Cássia bufou, cruzando os braços e batendo o pé no chão como uma criança contrariada. Ela murmurou para si:— Ora, se ele pensa que pode resistir a mim, está muito enganado.Determinada a virar o jogo, Cássia decidiu que não desistiria tão facilmente. Afinal, ela sempre adorou um bom desafio.Depois que Charles fechou a porta atrás de si, o ambiente do banheiro se transformou num refúgio momentâneo de emoções conflitantes. Ele recostou-se na parede fria, deixando escapar um suspiro longo e carregado de resignação. "Ah, Charles, sempre tão difícil resistir à tentação, não é?" — Murmurou para si, como se tentasse convencer seu próprio corpo a se acalmar. Enquanto seus pensamentos fervilhavam em torno de Cássia, a presença dela parecia invadir cada recanto de sua mente. Ele sabia muito bem o quanto era complicado evitar tocá-la, resistir àquele ímpeto avassalador que sempre surgia em momentos inoportunos. E, como um alarme inesperado, seu corpo reagiu: seu membro pulsante começou a envia
Na manhã seguinte, antes mesmo do sol dar seus primeiros sinais no horizonte, Charles despertou com a agilidade de um atleta olímpico – sem tempo para bocejos ou devaneios, pois já tinha um compromisso importante marcado para aquela manhã. Levantou-se, vestiu-se rapidamente e saiu disparado, como se o atraso fosse um inimigo a ser derrotado a qualquer custo.Seu destino era uma pequena cafeteria, situada próximo a um posto de gasolina na entrada de uma cidade circunvizinha – um local modesto, mas repleto de charme peculiar, onde os negócios eram sempre temperados com um toque de informalidade. Lá, alguém já o aguardava. E não era para menos: a mulher que o encontraria tinha um ar enigmático. Seus cabelos negros, elegantemente amarrados para trás, contrastavam com a simplicidade de sua calça jeans, enquanto seus olhos afiavam a atenção, lembrando a mordacidade de uma víbora pronta para dar uma picada de comentário.Ao avistar Charles, ela se levantou de sua cadeira com a rapidez de que
Charles interrompeu-a, tentando amenizar a situação:— Pois é, Cássia. Isso já vem acontecendo há algum tempo, mas recebi essas imagens ontem à noite e fiquei preocupado, sem saber como te contar. Por isso estava tão sério ontem. E tem mais... — ele suspirou.Cássia sentiu sua cabeça girar. Lembrou-se do passado, da insistência de Gustavo em tirá-la do luto e do encontro com Henrique, percebendo que ele havia armado tudo. Abruptamente, levantou-se da cadeira e caminhou até a sala. Charles percebeu a decepção estampada em seu rosto e a seguiu, preocupado.— Cássia, você está bem?— Por favor, Charles, me deixe sozinha por um instante.Cássia suspirou, tentando conter a raiva que sentia no peito. Fora enganada por todo esse tempo; sentia ódio de Henrique e de Gustavo. Tudo na vida de Henrique era uma mentira. Aquilo que ele a fez acreditar... era só a fachada de um grande espetáculo de enganação. Ódio! Que ódio! Cássia repetia, sentindo seu sangue ferver.Ela se voltou para Charles, que
Charles respirou fundo antes de continuar, sabendo que a informação que estava prestes a revelar mudaria completamente o rumo da conversa.— A festa de gala organizada por Henrique, como prefeito, está marcada para amanhã à tarde — anunciou ele, com um olhar sério. — Precisamos nos preparar, porque será o momento do grande confronto.Cássia, que ainda estava assimilando tudo o que havia sido dito, tentou manter o humor leve, mesmo sentindo um frio na barriga com a gravidade da situação.— Então, estamos falando de uma festa onde o anfitrião é o vilão e os convidados são os mocinhos disfarçados? Parece até enredo de um filme de espionagem — brincou ela, arqueando uma sobrancelha.Charles não pôde deixar de esboçar um sorriso diante da tentativa dela de aliviar a tensão. Ele sabia que, apesar da brincadeira, Cássia estava ciente da seriedade da missão.— Exatamente isso — confirmou ele. — A diferença é que precisamos garantir que o final seja feliz para o lado certo.Cássia respirou fun
A estrada sinuosa se estendia à frente, ladeada por árvores altas cujas sombras dançavam sob a luz do entardecer. O carro avançava suavemente, mas a mente de Cássia estava longe dali. Enquanto observava a paisagem passar pela janela, seus pensamentos a levaram de volta a um passado que ainda doía. Uma única lágrima escorreu silenciosamente por seu rosto, traçando um caminho solitário até sua bochecha. Charles, atento ao silêncio repentino, percebeu sua expressão melancólica e decidiu quebrar a tensão com um comentário leve. — Sabe… — começou ele, lançando um olhar de soslaio para ela. — Sempre imaginei que mansões antigas tivessem segredos escondidos. Túneis secretos, passagens ocultas… Quem sabe encontramos um tesouro enterrado no jardim? Cássia piscou algumas vezes, como se voltasse à realidade, e sorriu levemente. A tentativa de humor de Charles foi o suficiente para afastar, ainda que por um momento, o peso em seu peito. — Bem… Se encontrarmos algo, prometo dividir com você.
