ALDRIC—Não, você sempre é muito cuidadoso… —ela disse zombando de mim.—Valeria, eu estou preocupado, amor. Outro dia achei que você ia passar mal de tão ofegante que ficou.—É que aquela posição era muito desconfortável. Parecia que eu estava carregando toneladas de ferro na barriga —respondeu, devolvendo meus beijos e carinhos.—E quem foi que quis fazer aquela cena toda? —ri, lembrando o susto que levei por sempre acompanhar suas loucuras.—E você gostou, não negue —ela deu um tapa leve no meu braço, e só pude balançar a cabeça, derrotado. Eu amo essa mulher até a morte.—Vou pegar a bacia para te limpar…—Não —ela me parou, segurando minha mão.—Valeria…—Mais uma vez, vai, não seja ruim comigo. Você não vai satisfazer sua mulher cheia de desejo depois de carregar sua filhote por tantos meses?Ela baixou a mão e começou a acariciar meu membro, que parecia mais apaixonado por ela do que eu mesmo.Essa Selenia só estala os dedos e ele já está de pé em um segundo.Eu sei que são os
ALDRIC“Não, não... minha menina vai ficar bem. Deusa, por favor, que minha companheira e minha filhote fiquem bem.”Suplico em pensamento, estendendo nosso vínculo até minha pequena, incentivando-a a vir ao mundo.—Aqui está, já nasceu!Um choro, que cobre os gritos e gemidos dolorosos de Valeria, faz nossos corações tremerem.Vejo manipularem uma pequena forma envolta em mantas brancas.Seus cabelos negros como ébano se destacam contra sua pele pálida.—Suas Majestades, aqui está a princesinha. Parabéns, minha rainha. —a amiga de Valeria, agora companheira de Dave, traz nossa filha em seus braços.Eu não sei o que fazer; minhas mãos suam, tremem, e tudo parece irreal.—Não tenho forças, Aldric. Segure-a nos braços contra meu peito.Valeria me pede com fraqueza, sua voz apenas um sussurro, enquanto continuam a cuidar de seu corpo e limpá-la.Juliette me entrega a mantinha.Um nó aperta minha garganta, e meus olhos ficam vermelhos quando a seguro com cuidado, colocando-a sobre o peito
20 ANOS DEPOIS...NARRADORA—SIGRID!! —a voz ensurdecedora de Zarek ecoava por todo o castelo sombrio.Celine, sentada na biblioteca lendo, ergueu a cabeça, sorriu e voltou à sua leitura.Quem sabe que travessura aquela menina tinha feito agora com as coisas de seu companheiro?Como era de se esperar, o príncipe sombrio estava furioso, olhando para a biblioteca secreta onde guardava todo tipo de livros de feitiçaria sombria e proibida.Chamavam-se proibidos por um motivo: eram feitiços perigosos, tenebrosos, com altos custos. Por isso ele os mantinha protegidos de certas mãozinhas inescrupulosas e daquele cérebro hiperativo.—Desta vez, não vou deixar passar! SIGRID, SAIA IMEDIATAMENTE! —Zarek deixou o subsolo enquanto escaneava mentalmente o castelo. Mas, como sempre, aquela Selenia travessa era definitivamente sua arqui-inimiga, a nêmesis de seu poder, a única capaz de se esconder até mesmo em suas próprias terras.—ROUSSE, VENHA AQUI! —ele chamou seu comandante, um dos servos morto
SIGRID—O que é isso? Ah, não pode ser —bufei ao olhar o que tinha pego no meu apuro.Queria me dar tapas na cabeça.Eram planos para construir um artefato mágico que permitia entrar nos sonhos de alguém e deixar mensagens, ordens ou até mesmo provocar seus piores pesadelos.—O que faço com isso agora? Entro no sonho do Dave e o incomodo um pouco? —murmurei, pensativa, mas logo descartei a ideia, irritada.Tanto esforço para nada. Ele me deixava ler todos os seus livros, menos aquele, e a curiosidade estava me corroendo.O que tanto havia de proibido nesses escritos?Caminhei até o poço escondido no meio da floresta, sempre envolto por uma névoa escura. Quase ninguém ousava entrar ali, pois ficava nos limites do palácio.Alguns anos atrás, criei ali um feitiço que me permitia me transportar diretamente para as terras do meu pai.Vi alguns lírios negros, que minha mãe adorava, e comecei a colhê-los para ela.Com certeza, ela estava tomando chá da tarde com minha avó.Sorri, caminhando
