O beijo de Leonardo fez o mundo ao redor desaparecer por um instante. Isabela sentiu seu corpo relaxar contra o dele, como se todo o peso das últimas semanas finalmente estivesse sendo retirado de seus ombros. Mas, no fundo, uma parte dela ainda estava inquieta.Quando o beijo terminou, Leonardo tocou seu rosto suavemente.— Você está tremendo.Ela soltou um suspiro longo.— É a adrenalina. Ou talvez seja a sensação de que isso ainda não acabou.Camila, que observava tudo de braços cruzados, interveio.— Você ouviu o que Ricardo disse antes de ser levado. Ele ainda acha que pode fazer algo.Leonardo assentiu, a expressão séria.— Ele pode tentar, mas agora está atrás das grades. O importante é que você e sua mãe estão seguras.Isabela olhou para a viatura da polícia que desaparecia no horizonte. Uma parte dela queria acreditar que aquele era realmente o fim de Ricardo, mas outra parte sabia que pessoas como ele sempre tinham um plano de contingência.— Vamos para casa. — Leonardo diss
O silêncio na sala se tornou insuportável.O telefone ainda estava na mão de Isabela, como se o peso daquelas palavras de Ricardo tivesse se impregnado no aparelho. Era como se a ligação tivesse deixado um rastro invisível de medo pairando no ar.Leonardo se levantou abruptamente e começou a andar de um lado para o outro, os passos ecoando pelo piso de madeira da sala.— Isso não faz sentido. — ele disse, quase para si mesmo. — Ele não pode estar fazendo ligações de dentro da prisão sem ajuda.Isabela engoliu em seco, tentando ignorar a sensação de que algo muito errado estava acontecendo.— Então, isso significa que ele tem um cúmplice. — ela murmurou, mais para confirmar o pensamento do que como uma dúvida.Leonardo parou e olhou para ela, os olhos escuros carregados de preocupação.— Alguém poderoso o bastante para garantir que ele tenha privilégios. Alguém que pode estar mais perto do que imaginamos.Um arrepio percorreu a espinha de Isabela. Ela abraçou os próprios braços, tentan
A sala parecia menor, sufocante. Isabela sentia o ar pesado enquanto processava a notícia. Ricardo estava morto? Isso significava o fim de seus tormentos ou o início de algo ainda pior?Leonardo não tirava os olhos da tela do celular. Camila, sentada ao lado de Isabela, mordia o lábio inferior, nervosa.— Isso pode ser uma armação. — Leonardo finalmente disse.Isabela piscou, confusa.— Como assim? Você acha que ele forjou a própria morte?— É uma possibilidade. Mas também pode ser que alguém o tenha matado para silenciá-lo.Camila se inclinou para frente, preocupada.— Se ele realmente morreu, quem foi que ligou para você?O arrepio percorreu a espinha de Isabela.— Essa é a pergunta que não sai da minha cabeça.Leonardo largou o celular e pegou as mãos dela.— Vamos descobrir. Mas, até lá, você precisa se manter segura.Isabela assentiu lentamente, mas no fundo, uma sensação incômoda crescia dentro dela.Na manhã seguinte, Isabela acordou com o som da campainha.Seu coração disparou
Horas depois da visita do detetive Murilo, a mente de Isabela parecia um turbilhão. Ricardo havia ligado para ela, diretamente da cela, pouco antes de ser assassinado. Aquilo não podia ser coincidência. Havia algo oculto — algo grande o bastante para fazê-lo quebrar o silêncio nos seus últimos momentos de vida.Leonardo estava na varanda do apartamento, encostado na grade, olhando para o céu cinzento, enquanto segurava uma xícara de café. Estava tenso. O maxilar travado denunciava seu estado mental. Isabela se aproximou em silêncio, usando um moletom largo e cabelos presos em um coque bagunçado.— Dormiu alguma coisa? — ela perguntou suavemente.— Difícil dormir sabendo que o homem que infernizou sua vida foi morto poucas horas depois de falar com você — ele respondeu, sem tirar os olhos do horizonte.Ela encostou-se ao parapeito ao lado dele.— E se for uma mensagem codificada? — ela sugeriu. — Algo que ele não pôde dizer diretamente, mas queria que eu entendesse?Leonardo virou o ro
