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Capítulo 2 – A Sede por Poder

Os primeiros meses de casamento foram marcados por uma paz ilusória. Elisa estava radiante. Mesmo com o início tímido da carreira de Diego em uma empresa de investimentos, ela acreditava que juntos venceriam qualquer obstáculo. No entanto, para Diego, o desejo de ascender no mundo corporativo já crescia como uma força interna incontrolável. Ele não queria esperar anos para alcançar o sucesso. Queria tudo agora.

Foi durante uma confraternização no escritório que ele conheceu Roberto Mendonça, um dos diretores mais respeitados e, também, mais perigosos da empresa. Roberto era conhecido por fechar negócios lucrativos e usar métodos que poucos ousavam questionar. Diego, observando de longe, soube de imediato que aquele era o tipo de homem com quem precisava se aliar.

Roberto também percebeu Diego. Jovem, ambicioso e sem medo de se arriscar — um perfil que poderia ser útil em seu círculo de confiança. Após uma breve conversa sobre investimentos e estratégias de mercado, Roberto lhe fez um convite.

— Diego, você tem potencial. Por que não aparece na minha casa amanhã à noite? Vou receber algumas pessoas importantes. Será uma boa oportunidade para você expandir seus contatos.

Os olhos de Diego brilharam. A chance que ele esperava estava ali, diante dele.

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Na noite seguinte, Diego vestiu seu melhor terno e se dirigiu à luxuosa mansão de Roberto. Elisa, inocente e alheia ao que se passava, acreditava que era apenas mais uma reunião de trabalho.

Quando chegou, Diego se viu cercado por uma elite que ele apenas sonhava conhecer: empresários poderosos, políticos e investidores renomados. Havia champanhe, música clássica tocando ao fundo e conversas em tom discreto que exalavam segredos. Diego soube, naquele instante, que estava em um mundo completamente diferente — um mundo que o fascinava e o atraía como uma mariposa para a luz.

Ao longo da noite, Diego foi apresentado a figuras importantes, incluindo Carlos Figueiredo, dono de uma construtora milionária, e Paula Vasconcelos, uma mulher influente no ramo financeiro que parecia saber mais segredos sobre o mercado do que qualquer outra pessoa ali. Paula, aliás, não escondeu o interesse por Diego. Com um sorriso enigmático, ela o elogiou:

— Um homem jovem, ambicioso e cheio de charme... Você tem futuro, Diego.

Diego sentiu o impacto das palavras e do olhar dela. Era a primeira vez que percebia que seu charme também poderia ser uma arma nesse universo. E ele estava disposto a usar qualquer vantagem para chegar ao topo.

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Nas semanas seguintes, Diego passou a frequentar mais reuniões, eventos e encontros discretos organizados por Roberto e seus contatos. Aos poucos, ele foi se afastando de Elisa. Os jantares em casa começaram a ser substituídos por desculpas:

— Amor, vou chegar tarde hoje. Uma reunião importante surgiu de última hora.

Elisa, preocupada, questionava:

— Você tem certeza de que está tudo bem? Está trabalhando tanto...

— Está tudo ótimo, Elisa. Só estou aproveitando as oportunidades. É por nós, para o nosso futuro — respondia Diego, com um sorriso que escondia suas verdadeiras intenções.

Mas, na verdade, Diego estava mergulhando cada vez mais fundo em um mundo onde ambição, corrupção e traições andavam de mãos dadas. Ele passou a fechar acordos obscuros com empresários que buscavam favores em troca de vantagens, a aceitar presentes caros e a se envolver em esquemas que garantiam lucros rápidos, mas ilícitos.

Diego começou a gostar da sensação de controle que o dinheiro e o status lhe proporcionavam. Agora, ele dirigia um carro de luxo que fora “presenteado” por um dos investidores, usava relógios caros e frequentava restaurantes onde uma refeição custava mais do que o salário mensal de Elisa.

Mas não era apenas o dinheiro que o atraía. Diego passou a sentir prazer em ser notado, admirado e desejado. A cada evento, a cada novo contato influente, ele sentia que estava mais perto do topo.

Foi durante uma dessas festas que o envolvimento com Paula Vasconcelos deixou de ser apenas profissional. Paula, astuta e atraente, sabia como jogar o jogo da sedução. Ela e Diego começaram a flertar de forma discreta, e, certa noite, após algumas taças de vinho e conversas carregadas de insinuações, eles cederam ao desejo e passaram a noite juntos.

Diego sabia que estava traindo Elisa, mas sua mente justificava o ato com uma frieza crescente: ele merecia aquilo. Trabalhara duro, lutara por seu lugar naquele mundo e agora tinha direito a aproveitar a vida

Com o passar do tempo, as mudanças em Diego começaram a se tornar mais perceptíveis, mesmo para Elisa, que sempre fora uma mulher compreensiva e disposta a apoiar o marido. As longas noites fora de casa, as conversas evasivas e o crescente desinteresse dele em momentos simples do cotidiano começaram a abrir fissuras profundas na relação.

