Alessandra MartinsNão consigo nem dizer o peso que sinto em ouvir as suas palavras, provavelmente em outro momento cairia ao choro. Não haveria esse momento, durante esses anos, seguir tão a linha da perfeição para os meus pais que nunca ouviria essas palavras vindo da boca de nenhum deles.Estou indo em direção contrária, a direção em que acaba o mundinho perfeito que viveram durante esses anos.Não me recuperei mentalmente do acidente e tenho que lidar com os meus pais com a nova versão deles que sempre existiu, mas escolhi não ver.— Agora que aquele manipulador safado saiu, vamos ter uma conversa séria, mocinha. — Eduardo está com as mãos na cintura, seu rosto mais rígido do que o normal. — Casamento, Alessandra? Me dê um tempo e eu vou provar que aqueles papéis são falsos.Casada. Acordo com essa notícia, outra tristeza. Com toda certeza não foi assim que imaginei quando me casasse, como também confesso que já me imaginei nessa posição na vida de Sebastian. Só que a chance de ac
Alessandra MartinsNão vejo meus pais há dois dias, no mesmo dia do nosso desentendimento no hospital vim para o hotel com o Sebastian. As dores e arranhões pelo rosto e braços, são os que mais me incomodam, evito até mesmo me olhar no espelho. Não posso ocupar a minha aparência, olhar no espelho é como encarar a minha realidade e não quero.É assustador demais. Tudo que particularmente acreditava ser uma certeza, desmoronou.Briguei tanto para proteger a minha família, ouvir coisas absurdas e no fim todos estavam certos. As acusações foram anos e mais anos, e agora? O que faço sabendo que é verdade?— Olha, ela comeu. — Olho para
Sebastian D’AmoreEstar de volta a Nova York não me traz a mesma sensação como de costume, agora encarar a briga. Alessandra pode estar passando por todo esse momento turbulento com a sua família, não me arrependo de tê-la trazido para a minha, mas não vejo a hora de voltar a ter aquela força de sempre.Não quero que abaixe a cabeça. Não quero que seja submissa a eles. Não é como se eu fosse deixar, mas acaba dependendo dela do que de mim. Deixo Alessandra em seu apartamento, Caleb e Patrícia estão com eles, sou rápido em me despedir e sair mesmo Alessandra querendo que eu fique. Todos sabiam aonde estaria indo, não demoro para chegar na casa de Victor, o calor que queima em meu corpo é algo desconhecido.A volta para Nova Iorque não foi cedo como esperado, Eduardo e Miranda tentaram conversar com Alessandra mais uma vez. Ela se recusou, mas ficou alterada. E mesmo com o acompanhamento no hotel com a enfermeira garantindo que a Alessandra estava bem, voltamos para o hospital e ela
Alessandra MartinsOs dias estão se seguindo lentamente, é como se o tempo não passasse ao mesmo tempo, tudo passasse muito rápido. Miranda estava constantemente em contato comigo, por vezes algumas mensagens de voz onde Eduardo participava, respondi todas as suas mensagens.E o único motivo era para que não percebessem que descobri toda a farsa.Aos olhos deles a boa filha voltou, não 100%, já que deixei claro que não me separei do Sebastian e continuaria com ele.Resolvi começar dando pequenos passos, resolvendo os pequenos problemas. Uma das decisões que tomei foi que moraríamos em meu apartamento, não moro em um local pequeno, mas com toda certeza o apartamento do Sebastian é muito maior. Porém, não quis me desfazer do meu apartamento, já que teremos a casa dele como a principal, gostaria de manter algo meu que pertencia ao meu passado “perfeito”.Sebastian apenas concordou, sem questionar. Na mesma semana ele fez a sua mudança, trazendo roupas e objetos pessoais, de resto venderi
