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Capítulo 4 – Negando a Mudança

Diego acordou cedo naquela manhã, mas o peso de suas escolhas parecia maior do que nunca. A promessa que havia feito a Elisa estava começando a desmoronar. Ele sabia que, para cumprir o que dissera, precisaria abandonar o mundo que havia construído com tanto esforço – e isso era algo que ele não estava disposto a fazer.

Ao descer as escadas, encontrou Elisa na cozinha, mais uma vez envolta em silêncio. Desde o confronto que tiveram, a distância entre os dois parecia insuportável. Ele tentou sorrir, mas ela desviou o olhar, como se já não acreditasse em qualquer gesto dele.

Diego não gostava daquele clima. Sentia-se acuado, encurralado entre a expectativa de Elisa e as pressões externas que não paravam de aumentar.

— Elisa, ainda está brava comigo? — perguntou, tentando soar mais suave.

Ela suspirou e cruzou os braços.

— Não é uma questão de estar brava, Diego. É uma questão de não saber

Elisa suspirou e cruzou os braços, tentando conter o cansaço emocional que sentia.

— Não é uma questão de estar brava, Diego. É uma questão de não saber mais quem você é.

As palavras dela atingiram Diego em cheio, mas, ao invés de gerar arrependimento, trouxeram raiva e frustração. Ele odiava sentir-se julgado. Odiava que Elisa não enxergasse o quanto ele lutara para chegar onde estava.

— Quem eu sou, Elisa? Sou o homem que trabalhou duro para te dar tudo isso — respondeu, abrindo os braços e apontando para a casa espaçosa em que viviam. — Mas parece que nada disso é suficiente para você.

— Tudo isso? — Elisa deu uma risada amarga. — Você acha que uma casa bonita e dinheiro compensam mentiras, traições e noites vazias? Diego, o que eu queria era o homem com quem me casei, não essa versão obcecada por poder e status.

— Eu não me casei para continuar sendo pobre e invisível. Eu me casei com sonhos, Elisa, e realizei todos eles. Você devia estar do meu lado, não contra mim.

— Estar do seu lado? — Elisa ergueu a voz. — Como posso estar do seu lado se você vive me deixando de fora da sua vida? E não me venha com essa conversa de que fez tudo por nós. Fez por você, Diego. Só por você.

Ele fechou os punhos, sentindo a tensão crescer.

— Chega, Elisa. Já cansei dessa conversa.

Antes que ela pudesse responder, Diego pegou as chaves do carro e saiu batendo a porta, deixando Elisa sozinha com o coração despedaçado.

Dirigindo pelas ruas da cidade, Diego sentia o sangue fervendo. Não queria admitir, mas as palavras de Elisa o atingiram em um ponto sensível. Parte dele sabia que ela estava certa. Sabia que havia cruzado limites. Mas, ao invés de refletir e tentar mudar, ele preferia afundar ainda mais.

Sem perceber, dirigiu até o prédio de Paula Vasconcelos. Ela era a única pessoa que parecia compreendê-lo naquele momento. Diferente de Elisa, Paula não o julgava, não o pressionava. Ao contrário, o incentivava a ir cada vez mais longe.

Quando chegou, Paula estava esperando na porta do apartamento com um sorriso sedutor.

— Não esperava te ver tão cedo. Problemas em casa? — perguntou, enquanto ele entrava e jogava o casaco no sofá.

Diego suspirou, passando as mãos pelos cabelos.

— Elisa não entende. Ela quer que eu largue tudo, que vire outra pessoa.

— E por que você faria isso? — Paula perguntou, aproximando-se e deslizando os dedos pelo braço dele. — Você é mais poderoso agora do que jamais foi. E sabe que o poder não perdoa os fracos.

Diego a olhou e, por um momento, sentiu-se dividido. Elisa era sua esposa, o amor da sua vida, mas Paula representava o poder, a liberdade e o risco que ele não conseguia abandonar.

— Às vezes, penso que Elisa nunca vai aceitar quem eu sou de verdade — murmurou.

Paula sorriu e tocou o rosto dele.

— Talvez você esteja olhando para a pessoa errada.

Sem resistir, Diego cedeu ao desejo e a beijou com intensidade, tentando silenciar o turbilhão de emoções que o consumia.

Enquanto Diego mergulhava ainda mais em sua vida dupla, Elisa sentia que o casamento estava desmoronando. Naquela noite, ele voltou para casa tarde, com o perfume caro de Paula ainda impregnado em suas roupas.

Elisa o esperava na sala, sentada no sofá com os olhos fixos na porta. Quando Diego entrou, ela o encarou em silêncio por alguns segundos antes de finalmente falar.

— Mais uma noite de trabalho, Diego?

Ele evitou o olhar dela e caminhou até a cozinha.

— Não quero discutir, Elisa. Estou cansado.

Ela se levantou e o seguiu.

