As suas suspeitas sobre o mistério de James só aumentaram. O indiferente marido, que adorava brincar e se fingir de bobo, parecia cada vez mais enigmático. A moça já acreditava que James escondia mesmo algo muito sério, mas o homem não diria nada, na certa, então ela permaneceu em silêncio, apenas pensando: 'Pelo menos eu sei que meu marido não é o inútil que pensam!' Thea estava exultante, porque agora sabia que James tinha habilidades médicas reais e tão avançadas que um membro da Associação dos Médicos se ajoelhou diante dele e implorou para ser tomado como seu discípulo. A jovem se lembrou das palavras de James, sobre a competição da Rua Medical, alegando que seria possível lhe transmitir algumas noções de medicina a tempo para participar da disputa. O rapaz disse que sua esposa seria capaz de se distinguir da multidão em uma competição médica, com aquilo que ele ensinaria. Thea, é claro, achou que fosse uma brincadeira do marido, mas, depois do que testemunhou, já achava que n
Thea tinha uma expressão mal-humorada, porque acreditava que James era, em segredo, um grande médico, mas aquilo acabou sendo um mal-entendido. A moça se sentiu decepcionada, mas, pelo menos, pensou em como o marido não era só um desavergonhado, já que acabou dizendo a ela a verdade. — Thea, James, do que vocês dois estão falando? — Xara se aproximou do casal, com um olhar tímido no rosto. Thea se virou para encarar a prima e perguntou:— Xara, foi você quem contou a James sobre a condição do vovô? — — Como é? — Xara paralisou. ‘O quê? Quando?’. Depois de ficar atordoada, ela se recompôs, entendeu o contexto e assentiu. — Não me culpe por isso, Thea. James me pediu isso e eu não tive escolha. — Thea olhou para James, então a boa impressão que ele acabara de construir na cena diante da família desapareceu em um instante. — Um homem tem que ser honesto e pragmático em tudo o que faz. — — Sim, você está certa, querida. Me desculpe. — James não ousou oferecer uma refutaçã
— Como você pôde mentir para mim, James? — — Eu não menti! Só conferi, depois, e vi que ainda tinha algo! — Thea pegou o cartão em suas mãos e resmungou:— Estou curiosa para ver quanto dinheiro tem aqui! — Dizendo isso, ela se dirigiu a um caixa eletrônico próximo e inseriu o cartão. — Senha? — Ela se virou para James, que a seguia. — Seis oitos. — James respondeu. Thea estranhou, mas digitou. Ao ver o número na tela, ela riu, então se virou e repreendeu o marido: — O saldo é zero, James. Por que você brinca assim? — James coçou o queixo, porque o saldo era de fato zero. O cartão não precisava ter um valor guardado em uma conta, porque se tratava de uma ferramenta corporativa. O homem poderia apenas digitar o valor que gostaria de sacar e o governo do país arcaria com tudo. Thea não sabia disso, então só puxou o cartão e o devolveu a James. Os dois deixaram isso quieto e foram até a filial da Herbal Biotech em North Cansington. Aquela era a maior farmácia de Cansi
Julianna já desprezava James e o menosprezava sem parar para tentar conhecer o homem. James, em resposta, apenas sorriu, enquanto Thea lhe lançou um olhar de ressentimento. Fofocas cruéis corriam rápido demais, afinal. A reputação de James, em resumo, já se espalhou até por North Cansington. Sem graça, a moça disse: — Julianna, James não é assim, ele só gosta de se manter discreto. Na verdade, meu marido é médico. Quem você acha que tratou de minhas cicatrizes? Suas habilidades médicas excedem em muito as do doutor Fallon, por exemplo. — Thea não resistiu e respondeu daquele jeito, quase soando como sua mãe. Embora James dissesse que não sabia muito sobre medicina, ela não queria se envergonhar na frente de uma antiga melhor amiga, então tentou se reerguer, ao máximo. No entanto, Julianna apenas olhou para James ao ouvir isso, indisposta a lhe conceder qualquer consideração, já que ser médico, em Cansington, não era algo incomum. Assim, ela não levou as palavras de Thea a sério. A
