Meu sangue ferveu quando vi Ember colocando o anel no dedo e sorrindo, como se aquilo fosse um prêmio que ela merecia receber. Avancei em sua direção como cão selvagem e arranquei o anel do dedo dela com tanta brutalidade que seu dedo esfolou, sangrando em seguida.
— Mas o que diabos você está fazendo, Daphne? – ela sentia-se profundamente insultada e se fez de vítima.
— Saia imediatamente do meu quarto – gritei, apontando o dedo para fora – já não basta você roubar o meu noivo, agora vai roubar meus pertences também?
Ela colocou o dedo machucado nos lábios e chupou o sangue. Aquilo era tão nojento e nem mesmo no momento de tensão, Ember parava de me provar o quanto era sedutora. Ela tirou a máscara de moça ofendida e caminhou com determinação em minha direção.
— Você ainda guarda o anel que o Vincent deu a você? – ela debochou – precisa superar esse homem, Daphne.
— Não foi o Vincent quem me deu esse anel – os olhos de Ember se arregalaram de surpresa com a informação – e mesmo que tivesse sido ele, você não tem direito de se meter em meus assuntos.
Ela fez cara de espanto e pareceu animada com o que acabara de ouvir. Era claro que Ember iria querer saber quem havia me dado o anel, embora nem mesmo eu soubesse de quem eu o havia recebido. A maior diversão de Ember era tirar tudo o que era meu para mostrar o quanto ela era melhor em tudo, mas dessa vez ela não conseguiria.
— Você já arrumou outro homem, Daphne? – ela ria e meu sangue borbulhava cada vez mais – deixe-me ver mais de perto esse anel, ele parece muito valioso.
Ela avançou na minha direção novamente, tentando me tomar o anel. Eu o apertei com tanta força na palma de minha mão que a pedra perfurou minha pele, fazendo-a sangrar. Eu a empurrei com as duas mãos para longe de mim, até que ela fosse finalmente vencida pelo cansaço.
— Isso não importa – ela disse, dando de ombros como se aquilo agora fosse insignificante – certamente ele deve ser outro fracassado como o Vincent que, quando colocar os olhos em mim, vai largar você no segundo seguinte.
Avancei na direção dela, quando minha mãe me impediu, me agarrando para que eu não agredisse minha irmã mais velha pelos insultos que ela desferia a mim.
Ember olhou para o relógio de pulso como se nada tivesse acontecido e se apressou para sair de cena.
— Eu queria ficar mais para conversar com você, mas tenho uma reunião com os executivos da minha empresa.
Girou os calcanhares e partiu, balançando seu enorme cabelo e esfregando na minha cara o quanto ela era uma mulher bem-sucedida e bonita. Ember era dona do próprio negócio, ela simplesmente tinha a maior loja de joias da nossa cidade. Tinha sua própria casa, seu veículo, seus empregados, enquanto eu ainda vivia debaixo do mesmo teto que os meus pais.
Gritei assim que ela saiu pela porta. Eu não suportava que ela tivesse tudo e ainda quisesse tirar de mim o pouco que eu tinha. Eu não suportava mais ter que viver à sombra da minha irmã mais velha.
— Até quando você vai continuar agindo como uma mulher imatura, atacando a sua irmã? - Minha mãe me advertiu como se eu fosse uma criança de cinco anos – nenhum homem gosta de mulheres inseguras como você.
— O que a senhora está dizendo? – Olhei bem nos olhos da minha mãe, achando inacreditável o que eu ouvia. - Está tentando colocar a culpa em mim por ser abandonada pelo Vincent?
— E de quem mais seria a culpa?
Meu pai entrou pela porta, quando ouviu os nossos gritos, mas não impediu minha mãe de continuar me insultando. Às vezes, eu acreditava que eu era um peso incômodo para os meus pais e que eles diziam aquelas coisas para mim, para que eu pudesse me tocar e ir embora de vez da casa deles. Eles sempre deixaram claro suas preferências por Ember, tanto que quando ela aceitou o pedido de Vincent, nenhum dos dois a tratou com desprezo por trair a própria irmã.
— Você acha que a Ember agiria assim se estivesse em seu lugar? É por isso que ela tem tudo o que quer, enquanto você, oh, meu Deus, Daphne…
— Ela te contou que já largou o Vincent ou a senhora sonhou com o casamento perfeito para a sua filha perfeita?
Minha mãe deu de ombros enquanto meu pai abaixou a cabeça. Eles sabiam, era claro que sabiam. Não importava se Ember fizesse isso somente para arruinar a minha vida, desde que ela continuasse sendo a mulher de sucesso que eles idealizaram a vida inteira.
— Vincent não era homem para ela e eu a avisei quando eles se encontravam pelas suas costas.
Meu pai levantou o olhar rapidamente, olhando assustado para minha mãe.
— Rosália, querida, já chega desse assunto – meu pai se aproximou, dessa vez para terminar a conversa.