— Eu também estou cansada, Diego. Cansada das suas mentiras, cansada de fingir que não sei o que está acontecendo.

Diego parou e a encarou, impaciente.

— O que você quer que eu diga, Elisa? Que eu sou perfeito? Não sou. Eu fiz o que precisava fazer para chegar onde estou, e não me arrependo.

Elisa balançou a cabeça, decepcionada.

— Então você escolheu o caminho que te afasta de mim, Diego. E, se é isso que você quer, talvez não haja mais nada que possamos salvar.

Diego sentiu o impacto daquelas palavras, mas, em vez de recuar, respondeu com frieza.

— Talvez seja melhor assim. Talvez você precise aceitar que as coisas mudaram.

Com lágrimas nos olhos, Elisa deu um passo para trás.

— Você já me perdeu, Diego. Só não percebeu ainda.

E, antes que ele pudesse responder, ela subiu as escadas, deixando Diego sozinho mais uma vez.

Naquela mesma noite, enquanto Elisa chorava em silêncio no quarto, Diego pegou o telefone e ligou para Roberto.

— Estou dentro. Vamos continuar com o plano.

Roberto sorriu do outro lado da linha.

— Sabia que você não ia desistir. Você nasceu para isso, Diego.

Ao desligar o telefone, Diego sabia que havia feito uma escolha. Escolhera o poder, o dinheiro e o risco – e essa escolha teria consequências irreversíveis

Diego subiu para o quarto já passava da meia-noite. Esperava encontrar Elisa dormindo, mas ela estava sentada na beirada da cama, olhando pela janela. Quando ele entrou, o olhar dela não se moveu, como se ele já fosse apenas uma sombra em sua vida.

O silêncio que preenchia o ambiente era quase insuportável, mas Diego, cansado e impaciente, resolveu ignorar. Começou a tirar o terno e a guardar as coisas, como se nada estivesse errado.

— Vamos continuar assim? Fingindo que nada está acontecendo? — perguntou Elisa, finalmente quebrando o silêncio.

Diego suspirou e fechou o armário com força.

— O que você quer de mim, Elisa? Já conversamos sobre isso hoje. Não vou largar tudo o que construí.

Ela se levantou lentamente e o encarou com um misto de dor e frustração.

— Não é sobre o que você construiu, Diego. É sobre quem você se tornou. Um homem que eu nem reconheço mais.

— Talvez o problema seja você que não consegue aceitar a realidade — rebateu ele, com frieza.

Elisa arregalou os olhos, surpresa com o tom agressivo dele.

— A realidade, Diego? A realidade é que você está destruindo tudo o que tínhamos. Eu queria um casamento baseado em amor e respeito, e você está me dando mentiras e segredos.

Diego passou a mão pelo cabelo, exasperado.

— Eu fiz o que precisava para nos dar uma vida melhor. Por que isso não é suficiente?

— Porque eu não me casei com um homem disposto a vender a alma por dinheiro e poder — respondeu ela, firme.

A tensão no quarto ficou ainda mais densa. Diego sentia o sangue ferver e sabia que, se continuassem aquela conversa, ele diria coisas das quais talvez se arrependesse.

— Elisa, já chega. Não vou ficar me justificando para você. Se não consegue aceitar o homem que sou hoje, talvez seja você que precisa repensar o que quer.

Ela deu um passo à frente, encarando-o de perto.

— Talvez eu já esteja repensando, Diego. Porque eu não posso mais viver assim.

Diego não esperava ouvir isso. Por mais que o casamento estivesse em crise, nunca achou que Elisa chegaria a pensar em desistir. Mas, ao invés de recuar e tentar salvar o que ainda restava, seu orgulho falou mais alto.

— Faça o que quiser, Elisa. Se acha que pode encontrar algo melhor, vá em frente. Mas não espere que eu mude.

Elisa sentiu o coração apertar com aquelas palavras. Lágrimas ameaçaram cair, mas ela se recusou a chorar na frente dele. Apenas balançou a cabeça, decepcionada.

— Você já se perdeu, Diego. E, infelizmente, acho que perdeu a mim também.

Sem dizer mais nada, ela pegou um cobertor e saiu do quarto, deixando Diego sozinho, consumido por sua raiva e frustraçao

Na sala, Elisa se sentou no sofá e abraçou o cobertor com força, sentindo o vazio crescer dentro dela. Não sabia o que o futuro reservava, mas sabia que, se Diego continuasse naquele caminho, o casamento deles estava fadado ao fim.

Enquanto isso, no quarto, Diego sentia uma mistura de emoções: raiva, culpa e, acima de tudo, medo de perder Elisa. Mas, em vez de enfrentar esses sentimentos, ele decidiu ignorá-los. Pegou o celular e mandou uma mensagem para Paula:

“Amanhã precisamos conversar sobre o próximo passo.”

Ele havia feito sua escolha, e, naquele momento, a ambição ainda falava mais alto do que o amor que sentia por Elisa.

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