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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas
Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas
Por: Priscila Ozilio
Capítulo 1 – Não me Deixem Sozinha

Isabella

Eu corria pela floresta densa, o som abafado das folhas secas esmagadas sob meus pequenos pés competia com o batimento acelerado do meu coração. A escuridão começava a engolir a luz do sol, e os troncos das árvores pareciam se fechar ao meu redor, como se a floresta estivesse me aprisionando. Cada passo que eu dava era uma tentativa desesperada de fugir da sensação de pavor crescente, mas quanto mais eu corria, mais me sentia perdida. Aos 10 anos, eu não tinha os sentidos aguçados dos lobos para me guiar. Era apenas uma criança, cercada por sombras e ameaças invisíveis.

Papai... Tia Angel... onde vocês estão? — minha voz ecoou pela floresta, mas parecia engolida pela imensidão verde. Eu estava sozinha. Abandonada.

O sol já havia se posto completamente. Os últimos raios dourados, que antes eram lâminas suaves, agora pareciam uma lembrança cruel de que a noite estava chegando, e com ela, o perigo. A floresta que conectava as alcateias era vastamente interligada, um emaranhado de vegetação que mantinha as vidas dos lobos em segredo. Mas sem minha loba, eu não sabia como rastrear o caminho de volta.

De repente, o chão tremeu sob meus pés, e um barulho crescente surgiu por trás de mim. Olhei para trás, mas não vi nada além das árvores. A sensação de ser observada me fez acelerar o passo.

Papai... — sussurrei, tentando controlar a voz trêmula. Mas a única resposta que ouvi foi o vento, que sussurrava como se zombasse da minha fraqueza.

Tropecei em uma raiz que me fez cair de joelhos, arranhando a pele. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto enquanto eu tentava me levantar, com a sensação de que a floresta estava se fechando em torno de mim.

Por favor... não me deixem sozinha aqui — murmurei para mim mesma, minha voz quase inaudível, mas carregada de uma angústia profunda. O medo tomava conta de mim, mas algo dentro de mim ainda resistia.

Foi então que uma voz suave e firme ecoou em minha mente.

Levante-se, Isabella. Você não está sozinha.

Assustada, olhei ao redor, mas não vi ninguém.

Quem é você? Como pode estar na minha mente? — perguntei, a voz tremendo, o medo quase me paralisando.

Eu sou parte de você. Sou sua loba, Ártemis. Chegou a hora de nos conhecermos.

Meu coração disparou. A sensação de uma presença incomum e imensa encheu minha mente.

Minha... minha loba? Mas eu sou muito jovem para isso. Papai disse que isso aconteceria quando eu fosse mais velha...

As circunstâncias nos trouxeram aqui, Isabella. Agora, ouça-me. Eu posso ajudá-la a encontrar o caminho de volta.

A floresta parecia mudar ao meu redor enquanto a presença de Ártemis se tornava mais forte. Eu sentia uma força crescente dentro de mim, algo primal e selvagem, que eu nunca havia experimentado antes. Algo que falava de coragem, de força.

Confie em mim. Siga o aroma da água. O rio nos levará ao seu pai. — ela disse, sua voz envolvente e tranquila.

Eu enxuguei as lágrimas e assenti. Algo dentro de mim sabia que podia confiar nela.

Tudo bem. Me mostre o caminho.

Com o auxílio de Ártemis, os sons da floresta se tornaram mais nítidos, e os aromas mais intensos. Cada ruído era uma pista, cada cheiro, uma orientação. O murmúrio distante do rio chegou aos meus ouvidos como uma melodia de esperança, e então, correndo em direção ao som, trombei em algo... ou melhor, em alguém.

O impacto me fez cair para trás. Quando levantei o olhar, vi um jovem parado diante de mim. Ele parecia ter uns 18 anos, com cabelos loiros que caíam sobre seus ombros e olhos azuis profundos como o oceano. Sua presença era imponente, mas ao mesmo tempo, ele tinha algo que me atraía de uma forma que eu não conseguia explicar.

Quem é você? — a voz dele era grave, mas com um tom curioso. Antes que eu pudesse responder, uma outra voz chamou:

Logan! Onde você está?

O jovem olhou para trás, distraído pelo chamado. Aproveitei o momento e corri, deixando-o para trás. Mas, enquanto fugia, aqueles olhos azuis não saíam da minha mente. Algo nele me atraiu, algo profundo e misterioso.

Rápido, Isabella. Estamos perto. — Ártemis me guiava com precisão, e logo avistei a figura imponente de meu pai. Ele estava parado ao lado da tia Angel, os olhos ansiosos escaneando o ambiente.

Papai! Tia Angel! — gritei, correndo para os braços deles. Meu pai me ergueu com força, e eu senti o calor e a segurança de seus braços.

Graças à Deusa, você está bem. Achei que tinha perdido você — ele disse, a voz embargada de emoção.

Enquanto me apertava em seus braços, Ártemis falou novamente em minha mente, sua voz suave e firme:

Isabella, prometa-me algo.

O quê? — pensei, ainda emocionalmente abalada.

Nunca diga a ninguém que pode falar comigo. Este será nosso segredo. Apenas nosso.

Hesitei, o peso da responsabilidade tomando conta de mim, mas acabei assentindo, sentindo uma ligação profunda com aquela voz que agora fazia parte de mim.

Eu prometo — respondi, a voz firme em minha mente.

Enquanto meu pai me segurava, vi um brilho de alívio nos seus olhos. Ele parecia perdido em seus pensamentos, com a expressão de quem revivia o medo de me perder. Como se o tempo tivesse voltado para o dia em que meu pai Mason morreu. Ele me apertou ainda mais contra si, e ouvi suas palavras, impregnadas de uma força imensa.

Nunca vou deixar nada acontecer com você, Isabella. Nunca.

A promessa dele, tão forte e verdadeira, fez meu coração se sentir seguro novamente. Mas algo me dizia que aquele era apenas o começo de uma jornada muito maior, onde a verdadeira força estava prestes a despertar dentro de mim.

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