— Ele estava me traindo com ela? – eu a impedi de sair – e a senhora sabia e encobria a traição? Que tipo de mãe faria isso com a própria filha?
Por que eu estava surpresa? Meus olhos encheram-se de lágrimas. Era informação demais para assimilar de uma vez só. Peguei minha bolsa que havia jogado no chão, engoli toda a dor que eu estava sentindo e saí de casa.
Eu havia perdido o apetite, eu preferiria ir para qualquer lugar, menos ficar ali e ouvir meus pais dizerem que participou de todos os atos de Ember pelas minhas costas. Eu precisava decidir a minha vida e ir embora daquela casa. Já não havia mais clima para eu morar debaixo do mesmo teto que os meus pais, depois do que eu acabara de saber.
Antes de dar a partida, eu percebi que ainda segurava o anel. Olhei para a aliança manchada com o meu próprio sangue e fiquei perguntado o que aquilo significava. No segundo seguinte, joguei a aliança na bolsa e saí finalmente de casa.
Dirigi sem rumo por minutos, quando lembrei da missão que Haiden havia me dado, encontrar sua esposa perdida. Aquela era a minha chance de conseguir um bom aumento ou até mesmo subir de cargo na empresa e ter dinheiro suficiente para finalmente ir embora da casa dos meus pais.
Enquanto eu dirigia de volta para o trabalho, eu decidi que daria o meu melhor para encontrar essa mulher e dar ao meu chefe o que ele tanto queria. Eu provaria para mim mesma que eu não era uma fracassada e que eu podia conseguir o que eu queria.
E eu conseguiria.
Penélope não era tão cruel quanto Ember, mas ela ainda conseguia me irritar. Ela era um pouco menos e mais volumosa do que Ember, com os cabelos loiros cumpridos e os seios sempre saltando para fora. Eu a vi se aproximar assim que me viu, revirei os meus olhos porque sabia que nada de interessante poderia vir dela. — Por que voltou tão depressa do almoço? Por que, afinal, ela queria saber? Quando Penélope percebeu que eu não daria atenção a ela, correu atrás de mim com os seus saltos barulhentos como pedras caindo no chão. — Vou saber o que o novo CEO pediu para você fazer – ela parou bem na minha frente – eu não costumo perder oportunidades assim, e ele precisa saber que eu ainda não desistir. Nenhuma palavra sairia da minha boca, nem mesmo se Penélope se ajoelhasse em meus pés, eu contaria a ela a minha missão. Quando estava pronta para deixá-la comendo poeira, Evangelina se aproximou e trouxe com ela todos os outros funcionários. Fantástico, era tudo o que eu precisava,
Não podia ser, eu sussurrava para mim mesma. Quais eram as chances de Ember ter se casado com um homem como Haiden sem que ninguém soubesse? Ember era vaidosa demais para esconder um segredo como esse. Se fosse ela, Haiden não estaria me pagando para auxiliá-lo a encontrá-la. — Há algum problema, senhorita Daphne? – a voz de Haiden me puxou de volta. Ele tinha aquele olhar vigilante em cima de mim novamente. Eu ri silenciosamente, o som estranho no escritório me faz perceber o quanto estava sendo ridícula. — Você conhece alguma Ember? – Ele inclinou a cabeça, me estudando pela décima vez. — Não, eu não conheço nenhuma Ember – respondi rápido, meu coração começando a disparar descontroladamente – se o senhor não se importar, eu vou voltar ao meu trabalho. Eu queria fugir dali, ir para bem longe para que Haiden não soubesse que eu tinha uma irmã com esse nome, e decidisse ir atrás dela. Girei os calcanhares, eu estava pronta para correr, quando Hainden esticou a corda. — Voc
— Ember casada com alguém? – Vincent coçou o queixo, a decepção fluindo pelos seus olhos – que ideia maluca é essa Daphne? Eu estava arriscando tudo nas minhas intenções. Bati a mão na testa e virei o corpo na direção oposta para que Vincent não visse o quanto eu estava desesperada com o erro que eu havia acabado de cometer. — A Ember está de caso com outro homem? É isso que você está querendo me dizer? — Como você é descarado, Vincent – me virei para olhar para ele, agora com a expressão furiosa – algumas horas atrás estava implorando para voltar comigo e agora está preocupado se a Ember está com outro homem? — Eu não quis dizer isso – ele gaguejou, seu rosto ganhando tons avermelhados – aliás, porque todo mundo na empresa está dizendo que você, o novo CEO, é mais do que funcionária e patrão? De novo, essa conversa maluca? De onde essas pessoas tiravam isso? Revirei os olhos, embora por dentro estivesse explodindo de raiva pelas fofocas que se espalhavam sobre mim, eu decidi não