Isabela estava sentada no sofá antigo da cobertura, com o pen drive em mãos, enquanto Leonardo falava ao telefone com um técnico de confiança. O silêncio entre as frases dele era preenchido pelo som abafado da chuva fina que começava a cair sobre a cidade. O céu estava cinzento, e uma melancolia doce pairava no ar.Ela encarava o dispositivo como se ele carregasse não apenas segredos, mas também os estilhaços da sua própria história. Aquela era a última ponte entre ela e um passado que, embora sombrio, agora revelava nuances inesperadas. E o mais confuso: Ricardo a estava protegendo. Mesmo depois de tudo.Leonardo desligou o telefone e se aproximou, se agachando diante dela.— O técnico vai dar um jeito. Ele disse que consegue recuperar os dados em até 48 horas. — Seus olhos procuravam os dela, como se estivessem tentando traduzir o caos que se passava em sua mente.— Você acha que ele… amava mesmo? — ela perguntou, quase num sussurro.Leonardo engoliu em seco.— Sinceramente? Sim. Do
Isabela acordou com o som abafado da chuva ainda persistente lá fora. A manhã tinha um tom acinzentado, e o céu parecia refletir a confusão em sua mente. Ainda estava deitada ao lado de Leonardo, que dormia profundamente, com um braço possessivamente enlaçado em sua cintura. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentia algo parecido com paz. Mas a tranquilidade era frágil — o que haviam descoberto na noite anterior ainda pulsava como um alerta em sua mente.Ela se soltou devagar dos braços dele e caminhou até a cozinha. Usava apenas uma camisa dele, que ia até a metade das coxas. O chão gelado provocava arrepios em seus pés descalços, mas o frio físico não era nada comparado ao que sentia por dentro.Enquanto preparava o café, seus olhos foram atraídos por um envelope caído entre as páginas da pasta preta que haviam aberto na noite anterior. Ela o pegou com cuidado. O papel era amarelado, e o envelope estava lacrado com cera — algo fora do comum. Com hesitação, ela o abriu e encontrou
O som do motor que ecoava do lado de fora do galpão era ameaçador, como um rugido vindo direto do inferno. Leonardo puxou Isabela pelo braço e a empurrou gentilmente contra a parede atrás do armário. O coração dela batia tão alto que parecia ensurdecedor dentro do peito.— Fica aqui — ele sussurrou. — Não se mexe, não faz barulho.Ela assentiu com os olhos arregalados. Leonardo fechou a porta do armário de novo e caminhou em silêncio até a entrada do galpão. Um carro preto havia estacionado do outro lado da cerca. Dois homens desceram — ambos altos, de paletó, com fisionomias frias e sem expressão.Leonardo pegou uma barra de ferro enferrujada do chão e se escondeu atrás de uma pilha de paletes de madeira. Os passos dos homens ecoaram dentro do galpão. Eles conversavam entre si, mas as vozes estavam baixas demais para entender.— Tem certeza de que ele deixou o material aqui? — perguntou um deles, enquanto iluminava o chão com uma lanterna.— Absoluta. Recebemos a dica ontem. Se algué
A noite caía como um véu espesso sobre a pousada isolada. As janelas fechadas protegiam os dois amantes do mundo lá fora, mas o perigo ainda rondava do lado de fora como um predador à espreita.Leonardo estava sentado na poltrona, apenas com a calça jeans desgastada, segurando um dos documentos encontrados no cofre. A luz amarela do abajur iluminava parcialmente seu rosto, realçando os traços fortes e concentrados. Isabela, enrolada no lençol branco da cama, observava cada movimento dele com atenção.— O que tem nesse papel? — ela perguntou, com a voz ainda rouca e suave, carregada do calor do que haviam vivido momentos antes.Leonardo levantou os olhos e respirou fundo.— É uma transferência bancária. Para uma conta no exterior. A assinatura é do Godoy, e o valor… é absurdo. Isso aqui pode derrubar ele.— Ele desviou dinheiro público? — ela se levantou, cobrindo o corpo com o lençol, sentando ao lado dele.— E mais. Isso está ligado à venda ilegal de terras. A mesma empresa que finan