SIGRIDO grito ficou preso na minha garganta, meus olhos quase saindo das órbitas e minhas mãos tremendo.Levantei aquela pobre criatura prestes a morrer.Toda sua pele pálida estava coberta de marcas negras horríveis, como padrões de maldições que até cobriam o rosto.Ele não chorava. Eu sentia seu pequeno coração fraco prestes a parar.Ele abriu os olhinhos, um de cada cor, e olhou para o rosto da cadela que o estava afogando no poço.—Minha senhora, aconteceu algo? —Estremeci ao ouvir uma voz atrás de mim. Eu não estava sozinha.Deusa, eu precisava disfarçar, me colocar no papel dessa desgraçada, porque, se me descobrissem, eu estaria morta.—Não aconteceu nada, Grimm. Terminarei rápido com isso. Vá preparar a carruagem.—Já está pronta.—Então vá de novo, ou está surdo? —gritei com todo o desprezo que consegui reunir, esperando que o tremor no fundo dessa voz, tão estranha para mim, não fosse percebido.Assim que ouvi seus passos se afastando, virei-me em meio a essa floresta estr
SIGRIDA carruagem parou, e ouvi Grimm cumprimentando alguns homens. Depois, o som de portões rangendo e voltamos a seguir em frente.Afastei a cortina com o dedo, onde um enorme anel de esmeralda brilhava, e imediatamente os guardas baixaram a cabeça em respeito.Passamos por muralhas imponentes que davam acesso a uma cidade cheia de vilas e casas de pedra e madeira.Ouvia-se o burburinho das ruas, o aroma de comida e os pregões das pessoas no mercado.Todos os campos cultivados e tudo dentro dessas muralhas pertenciam ao feudo da família de feiticeiras De La Croix.Três irmãs: a mais velha e atual chefe do castelo, Morgana De La Croix; a do meio, Drusilla De La Croix; e a mais nova, a mulher cuja consciência eu mantinha aprisionada enquanto ocupava seu corpo com meu espírito primordial: Electra De La Croix.—Quero descansar. Que ninguém me incomode.Dei ordens e segui em frente, conforme as lembranças, através do pátio externo onde paramos, atravessando as enormes portas de entrada
SIGRID—Sim, sim, eu sei, pela Deusa, como você é fria. Achei que, por ser a caçula, seria mais gentil —murmurou, falando apressadamente—. Agora entendo por que é a favorita da Morgana, quase parece que foi ela quem te pariu.—Vai passar a tarde falando bobagens ou já vai sair do meu quarto?—Estou indo, estou indo. Ufa, que mau humor. Fico te devendo uma.Ela finalmente saiu, deixando um rastro daquele perfume enjoativo que usava e os longos cabelos negros balançando nas costas.É bela, como quase todos os seres sobrenaturais, mas uma mulher que fala dos próprios filhos como objetos descartáveis só pode ter o ventre e o coração podres.Além disso, Morgana vai descobrir, não apenas porque Grimm é seu espião, mas porque Drusilla é péssima em tudo, até mesmo em mentir.Decido me sentar na cama para pensar na minha missão.Preciso traçar planos para sair daqui por conta própria.A Deusa, como sempre, falou em enigmas. Minha tarefa é encontrar um homem especial, extremamente belo, e salvá
SIGRIDNesse momento, eu estava extremamente grata pelos meus conhecimentos de magia negra.Ainda assim, apesar de todas as coisas estranhas que já tinha presenciado, observar o tronco daquela árvore se abrir, com um sangue escuro como piche escorrendo para o chão, enquanto o corpo daquele homem era "liberado", foi uma cena que ficaria gravada na minha memória.Metade do corpo dele caiu para fora do tronco.Sua pele, em carne viva, mal era reconhecível, sendo devorada aos poucos.Ele tentou se arrastar com a ajuda dos braços, mas não conseguia; suas pernas ainda estavam presas. Parecia que aquela árvore demoníaca não deixaria sua presa escapar tão facilmente.O escravo agarrava-se à vida.Nenhum som escapava de sua boca, apesar da dor excruciante que devia estar sentindo.Algo em mim despertou uma admiração por sua resistência.Coloquei o bebê na grama macia, longe daquela cena horrível, e caminhei até ele com determinação.—Vamos, não me faça desperdiçar meu tempo e meus feitiços à t