6. Despertando desejo

O sol mal havia começado a se levantar no horizonte quando Charles já estava de pé. Depois de se alongar rapidamente, ele saiu para correr pelos arredores da cabana, mantendo seu ritmo impecável, como um verdadeiro profissional. O ar fresco da manhã e o som das folhas farfalhando ao vento eram seus únicos companheiros, já que Cássia, sua protegida, dormia profundamente sem a menor preocupação no mundo. 

No caminho de volta, ele percebeu que a situação da despensa da cabana era crítica —praticamente um deserto alimentar. Sem pensar duas vezes, parou no pequeno mercadinho da cidade mais próxima e comprou algumas coisas essenciais: ovos, pão, leite e, claro, café, porque lidar com Cássia sem café poderia ser um risco à sua própria sanidade. 

Quando chegou, colocou as sacolas sobre a mesa e começou a guardar os mantimentos, mas logo ouviu um barulho vindo do corredor. 

— Bom dia! — A voz preguiçosa de Cássia ecoou pelo ambiente enquanto ela bocejava e alongava os braços. — Onde você estava tão cedo?

Charles, sem tirar os olhos do que fazia, respondeu calmamente: 

— Saí para correr. 

Ela franziu o cenho, ainda meio sonolenta. 

— Correr? A essa hora? No meio da floresta? Você tá fugindo de alguma coisa? 

— Hábito, senhora. — Ele respondeu de forma prática. 

Cássia revirou os olhos e riu. 

— Quantas vezes eu vou ter que dizer para você parar de me chamar de ‘senhora’? Isso me faz sentir casada com um senhor de 80 anos. 

— Bom, considerando que seu marido é um político, acho que a comparação não está tão errada. — Ele respondeu, com um meio sorriso. 

Cássia riu, ainda grogue de sono. 

— Toque, Charles! Finalmente uma piada! Estou orgulhosa de você. 

Ele apenas balançou a cabeça, voltando ao que fazia. 

— Você já está com fome? — perguntou, ignorando a provocação. 

— Sempre! Mas vou me trocar primeiro e já volto.

Ela desapareceu pelo corredor, e Charles usou o tempo para preparar o café da manhã. Com habilidade, ele fez panquecas douradas, torradas crocantes e ovos fritos. Quando Cássia voltou, já, mais desperta, os dois se sentaram para comer. 

O silêncio tomou conta da mesa. Enquanto Charles comia tranquilamente, Cássia parecia distante, mexendo distraidamente no garfo. Seu olhar estava perdido, claramente remoendo pensamentos. A ideia de fugir, de estar sendo ameaçada, e principalmente a história mal contada de Henrique, seu marido, não saía da sua cabeça. 

“Será que eu realmente conheço o homem com quem me casei?” — ela pensou. 

Depois do café, Charles foi para fora mexer no carro, verificando se tudo estava em ordem. Cássia, entediada, pegou o celular e tentou ligar para sua melhor amiga, Molie. Sem resposta. Então, decidiu mandar uma mensagem. 

"Oi, amiga, tudo bem? Preciso da sua ajuda." 

Não demorou muito e o celular vibrou com uma resposta. 

"Cássia, mulher, onde você está?! Acabei de saber do ataque à sua casa! Você está bem?"

Cássia sorriu levemente ao ver a preocupação da amiga e digitou rápido: 

"Estou bem. Posso te ligar?"

"Estou em uma reunião, mas te ligo em cinco minutos."

Cinco minutos pareciam uma eternidade. Cássia correu até a cozinha, bebeu um copo d’água como se estivesse competindo em uma maratona e voltou para o sofá, ansiosa. Finalmente, seu telefone tocou. 

— Molie, que saudade! 

— Amiga, me conta tudo! O que aconteceu? Onde você está? Fala rápido que eu tenho pouco tempo! 

Cássia respirou fundo e começou: 

— Depois do ataque na minha casa, Henrique decidiu que eu precisava fugir. Ele contratou um guarda-costas e agora estamos escondidos em uma cabana no meio da floresta.

Do outro lado da linha, Molie ficou em silêncio por dois segundos, antes de soltar uma risada animada. 

— Peraí... você tá escondida no meio do nada... com um guarda-costas? 

— Sim… — respondeu Cássia, já prevendo o que vinha a seguir.

— E ele é gostoso? 

Cássia gargalhou. 

— Menina, ele é lindo, sexy e um verdadeiro soldado de filme de ação. Mas ainda não sei se é gostoso... preciso provar primeiro. 

Molie caiu na gargalhada. 

— Amiga, você tá há anos na seca! Casada com aquela geladeira. Se j**a nesse guarda-costas misterioso!

As duas continuaram rindo, mas, para a tristeza de Cássia, a ligação foi curta. 

— Preciso ir, mas me liga se precisar de alguma coisa, tá? E, por favor, aproveita essa oportunidade, porque essas coisas só acontecem em filme! 

Após se despedir, Cássia jogou o celular no sofá e suspirou. 

"Será que realmente só acontece em filme?" — Pensou, mordendo o lábio. 

Ela olhou pela janela e viu Charles ainda mexendo no carro, com a camiseta colada ao corpo, destacando os músculos. 

Talvez Molie estivesse certa.

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