Ao chegarem à mansão, foram recebidos pelos fiéis empregados. Cássia, tentando manter o clima leve, apresentou Charles:— Este é Charles, meu... parceiro de aventuras.Charles fez uma reverência exagerada.— Às suas ordens.A mansão, com seus corredores amplos e móveis antigos, trouxe à tona lembranças de tempos mais simples. Enquanto caminhavam pelos cômodos, Cássia contou histórias de sua infância, e Charles, sempre pronto com um comentário espirituoso, a fazia rir.— Então, você realmente tentou escalar aquela árvore?Cássia riu.— Sim, e caí de cara no chão.Charles fingiu preocupação.— Isso explica muita coisa.Eles riram juntos, e, por um momento, os problemas pareceram distantes.Após a chegada à mansão e um jantar reconfortante, Cássia e Charles se encontraram na sala de estar, onde uma lareira crepitava suavemente, lançando sombras dançantes pelas paredes. O ambiente era acolhedor, e a tensão dos últimos dias parecia dissipar-se naquele refúgio.Sentados lado a lado no sofá
Quando finalmente ela estava nua diante dele, Charles fez uma pausa, permitindo-se admirar sua beleza sem reservas. Seus olhos percorreram cada detalhe, como se quisesse gravar aquela imagem na memória para sempre. Cássia, corada, mordeu o lábio inferior, sentindo-se exposta e, ao mesmo tempo, desejada de uma maneira que nunca havia experimentado antes. Incapaz de suportar a distância, ela segurou o braço de Charles e o puxou para mais perto. Seus corpos se encontraram novamente, e ele a beijou com ainda mais intensidade, suas mãos deslizando suavemente por sua pele quente.Charles se afastou por um instante, mas seus olhos permaneceram fixos nos dela, carregados de uma intensidade que fez Cássia prender a respiração. O ar entre eles parecia eletrizado, pesado com um desejo latente que os envolvia como uma tempestade prestes a desabar.Ela arquejou suavemente, seu corpo reagindo à presença dele, ansiando por seu toque. Mas Charles não cedeu de imediato. Ele queria prolongar aquele mom
Naquele instante, tudo pareceu parar. O tempo, o vento, o mundo inteiro – como se até o universo tivesse decidido dar um tempo para assistir àquele momento. Charles não disse nada. Nada. Nenhuma palavra dramática, nenhuma declaração arrebatadora de amor. Nada. Ele simplesmente a envolveu em seus braços, com a destreza de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo – e se não soubesse, fingia muito bem. Puxou-a para perto, encaixando-a contra seu peito como se ela fosse a peça que faltava no seu quebra-cabeça pessoal. Cássia não reclamou. Pelo contrário, se entregou àquele abraço como se fosse um casaco quentinho em um dia frio. O calor do corpo dele era confortável, aconchegante… quase perigoso. Fechou os olhos e inspirou profundamente, absorvendo aquele instante. O cheiro amadeirado de Charles misturava-se com o aroma de lavanda de seus cabelos, criando uma combinação que deveria ser engarrafada e vendida como perfume com o nome "Perdição". Os minutos passaram sem pressa. O q