Nos dias que se seguiram após a chocante notícia da fuga de Henrique e Malcon, a mansão de Cássia tornou-se um verdadeiro bunker. Um carro de polícia permaneceu estacionado na entrada principal 24 horas por dia, seus faróis desligados, mas sempre com dois oficiais atentos a qualquer movimentação suspeita. Os empregados, antes acostumados com a liberdade de entrar e sair, agora eram monitorados e acompanhados de perto, cada entrega, cada visitante, tudo era checado minuciosamente. Dentro da casa, Cássia estava praticamente em confinamento voluntário. O simples ato de sair para tomar um café na varanda parecia um luxo arriscado. Charles não desgrudava dela e do bebê, sempre de olho em qualquer possível ameaça. — Isso está me sufocando. — Cássia murmurou certa noite, sentada na cama enquanto balançava suavemente o bebê no colo. — Eu entendo a necessidade, mas não aguento mais me sentir como uma prisioneira dentro da minha própria casa. Charles se virou para ela, secando os cabelos ap
O tempo passou, e o pequeno Theo, como foi carinhosamente batizado, crescia cheio de energia e travessuras. Ele era a mistura perfeita de Cássia e Charles, com os olhos expressivos da mãe e o sorriso travesso do pai. As manhãs eram preenchidas com gargalhadas infantis e tentativas desastradas de falar novas palavras. Agora, Theo começava a dar seus primeiros passos, e cada cambaleio era uma nova aventura. — Charles, olha isso! Nosso filho vai ser um atleta! — Cássia exclamou, com os olhos brilhando de orgulho, enquanto Theo balançava os bracinhos, tentando se manter de pé. Charles, que estava sentado no tapete da sala, abriu um sorriso largo e estendeu os braços. — Isso mesmo, campeão! Vem para o papai! Theo deu um passinho incerto, depois outro, balançou perigosamente para o lado, mas continuou firme. Os pais assistiam à cena como se fosse um evento olímpico. — Isso, meu amor, só mais um! — Cássia incentivava, batendo palmas. O bebê deu o último passo e… pluft! Caiu direto nos
Na manhã seguinte, Cássia acordou com um sobressalto. Ainda sonolenta, olhou para o pequeno Theo, que dormia tranquilamente ao seu lado, e sentiu um aperto no peito. Tinha a sensação de que estava esquecendo algo importante. Então, como um raio, a lembrança veio. — A consulta do Theo! — exclamou, sentando-se de imediato. Ela pulou da cama e foi direto ao banheiro, tentando organizar mentalmente tudo o que precisava fazer antes de sair. Banhar Theo, escolher uma roupinha fofa... Chamar Julie, se arrumar… tudo em tempo recorde! Enquanto trocava Theo, que a olhava com um sorriso travesso e segurava o pezinho como se aquilo fosse o brinquedo mais divertido do mundo, ela pegou o celular e ligou para Charles. — Bom dia, minha flor-do-campo! — ele atendeu, com uma voz suave. — Charles, você não acredita! Eu quase esqueci da consulta do Theo! — Quê? — Ele pareceu despertar na hora. — Hoje?! — Sim, agora de manhã! — Então você tem meia hora para se arrumar, porque aposto que está em c
Seu corpo se recusava a reagir enquanto a presença ameaçadora de Henrique a envolvia. O toque frio e metálico do revólver contra sua barriga fez seu coração disparar em pânico silencioso.Ela olhou rapidamente ao redor. A recepção da clínica estava quase vazia.A assistente digitava algo no computador, distraída. Outra mulher, sentada na cadeira de espera, folheava documentos, totalmente alheia ao que acontecia ali, a poucos metros dela.Ninguém notava. Ninguém percebia que Cássia estava a segundos de ser levada.Foi então que Henrique se inclinou perigosamente próximo ao seu ouvido, e sua voz venenosa escorreu feito veneno.— Você vem comigo, querida. Sem escândalos, sem drama. Se tentar algo, o meu amigo ali dentro vai estourar os miolos do seu bebê.O terror puro atravessou Cássia como uma faca afiada. Theo. Seu pequeno Theo. Ela não podia arriscar. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as conteve. Respirou fundo, tentando manter a calma.Henrique deu um passo para trás, agar
