Capítulo 3
Desde a infância, fui uma Ômega sem companhia paterna, dependendo unicamente do afeto e cuidado de minha mãe, pois, além dela, eu não possuía verdadeiros amigos e ela já se encontrava sem laços familiares.

Quando Theo descobriu que eu era sua companheira, os seus pais demonstraram um desdém cortante diante da minha linhagem e classe; contudo, ele me escolheu de forma resoluta, me fazendo acreditar que nosso vínculo transcendental seria capaz de superar quaisquer obstáculos. Me senti amada como jamais havia experimentado, embora, com o passar do tempo, essa centelha se apagasse silenciosamente.

Naquela noite, Theo permaneceu ao meu lado e eu, mesmo incomodada pelo odor insistente das rosas de Elena que impregnava seu ser, não o recusei.

Na manhã seguinte, seu humor se encontrava repleto de leveza, evidenciado quando, ao despertar, ele depositou um beijo suave em minha testa.

— As duas mulheres mais importantes da minha vida finalmente se dão bem. Estou muito grato a você, Aria. Prometo que vou compensar isso no futuro.

Após o desjejum, Theo não apenas me devolveu o celular como também me autorizou a sair da mansão na companhia dos guerreiros lobisomens, e a primeira atitude que tomei foi discar o número de minha mãe.

Mal sabia ele que, naquele mesmo ano, minha mãe havia encontrado seu companheiro de segunda chance, o que significava que, mãe e filha, já não estaríamos sozinhas. Com o auxílio dela, em breve deixaríamos aquele lugar que nos aprisionava.

Nos meses que se sucederam, me esforcei para conviver pacificamente com Elena, que convenceu Theo a contratar um nutricionista particular e um treinador físico exclusivamente para ela, enquanto eu me mantinha desprovida de tais mimos e indiferente à forma como ela se exibisse.

Entretanto, mesmo sob os cuidados de uma equipe especializada, no oitavo mês de gestação, Elena apresentou uma posição fetal anormal, fato que levou o médico da clínica da alcateia a recomendar sua transferência urgente para o maior hospital de lobisomens, a fim de que recebesse os cuidados adequados, pois a situação se tornava perigosa.

Imediatamente, Theo arrumou as malas para conduzir Elena para longe.

Me Recolhi num recanto do quarto, com as mãos repousando sobre a minha barriga saliente, enquanto uma fraqueza inédita me invadia.

— Você não deveria continuar fingindo ser forte. — Minha loba sussurrou, baixa. — Nosso vínculo de companheiros está se rompendo. Se ele for embora com a Elena, talvez não consigamos sobreviver.

— Não, vamos conseguir! Temos que aguentar isso sozinhas. — Respondi.

Antes de partir, Theo me dirigiu um olhar exausto, mas permeado por um tênue toque de ternura.

— Você está bem? — Perguntou ele.

Recalcando qualquer sinal de vulnerabilidade, optei por permanecer em silêncio.

— Aria, voltarei para você antes que nosso filho nasça. A situação da Elena é urgente. Quando eu retornar, estarei com você 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Quis me erguer para declarar que também necessitava dele, pois tanto eu quanto meu bebê carecíamos de cuidados, mas o orgulho impôs o silêncio, me fazendo forçar um sorriso e acenar com a cabeça.

Theo me fitou com surpresa, como se não esperasse que eu o deixasse partir com tanta facilidade, permanecendo imóvel até que Elena o chamasse, quando então desviou lentamente o olhar de mim.

Porém, quando estava prestes a partir, repentinamente ele correu até mim e me envolveu num abraço vigoroso, com um tom mais frenético do que jamais demonstrara.

— Deixamos pra aí! Eu não vou! Vou fazer com que meu Beta a acompanhe. Ficarei aqui para cuidar de você.

Meu coração disparou, e por um breve instante senti novamente o calor do amor, embora logo afastasse tais sentimentos reconfortantes.

— Você deveria ir com a Elena. Se algo acontecer com o filho dela, você se sentirá culpado pelo resto da sua vida. — Sussurrei.

Na verdade, o que desejava expressar era: se algo ocorrer com a criança de Elena, você me responsabilizará por toda a sua existência.

Theo, gradualmente, afrouxou seu aperto e se dirigiu a Elena. No instante em que se preparava para adentrar o carro, uma empregada o chamou:

— Senhor, por favor, permita que a senhorita Aria volte para o seu quarto original. O quarto em que ela está agora está muito úmido. Não é bom para o bebê.

Antes que Theo pudesse responder, Elena exclamou:

— Que história é essa! Voltarei em breve. Como ela pode ficar com o meu quarto?

— Eu não quero voltar. — Declarei a Theo. Num instante, seu rosto se iluminou com um sorriso afetuoso.

— Quando eu voltar, vou lhe comprar uma casa nova. Sinto muito por ter feito você sofrer por alguns dias.

Dessa forma, ele adentrou o carro e partiu acompanhado por Elena.
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