Naquele entardecer, enquanto o carro deslizava suavemente pela estrada rumo à cabana, um silêncio carregado de mistério e tensão preenchia o interior do veículo. Charles lançava olhares rápidos e furtivos para Cássia, como se estivesse tentando ler uma mensagem secreta escondida em seus pensamentos, mas a expressão dela permanecia impenetrável. Ele se perguntava se ela estava tramando algo, refletindo sobre as reviravoltas do dia, ou simplesmente focada em seus próprios planos.Enquanto isso, bem no coração da cidade, Henrique estava em clima de celebração. Em meio a um grupo de assessores e amigos, ele brindava com entusiasmo sua vitória – ou pelo menos, assim pensava. Risadas e conversas animadas ecoavam enquanto Henrique desfilava sua autoconfiança, mas, de repente, Rodrigo apareceu como aquele personagem inesperado de uma comédia romântica.Rodrigo cumprimentou todos com um sorriso simpático e, discretamente, aproximou-se de Henrique. Encostando-se no ombro dele, murmurou algo ao
Charles, com a determinação de um general antes da batalha, se dirigiu à cozinha. Lá, ele dava início à preparação do jantar, medindo ingredientes e mexendo panelas como se cada prato fosse parte de um elaborado plano estratégico.Na sala, o clima era bem diferente. Cássia, animada e cheia de energia, conversava com sua amiga, ambas conspirando com entusiasmo. Entre risos e piadas, elas arquitetavam um pequeno susto para Henrique, planejando desmascará-lo de uma vez por todas.— Imagina a cara dele quando perceber que estou viva! — disse Cássia, com um sorriso maroto enquanto balançava a cabeça, quase não conseguindo conter a empolgação.— Já consigo ver ele saltando da cadeira! — retrucou sua amiga, dando boas risadas.Enquanto as duas riam e trocavam confidências sobre a "pegadinha", Charles continuava a se concentrar na cozinha.A atmosfera na cabana estava carregada de expectativas e humor. Para Cássia, aquele plano parecia uma forma leve de finalmente expor as artimanhas de Henri
Cássia bufou, cruzando os braços e batendo o pé no chão como uma criança contrariada. Ela murmurou para si:— Ora, se ele pensa que pode resistir a mim, está muito enganado.Determinada a virar o jogo, Cássia decidiu que não desistiria tão facilmente. Afinal, ela sempre adorou um bom desafio.Depois que Charles fechou a porta atrás de si, o ambiente do banheiro se transformou num refúgio momentâneo de emoções conflitantes. Ele recostou-se na parede fria, deixando escapar um suspiro longo e carregado de resignação. "Ah, Charles, sempre tão difícil resistir à tentação, não é?" — Murmurou para si, como se tentasse convencer seu próprio corpo a se acalmar. Enquanto seus pensamentos fervilhavam em torno de Cássia, a presença dela parecia invadir cada recanto de sua mente. Ele sabia muito bem o quanto era complicado evitar tocá-la, resistir àquele ímpeto avassalador que sempre surgia em momentos inoportunos. E, como um alarme inesperado, seu corpo reagiu: seu membro pulsante começou a envia
Na manhã seguinte, antes mesmo do sol dar seus primeiros sinais no horizonte, Charles despertou com a agilidade de um atleta olímpico – sem tempo para bocejos ou devaneios, pois já tinha um compromisso importante marcado para aquela manhã. Levantou-se, vestiu-se rapidamente e saiu disparado, como se o atraso fosse um inimigo a ser derrotado a qualquer custo.Seu destino era uma pequena cafeteria, situada próximo a um posto de gasolina na entrada de uma cidade circunvizinha – um local modesto, mas repleto de charme peculiar, onde os negócios eram sempre temperados com um toque de informalidade. Lá, alguém já o aguardava. E não era para menos: a mulher que o encontraria tinha um ar enigmático. Seus cabelos negros, elegantemente amarrados para trás, contrastavam com a simplicidade de sua calça jeans, enquanto seus olhos afiavam a atenção, lembrando a mordacidade de uma víbora pronta para dar uma picada de comentário.Ao avistar Charles, ela se levantou de sua cadeira com a rapidez de que
