprios demônios, mas não podia deixar a empresa sucumbir devido às distrações de Diego. Assim, ele pressionava Diego para voltar ao ritmo de antes. — Diego, você não pode parar agora. Temos um lançamento importante na próxima semana e su
Os dias no hospital foram longos. Diego passou por uma bateria de exames, conversas com médicos e visitas de familiares. Mas o que mais o atingia era o silêncio. Pela primeira vez em anos, ele não estava cercado pelo caos do trabalho. Não havia reuniões, não havia ligações incessantes, não havia decisões urgentes. Apenas ele, sua mente e o vazio que, agora, parecia ainda mais profundo. Os médicos recomendaram que ele fizesse terapia e considerasse um tempo afastado da empresa. Seu corpo estava frágil, mas sua mente estava ainda pior. Rafael assumiu as rédeas dos negócios temporariamente, garantindo que Diego tivesse o tempo necessário para se recuperar. Mas Diego se perguntava: recuperar-se para quê? --- Em uma das manhãs no hospital, Diego recebeu a visita de Rafael. O amigo entrou no quarto com um olhar preocupado, mas sem a formalidade dos negócios. — Você precisa mudar, cara — Rafael disse, sem rodeios. — Isso que aconteceu com você… é sério. Você quase cruzou um limite pe