Alessandra Martins No dia seguinte sinto a falta do Caleb e Patricia, Sebastian percebe, estamos sentados à mesa tomando o café da manhã;— Eles foram embora ontem. — Mas já sinto saudades. — Como meu pão.Sebastian balança a cabeça.— Deveria me sentir ofendido.Olho para ele sem entender.— Por quê?— Não vejo essa saudade toda em relação a mim. — Resmunga, tomando seu café. — Se soubesse desse gosto tanto por eles, deveria ter deixados com eles a impedisse de ir para Califórnia.Sobreviver para ver seu lado manhoso, pouco visto desde que estamos juntos. Ainda percebo sua culpa pelo que seu pai fez.— Sinto a sua falta quando vai trabalhar, Patricia e Caleb amenizavam. — Me estico para beijá-lo, a cara embirrada não sai de seu rosto. — Mas como eles não estão aqui e não posso trancafiar você em casa. — Sebastian me olha de imediato e me seguro para não rir. — É melhor voltar a trabalhar.Sebastian se mexe desconfortável na sua cadeira.— Faz pouco dias desde o acidente.Sei que es
Sebastian me irrita com seu revirar de olhos, não aceita como lidei com o André. Assim que André saiu da galeria, liguei para Sebastian sabendo que ele poderia me ajudar em uma questão, que mandasse alguém que entendesse sobre escutas e câmeras para revistar o escritório e a galeria em si. Fiquei desconfiada, mas não acharam nada.André não foi longe nesse ponto.— O cara te enganou por anos e a única coisa que você faz é mandá-lo ir embora? — Me olha indignado, com um copo de uísque em mãos.— Sebastian…— Além de tentar te beijar contra a sua vontade. — a aponta dedo de cada no ar. — já pode ser uma acusação de abuso, temos a falsificação de identidade e uma bela de uma surra para chegar bem na cadeia.— Sebastian, dá para parar? — Bebo minha tequila de uma vez.Nega com a cabeça.— Você é boazinha demais! — O seu tom é de acusação.Ele anda pela sala totalmente indignado.— É tão ruim ser boa?Pego a garrafa de tequila em cima da mesinha e encho o meu copo.— É perverso consigo mes
Sebastian D’Amore Coloco o copo sobre a mesa, Alessandra lidando friamente com a prisão dos seus pais. Antes se sentia ofendida e procurava defender, hoje simplesmente não se importa mais. É como se tivesse deletado essa fase de sua vida, é estranho, mas compreensivo.— Até a melhor pessoa pode se tornar uma pessoa má.Fecho meus olhos ao ouvir a voz do Victor. Estou de costas para ele, ao lado da grande janela da sala. Alessandra está dormindo no andar de cima, houve alguns eventos que era preciso a presença dos integrantes da família D’Amore.— Ela não mudou, não para se tornar esse tipo de pessoa.Ouço a sua risada baixa.— Até quando vai se enganar?— Victor…— Quase dois meses, Sebastian. — Sua voz fica mais perto. — Não finja que não tem visto essas mudanças. Aconteceu o mesmo com você, após a morte de sua mãe.Abro meus olhos, vejo o jardim muito bem cuidado e iluminado.— Você alguma vez a amou? — Pergunto, sabendo que Victor mudaria de assunto.— Sim.Surpreso, olho para ele
Sebastian D’AmoreO frio ardente de Nova York preenchia meus pulmões conforme respirava profundamente, abrir os meus olhos olhando aquela correria sem fim das pessoas andando de um lado para o outro. Às vezes alguém esbarra na outra e em um pedido singelo de desculpa continua seguindo o seu caminho. Um casal passa animadamente no outro lado da rua de mãos dadas e entram em um restaurante, pareciam felizes. Sentia náusea, o amor é perda de tempo. Não conseguia enxergar a utilidade dessa perda.— Não me importo com quem você pensa, é pago para fazer o que eu mando. — Falei ao meu assistente. O tom cortante faz com que se cale. — O investimento será maior e com o retorno financeiro triplicado, usaremos para investir nos nossos imóveis. Quero mais expansão.— Sim, senhor.Não me lembro do nome dele e tenho certeza que se pronunciar direi seu nome errado. Prefiro apenas dizer o que ele tem que fazer e pronto, continuando a fazer o seu serviço bem feito, não precisarei me dar o trabalho de