Eu mal havia percebido a lagrima escorrendo pelo meu rosto quando a voz da minha mãe me fez lembrar da maldição que ainda era viver debaixo do mesmo teto que os meus pais. — Enxugue essa lágrima, Daphne – minha mãe me olhou com desprezo antes de dar de ombros e virar o rosto – a Ember está certa. É vergonhoso você querer arruinar a reputação dela dessa maneira. — Estou tentando arruinar a reputação dela? – um sorriso desesperado repuxou meus lábios quando passei a mão sobre os meus olhos marejados – eu deveria ter devolvido aquele tapa, aliás, eu deveria ter batido nela quando Ember se envolveu com o meu noivo. Acha mesmo que preciso estragar a reputação de alguém? — Você sempre está no caminho da Ember – minha mãe continuou me insultando, disposta a me fazer sentir culpada – você não suporta a ideia de vê-la vencendo e sendo alguém na vida, enquanto você permanece uma fracassada. Meu corpo inteiro esquentou ao ouvir aquelas palavras, como se um balde de água fervendo fosse jogado
Fiquei olhando para Hainden por tanto tempo que perdi a noção de onde eu estava e das pessoas que me cercavam. Foi o arrepio da proximidade dele que me fez perder a noção do tempo. — Normalmente, não preciso dizer às pessoas duas vezes o que fazer – eu ouvi sua voz quebrando tudo dentro de mim – vá até o meu escritório imediatamente. Hainden me lançou outro olhar de advertência antes de virar as costas e partir. O que havia acontecido aqui, afinal? Por que ele estava causando em mim esse efeito, como se meu estomago estivesse estremecendo? E como ele ficou sabendo sobre Ember? Quando girei o pescoço, vi toda aquela gente olhando para mim e rindo, sussurrando. Todos haviam visto o que Hainden fez e os boatos agora se tornariam insuportáveis ao ponto de eu não aguentar mais. Mas eu tinha um problema maior para resolver, eu precisava inventar qualquer mentira para que Haiden não se aproximasse de Ember e acreditasse que havia sido com ele que ele se casou. Eu deveria ter corrido atr
Haiden A manhã se arrastava enquanto eu ficava sentado atrás da minha mesa, aguardando Daphne retornar e me dizendo que tudo estava pronto para o encontro com a sua irmã Ember. Eu não fazia ideia de quais chances haveria dela ser minha esposa perdida, mas eu precisava me arriscar e descobrir de uma vez por todas. O tempo estava se esgotando. No fundo, para mim, não fazia a menor diferença quem seria a Ember ou com qual o tipo de mulher eu havia selado um acordo. Eu só precisava que essa mulher estivesse ao meu lado, sendo minha esposa, mesmo que seus sentimentos ou ações fossem uma completa farsa. Eu ainda tentava puxar em minhas lembranças qualquer traço do seu rosto, lembro-me somente da sua maquiagem borrada e seus cabelos despenteados enquanto ela sorria para mim e dizia seu nome, Ember. Eu me chamo Ember. Eu havia ido ao bar depois de uma discussão com o meu pai, quando ele jogou sobre mim suas verdadeiras intenções. Colocaria um desconhecido para ocupar o lugar que era meu
Eu estava do lado de fora da loja de Ember que tinha um nome nada tradicional e de difícil pronunciamento, além da fachada ser exagerada e o movimento de clientes ser bastante pouco para uma loja daquele tamanho. Ajeitei o meu paletó, dei uma conferida no meu reflexo na porta de vidro preta e finalmente entrei no lugar. Havia uma recepcionista mexendo no celular e mascando chiclete. Ela fazia uma bola enorme que estourou, grudando em sua boca, quando eu me aproximei. O barulho que vinha de seus lábios era insuportável e ela não percebeu ou não deu atenção quando me encostei no balcão. Passei os olhos pelo local, nenhum sinal de Ember. Será que Daphne não havia se confundido e me passado a informação incorreta? Eu realmente queria acreditar que esse era o motivo pelo mal-entendido. — Estou aqui para falar com a senhorita Ember – eu disse, me direcionando à jovem parada à minha frente. Ela continuou mascando seu chiclete e com os olhos vidrados no celular. — Precisa marcar horário
Daphne Mas o que diabos eu havia acabado de dizer? Olhei para Haiden e havia um sorriso repuxando seus lábios com o meu comentário. Como eu havia elogiado o meu chefe logo após pedir desculpas? Eu não deveria pedir desculpas pelas atitudes mesquinhas de Ember. Era ela daquele jeito e, a meu ver, não havia nada que pudesse mudá-la. Haiden foi avisado do que encontraria pela frente e, se ela o humilhou, eu o considerava justo. Voltamos para a empresa enquanto eu desejava ardentemente que aquele silêncio fosse nossa melhor companhia. Eu não queria responder mais nenhuma pergunta de Haiden, nem sequer me direcionar a ele. Assim que ele estacionou o veículo, eu desci, me apressando para sair dali o mais rápido possível. — Espere, Daphne – ele fez meus pés travarem no chão como se estivessem criando raízes – você vai almoçar comigo hoje. Temos muito o que conversar. Balancei a cabeça com a ordem dele. O que mais aquele homem queria de mim, além de me levar até a loja da minha irmã, sup