— Este é o Rei Milenar dos Ginseng? — — Nossa! Posso até sentir o cheiro daqui. — — Imagina o valor medicinal que um exemplar magnífico como esse pode ter? Tantas possibilidades de mistura, tantas propriedades que podem ser exploradas! — A multidão começou um burburinho acalorado. Ao ver o ginseng, James deu uma olhada satisfeita:— Nada mal. Nunca esperei ver um exemplar tão precioso em uma cidade movimentada como esta. Coisas assim só crescem em regiões inóspitas, sem o incômodo causados pelas grandes metrópoles. Imagino como transportaram sem causar nenhum dano, porque está perfeito! — Embora Thea não soubesse nada sobre a raridade das ervas, ela ficou perplexa ao ver um ginseng tão grande e com um formato tão bonito. — Este Rei Milenar dos Ginseng é fruto de muito trabalho de pesquisa e dedicação para estabelecer a melhor condição de plantio, com técnicas secretas, das mais tradicionais, melhoradas pelo conhecimento das técnicas modernas. Desde que o exemplar perfeit
Após o anúncio de Björn, ninguém ousou fazer uma oferta, então o homem tinha uma expressão satisfeita. No entanto, a anfitriã viu uma mão se levantar e o valor do ginseng subiu. O rosto do velho médico virou uma careta péssima, quando viu James de braço erguido. Encarando o jovem desconhecido, ele disse com frieza:— Que desgraça! Você não ouviu que este ginseng será meu? Que porra é essa? Você está me provocando? — James não deu a mínima, apenas queria o Rei Milenar dos Ginseng para dar a Thea. Do pequeno palco, o rosto de Christine ficou tensa, porque sabia que o médico tendia a ser um homem problemático. Além disso, o prestígio do homem poderia empacar a venda do ginseng, caso todos ficassem com receio de dar lances. A mulher viu James fazer a oferta, então viu sua esposa, ao seu lado. Num instante, a anfitriã paralisou, reconhecendo que aquela era Thea Callahan, que, embora não fosse alguém de quem ela tinha muitas informações sobre o passado, sabia que seu avô a defendera du
Björn se sentiu tonto, então apontou para James e gritou com raiva:— Quem você é, porra? Por que você está fazendo isso comigo? — — Eu sou apenas um ninguém. Isso é um leilão, senhor. Se quer tanto o ginseng, aumente o lance. — James sorriu. Nervosa, Thea tremia de medo. Ela puxou James e gesticulou para que ele parasse com as provocações, mas o homem não se intimidou. — Tudo bem, tanto faz! — O velho ficou tão furioso que soltou um sorriso de escárnio. Ele estendeu seu braço magricela para James. — Então enfie essa merda no seu cu! Espero que te ajude a aumentar mesmo sua expectativa de vida. Por ora, cuide de suas costas, seu babaca. — Ele pronunciou em um tom ameaçador. Todos podiam ver que ele estava furioso e que James, com certeza, estaria condenado. Björn parou de aumentar a oferta, enquanto Christine, que observava de trás do microfone, permaneceu em silêncio. Àquela altura, a moça já relatara tudo ao seu avô, que se encontrava em Cansington. Depois de ler as mensage
James e Thea saíram da Herbal Biotech, mas a moça continuava exasperada.— O que você está fazendo, James? Como poderíamos aceitar um presente tão valioso? — — Por que não? Foi um presente! — James argumentou. Thea respirou fundo. — Certo, tanto faz. — Mais uma vez, ela devia outro favor ao misterioso senhor Caden. Quando ela voltasse para Cansington, teria que agradecê-lo em pessoa e pedir para não cuidar mais dela. Embora a jovem fosse apenas uma pessoa comum, era protegida por um homem poderoso e influente. Uma ou duas vezes foi muito bom, porém pareceria cada vez mais estranho se isso acontecesse o tempo todo. Por fim, com o ginseng raro em mãos, o casal se colocou a caminho dos Hill. No meio da viagem, receberam um telefonema de David. — Onde você está, Thea? Cyrus está nos convidando para uma refeição. — — Não me esperem, porque não vou. — — Venha rápido! Ele faz questão de sua presença. Estamos no Gastronome, o restaurante mais luxuoso de North Cansington. —