Elisa sentia que algo estava errado, mas não sabia o que era. Ela ainda acreditava que Diego estava apenas sobrecarregado e focado em dar a eles uma vida melhor. No entanto, os sinais estavam por toda parte.

— Diego, você quase não está mais em casa. Mal jantamos juntos ultimamente — disse ela uma noite, enquanto ele se arrumava apressadamente para mais uma reunião.

— Elisa, eu já expliquei. Isso faz parte do processo. Essas reuniões são importantes. Não posso me dar ao luxo de dizer ‘não’ agora — respondeu Diego, sem olhá-la nos olhos, enquanto ajeitava a gravata diante do espelho.

— Eu entendo, mas sinto falta do tempo que passávamos juntos…

— As coisas vão melhorar, prometo — disse ele rapidamente, dando-lhe um beijo no rosto antes de sair pela porta, deixando Elisa sozinha na sala vazia.

Enquanto Elisa lutava para manter o casamento vivo, Diego vivia uma vida paralela repleta de excessos e ambição. Ao lado de Roberto e Paula, ele estava cada vez mais envolvido em esquemas arriscados e lucrativos. Eles compravam informações privilegiadas, fechavam negócios fraudulentos e manipulavam contratos em benefício próprio. Diego sabia que estava entrando em um terreno perigoso, mas a adrenalina e o poder o faziam ignorar as consequências.

Paula, agora amante de Diego, também o influenciava de forma sutil. Ela o incentivava a pensar grande, a arriscar mais e a não se contentar com pouco.

— Você nasceu para brilhar, Diego. Não deixe que ninguém, nem nada, te segure — dizia ela, com um sorriso provocante que o fazia esquecer, ainda mais, da mulher que o esperava em casa.

A relação com Paula era mais do que apenas desejo. Era uma extensão do novo homem que Diego acreditava estar se tornando: poderoso, desejado e invencível.

Com o tempo, as máscaras que Diego usava começaram a se desgastar. Em casa, ele estava mais distante, impaciente e frio. Elisa começou a perceber que o homem que havia prometido amor eterno parecia estar desaparecendo diante de seus olhos.

Em uma noite de domingo, enquanto eles jantavam em silêncio, Elisa resolveu confrontá-lo.

— Diego, o que está acontecendo com a gente? — perguntou, com a voz trêmula.

Ele franziu o cenho, como se não entendesse a pergunta.

— Como assim? Não está acontecendo nada.

— Não é verdade. Você mudou. Não é mais o mesmo homem com quem me casei. Está sempre ausente, distante... Parece que a gente está vivendo em mundos diferentes.

Diego largou o garfo na mesa com força e suspirou impaciente.

— Elisa, eu estou trabalhando para nós. Será que você não entende isso? Tudo que eu faço é para garantir nosso futuro.

— Mas qual futuro, Diego? Se a gente está se perdendo no presente? — rebateu ela, com lágrimas nos olhos.

Diego ficou em silêncio por alguns segundos. No fundo, sabia que Elisa estava certa, mas admitir isso significaria encarar a verdade que ele tentava esconder até de si mesmo.

— Eu não tenho tempo para essas conversas agora. Tenho muita coisa na cabeça — disse ele friamente, antes de se levantar e sair da mesa, deixando Elisa sozinha mais uma vez.

Dias depois daquela discussão, Elisa começou a desconfiar ainda mais. Ela sabia que algo estava errado, mas não imaginava o que era. Até que, um dia, enquanto organizava algumas roupas de Diego no armário, encontrou algo que a deixou com o coração disparado: um pequeno recibo de hotel.

Elisa franziu a testa e pegou o papel nas mãos. O recibo era de uma suíte luxuosa em um hotel cinco estrelas da cidade. A data marcava uma noite em que Diego havia dito estar em uma reunião de negócios.

A mente de Elisa foi tomada por pensamentos confusos e dolorosos. Ela tentou encontrar uma explicação lógica, mas nenhuma fazia sentido. O peso da desconfiança começou a sufocá-la.

Quando Diego chegou em casa naquela noite, ela o esperava na sala, segurando o recibo.

Ele parou ao vê-la com o papel na mão. Por um segundo, o rosto dele ficou pálido, mas rapidamente ele recuperou a compostura.

— Onde você encontrou isso?

— No seu bolso. Agora me diga... O que você estava fazendo em um hotel naquela noite?

Diego tentou pensar rápido. Ele sabia que Elisa era inteligente e que não aceitaria desculpas frágeis.

— Foi uma reunião, Elisa. Com clientes importantes. Depois do jantar, acabamos indo para lá para continuar discutindo negócios. Não é o que você está pensando.

Elisa o encarou, tentando decifrar se ele estava dizendo a verdade.

— Diego, você jura?

Ele se aproximou e segurou suas mãos.

— Eu juro, Elisa. Você sabe que pode confiar em mim.

Mesmo com o coração desconfiado, Elisa quis acreditar. Ela ainda amava Diego e não queria aceitar a possibilidade de estar sendo traída.

Mas, naquele momento, algo dentro dela começou a mudar. As fissuras no casamento já não podiam ser ignoradas, e Elisa sentia que, cedo ou tarde, a verdade viria à tona

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