Charles interrompeu-a, tentando amenizar a situação:— Pois é, Cássia. Isso já vem acontecendo há algum tempo, mas recebi essas imagens ontem à noite e fiquei preocupado, sem saber como te contar. Por isso estava tão sério ontem. E tem mais... — ele suspirou.Cássia sentiu sua cabeça girar. Lembrou-se do passado, da insistência de Gustavo em tirá-la do luto e do encontro com Henrique, percebendo que ele havia armado tudo. Abruptamente, levantou-se da cadeira e caminhou até a sala. Charles percebeu a decepção estampada em seu rosto e a seguiu, preocupado.— Cássia, você está bem?— Por favor, Charles, me deixe sozinha por um instante.Cássia suspirou, tentando conter a raiva que sentia no peito. Fora enganada por todo esse tempo; sentia ódio de Henrique e de Gustavo. Tudo na vida de Henrique era uma mentira. Aquilo que ele a fez acreditar... era só a fachada de um grande espetáculo de enganação. Ódio! Que ódio! Cássia repetia, sentindo seu sangue ferver.Ela se voltou para Charles, que
Charles respirou fundo antes de continuar, sabendo que a informação que estava prestes a revelar mudaria completamente o rumo da conversa.— A festa de gala organizada por Henrique, como prefeito, está marcada para amanhã à tarde — anunciou ele, com um olhar sério. — Precisamos nos preparar, porque será o momento do grande confronto.Cássia, que ainda estava assimilando tudo o que havia sido dito, tentou manter o humor leve, mesmo sentindo um frio na barriga com a gravidade da situação.— Então, estamos falando de uma festa onde o anfitrião é o vilão e os convidados são os mocinhos disfarçados? Parece até enredo de um filme de espionagem — brincou ela, arqueando uma sobrancelha.Charles não pôde deixar de esboçar um sorriso diante da tentativa dela de aliviar a tensão. Ele sabia que, apesar da brincadeira, Cássia estava ciente da seriedade da missão.— Exatamente isso — confirmou ele. — A diferença é que precisamos garantir que o final seja feliz para o lado certo.Cássia respirou fun
A estrada sinuosa se estendia à frente, ladeada por árvores altas cujas sombras dançavam sob a luz do entardecer. O carro avançava suavemente, mas a mente de Cássia estava longe dali. Enquanto observava a paisagem passar pela janela, seus pensamentos a levaram de volta a um passado que ainda doía. Uma única lágrima escorreu silenciosamente por seu rosto, traçando um caminho solitário até sua bochecha. Charles, atento ao silêncio repentino, percebeu sua expressão melancólica e decidiu quebrar a tensão com um comentário leve. — Sabe… — começou ele, lançando um olhar de soslaio para ela. — Sempre imaginei que mansões antigas tivessem segredos escondidos. Túneis secretos, passagens ocultas… Quem sabe encontramos um tesouro enterrado no jardim? Cássia piscou algumas vezes, como se voltasse à realidade, e sorriu levemente. A tentativa de humor de Charles foi o suficiente para afastar, ainda que por um momento, o peso em seu peito. — Bem… Se encontrarmos algo, prometo dividir com você.
Ao chegarem à mansão, foram recebidos pelos fiéis empregados. Cássia, tentando manter o clima leve, apresentou Charles:— Este é Charles, meu... parceiro de aventuras.Charles fez uma reverência exagerada.— Às suas ordens.A mansão, com seus corredores amplos e móveis antigos, trouxe à tona lembranças de tempos mais simples. Enquanto caminhavam pelos cômodos, Cássia contou histórias de sua infância, e Charles, sempre pronto com um comentário espirituoso, a fazia rir.— Então, você realmente tentou escalar aquela árvore?Cássia riu.— Sim, e caí de cara no chão.Charles fingiu preocupação.— Isso explica muita coisa.Eles riram juntos, e, por um momento, os problemas pareceram distantes.Após a chegada à mansão e um jantar reconfortante, Cássia e Charles se encontraram na sala de estar, onde uma lareira crepitava suavemente, lançando sombras dançantes pelas paredes. O ambiente era acolhedor, e a tensão dos últimos dias parecia dissipar-se naquele refúgio.Sentados lado a lado no sofá