Mesmo sentindo a adrenalina percorrer seu corpo, Charles olhou para seu pai e respondeu:— O Henrique é o ex-marido da Cássia, ele era um dos envolvidos em um caso que estava investigando, com ajuda de Cássia eu o desmascarei com seus comparsas, prendemos ele e foi nesse dia que o Dimitri fugiu, por isso fui para na Rússia.Enquanto conversavam, o telefone de Charles vibrou violentamente no bolso, interrompendo sua mente já tomada pela tensão. Frederick. Ele atendeu no primeiro toque, sem nem se preocupar em ser educado: — Fale! A voz de seu chefe veio grave e urgente do outro lado da linha: — Estamos no rastro de Henrique. Pegamos um dos homens dele há algumas horas, e ele abriu o bico. Henrique saiu ao encontro de Cássia… está com ela agora e não é para um b**e-papo amigável. Ele quer vingança.Charles sentiu o sangue ferver nas veias. — Desgraçado! — rosnou, apertando o celular com tanta força que quase o quebrou. — Onde ele está? Frederick hesitou por um segundo, então soltou
A cena do crime ainda pulsava com a tensão dos últimos acontecimentos. O cheiro de pólvora se misturava ao ar da noite, enquanto os policiais começavam a dispersar, cada um voltando para suas funções. A ambulância estava ali, prestando atendimento a Cássia, que, apesar de abalada, parecia finalmente respirar com um pouco mais de alívio. Tudo parecia sob controle.Até que não estava mais.Os passos firmes ecoaram pelo asfalto. Um policial se aproximava, uniforme impecável, postura rígida, olhar afiado como lâmina de faca. Mas algo estava… estranho. Charles sentiu um arrepio subir pela espinha ao encarar o homem. Havia algo fora do lugar, um detalhe pequeno, mas que fazia toda a diferença. Talvez fosse o olhar intenso demais. Ou a maneira como ele mantinha os lábios crispados, quase como quem segura um riso.Foi então que Charles percebeu.— Ah, droga…Tarde demais. O homem sacou a arma com um movimento fluido e certeiro, apontando diretamente para Charles.— SURPRESA, DESGRAÇADO! — ros
O entardecer daquele dia trouxe consigo um suspiro coletivo de alívio. O pesadelo finalmente havia terminado. Henrique e Malcon estavam mortos. Pela primeira vez em muito tempo, não havia medo, não havia perseguições, não havia sombras do passado ameaçando sua felicidade. Todos retornaram para casa, e a mansão de Cássia nunca pareceu tão acolhedora. Naquela noite, todos estavam reunidos na ampla sala de estar, envoltos por uma sensação quase surreal de tranquilidade. Molie e seu esposo estavam acomodados no sofá, compartilhando histórias e rindo como se não tivessem acabado de passar por um verdadeiro filme de ação. O pai de Charles e Frederick, seu chefe, conversavam como velhos amigos, trocando lembranças de tempos militares e competindo para ver quem já tinha sobrevivido à pior situação. — Então você já saltou de um helicóptero sem paraquedas?! — perguntou Frederick, franzindo a testa. — Tinha um lago embaixo. — O pai de Charles deu de ombros, bebendo um gole de uísque. — Is
Queridos leitores, Escrever Meu Gostoso Guarda-Costa foi uma experiência emocionante, desafiadora e incrivelmente gratificante. Essa história nasceu do desejo de explorar os extremos da natureza humana: desde a ambição desenfreada até o amor genuíno que floresce nas situações mais adversas. Cássia Moscovisk é uma personagem que carrega em si a força de quem enfrenta grandes perdas, mas ainda acredita no amor. Ela representa a luta para encontrar um sentido em meio ao caos, sem perder a essência de quem realmente é. Já Henrique Belmont é o reflexo da ambição, mentira e deslealdade, enquanto Charles Lamartine é a prova de que a bondade e a lealdade ainda têm um lugar no mundo. A trama mistura romance, suspense, humor e superação, com o objetivo de prender sua atenção e, ao mesmo tempo, trazer reflexões sobre confiança, coragem e a busca pela felicidade verdadeira.Espero que vocês se apaixonem por esses personagens e sintam cada emoção que quis transmitir. Para mim, cada linha foi es