Outro jantar…

…Camila…

Só pude pedir licença e me retirar da sala dele com uma sensação de frustrante a desconcertante. Se havia algo mais irritante do que ser interrompida em um momento que poderia mudar sua vida, eu desconhecia. Dante entrou como um furacão e destruiu qualquer possibilidade do que quer que fosse acontecer entre mim e Ethan.

A verdade é que eu nem sabia o que era aquilo. Um olhar? Uma provocação? Uma queda inevitável? Eu só sabia que, desde então, ele vinha jogando comigo.

Ethan não era do tipo que dava investidas diretas, não. Ele gostava de provocar, testar meus limites. Passava perto demais, falava no tom certo para me arrepiar inteira, me lançava olhares carregados de algo que só podia ser… desejo.

E eu estava sucumbindo. E quando menos esperei, Ethan entrou em minha sala, sem receio algum e se dirigiu à mim.

Quando ele se inclinou sobre minha mesa, uma das mãos apoiada bem ao lado da minha, o perfume amadeirado e viciante se misturando ao meu ar, percebi que ele também ficou chateado pelo que aconteceu mais cedo em sua sala.

- Preciso que venha comigo a um jantar hoje à noite - a voz dele saiu baixa, firme.

- Um jantar? - Minha boca estava seca.

- Com um investidor importante.- Seus olhos azul-acinzentados cravaram nos meus. - E quero que você esteja ao meu lado.

A parte profissional da minha mente gritava que isso era normal. Estava desenvolvendo um projeto grandioso para a empresa, e era importante a minha presença nesse tipo de evento. Mas nada era normal com Ethan Lancaster.

Porque, ao dizer isso, ele se inclinou um pouco mais. O suficiente para que nossos rostos ficassem perto demais. Meu coração martelou forte, e minha respiração falhou.

Eu senti. Ele sentiu.

E aí, claro, quem apareceu?

- Opa, atrapalho? - A voz animada de Dante soou atrás dele. Fechei os olhos por um segundo. Por que ele sempre aparecia na hora errada?

Ethan suspirou, endireitando-se. - Você tem um talento especial para isso, Dante.- Dante riu, puxando uma cadeira e se jogando nela. - Claro que tenho. É um dom.

Olhei para Ethan, que me lançou um olhar carregado de promessas não ditas. Aquele jogo estava só começando.

… Ethan…

Eu queria beijá-la. Era simples assim. Então aproveitei que tinha um jantar com um investidor naquele mesmo dia e a fiz acreditar que era indispensável a sua presença.

Mas, ao mesmo tempo, não era simples. Porque Camila não era qualquer mulher. Ela não se rendia fácil, não jogava para perder.

E eu gostava disso.

O problema era Dante. Porque, sempre que eu estava prestes a puxá-la um pouco mais para perto, ele surgia. Como um alarme anti-romance.

- Então, que história é essa de jantar? - Ele perguntou, pegando um chocolate da mesa dela sem cerimônia.

- Negócios. - Respondi seco, sem paciência para ele agora.

- Ah, claro, negócios. Com a arquiteta mais linda e irresistível que já vi, em um jantar chique, bebendo vinho… - Ele sorriu, apontando o chocolate para mim. - Definitivamente só negócios.

Camila pigarreou, cruzando os braços. - Eu estou aqui, tá?

Dante me olhou, aquele sorriso travesso no rosto. Eu quis matá-lo. Mas ele tinha razão, ela era linda, irresistível e cheia de mistérios que eu estava disposto a desvendá-los. Isso nunca foi só negócios.

A noite seria um grande desafio!

Saí da sala de Camila com um imenso receio de estar indo rápido demais! Mas a verdade é que nós não estávamos mais conseguindo evitar toda a tensão que só crescia entre nós. Eu queria, ela também. Só que o Dante ainda não tinha dado espaço para sequer chegarmos mais perto um do outro e nos sentirmos como queríamos.

À tarde passou se arrastando e eu estava ansioso para o jantar que aconteceria a noite, caso ela não desistisse por algum motivo. Fato que eu já estava desejando ela demais, a ponto de começar imaginar diversas desculpas que ela poderia dar para não ir ao jantar.

… Camila…

Precisei sair mais cedo para me arrumar para o jantar. Ele estava jogando comigo e eu iria entrar no jogo dele. Ah com certeza eu ia…

Quando entrei no meu apartamento, joguei a bolsa no sofá e soltei um suspiro pesado. O dia tinha sido longo, mas o pior de tudo era o que ele tinha feito comigo.

Ele estava na minha cabeça de um jeito que eu não conseguia controlar. Era como se cada palavra, cada olhar, cada provocação ficassem ecoando dentro de mim, me fazendo reviver os momentos com ele.

Fui até a cozinha e peguei um copo d’água, encostando-me ao balcão enquanto tentava me recompor. Meu apartamento era pequeno, mas aconchegante. Decoração minimalista, poucos móveis, tons neutros. Sempre gostei de coisas simples, mas bem organizadas.

Olhei para meu celular na mesa. Eu não tinha o número dele. Quer dizer, não ainda. Peguei o telefone e abri o chat da empresa, onde todas as informações dos funcionários estavam salvas. Meu coração bateu mais forte quando vi o nome dele.

Eu não devia. Não devia mesmo. Mas meus dedos já estavam digitando. Não sei se esperava a confirmação ou se desejava o cancelamento do encontro que aconteceria logo mais.

Camila: Senhor Lancaster, o jantar está confirmado?

Alexander: Achei que já tivesse deixado claro que quero você lá.

Engoli em seco. Ele tinha um jeito de responder que fazia meu corpo reagir inteiro.

Camila: Só queria confirmar. Estarei pronta no horário.

Alexander: Ótimo. Vou mandar o motorista te buscar. A menos que prefira que eu vá pessoalmente.

Prendi a respiração. O que ele queria dizer com isso?

Camila: O motorista está ótimo.

Esperei pela resposta, mas nada veio. Olhei para o celular por um tempo, sentindo um misto de frustração e alívio.

Eu precisava de um banho. Fui para o quarto e comecei a tirar a roupa enquanto a água esquentava. Fechei os olhos, deixando a água quente relaxar meus músculos, mas tudo o que eu via era ele. Ele chegando perto. Ele me provocando. Ele quase me beijando.

Maldito Ethan Lancaster!

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